O Sussurro da Academia
9 Capítulo 9: A Aliança dos Excluídos
O café 24 horas era um santuário de luz fluorescente e cheiro a café queimado, um mundo à parte da escuridão húmida da noite lá fora. Sentados numa mesa no canto, o vinil vermelho do assento rachado e frio, Shikamaru e Hinata mal tocavam nas suas bebidas. O peso da descoberta sobre Anko – que ela não era uma inimiga, mas uma sobrevivente aterrorizada – tinha mudado as regras do jogo. A adrenalina do confronto tinha dado lugar a uma exaustão pesada, que se instalava nos ossos, uma fadiga tão profunda que parecia física.
Shikamaru olhava para o vórtice que criava ao mexer o seu café preto, como se procurasse padrões na escuridão líquida. A sua mente, normalmente tão calma e ordenada, era um turbilhão. Ele repassava a conversa com Anko, cada palavra, cada microexpressão, a forma como os seus ombros tinham enrijecido ao ouvir o nome de Hayate, o pânico puro e antigo nos seus olhos quando ele mencionou o símbolo. Não era a reação de quem esconde um crime. Era a reação de um soldado revivendo o som de uma explosão. — Ela não vai nos ajudar se a pressionarmos — disse ele, a sua voz um murmúrio baixo, quase para si mesmo. — A reação dela... foi de quem revive um trauma. Ela tem pavor daquela coisa, e o nosso aparecimento só a fez sentir-se encurralada.
Hinata segurava o copo de água com as duas mãos. O vidro estava gelado, e a condensação molhava seus dedos, mas ela mal sentia. O frio era uma boa distração, uma âncora para a realidade enquanto sua mente ainda ecoava com os sussurros e o som de unhas arranhando madeira no porão. Ela olhava para a determinação no rosto de Shikamaru e sentia uma fagulha de algo que não sentia há dias: esperança. Era frágil, como a chama de uma vela no meio de um vendaval, mas estava lá. Ele não a via como louca. Ele a via como uma aliada. E, mais importante, ele via o inimigo não como um monstro a ser morto, mas como um puzzle a ser resolvido. — Então não podemos simplesmente chegar e perguntar sobre o Hayate? — perguntou ela, a sua voz um pouco mais firme agora.
— Não. Seria como perguntar a um veterano de guerra sobre o seu pior dia no campo de batalha. Precisamos de uma desculpa, uma razão plausível para estarmos pesquisando sobre a turma de 98. — A mente dele trabalhava, analisando ângulos, descartando possibilidades com a rapidez de um computador. Se dissermos que somos da família, ela pode verificar. Se dissermos que somos da polícia, é crime. Se dissermos a verdade... ela nos interna. — Podemos dizer que estamos fazendo um trabalho para o jornal do campus. Uma peça nostálgica sobre "campeões do passado". É fraco, é transparente, mas é melhor do que nada. Pelo menos nos coloca na frente dela.
— Mas ela já nos expulsou — lembrou Hinata, a sua voz vacilando um pouco ao se recordar da ameaça velada de Anko. — Ela disse para nunca mais voltarmos.
— E não vamos. Não ainda. — Ele finalmente ergueu o olhar. Havia uma clareza fria e estratégica em seus olhos. — Você tem razão. Forçar a porta está fora de questão. E mesmo que conseguíssemos, ela só nos daria mentiras para nos proteger, e a si mesma. A abordagem tem de ser outra. Não a forçamos. Conquistamos sua confiança.
— E como fazemos isso? — perguntou Hinata, genuinamente curiosa.
— Precisamos de algo que ela não tenha. Precisamos de uma arma, de uma informação que lhe prove que não estamos apenas remexendo no seu passado por curiosidade, mas que temos uma chance real de acabar com isso. Precisamos saber o que é aquele símbolo. É a nossa única pista. A nossa única chave. Se conseguirmos decifrá-lo, podemos voltar a ela, não como dois estudantes curiosos, mas como aliados que trazem munição para uma guerra que ela pensava que já tinha perdido.
