O Sultão

23 O Casamento - Parte I


Notas iniciais
Oi flores e queridos. Não descrevi ao pé da letra os rituais do casamento de Bella e Edward, porque o casamento árabe-muçulmano é lindo de ver, mas ia ser muito chato de ler. Muito obrigada pelos comentários. Leitoras (res) novas (os) sejam bem-vindas (os) e a segunda parte do casamento vai ser no capítulo 23.

───────

Capítulo 22

───────

Bella

─ Bella! ─ Alice gritou quando Lady Tanya jogou chá quente em mim.

─ Está tudo bem. A doida tentou, mas não conseguiu me queimar. ─ murmurei levantando da espreguiçadeira no jardim.

Estávamos tomando banho de sol pela manhã.

─ Ela é descompensada.

─ Não é não. Bebê você acha que só os mais simples são barraqueiros, mas na realeza muitas vezes quando o poder entra pela porta a dignidade sai pela janela. ─ a contradisse.

─ Vou falar com o seu noivo. ─ se levantou.

─ Não! ─ segurei seu braço. ─ Eu não gosto dela, mas um homem quase morreu por tentar jogar um vazo em mim e não quero que Edward tenha problemas por me defender. ─ a soltei.

─ Ele é o Sultão. ─ persistiu.

─ Mas às vezes os líderes também têm que dar explicações e ela é filha do Primeiro-Ministro dele.

Sentado de novo expeliu o ar.

─ Ninguém vai poder me culpar quando a pimenta cair nela. ─ achei ter ouvido.

─ O que você falou?

─ Eu nada. Você está ouvido demais.

A olhei desconfiada.

Não sei se posso acreditar dela.

Entrei no palácio para trocar de roupa e na frente do espelho no meu dormitório xinguei Tanya:

─ Infeliz!

Tirei meu vestido sujo e entrei no closet vindo dele vestida com outro mais elegante.

Aspirei e expirei.

Às vezes é difícil não jogar minha raiva no vento.

Olhei no espelho novamente e com o cabelo preso e joias no lugar abri a porta do quarto encontrando Lady Tanya na porta.

─ Lindo vestido, só cuidado para não manchá-lo também. ─ zombou.

─ Naja. ─ grunhi. ─ Mas seu veneno não me machuca. Tenho soro antiofídico contra repteis como você.

Sorriu ousada.

─ Eu só seria naja se tivesse dado a luz a você. ─ ela chegou ao meu maior limite, mas não abandonei minha dignidade.

Também sorri.

─ A prudência é amiga das pessoas e se continua sendo imprudente vai perder a língua no lugar das mãos. ─ simulei uma tesoura com meus dedos indicador e médio.

Lady Tanya tremeu.

Fechei a porta atrás de mim caminhando pelo corredor.

Qual o problema do ser humano? Onde está a dignidade das pessoas?

Caminhando de cabeça baixa coloquei minha mão na testa.

─ Alteza. ─ o Príncipe Jasper me chamou.

Parei.

Ele se aproximou de mim.

─ Você está bem? ─ perguntou.

Olhei para ele.

─ Estou. ─ vinquei minha testa.

─ Lady Tanya não vai mais se aproximar de você.

Abri minha boca, mas as palavras sumiram.

─ Eu estava no jardim há pouco. Vi o que ela fez.

Aspirei.

─ Sei me cuidar. ─ respondi.

─ Sei que sabe, mas você vai ser parte da minha família e cuido da minha família.

Olhei nos seus olhos.

─ Obrigada. ─ murmurei e no hall principal meu pai e Edward me esperavam.

─ Está linda. ─ eles me elogiaram.

Corei e entrando no mesmo carro que papai para chegar a abertura da Copa Arábica de Hipismo no maior estádio de Suma quebrei uma das maiores regras da realeza: nunca estarem dois membros da mesma família no mesmo carro, mas também a quebrei várias vezes com Emmett.

─ Seu gato persa comeu sua língua? ─ meu pai perguntou no caminho.

Eu estava calada.

─ Eu não tenho... Ah. ─ demorei para perceber a zombaria.

─ Acordou engraçadinho, é? ─ riu colocando seu braço nos meus ombros e beijou meu cabelo.

Segurei sua mão movendo seus dedos e no estádio uma grande festa de abertura foi feita com representantes oficiais dos dezesseis países diferentes que vão participar da Copa.

Bem-vindos a Copa Arábica de Hipismo: Suma 2019. O sonho vai começar!” Dançarinos formaram as frases no campo de futebol em árabe com uma contagem regressiva de cinco a um aparecendo depois delas.

