O Sétimo filho e o Lobo
3 A criatura está lá fora
Notas iniciais
A noite estava tão clara que dava para ver contorno das montanhas e os sapos que pulavam na varanda. Eu estava segurando Arthur no colo, tentando mostra-lo a Lua cheia, que se encontrava no meio do céu, Arthur estava muito inquieto e não queria dormir, balançava ele de um lado para outro, até que Isabel resolveu pega-lo e levar ele para o berço, fiquei alguns minutos na varanda esperando Nicolau chegar, já passava da meia-noite e ele não havia chegado, e eu já estava ficando preocupada. Fui para o quarto e me deitei, pois estava tão cansada que logo adormece, acordei pela manhã ouvindo sussurros do lado de fora, virei para ver se Nicolau se encontrava ao meu lado e ele não estava, o lençol nem amassado estava, levantei de um salto e fui para a cozinha, encontrei Isabel com um semblante de total apavoro, logo a perguntei o que havia acontecido.
– O que foi que aconteceu?
– Você sabe a fazenda dos Teixeira? Ela foi invadida essa noite, todas as cabras foram mutiladas e o filho da empregada foi encontrado morto próximo ao desfiladeiro, onde a divisa fica próximo da estrada principal.
– Meu Deus, como a Tereza está?
– Arrasada, pois o garoto era seu único filho, seu esposo havia morrido ano passado de tuberculose, agora ela está sozinha no mundo. Você acredita que encontraram marcas de mordidas pelo corpo do garoto, acham que a pessoa que fez essa maldade tenha deixado que seus cachorros mordesse o garoto até a morte.
Nunca havia acontecido uma tragédia do tipo pelas redondezas, lembrei que Nicolau poderia não ter chegado a noite, quando o pensamento me subiu a mente, a porta se abriu e Nicolau entrou com um grande sorriso no rosto, um alivio correu pelo meu corpo, andei um pouco ao seu encontro e o abracei, senti sua mão subir até minha nuca, e ele me puxou para um beijo, que pela primeira vez me surpreendeu, não sentir como se fosse uma obrigação a ser comprida e sim algo que eu realmente queria, no dia que eu me entreguei para ele, estava tão bêbada que eu não lembrei de nada no dia seguinte, mas como éramos um casal, sabia que outras vezes teria que me entregar a ele, as vezes eu percebia que ele tinha o mesmo sentimento que eu. Fiquei observando a observa-lo por um momento, até que notei rasgões em sua roupa, ao observa que eu olhava para o rasgão ele tenta se explicar.
– Tive que resolver uns problemas com meu pai e acabei dormindo por lá, pois já estava muito tarde.
– Porque suas roupas estão rasgadas?
– Ah! Sem querer esbarrei em alguns galhos afiados pela estrada, que fizeram com rasgasse um pouco a minha blusa, mas não é nada, vou me trocar e já volto.
Catarina observou Nicolau sumir no corredor, ao virar para Isabel, percebeu que ela também o observava, as duas se olharam e Catarina pegou Arthur para amamenta-lo.
O dia foi um grande alvoroço, pois a polícia local foi acionada e alguns fazendeiros juntos com seus empregados partiram na caçada, uns atrás de um possível assassino e outro atrás do chupa-cabra, havia muitas superstições dos mais velhos com relação a essa criatura, mais os demais acreditavam em um assassino de sangue frio e ria do possível chupa-cabra. Passara uma semana do acontecido, e as buscas ainda continuava, todos estavam em alerta, colocando um máximo de vigias em suas fazendas. Nicolau colocou Bartolomeu e Miguel para vigiar a fazenda, percebi o quanto Nicolau estava apreensivo.
Quando estávamos para jantar o empregado da fazenda de Emílio chegou de supetão pedindo para que Nicolau comparecesse com urgência a fazenda, não demorou muito para que Nicolau saiu às pressas ao encontro de seu pai. Catarina se deita, um pouco mais cedo.
– Catarina eu te amo, mas infelizmente não poderia ver você novamente, creio que não sairei vivo dessa guerra. Catarina olhava a sua volta via fumaça, corpos ensanguentados por todos os lados, tentou segurar a mão de Sebastian, mas ela não conseguia senti-lo, ao olhar para o chão, o avistou caído, com os braços e pernas separado do corpo. Catarina foi tomada por um horror que consumia suas entranhas, o outro Sebastian, que encontrava-se ao lado do corpo a olhou, com lagrimas no rosto.
– Desculpa, te amo.
Essas palavras surgiram como ecos, engolidos pelos gritos de uma mulher, acordei de um açoite, e os gritos continuava a ecoar pela casa, entende que eles não faziam parte do meu sonho, levantei em um pulo, fui às pressas até o corredor, Isabel estava com Arthur no colo, lagrimas descia do seu rosto.
