Notas iniciais
Oi flores e queridos. Escrevi e reescrevi, tirei e recoloquei muitas cenas do capítulo, mas vocês vão ter muitas perguntas. Façam elas nos comentários. Vou responder neles ou nos próximos capítulos. Boa semana.

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Capítulo 40

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Bella

Jasper viajou para levar a ajuda clandestina a Maniza, mas discutir com Edward não vai mudar nada.

O abracei e pelos próximos dias todos estivemos preocupados com meu cunhado. Também fizemos o exame de DNA de Husam e para distrair Alice da sua preocupação com Jasper a levei para passear.

─ É tudo muito bonito. ─ murmurou.

Sorri.

Estávamos caminhando uma do lado da outra pelas ruas principais, mas para as pessoas não reconhecerem a gente colocamos um hijab cobrindo o rosto e escolhemos conversar em italiano.

─ É muita mulher junta.

Olhei pela vitrine da joalheria que ela estava olhando.

─ Elas estão ajudando a noiva a escolher o dote dela e os dois homens atrás delas é o noivo e pai do noivo que vão pagar tudo. ─ respondi.

Caminhamos.

Nossos seguranças acompanharam a gente, mas eles estão acostumados a se esconderem das pessoas.

─ Não acompanhamos essa tradição. ─ murmurou.

Ri.

─ Seu guarda-roupa cheio de joias te desmente.

Alice piscou.

─ Achei que eram joias do sultanato.

─ Pela lei quando o marido morre a herança dele é divida por igual entre seus filhos e a esposa ou esposas, mas no divórcio a mulher só leva as joias dela e o dote que ganhou.

Me olhou.

─ O divórcio não é muito aceito na cultura de vocês, mas têm casais árabes-mulçumanos da realeza que se divorciaram. E se Edward e você...?

─ Casais que não se amavam ou não se respeitavam, mas a gente se ama e se respeita.

─ Nem sempre o amor e respeito são suficientes.

─ A gente também se ouve e tenta se compreender.

─ Só que você não ouviu, nem confiou no seu marido quando o encontrou com Lady Hana.

Parei e virei para ela.

─ Sentimentos fortes às vezes mostram o pior das pessoas. Eu estava com raiva, enciumada e com medo, mas não desconfiei dele, só não gostei de ver outra mulher colada no meu marido. Ninguém gosta e se ele estivesse no meu lugar não acho que ia reagir muito diferente.

Minha amiga colocou seu braço no meu.

─ Me leva para ver o mirante. ─ sorri de novo.

─ Tá bom. ─ respondi e juntas atravessamos a rua.

Nela vimos dois amigos se encontrando numa cafeteria. Eles beijaram o rosto um do outro e a reação dela foi muito engraçada.

─ Estou chocada! A homossexualidade não é aceita e casais heterossexuais não podem estar abraçados na rua, mas tudo bem dois homens trocarem beijos no rosto e se abraçarem numa boa. ─ sacudiu os ombros. ─ Acho que nunca vou compreender a cabeça de vocês.

Ri.

─ Religião e cultura caminham juntas nos países árabes-mulçumanos. Não tem pecado, nem é estranho para as pessoas dois amigos ou duas amigas, mostrarem carinho pelo outro, mas para muitos é diferente nas escolhas sexuais diferentes ou nos casais héteros. Você vai se acostumar.

─ Dois pesos e duas medidas nunca vão funcionar para mim.

─ Nem para mim, mas a gente se acostuma a engolir a maioria deles.

Chegamos ao mirante.

A paisagem do mar e das montanhas é linda.

Alice a olhou maravilhada e quando tivemos fome compramos ataif para comer ── ele é uma espécie de pastelzinho com uma massa parecida a da panqueca e um creme delicioso ──, mas meu tempo livre acabou, Edward e eu temos uma entrevista daqui a pouco, e no jardim do palácio ela entrou numa brincadeira com Husam e Edward.

Sorri.

São três crianças juntas.

Caminhei para o banheiro do quarto principal para me banhar e colocar outra roupa.

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─ Calça jeans ocidental, bata árabe, sapato de vermelho de salto e lenço a moda turbante. Você é das poucas pessoas que se equilibra a perfeição entre as duas culturas e está sempre... ─ Edward encontrou no nosso quarto.

Ele mordeu os lábios.

Seus olhos brilharam e não foi difícil perceber o que está na sua cabeça: sexy, gostosa ou por ai.

Sorri girando para ele me ver melhor.

─ Gostou?

Caminhou para mim colocando as mãos na minha cintura e os lábios no meu pescoço.

─ Não tem nada de você que não gosto. Te adoro todinha. ─ me arrepiei com a sensualidade da sua voz baixinha e suave no meu ouvido.