Representantes das oito etnias sumanesas entraram no campo e acima delas o mapa de Suma foi formado com a costa oceânica aparecendo em ondas humanas.

As etnias saíram com mapa e as dezesseis delegações esportivas entraram com bandeiras e roupas típicas dos seus países apresentando uma dança ou luta característica deles num circulo em forma de rosa do deserto se abrindo em movimento. Mas, das dezesseis delegações duas delas que são de países com casos do coronavírus tiveram o público suspenso para evitar contaminações na Copa e só turistas vindos de lugares sem a chegada do vírus podem entrar em Suma.

As delegações saíram do campo de futebol para a entrada de outras pessoas mostrando um campo de polo artificial com jogadores como uma das modalidades do hipismo com direito a comentários e a bandeira dos jogos apareceu em cima deles.

O público adorou e um palco com o púlpito foi colocado no centro do estádio.

─ Senhoras e senhores, Sua Majestade Real o Sultão Edward I. ─ a voz do cerimonialista ecoou nos alto-falantes.

Todos levantaram das suas cadeiras.

─ Bem-vindos a Copa Arábica de Hipismo: Suma 2019, a nossa casa! Sumaneses. ─ Edward abriu seu discurso.

─ Oi Majestade! ─ o público respondeu.

Ele sorriu.

─ O sonho é realidade. O sonho que foi do meu pai...

─ Viva o Sultão Carlisle! ─ gritaram.

Emocionado seus olhos brilharam.

─ Que era meu e de vocês. ─ meu noivo continuou falando.

─ Senhoras e senhores, o hino nacional sumanes. ─ a voz do cerimonialista ecoou nos alto-falantes de novo e todos cantaram o hino acompanhando o lindo ritmo instrumental dele. Mas, a minha maior surpresa foi ouvir o hino rajanes logo depois sendo cantado a capela pelo povo sumanes.

Traguei a saliva e meus olhos arderam, mas não chorei e o trovão no céu trouxe chuva com ele.

Sorri.

Chuva em outra competição seria preocupante, mas no deserto sumanes ou rajanes é uma benção que só vem cinco ou seis vezes por ano e é vista como sinal de boa sorte.

Eu estava na primeira fila da área vip com uma sombrinha branca que era para me proteger do sol frontal forte, mas quando começou a chover desci as arquibancadas com ela aberta e outra sombrinha fechada nas mãos.

O hino acabou e meu chefe de segurança me ajudou a chegar ao palco onde meu pai, Edward e o líder do ex-país sede estão.

Dei a sombrinha fechada para papai.

─ Obrigado a todos que tornaram nosso sonho possível. ─ Edward voltou a falar e subi atrás do púlpito com a que estava aberta para protegê-lo da chuva.

As pessoas comemoraram e na segunda fila da área vip Lady Tanya expeliu o ar.

Edward me olhou e sorriu virando para falar no microfone novamente:

─ Desde os cargos mais baixos aos mais altos minha família e eu somos gratos a todos vocês. Obrigado também ao Sultão Charlie ── nosso maior apoiador para sediamos a Copa. ─ todos aplaudiram. ─ Obrigado também a Liga Arábica Esportiva, a minha noiva por sempre ser meu maior incentivo e que todos vivam nosso sonho! ─ fechou animado.

Todos o aplaudiram de pé e na primeira fila da área vip Alice estava a duas cadeiras de distância do Príncipe Jasper.

É melhor para que no futuro a imagem dela não seja comprometida se a relação deles não der certo e como o cavalheiro que é o irmão dele esperou eu descer do púlpito segurando a sombrinha por mim.

O líder do ex-país sede e meu pai também discursaram, porque Rajar foi escolhida pela Liga Arábica Esportiva para ser a próxima sede daqui quatro anos, apesar da guerra recém-acabada e por ela os atletas atuais do meu país não estão na melhor forma deles, mas temos orgulho de todos eles por continuarem tentando.

Os discursos acabaram e Edward caminhou para fora do estádio para a entrada de uma famosa diva arábica internacional que gravou o tema oficial da competição numa versão dançante a base do violino e instrumentos de percussão.

No palco dela tinha água que se espalhava quando os dançarinos que a acompanhavam ou ela se moviam dançando no ritmo da música.

─ Como as pessoas vão apontar o dedo para você por ter sido líder de torcida se a roupa nude da musicista dá a impressão que ela está nua no palco? E o que são esses homens com calça preta de couro sintético e sem camisa dançando junto dela? ─ Alice perguntou baixo no meu ouvido. ─ Ah! ─ resfolegou. ─ Olha como ela rebola e os dançarinos a carregam! ─ os olhos da minha amiga se abriram mais que o normal.

