O Sultão
46 Sobrevivência
Notas iniciais
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Capítulo 45
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Bella
Jasper fechou os olhos, sua respiração pesou e quando os abriu de novo senti uma força muito grande no seu olhar.
─ Não importa o que o mundo acha, se você continuar de pé meu irmão também vai e meu pai foi um bom Sultão, mas Edward o superou e para mim vocês também sempre vão ser os pais do Husam.
Apertei sua mão e reajustando minha postura levantei para falar com Edward, mas apesar da aparência forte no meu interior continuo tentando colar minhas rachaduras.
Emmett me acompanhou e da porta da ala do meu cunhado encontramos o médico que veio examiná-lo.
─ Majestade, Alteza.
Movemos a cabeça para ele, mas parei para dar um aviso:
─ Você nunca viu meu irmão em Suma.
O médico moveu a cabeça e meu irmão e eu entramos na área mais antiga do palácio para evitamos encontrarmos mais pessoas.
A gente entrou na passagem que vai para o minha ala e ele esperou na antessala dela enquanto eu tentava falar com Edward, mas ele não atendeu suas linhas pessoais e tive que tentar a linha geral do acampamento sumanes.
─ Majestade. ─ um dos militares falou comigo por chamada de vídeo no computador principal.
─ Onde está o Sultão?
─ Organizando o ataque contra o acampamento dos rebeldes.
─ O interrompa.
O militar parou surpreso.
─ Sim, senhora. ─ respondeu depois de segundos, se curvando para mim e virando para chamar Edward.
Esperei por vários minutos, ou não, batendo sem parar a ponta da unha indicadora no meu computador, mas o tempo que esperei correu como horas para mim.
Reajustei meu corpo no colchão, aspirando forte e continuei calada quando Edward entrou na tenda de comunicação com dois militares atrás dele, mas o que ele viu no meu rosto deve ter falado mais do que palavras.
─ Saiam. ─ estalou os dedos para os militares. ─ Minha flor.
─ Oi, habibi. ─ respondi suave.
─ Meu irmão está bem? ─ se preocupou.
─ Ele está acordado e vai precisar de mais umas semanas para se recuperar completamente, mas vai estar bem.
Moveu a cabeça.
─ Nosso filho?
─ Saudável dentro do diagnóstico que tem, mas quando a guerra acabar ele vai precisar de uma nova cirurgia para poder ter uma vida completamente normal.
Apertou seus lábios.
─ E você?
─ Achei que o mundo tinha caído em cima da gente, mas ele só caiu hoje.
Ele vincou a testa.
─ Não compreendo.
Olhei para o lado e para o meu marido de novo.
─ Amor, seus pais... ─ mordi os lábios. ─ Jasper os encontrou... no campo de refugiados para o qual... levou a ajuda humanitária. ─ tive o cuidado de falar devagar para tentar diminuir o peso da noticia, mas Edward resfolegou e por vários segundos sei que nem respirou mais.
Seu corpo balançou tonto. Ele soltou forte o ar para tentar recuperar seu equilíbrio e mostrando que tudo está sendo muito para ele se curvou colocando os cotovelos no tampo da mesa, enquanto baixando a cabeça, apertou as laterais dela com as mãos.
Sua respiração pesou e quando falou sua voz estava muito baixa:
─ Graças a Alá. ─ o som da sua voz falhou. ─ E como eles estão?
Me olhou.
Mordi os lábios de novo. Doí muito ouvir na sua voz todo o sofrimento que está tendo. ── Minha própria voz tremeu.
─ Pelo que seu irmão falou sua mãe está com uma espécie de amnesia e seu pai numa espécie de coma.
Colocando as mãos no tampo da mesa Edward fechou os olhos e sua respiração continuou pesada.
─ Mais de três anos desejando o carinho dos dois sem poder ter, precisando dos conselhos deles nos momentos mais difíceis da minha vida sem conseguir ouvi-los, tendo responsabilidades e uma posição que não são minhas. Mais de três anos... ─ a imagem do computador tremeu quando numa explosão emocional socou a mesa.
Me preocupei mais.
─ Amor, com ou sem as complicações, que vamos ter daqui para frente, você ainda continua sendo o Sultão de Suma e para que todos estejam bem tem que manter seu equilíbrio.
Meu marido respirou forte várias vezes.