O plano estava traçado. Já não eram vítimas fugindo, mas investigadores com uma missão. A cumplicidade entre eles era uma bolha de sanidade num oceano de loucura, uma aliança forjada no fogo do medo partilhado, e fortalecida agora por um propósito claro e definido.
No dia seguinte, o campus da academia parecia estranhamente normal, um contraste bizarro com a realidade sombria que agora habitavam. Alunos corriam para as aulas, riam em grupos, reclamavam das provas. Para Naruto, no entanto, o mundo também parecia fora de sintonia. Ele estava sentado numa mesa do refeitório, empurrando um pedaço de frango pelo prato com o garfo, seu apetite habitualmente voraz tinha desaparecido. A comida não tinha sabor. Sua mente estava num loop de preocupação e confusão. Hinata tinha respondido à sua mensagem com um simples e vago "Está tudo bem, só muito ocupada. Obrigada pela preocupação :)", mas ele não acreditou. O emoji sorridente parecia uma máscara, uma formalidade educada para mantê-lo à distância. E isso doía mais do que o silêncio.
Ele repassava os últimos dias na sua cabeça. Ela no Ichiraku, pálida e assustada. Seu sumiço quase completo desde então. Os olhares fugidios que ela lhe lançava quando se cruzavam nos corredores. Não era a timidez de sempre. Era... medo. Mas medo de quê? Dele? Ele tinha feito alguma coisa errada? A incerteza estava o corroendo por dentro, uma sensação desconhecida para a sua natureza normalmente tão confiante.
— Problemas no paraíso, Uzumaki?
A voz sarcástica de Temari cortou seus pensamentos. Ela pousou seu tabuleiro na mesa em frente a ele, uma expressão de irritação contida no rosto. Ela também tinha passado a manhã enviando mensagens para Shikamaru, recebendo apenas respostas monossilábicas e evasivas. "Ocupado." "Estudando." Mentiras. Ela sabia que ele estava mentindo, e sua frustração era uma bola de fogo no seu peito. — O que foi? Sua namoradinha não te deu atenção hoje?
— Ela não é minha namorada — resmungou Naruto, o tom mais defensivo do que pretendia. — E não, não deu. Ela está super esquisita desde... bem, desde aquela noite no Ichiraku. Mal a vejo. E quando a vejo, ela parece um fantasma.
A expressão de Temari mudou de sarcasmo para um interesse aguçado. A frustração partilhada era uma ponte inesperada entre eles. — Engraçado. O Shikamaru também. Some por horas, não responde às mensagens, e quando aparece, está com a cabeça em outro lugar, todo misterioso.
— Sério? — Naruto levantou o olhar, surpreso. — Pensei que era só a Hinata.
— Não, não é — disse Temari, um tom amargo se infiltrando em sua voz. Ela deu uma garfada agressiva na sua salada. — E a parte mais estranha? Ontem à noite, eu vi os dois. Saindo da biblioteca, muito depois do horário de fechamento.
A mente simples e direta de Naruto começou a juntar as peças, mas da forma errada. A distância de Hinata. O secretismo de Shikamaru. Os dois, vistos juntos, tarde da noite. A semente da dúvida, plantada pela preocupação, começou a germinar, regada agora pela suspeita de Temari. — Saindo juntos? — repetiu ele, uma pontada de algo que ele não queria admitir – ciúme – apertando seu peito. A imagem dos dois, sozinhos na biblioteca escura, era vívida e dolorosa.
— Sim. E não pareciam estar falando de trabalhos de grupo, se é que você me entende — disse Temari, sua própria mágoa distorcendo sua percepção. Ela se lembrava perfeitamente da cumplicidade silenciosa entre eles, da forma como caminhavam próximos. — Estavam próximos. Cochichando. Como se partilhassem um grande segredo. O Shikamaru nunca partilha segredos comigo.