Num outro lugar eu ia rir.

─ É o Oriente Médio, são sempre dois pesos e duas medidas quando as pessoas julgadas são mulheres. ─ respondi.

─ Seu noivo...

─ É a exceção não a regra. ─ falei e ele olhava para todos os lados, menos para o palco.

─ Jamilah era ciumenta? ─ minha boca liberou meu pensamento.

Alice riu.

─ Não foi ela que exigiu só uma esposa dele.

Corei, mas não me importo com o que Edward olha, só com o que faz e mulher que pensa que pode controlar os pensamentos de um homem se não o deixar olhar para os lados é muito ingênua.

A música acabou, o público aplaudiu e a primeira prova para as delegações começou e no fim dela vi pessoas de outras nacionalidades chamando pela realeza do seu país, mas foram ignoradas.

Expeli o ar.

─ Quer descer? ─ papai perguntou quando crianças rajanesas refugiadas em Suma gritaram meu nome.

Olhei para ele.

─ Quero. ─ respondi e não me preocupei com um possível acidente, porque nossos seguranças são treinados para pararem ligeiro e bem em qualquer cenário.

─ Pare o carro. ─ falou com o motorista.

Abri a porta do carro e as crianças se agitaram animadas.

─ Oi. ─ sorri.

Elas me olharam envergonhadas, mas responderam:

─ Oi.

Olhei para as flores que estavam nas mãos de duas delas.

─ São para mim? ─ me abaixei.

─ São. ─ falaram me entregando elas.

─ Obrigada. ─ sorri novamente e levantei beijando o rosto de todas as crianças.

─ Vossa Alteza é muito linda. ─ um menino corou falando.

─ Obrigada. Vocês também são. Boa Copa. ─ os beijei de novo e entrei no carro.

Um dos meus seguranças fechou a porta dele e o motorista voltou a dirigir.

─ Você vai ser uma mãe maravilhosa! ─ meu pai disse com orgulho.

Sorri e no palácio vários se instalaram nele como hóspedes, mas outros preferiram estar nos hotéis de alto padrão.

─ Os sumaneses adoram Vossa Alteza, mas a que preço? Jamilah é a prova que se casar com o Sultão Cullen é a morte. ─ a quarta esposa de um Sheik falou e outra pessoa ia ganhar uma reposta não diplomática minha, mas percebi que seu comentário veio da preocupação, não da maldade.

─ Eles não eram fãs dela.

E continuam me olhando com desconfiança, mas pelo menos não me odeiam mais. Meditei calada.

─ E meu noivo não é a pessoa mostrada nos boatos. Ele... tem o coração mais leal que conheço. ─ me levantei.

Sorriu.

─ Com licença. ─ me afastei e no pôr do sol meu pai e eu voltamos para casa deixando o Primeiro-Ministro rajanes como nosso representante na Copa.

─ Bella! ─ Emmett me abraçou me levantando do chão e nos girando quando deixei os papéis do novo plano econômico na sala de estar da ala dos nossos pais.

─ Oi. ─ ri o abraçando também.

Ele parou, mas não me colocou no chão.

Olhei para o seu rosto.

─ Vi a abertura da Copa de hipismo e seu olhar para o Sultão... Agora você me compreende melhor. ─ falou.

O abracei de novo e com o fim da guerra meu irmão teve que contar para o nosso pai o que Farihah fez com ele. Emmett não queria falar, mas combinado é combinado e ele prometeu contar tudo para papai quando a guerra acabasse.

─ Farihah... Ela... ─ após ouvi-lo papai estava tendo dificuldade para encontrar as palavras.

─ Pai... ─ meu irmão tentou falar.

Papai aspirou levantando a mão para pedir que ele se calasse.

─ Eu estou enjoando pela baixaria dos nossos parentes. Minha prima tentou seduzir você e como não conseguiu o acusou de estupro. Ela...

─ Pai... ─ Emmett tentou falar de novo.

─ Ninguém mexe com os meus filhos. Vocês são a minha vida e a minha honra. Manchar a honra de vocês e machucá-los é manchar a minha honra e me machucar. ─ papai arrodeou a mesa para abraçar Emmett. ─ Sinto muito meu leão.

Meu irmão estava sentado.

Papai beijou a cabeça dele. Emmett nem olhou para ele.

A honra é muito importante na nossa cultura e ter a honra atacada injustamente não é fácil para ninguém, mas para os homens é muito mais cruel porque também fere o orgulho deles.