─ Eu sei. ─ respondeu baixinho quando conseguiu controlar sua respiração e me olhou novamente. ─ Pela segurança dos meus pais vou adiar o ataque ao acampamento dos rebeldes e com toda a emoção que a sobrevivência deles trás é perigoso colocar uma equipe sumanesa para procurá-los comigo, mas para ter um bom apoio de resgate vou falar com seu pai. O governo da Basnia é da família da minha mãe, só não acho que posso confiar nele como confiamos no Charlie para guardar nossos segredos.
Movi a cabeça, colocando Emmett na nossa chamada para falarem da equipe de resgate rajanesa que vai acompanhá-lo no campo de refugiados da Maniza e quando estivemos sozinhos de novo Edward mostrou que, apesar da dor sua inteligência continua trabalhando com perfeição e ligeireza.
─ Lady Hana. ─ o nome saiu da sua boca como um estalo na sua cabeça.
Não compreendi.
─ O que tem ela?
─ Para pedir ajuda humanitária a Suma ela tem que ter pesquisado sobre mim e se pesquisou deve ter visto fotos dos dois.
Tive que meditar ligeiro para tentar acalmá-lo.
─ Acho que pesquisou, mas não significa que os reconheceu na Maniza. Lembre que se ela falasse dos seus pais para você iam ser mais fácil te convencer a ajudar os manizenses e com a suposta morte deles a maioria das fotos que estão disponíveis dos dois na internet são de dez anos atrás e não sabemos como eles estão hoje.
Ele moveu a cabeça.
Por respeito à memória dos seus pais e sua dor com o irmão, a imprensa colocou as mais recentes as imagens visuais do dos meus sogros longe dos olhos do público em arquivos privados off-line e os conselheiros do sultanato também escolheram apagar as do site oficial do governo.
─ Te amo.
─ Só volte para mim. ─ respondi.
Edward também sorriu.
─ Sempre, amor. Sempre.
Fechei nossa vídeo chamada e Husam entrou no quarto para me abraçar e beijar. Retribui, mas não estive muito tempo com ele. Os problemas do sultanato não acabaram só por que a sobrevivência dos meus sogros está confirmada:
─ Com a guerra muitas escolas e hospitais das nossas fronteiras não estão conseguindo funcionar e as pessoas que vivem nelas estão carentes de um melhor atendimento de saúde e educação.
─ Também está mais caro e difícil levar produtos de sobrevivência para elas e a sensação de insegurança aumentou muito no país.
Ouvi com calma dois dos cinco conselheiros do sultanato que estavam comigo, mas minha resposta para eles veio mais agressiva do que planejei:
─ É normal. Estamos numa guerra. Não numa competição de parque de diversões, mas vou falar com ministro da economia para encontramos o melhor caminho para estamos. Também vou falar com o secretário de segurança e se a policia comum estiver precisando de ajuda a Guarda Nacional vai para as ruas.
Todos moveram a cabeça, mas no vi nos seus rostos que se chatearam comigo.
─ Temos que aumentar nosso sistema anti-mísseis e construir mais abrigos anti-guerra para colocar as pessoas.
─ Nada de construções. Se tivemos que proteger o povo em abrigos vamos colocá-lo nos temos pelo país para proteger minha família.
Os deixei boquiabertos.
─ Plebeus nos abrigos reais? ─ o mais conservador deles perguntou.
─ Por que não? Chamam as pessoas da realeza de “sangue-azul”, mas nosso sangue tem a mesma cor do deles. Não somos melhores que eles e Rajar tem mais anti-mísseis que Suma, só que da mesma maneira muito das cidades do meu país foi destruído por essas armas.
Eles trocaram olhares, mas não falaram nada mais e no fim do dia estive me despedindo do meu irmão quando ele teve que voltar para Rajar.
─ Se precisar de mim é só chamar. Conhece como me encontrar.
─ É, mas enquanto a guerra na Maniza estiver acontecendo prefiro que não volte para Suma. ─ respondi.
Aspirou.
─ Não sou uma criança fácil de machucar.
─ Eu sei, mas não vamos dar sorte para o azar.
Emmett não respondeu e me abraçou, só que o conheço. Se ele achar que preciso dele vai estar vindo para me ajudar e na primeira hora do outro dia estive na sacada principal do palácio falando com os sumaneses:
─ O Príncipe Jasper está acordado e dentro do limite da sua recuperação ele está bem.
Todos aplaudiram.
─ Sei que estão ansiosos para vê-lo e meu cunhado também deseja muito estar com vocês. Só, que para se recuperar mais ligeiro ele precisa continuar na cama. Também não é fácil conseguir que esteja nela. A teimosia é um dom que os irmãos Cullen ganharam em dobro no nascimento.