Eles ficaram em silêncio por um momento, a mesma conclusão horrível se formando em ambas as mentes, embora nenhum dos dois quisesse dizê-la em voz alta. A possibilidade de uma traição, de um caso secreto acontecendo debaixo de seus narizes, era mais fácil de processar do que a verdade inimaginável. Era uma explicação que, embora dolorosa, fazia sentido dentro das regras do mundo normal.
— Não pode ser... — disse Naruto, mais para se convencer a si mesmo. — O Shikamaru не faria isso. E a Hinata... ela não é assim.
— Não? — Temari riu, um som sem alegria. — As pessoas te surpreendem, Naruto. Especialmente as quietinhas. E o Shikamaru... ele pode ser preguiçoso, mas não é estúpido. Se ele quisesse esconder alguma coisa, ele saberia exatamente como fazer.
Formou-se ali, naquela mesa do refeitório, sobre uma base de comida fria e corações partidos, uma segunda aliança. Uma aliança dos excluídos, unidos por uma suspeita dolorosa e completamente equivocada, crescendo como uma erva daninha no jardim fraturado de suas amizades.
Longe daquele drama, Shikamaru e Hinata estavam de volta ao seu covil: o porão frio e poeirento da biblioteca. A atmosfera já não era de terror, mas de foco obsessivo. Eles tinham montado uma pequena estação de trabalho numa mesa de metal, com uma luminária de luz amarela criando um pequeno círculo de segurança e calor na escuridão circundante. A luz era fraca, mal iluminando as lombadas dos livros antigos e as partículas de pó que dançavam no ar a cada movimento. O cheiro de papel velho, mofo e o silêncio de décadas, um cheiro que parecia impregnar a própria pedra das paredes.
As horas se arrastavam. O mundo lá fora, com suas aulas, almoços e conversas triviais, tinha deixado de existir. A realidade deles tinha encolhido para aquele círculo de luz amarela e a montanha de livros esquecidos. Era um trabalho frustrante, uma caça a uma agulha num palheiro do tamanho da história da região.
Shikamaru era a imagem da concentração metódica. Ele criara um sistema, dividindo os livros em pilhas: "História Local", "Folclore", "Registros de Famílias". Cada livro era aberto, seu índice verificado, suas páginas folheadas em busca de qualquer coisa que se assemelhasse ao símbolo. A cada falha, ele colocava o livro numa pilha crescente de "lixo" com um suspiro controlado, sua frustração uma energia contida que ondulava dele em ondas silenciosas. Ele sentia a pressão do tempo, a sensação de que, a cada minuto que passavam ali, a entidade lá fora poderia estar fazendo seu próximo movimento.
Hinata, por sua vez, trabalhava de forma mais intuitiva. Enquanto Shikamaru procurava por lógica e registros, ela procurava por ressonância. Ela passava os dedos pelas capas gastas, sentindo a textura do couro ressequido, tentando sentir qual livro "chamava" por ela. Parecia uma loucura, mas depois de sentir a dor da criatura, ela confiava mais em seus instintos do que nunca. Foi assim que se viu atraída não para os grandes e imponentes tomos de história, mas para uma seção menor e esquecida: registros de famílias locais, genealogias e heráldica. Eram livros que, a julgar pela camada de pó, ninguém consultava há décadas.
— Isso é inútil — resmungou Shikamaru após mais uma hora de pesquisa infrutífera. Ele esfregou a testa, deixando uma mancha de pó para trás. — Estamos procurando por um símbolo que pode nem estar registrado. Pode ter sido inventado pelo Hayate.
— Talvez não estejamos procurando no lugar errado — disse Hinata, sua voz suave. Ela estava de pé em frente a uma estante no canto mais escuro do porão, onde a luz da luminária mal chegava. — A Anko disse "esqueçam esse símbolo". Ela o reconheceu. Não foi inventado. É antigo.