Papai colocou as mãos no rosto do meu irmão:

─ Levante a cabeça. Não foi você que não teve dignidade. Foi ela.

─ Eu me calei. ─ Emmett respondeu.

─ Para não me desconcentrar da guerra e não aumentar o risco para o nosso povo. ─ nosso pai disse e Farihah recebeu todo o peso da lei por difamar um membro da realeza.

─ Isabella, por favor. ─ ela pediu minha ajuda quando foi arrastada para a sala do trono, mas não tive pena dela. Não depois da sua maldade com meu irmão e por encobrirem os erros dessa mulher seus pais e irmãos perderam o direito de usarem os títulos de nobreza que tinham.

Aspirei, mas a imprudência é companheira de Farihah e a morte a encontrou quando ela confessou ter perdido sua virgindade com um turista para poder culpar Emmett.

─ Acabou. ─ falei o abraçando no seu escritório e no final da Copa de hipismo começaram os preparativos para o meu casamento com muita música e dança:

─ Os rituais de casamento muçulmano são maravilhosos, mas não consigo compreender como algumas aceitam ser a segunda, terceira ou quarta esposa. ─ Alice meditou enquanto uma esteticista esfoliava sua pele.

─ Os motivos são vários, mas na maioria das vezes os homens que têm mais de uma esposa são muito ricos e as mulheres que aceitam casar com eles estão pensando nas vantagens financeiras que podem ter. ─ mamãe respondeu recebendo massagem nos pés.

─ E Emmett é um poço sem fundo de vantagens. ─ Rosalie resmungou.

Todas rimos da sua reação.

─ Mas eu represento a grande à maioria que não aceita e o Sultão Cullen conhece a noiva que tem. ─ levantei as mãos apontando meus dedos indicadores para mim.

Hoje é dia do hamam ── também conhecido como banho árabe ou turco. Ele é um ritual simbólico de purificação para o casamento.

Outras mulheres da minha família também foram convidadas para estar nele e pela tradição as da família de Edward trouxeram uma pasta feita à base de açafrão, sândalo e óleo de jasmim para passar no meu corpo.

Todas estavam felizes dançando num semi circulo e no primeiro dia do casamento as virgens entre elas desenharam as tatuagens de hena* nos meus pés e mãos ── Muitas pessoas acham que elas trazem felicidade e fertilidade aos casais.

Sorri.

Também escreveram frases do Alcorão no meu corpo para afastar os maus espíritos.

Mamãe riu.

─ Engraçado como as noivas viram religiosas no dia do casamento delas. ─ zombou.

Ri e fazendo biquinho olhei para ela colocando meu dedo indicador nos lábios.

Riu de novo.

─ Vossa Alteza está linda! ─ uma das primas distantes de Edward aspirou olhando para o meu primeiro vestido de noiva.

─ Quem o desenhou? ─ a mãe dela perguntou.

Sorri virando a barra do vestido para mostrar o nome bordado nela.

Várias se aproximaram para olhar também.

─ Ah! ─ muitas delas resfolegaram.

─ É perfeito. ─ mamãe passou as mãos nos rubis do tecido dourado e como parte dos rituais no segundo dia do casamento um café da manhã especial foi servido para minha família ── Normalmente é um almoço ou jantar, mas nunca acompanhei todas as tradições ao pé da letra.

─ A mais linda de todas as noivas! ─ papai me abraçou.

Sorri e no lugar do vestido dourado coloquei um azul-royal com bordados de ouro branco feitos à mão.

─ Obrigada, papai. ─ também o abracei.

Ele sorriu.

─ Seu noivo é doido ou muito mais ousado que você. Azul-royal? ─ riu.

Sorri de novo.

Essa cor em Rajar pode ser usada por todos, mas em Suma é símbolo exclusivo do sultão e outra pessoa usá-la pode ser ofensivo.

Ergui e baixei os ombros.

─ Ninguém pode me culpar. Foi escolha dele. ─ respondi.

Papai sorriu novamente.

Ele sabe que se as cores dos desenhos foram escolhidas por Edward ninguém pode falar nada.

─ Cuidado filha. Acho que no futuro seu noivo vai fazer o que nenhuma pessoa espera. ─ beijou minha testa e as mulheres falaram poesias acima da minha cabeça para me dar sorte no amor:

A inconstância e o amor são incompatíveis. O amante que muda, não muda. Começa ou acaba de amar.”

Alice aspirou ouvindo um dos poemas de Khalil Gibran* e a tia-avó de Edward se aproximou de mim.

─ Açúcar para que sua vida seja doce. ─ ela disse colocou um torrãozinho doce na minha boca.