As pessoas riram.
─ Mas falando sério, todos temos visto que a guerra na Maniza está muito pesada, só que o Sultão está bem e com a ajuda dos nossos aliados estamos conseguindo lutar contra os rebeldes manizenses com alguma vantagem.
Mais aplausos.
─ Também reconheço que nada está fácil. Manter serviços básicos numa guerra é muito difícil, mas não impossível e temos feito tudo que podemos para que vocês continuem protegidos e bem.
Ouvi muitas pessoas falando entre elas.
─ Só pedimos um pouco de tempo a todos, porque nas áreas que escolas e hospitais estão tendo que fechar logo vão ter acesso a educação e saúde pela internet.
Mais falatório.
─ E para os que estão preocupados com produtos básicos de sobrevivência ou segurança de todos: nosso governo vai abrir auxílios que ajudem vocês a comprarem o que precisam e se a policia comum achar que precisa de ajuda a Guarda Nacional vai estar nas ruas reforçando a segurança de vocês.
Aplaudiram e movendo a mão para todos entrei no palácio para representar Edward em mais compromissos oficiais que originalmente estavam na sua agenda, mas preocupada com o resgate dos meus sogros minha cabeça estava muito longe.
───
─ Confiamos no nosso Sultão, mas nunca conhecemos o que pode acontecer numa guerra e temos medo que ela continue acontecendo por muitos anos, como a de Rajar e Alzan.
Estive ouvindo representantes de várias organizações.
─ Não vai continuar. As motivações de Rajar e Alzan para guerrear eram diferentes das que Suma e a Maniza têm e a Maniza não tem uma grande potencia militar, como Alzan, para aguentar uma longa guerra contra Suma. ─ respondi mais suave, porque essas pessoas podem agitar ou ajudar a acalmar mais gente e a tarde Edward e Husam estiveram falando por vídeo chamada, mas nosso bebê dormiu.
O olhei.
─ É muito difícil saber que vamos perdê-lo.
─ Estamos juntos. Um dia nossos machucados vão cicatrizar.
Sorri.
─ Te amo. ─ respondi.
─ O mundo nunca vai conhecer tudo que sou capaz por você e com meu mau gênio é bom você ter a ousadia que tem para me colocar no chão quando minhas emoções rebeldes me fizerem flutuar na impulsividade.
Sorri de novo.
─ Estive falando com seu irmão. Ele vai começar a investigar como meus pais chegaram a Maniza até Jasper e eu podemos assumir a investigação.
Aspirei.
Com sobrevivência dos meus sogros Edward vai estar obrigado a voltar logo a Suma para tentar acalmar a crise que o sultanato vai ter com a nova mudança legal na estrutura do governo pela volta dos dois, mas não estou completamente aliviada pela sua segurança ligeira, porque quando estiver melhor Jasper vai ter que substitui-lo na frente das nossas tropas na Maniza.
─ Quando vai entrar no acampamento dos refugiados?
─ Só no começo da noite. Tem que dificultar que os rebeldes vejam a gente.
Movi a cabeça e falei para ele dos planos emergenciais que escolhi para os sumaneses.
─ Tente não chatear muito os conselheiros. Não gosto de não estar por perto para cuidar de você.
─ Você cuida quando se protege para voltar para mim.
Edward sorriu e com nossa vídeo chamada fechada abri um antigo livro de história sumanesa para conhecer mais do casal de governantes de 1518*. De maneira diferente os dois conquistaram muitos povos e levaram riquezas para todos eles, construindo uma melhor qualidade de vida para as pessoas que começaram a governar. Só que, como Edward e eu, quando se casaram tiveram muitos problemas para encontrarem a alegria suave da paz. Mas, também acabaram com muitas injustiças e abriram caminho para o que temos hoje como casal. Meu marido e eu não estamos criando nada, só recriando uma história com novidades do tempo presente.
Fechei o livro. Estou muito desconcentrada para compreendê-lo de verdade.
Infelizmente o cuidado exagerado das mães árabes-muçulmanas com seus filhos também é histórico e me preocupa. Tenho medo do que a volta da Sultana Esme pode fazer no casamento dos seus filhos comigo e Alice.
Tremi.
Mamãe sempre fala que minha personalidade é perfeita para enfrentar a opressão das dominantes sogras da nossa cultura, só que por Edward não sei até onde vou desejar ceder ou me importo contra sua mãe ou se ele vai escolher me defender ou apoiar os erros dela.
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