Ela puxou um volume fino, sem título na lombada. A capa de couro preto estava manchada pela umidade, as páginas onduladas. Ela o abriu com um cuidado reverente, e uma nuvem de pó se ergueu, fazendo-a tossir. As páginas continham desenhos rudes de símbolos familiares, brasões de famílias há muito extintas, a maioria ligadas a samurais e senhores feudais da região. Ela folheou lentamente, a luz fraca de seu celular iluminando a tinta desbotada. E, no meio do livro, numa página dedicada a famílias menores que tinham desaparecido antes mesmo da fundação da vila, ela encontrou.
Seu fôlego ficou preso na garganta.
— Shikamaru... — sua voz foi um sopro, mas no silêncio do porão, soou como um grito.
Ele se aproximou rapidamente, sua sombra se projetando sobre a dela. Na página, desenhado com uma tinta marrom e desbotada, estava ele. Inconfundível. O círculo com as três vírgulas girando para dentro.
Debaixo do símbolo, havia um texto, escrito numa caligrafia arcaica, quase ilegível. Shikamaru se inclinou, seus olhos decifrando as palavras com uma concentração feroz, sua mente traduzindo o português antigo para algo que pudessem entender.
— "O Selo dos Três Pesares..." — leu ele em voz alta, sua própria voz parecendo estranha e solene naquele lugar. — "Usado pela extinta família Kurama para conter espíritos nascidos de uma grande e súbita tristeza, almas presas à terra por uma morte violenta e injusta. O selo não destrói, apenas aprisiona a entidade na fonte da sua dor, forçando-a a reviver sua tragédia num loop eterno de agonia. Adverte-se que o selo enfraquece com o tempo, e se a dor que o alimenta for perturbada por uma ressonância externa, sua influência pode vazar para o mundo exterior, procurando outras almas em sofrimento para partilhar sua agonia e, eventualmente, encontrar um novo hospedeiro para sua dor..."
Eles leram e releram o parágrafo, o sangue gelando em suas veias. Cada palavra era uma peça do quebra-cabeças se encaixando no lugar com um clique horrível. Não era um fantasma. Era um prisioneiro. Um prisioneiro sendo torturado numa cela de tempo e dor há décadas, e a torre do relógio era essa cela. E eles, com sua investigação, tinham acabado de perturbar o prisioneiro. Pior, as últimas palavras, "procurando outras almas em sofrimento", pairavam no ar. Almas como a de Hinata.
Shikamaru olhou para Hinata, seu rosto pálido sob a luz da luminária, e uma compreensão terrível o atingiu. A empatia dela, sua capacidade de sentir a dor da criatura... não era uma arma. Era um farol. A "ressonância externa" de que o livro falava. Ela não estava apenas sentindo a dor. Estava a atraindo.
A noite avançava, fria e implacável. No seu quarto, Temari não conseguia se concentrar. O livro de teoria política sobre a mesa estava aberto na mesma página há mais de uma hora, as palavras se desfocando numa mancha de texto sem sentido. Ela andava de um lado para o outro, o espaço confinado do quarto parecendo cada vez mais pequeno, uma jaula para sua frustração crescente.
A conversa com Naruto no refeitório tinha sido um erro. Em vez de acalmá-la, apenas tinha dado voz às suspeitas que ela tentava reprimir, transformando uma ansiedade vaga numa teoria dolorosa e concreta. Shikamaru estava mentindo para ela. Estava se escondendo. E estava fazendo isso com Hinata.
“O que ele está estudando com tanta intensidade que não consegue responder a uma simples mensagem?”, pensava ela, seu orgulho ferido gritando. Ela era sua parceira, sua confidente nos jogos de shogi e nos debates intelectuais. Desde quando ele partilhava seus segredos com Hinata Hyuuga, uma garota que mal conseguia manter o contato visual?
A incerteza era pior do que qualquer verdade. Cansada de esperar, de imaginar cenários cada vez piores, ela tomou uma decisão. Ela não era do tipo que ficava sentada à espera que o mundo lhe desse respostas. Ela ia buscá-las.