Aceitei.

─ Obrigada. ─ murmurei com a boca vazia e outras mulheres estavam a nossa volta cantando e batendo palmas para animar o ritual.

Rosalie sorriu e no terceiro dia Edward chegou para o nosso casamento civil usando uma thobe branca com um bisht* de seda da cor do meu vestido verde-esmeralda e nele tinha bordados dourados ── também feitos à mão.

Emmett e ele trocaram um copo de sharbat* e dinheiro na entrada do palácio para comemorar a aceitação do nosso casamento. Mas, o ponto alto para mim foi ver o brilho de alegria no rosto do meu noivo quando entrei no salão da cerimônia usando o vestido desenhado por ele.

─ Perfeita. ─ falou baixo quando parei na sua frente.

Sorri.

O Príncipe Jasper estava parado do seu lado.

─ Mas como...? ─ perguntou não compreendendo como consegui o desenho dele.

Não respondi.

Seu irmão sorriu.

─ Eu sou o melhor irmão do mundo. ─ o Príncipe respondeu sorrindo.

Os olhos de Edward brilharam com emoção e puxou a cadeira na frente do celebrante civil para que eu sentasse nela.

Ele sentou na que estava do meu lado.

O celebrante leu alto palavra por palavra do nosso contrato final de casamento para o ouvirmos e trocarmos nossas alianças ── O uso delas não é um costume muito popular na nossa cultura como é no Ocidente, mas nós escolhemos usá-las.

─ Para sempre. ─ Edward disse colocando a minha no meu dedo.

Emocionada traguei a saliva vendo e sentindo ele beijar meu dedo anelar.

─ Para sempre. ─ repeti colocando sua aliança com minha voz um pouco embolada refletindo a mesma emoção que estava no rosto dele.

Também beijei seu dedo anelar.

Nossa família aplaudiu e com as mãos tremulas e frias assinamos o contrato depois das nossas duas testemunhas. Mas, acompanhado a tradição Edward o assinou antes de mim.

A cerimônia estava perto do fim.

Ele beijou minha testa e nossa família aplaudiu de novo.

O Príncipe Jasper abriu uma caixa de joias e meu noivo colocou um conjunto com brincos, colar, pulseiras e anel em mim.

Pela lei civil estamos casados.

─ Lililililili. ─ o som comemorativo do Zaghareet ecoou a nossa volta e muito emocionados meus pais foram os primeiros a nos abraçar.

Chorei junto com eles.

O Príncipe Jasper e meu irmão vieram atrás deles acompanhados de Rosalie e Alice com outros parentes mais distantes nossos vindo depois.

─ Lililililili. ─ um grupo artístico entrou trazendo instrumentos musicais e dançarinos para comemorar nosso casamento.

Limpei minhas lágrimas e Edward e eu sorrimos.

O som das palmas e tambores sendo tocados é contagiante e não é só nós que estamos comemorando não. Fora do palácio foram colocados telões para que meu povo pudesse acompanhar os dias do casamento, mas todo o dinheiro gasto nele vem da fortuna pessoal da minha família. Nada dos cofres públicos.

─ Felicidade!

─ Felicidade a nossa Princesa!

─ Muito amor e sorte!

─ Que tenham filhos saudáveis!

Ouvimos gritos do povo vindos de todos os lados e da sacada do palácio Edward e eu sorriamos e balançamos a mão para as pessoas.

─ Você é melhor do que os meus sonhos. Você é a minha verdade mais bonita. ─ ele disse no meu ouvido e de mãos dadas tivemos a nossa primeira dançar como marido e mulher.

─ Você também é a minha. ─ respondi sorrindo suave e no fim do terceiro dia do nosso casamento chorei de novo me despedindo do meu lar e de todo o meu povo que mesmo eu tendo crescido no Ocidente sempre me amou.

Próximo =>

Notas finais
*Tatuagens de hena: É uma tatuagem é temporária feita com corante nas noivas e desaparece ao fim de uma semana. * Khalil Gibran: Foi um ensaísta, prosador, poeta, conferencista e pintor de origem libanesa, também considerado um filósofo, embora ele mesmo rejeitou esse título, e alguns tendo-lhe descrito como liberal. Seus livros e escritos, de simples beleza e espiritualidade, são reconhecidos e admirados para além do mundo árabe. * Bisht: Esse longo manto masculino é usado nas funções oficiais ou comemorações ── como casamentos ── e pode ser encontrado tanto em tons claros quanto escuros. * Sharbat: É uma bebida feita com flores e frutas para o ritual do casamento.