Ele mordeu a ponta inferior da minha orelha.

Gemi.

Meu marido riu, dando um tapinha na minha bunda.

─ Temos dois minutos para estamos no salão da entrevista com o jornalista estrangeiro.

Fiz biquinho.

Riu de novo, se afastando.

Passei meu batom nude preferido o jogando na penteadeira.

Edward manteve a porta do quarto aberta para mim.

Me coloquei na ponta dos pés e o beijei.

Ele retribuiu o beijou e sorriu.

Também sorri e na entrevista falamos da importância politica da festa de casamento do seu irmão, dos planos do governo para os próximos meses, da nossa escolha de adotar Husam ser do coração e não da cabeça e dos nossos filhos biológicos.

─ Ele é uma grande alegria para a gente, é muito fácil o amar e vamos ter nossos filhos biológicos. Só, que vivemos um dia por vez e não temos planejado daqui quantos meses vai ser. ─ Edward respondeu.

Também falamos da sua escolha de compartilhar o governo e da dúvida que os sumaneses têm da minha lealdade.

─ Desde o governo do meu pai Suma vem começando a caminhar para a modernidade, mas a maioria tem medo das mudanças e compartilhando meu governo com Isabella estou tentando mostrar como as que planejamos podem funcionar sem machucar as pessoas ou o que elas acreditam. Como podem melhorar ou deixar a vida de todos mais leve.

O jornalista moveu a cabeça.

─ A Sultana também é Princesa de Rajar, Suma é muito amigo do país dela e só como sua esposa ela estava sempre livre para escolher entre os dois países, mas o que vai acontecer quando os povos de vocês disputarem o mesmo desejo?

Edward me olhou.

─ Sou a Princesa de Rajar, nunca vou deixar de ser, mas como Sultana na maioria das vezes vai ser minha obrigação apoiar Suma. Amo meu povo e sempre que puder vou evitar estar contra meu país, mas não sou a governante da minha terra natal e os rajaneses me conhecem, eles sabem que nunca abandono minhas obrigações e que sempre vou tentar estar do lado mais justo.

O jornalista mostrou aprovação no olhar pela minha resposta e a entrevista continuou com Edward falando dos conflitos na Península Arábica.

─ Suma não conhece a guerra há mais de mil anos e as fronteiras que temos com outros países não são as mais calmas do mundo, mas nossos vizinhos reconhecem que somos fortes e que não vamos estar parados se a gente tiver que atacar ou se defender.

Senti frio.

Para a maioria das pessoas das pessoas que verem essa entrevista ele vai estar só respondendo a pergunta do jornalista, mas sei que também é a sua maneira de falar com ditador da Maniza para estar longe de problemas com a gente.

A entrevista acabou. O jornalista agradeceu pelo tempo que dermos a ele e na ala dos escritórios o assessor do meu marido deu para ele o laudo exame de DNA.

Edward não o abriu.

Sorri para ele entrando despreocupada no meu escritório.

Não é como se eu não conhecesse o resultado dele, mas acho que os problemas procuram a gente como as pessoas precisam de água para sobreviver.

─ Edward. ─ levantei assustada.

Ele entrou no meu escritório no final da manhã. Seu rosto não tinha cor.

─ Husam, Husam...

Tinha uma folha de papel na sua mão.

─ Husam...? ─ perguntei.

Meu marido sentou na cadeira da frente da minha mesa como se estivesse difícil para ele respirar.

Me preocupei mais, arrodeando a mesa.

Me abaixei na sua frente, colocando as mãos na sua.

─ Habibi, fala comigo. ─ pedi suave.

Ele estava tremendo.

─ Habibi. ─ persisti.

Aspirou forte.

─ Estamos mergulhados num pesadelo. ─ respondeu baixo.

Sua voz também estava quebrada, tremendo.

Vinquei a testa.

Edward me deu a folha que estava sua mão. Vinquei a testa de novo, mas li o que estava escrito nela.

Minhas mãos tremeram.

Não consigo acreditar no que li.

A reli com meu coração batendo forte no peito e as lágrimas ganhando a luta contra mim.

Minhas pernas falharam. Coloquei meus joelhos no chão.

─ Tem que ter um erro. ─ o som da minha voz saiu muito fraca.

─ Não tem. O doutor Al Sharif é o melhor geneticista do país. Ele refez muitas vezes a avaliação das mostras de DNA antes de me mostrar o resultado delas. Meu povo só está começando a aceitar nossas escolhas, mas com as leis de Suma, Al Sharif não ia se arriscar falsificando nada para prejudicar a gente.

Alá!

Meu coração apertou.

Não são só os olhos do Husam que lembram Edward, o rosto também e o que é diferente lembra Jasper e outros Cullen, mas nunca achei que o físico dele era herança biológica. Muitas pessoas lembram outras e não são parentes.