Vestiu um casaco sobre o pijama e saiu para o campus silencioso e adormecido. A chuva tinha parado, mas o ar estava pesado e frio, e as poças de água no chão de pedra refletiam a luz pálida da lua como olhos vazios. Ela se aproximou do grande edifício de pedra da biblioteca, suas janelas escuras, exceto por algumas luzes de segurança no interior. Estava prestes a dar meia-volta, convencida de que tinha perdido a viagem, quando a pesada porta da frente se abriu com um rangido.
Ela se escondeu instintivamente atrás de um grande carvalho, o coração batendo descontroladamente no peito. Sentiu-se uma idiota, uma espiã na sua própria vida, se reduzindo a um clichê de namorada ciumenta. Mas a raiva e a necessidade de saber eram mais fortes. De lá, ela observou.
Shikamaru e Hinata saíram para a noite, suas silhuetas recortadas contra a luz fraca do hall da biblioteca. Estavam exaustos, isso era visível mesmo à distância. Mas havia mais. Havia uma intimidade na forma como eles se moviam, uma cumplicidade no silêncio entre eles que atingiu Temari como um soco no estômago.
Ela os observou parar por um momento, conversando em voz baixa, suas cabeças quase se tocando. Ele parecia sério, focado nela. Ela parecia... segura. Aterrorizada, mas segura ao lado dele. A cena confirmou todas as suas piores suspeitas.
Seu primeiro instinto foi uma onda de raiva pura. Queria marchar até lá, confrontá-los, exigir uma explicação. Mas seu orgulho era uma muralha ainda mais alta. Ela não lhes daria a satisfação de a verem magoada. Com o maxilar cerrado com tanta força que os dentes doíam, ela recuou para as sombras, virou-se e caminhou de volta para seu dormitório, cada passo pesado com a dor da traição. O frio da noite já não a incomodava. Por dentro, ela era uma geleira. A mágoa estava rapidamente se solidificando em algo mais duro, mais frio. Raiva. E um desejo de vingança.
Exaustos, já de madrugada, Shikamaru e Hinata saíram da biblioteca. O campus estava deserto e silencioso, banhado pela luz pálida da lua. O ar frio da noite era um alívio bem-vindo depois do ar estagnado do porão. Eles caminharam em silêncio de volta aos dormitórios, a cumplicidade entre eles tão espessa que as palavras eram desnecessárias. Cada um estava processando a magnitude da sua descoberta.
Ao chegarem perto do dormitório feminino, Hinata estremeceu, um arrepio que não era apenas do frio. Shikamaru parou. Sem pensar, ele tirou seu casaco de flanela, o mesmo que usava todos os dias, e o colocou sobre os ombros dela. O tecido estava quente do calor do seu corpo e tinha seu cheiro vago a café e fumaça. — Obrigado — sussurrou ela, puxando o casaco para mais perto de si. O gesto era simples, quase banal, mas naquele momento, pareceu a coisa mais íntima do mundo. Era um ato de cuidado genuíno, de proteção. Um reconhecimento silencioso de que eles estavam nisso juntos.
Ele apenas assentiu, as mãos nos bolsos, e continuou a andar ao lado dela até à porta. — Tenta dormir um pouco — disse ele. — Amanhã, pensamos no próximo passo.
De volta ao seu quarto, Shikamaru não dormiu. Ele se sentou em frente ao seu notebook, a página do livro antigo aberta na tela. A descrição do "espírito de grande tristeza". A empatia de Hinata. A reação de pânico de Anko. As peças estavam finalmente se encaixando.
Ele olhou para a foto de Anko em seu celular. A mulher de ar duro, a sobrevivente. Ela não era a guardiã do segredo. Era a outra prisioneira.
"É isso", pensou ele, uma clareza fria assentando em sua mente exausta. O medo ainda estava lá, mas agora, pela primeira vez, ele tinha uma arma. Conhecimento.
"Agora... temos algo para lhe oferecer. Temos a chave para a Anko."
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