Mal podia acreditar, eram tantos caça-feitiços juntos, nunca havia ouvido falar de uma sociedade, mas aparentemente meu mestre tinha alguma relação com eles. Depois de um momento dois homens que estavam recuados perto de algumas arvores puxaram juntos uma corrente que deveria ser de prata, era uma corrente realmente passada pois apenas os dois juntos para levanta-la.

Quando puxaram, um deles falou algo na língua antiga, não entendi o que era, mas poderia ser um feitiço. Um caça-feitiço nunca faria um feitiço, por isso eles eram algum tipo de impostores. Logo após de falar aquilo, na outra ponta da corrente algo muito estranho acontece, a corrente começa a flutuar no ar como se tivesse algo preso nela.

–-Pena que Morgan não pode vir hoje, ele adoraria arrancar a cabeça de mais um caça-feitiço, e aparentemente, uma aprendiz de feiticeira também, eu adorei, me deixa muito excitado.

Quando esse homem, que estava começando a avançar em minha direção parou de falar, peguei meu bastão e armei-o em diagonal em minha frente.

Eu queria falar alguma coisa mas os eventos a seguir me impediram. Um vulto começou a se materializar na corrente deles, estava preso la, como um cachorrinho domado, um gigantesco ogro taca pedras. O que eles queriam comigo? Com certeza não eram amigos.

–-Quem são vocês? O que querem aqui?—perguntei, nisso Alice se juntava à mim.

–-Apenas duas coisas garoto, sua cabeça e a fantasminha camarada atrás de ti.

Olhamos eu e Alice para traz rapidamente quando vimos junto a casa, a menina ruiva de antes, eles queriam o espirito dela, mas porque?

Ouvimos um rugido muito alto que estourou os vidros restantes da casa, a menina agora estava chorando e gritando, com as mãos no ouvido. E aquele grupo de homens estava rindo de prazer, o urro do ogro fez a menina se lembrar de antes de sua morte. Fiquei com muita raiva então avancei em direção ao homem mais próximo, que tirou uma lança com uma grande lamina das costas, ao chegarmos perto um do outro, começamos a trocar golpes. Mas ele estava apenas brincando, era muito mais experiente e na primeira oportunidade me desarmou, me deu um chute no peito que tirou todo ar de meu pulmão e fez eu cair para traz.

Ele ia furar meu coração quando ao lado dele um vulto pula atacando ele. Era o cão que estava perto da casa.

–-Tom cuidado! – a menina ruiva havia dito, olhei para os lados pensando que ela estava me avisando de algo, mas ela não sabia meu nome, tom era o nome do cachorro e era o cachorro dela.

Quando me levantei olhei para o inimigo, o cão estava no chão imóvel quando a menina grita e sai correndo em nossa direção. Mas era tarde demais, o homem de preto havia furado o pescoço do cachorro que em um ultimo grito de dor perdia sua vida.

–-Esse pulguento sujou minha lamina, deveria ter pisado nele até a morte.

Nesse momento eu estava em pé com o bastão já em mãos com uma raiva que jamais sentira, e Alice também parecia com muita raiva. A menina continuava se aproximando e invés de parar para ver seu cão ela continuou correndo, agora seu olhar não era de dor, e sim de raiva e fúria. Não sei como ela fez isso mais passou correndo por dentro do homem. Que fez ele cuspir sangue e ficar com mais raiva. A menina continuava correndo em direção ao segundo homem que tentou parar ela com, dessa vez, com duas espadas curtas, mas foi inutil, a menina era intocada, apenas um vento correndo com seu vestido voando, parecia flutuar pela grama.

Eu não sabia que aquilo era possível, a menina passou os homens da Corrente e pulou em direção do ogro. O que fez ele cair no chão sem vida, os dois homens que seguravam ele se assustaram e deixaram as correntes caírem. A menina conseguira matar um ogro facilmente, quanto poder. Mas desta vez os 4 homens estavam vindo em minha direção.

–-Olha o que você fez garoto, arruinou nosso plano, vai pagar e se arrepender de ter nascido.

O primeiro homem estava quase na minha frente quando todos sentimos um tremor, algo fez todos tremerem. Olhamos na direção do ogro e ele havia acordado, mas agora com os olhos verdes substituindo os vermelhos, aquilo era uma possessão!

A menina tinha possuído o corpo do ogro e agora dominava ele, sua força de vontade de vingança ajudou ela a ganhar poder que nunca havia imaginado. Eu tinha que pensar em algo rápido para fazer, por isso gritei.

–- Alice, corre para a direita.

Dito isso ela que não tinha reação, correu, e eu fui para a esquerda fugindo.

–- Homens, a menina esta ali ainda, vamos continuar com o plano, peguem ela. – o homem que parecia ser o líder, aquele com duas espadas, ordena quando os 3 vão em direção do ogro e o primeiro me segue correndo. Eu era muito mais rápido mas menos resistente, vi a casa e viu na direção dela, consegui entrar e fui correndo subir as escadas, quando entrei não ouvi ninguém me perseguindo, apenas silencio.

Esperei um pouco e sai para ver as coisas, era aterrorizante mas estava tudo bem agora. A menina conseguira, no corpo do ogro, matar todos 4, os 3 estavam no chão com marcas de luta, já o quarto tinha uma pedra gigante amaçando seu peito no chão perto da casa. o ogro havia morrido também e a menina chorava ao lado do cachorro. Agora eu tive que cumprir meu dever, as vezes triste, de caça-feitiço.

–-Eu não vou te machucar, mas preciso lhe dizer uma coisa. O Billy não vai voltar, eu o conheci depois de morrer, e agora ele esta em um lugar melhor, onde você também tem que ir.

Ao falar isso as lagrimas descem descontroladamente do rosto da menina em cima do cão. Ela fechou os olhos e diz “obrigado tom”, antes de voar junto ao vento, agora ela iria se encontrar com Billy onde quer que estejam. Eu sei que ela falou Tom o cachorro, pois eu não disse meu nome e nem ajudei em nada. Ela apenas uma criança frágil derrotou sozinha um ogro e 4 homens que não sei quem é, mas são muito poderosos.

Depois de alguns minutos recolhendo minhas coisas fui à direção que foi Alice, onde estava vindo um homem, era o senhor Bryan e não estava com Alice. Explique tudo que aconteceu e no final perguntei se não tinha visto Alice.

–-Não garoto, não passou por mim e ali é a única trilha que há para a cidade.

–-Onde ela pode ter ido?—perguntei.

–-Não sei garoto, mas deve ter relação com aquilo.

Ele apontou para as arvores, onde vinha vindo um corvo negro, quando chegou perto vimos seus olhos vermelhos, Alice dizia que dava azar um pássaro negro se aproximar, ela estava certa, o pássaro abre o bico e cospe um pedaço de vestido, era azul igual ao que Alice usava, e eu sabia que os corvos, poderiam ser treinados para repetir falas humanas, quando ele diz “Alice, sociedade, feiticeira, Alice, sociedade” .

Eu havia entendido bem, Alice havia sido raptada por essa tal de sociedade do caça feitiço!

Notas finais
Talvez eu volte a escrever nessas ferias, vou fazer um pequeno arco sobre essa sociedade, não esqueçam de me criticarem nos comentários, é muito importante pra mim.