– Bartolomeu está morto, cortaram a cabeça dele.– O que? Onde está Miguel?
– Não sei, tem alguma coisa lá fora Catarina, ouvi alguém tentando abrir a porta dos fundos, corri para chamar Bartolomeu e só encontrei seu corpo, sem a cabeça na varanda, corri para dentro de casa e a tranquei, a porta começou a estremecer, a primeira coisa que eu fiz foi pegar Arthur, me desculpa, por não ter ido acorda-la.
– Você fez o certo Isabel, segura o Arthur que eu vou pegar a espingarda que Nicolau deixa no quarto.
Ao passar pelo corredor, Catarina sentiu um medo tão grande, que correu até seu quarto, ao voltar empunhando a espingarda na mão, ouvia uivos altos do lado de fora, os uivos eram tão altos, que seus tímpanos começaram a doer, Arthur chorava desesperadamente, mas Isabel não se surpreendeu com uivos que ecoava lá fora.
– Sabia que era você! Catarina me dá a espingarda, temos que sair daqui agora.
– Você está louca Isabel, não sairemos daqui até chegar alguém, tem um louco lá fora querendo nos matar.
– Você não percebeu ainda que não estamos lidando com um assassino, e sim com um Lobisomem.
– Você está louca Isabel, essas coisas não existem. Ao falar isso Catarina foi tomada pelo susto, quando ouviu o tombo, que a porta dos fundos fez, Catarina olhou para Isabel, que entregou o bebê a Catarina tomou a espingarda, empunhou em sua mão, foi até a um armário antigo, que se encontrava do lado da sala, pegou um pequeno pote de madeira, acendeu um fosforo e jogou dentro desse pote, do nada começou um cheiro forte dentro da casa.
– Ganharemos um pouco de tempo para fugir, vamos. Isabel pegou pelo meu braço e saímos pela porta da frente rumo à frente da casa, ao me virar para olhar para dentro da casa, pude ver a criatura se contorcendo ao sair pela porta da frente, caiu antes mesmo de colocar seu corpo para fora da casa, nunca imaginei ter uma visão daquela. Tínhamos que chegar na casa dos meus pais a qualquer custo, se não morreríamos ali, corremos o máximo que podia, faltava pouco para chegarmos na fazenda dos meus pais, até ouvimos o Lobisomem se aproximando cada vez mais, Isabel, parou por um momento.
– Coloque Arthur enrolado na sua saia. Acredite em mim, o poder da proteção de uma mãe, é maior que qualquer coisa, agora corra o máximo que puder.
– Isabel, o que é que você está fazendo, vamos sai daqui juntas.– Eu sou vou atrasa-lo um pouco, minha família, é pouco familiarizada com essas criaturas. Naquele momento Catarina só pensava em seu filho, agarrou o mais forte possível Arthur na barra de seu saião enorme, que cobria toda sua perna, ao se virar para correr foi surpreendida pela criatura, que pulou na sua frente, Catarina pode ver naquele momento, que sua vida esvaia do seu corpo, nunca imaginou morrer daquele jeito e ainda mas com seu filho, só teve tempo de olhar para Isabel, e aperta o máximo que pode Arthur, ele chorava muito, a criatura tentava arrancar Arthur da barra da minha saia, arrancou quase toda meu saião tentando tira-lo de mim, eu gritava muito, até que Isabel, apareceu do meu lado e deu uma porrada com a espingarda na cabeça da criatura que se afastou um pouco, Isabel cantava uma cantiga baixinho.
– Lua nova, lua cheia, estrela do horizonte, quando fostes que voltar traga essas...
Só pude ouvir isso, olhei para Isabel e seu rosto continha raiva, ela começou a atirar na criatura com uma precisão, que eu nunca havia notado em nenhum atirador que tinha na fazenda dos meus pais, ela virou para mim.
– Corra, corra e não olhe para trás.
Não pensei em mais nada chorando sai, na disparada, menos de dois minutos pude ouvir os gritos de Isabel, naquele momento todo barulho cessara, mesmo assim não parei de correr chorando muito alcancei a fazenda dos meus pais, quando cheguei na entrada, todas que trabalhavam lá estava na frente da fazenda, acredito que os tiros que Isabel deu na criatura, fizera com que todos ficassem alerta, corri o máximo que pude, até ver minha mãe e meu pai, gritei, todos correram ao meu encalço, quando vi minha mãe chegar perto de mim, só deu tempo de pegarem meu beber e eu falar.
–Lobisomem...Isabel...
Cai desmaiada, minha mente foi tomada por uma imensa escuridão.
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