Levantei.

Meu marido também. Ele me abraçou, mas do interior do meu choque olhei para sua dor e beijei seu rosto.

─ Vamos virar a terra para descobrir o que aconteceu com seus pais. Eu juro. ─ respondi.

Edward me abraçou mais forte.

Retribui colando mais meu rosto no seu peito.

O DNA mostrou que Husam é seu irmão bilateral*, mas para ele ser filho dos meus sogros tem que ser mais novo que achávamos e a Sultana Esme não pode ter queimado no acidente de avião que sofreu com o Sultão Carlisle.

Me afastei, levantado a cabeça para olhar seu rosto.

É como estar olhando para uma pessoa que está vendo a morte.

─ Como a gente vai se comportar quando Husam chamar você de pai ou eu de mãe? ─ perguntei, sentindo meu coração doer e minha garganta apertar.

─ Não sei. Quando li o exame compreendi pela primeira vez porque ele entrou ligeiro no meu coração, mas também senti metade do meu coração sendo roubada.

O abracei de novo.

─ Husam é um Cullen dos pés a cabeça. Quando mostramos a verdade todos vão o aceitar mais ligeiro, mas nunca mais vão vê-lo como nosso filho. É como se meus pais tivessem roubado ele da gente.

Me afastei, olhando seu rosto de novo.

─ Acha que os dois estão vivos?

─ Não sei. ─ respondeu. ─ E se estiverem por que deixaram meu irmão e eu sofremos com a morte deles?

Não respondi. Não sei a resposta.

Coloquei a mão no seu rosto.

Edward sentou de novo. É como se suas pernas não pudessem mais aguentar mais seu peso.

Sentei nas suas pernas, coloquei o braço no seu pescoço beijando sua testa.

Ele colocou as mãos na minha cintura colocando a cabeça no meu ombro.

Acarinhei seu cabelo.

Meu marido aspirou e senti seu corpo tremer.

Ele estava chorando.

Desejei chorar junto, mas percebi que tenho que ser forte para aguentar o mundo pela gente, agora.

Meu coração apertou mais.

─ Vai está tudo bem, amor meu. ─ falei baixo.

Me abraçou forte.

─ Eu nem sei o que senti. ─ sua voz quebrou. ─ Um lado meu deseja acreditar que pelo menos minha mãe está viva, mas o outro tem medo de ter esperança e se decepcionar, e no meio deles está o medo deles terem escolhido abandonar meu irmão e eu.

O abracei mais forte também.

─ Não pelo que você falar dos dois. Seus pais amavam vocês, como Charlie e Renée amam meu irmão e a mim, e falo sem medo meus pais nunca iam desistir da gente. Os seus também não iam desistir de vocês e logo vamos encontrar uma explicação para tudo.

Edward cheirou meu cangote e beijou a lateral do meu rosto procurando em mim o conforto que precisa.

─ Obrigado por me segurar de pé.

Tentei sorrir, mas o peso no meu coração não deixou.

─ Se você estiver bem também vou estar. ─ respondi.

Ele beijou minha testa. Limpei suas lágrimas, controlando as minhas.

Não falamos mais nada e não sei o que mais está na sua cabeça. Nem na minha estou conseguindo colocar tudo ainda, mas machuca muito saber que Edward não está errado: quando mostramos a verdade para todos Husam nunca mais vai ser nosso filho para as pessoas. Mas, a carga maior do nosso pesadelo está com ele, não comigo. Não são os meus pais que a gente não sabe se estão vivos ou mortos. Também sou eu que vou ter que organizar minha cabeça confusa para explicar tudo para os sumaneses e para o meu coração machucado. É meu marido.

O olhei.

Nem sou eu que descobri um irmão que não sabia tinha ou que está com um irmão correndo riscos numa ditadura.

Jasper.

Minha respiração pesou. Baixei a cabeça.

Como governante Edward teve menos tempo para chorar pelos meus sogros ou para estar lembrando deles, mas com Jasper foi diferente e meu cunhado teve mais dificuldade para aceitar a morte dos dois.

O nó na minha garganta esteve mais difícil de controlar.

─ Minha flor.

Olhei para Edward.

─ Não compreendo porque Husam estava no seu país. Rajar é muito longe da área que o avião dos meus pais caiu.

Parei de respirar.

Com muitas perguntas sem resposta não estive pensando na maioria delas, mas temos que ter todas as respostas.

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Notas finais
*Irmãos bilaterais: são filhos dos mesmo pai e mãe. Os irmão unilaterais são os famosos meio-irmãos. Muito obrigada pelos comentários. Leitoras(es) novas(os) sejam bem-vindas(os) e com a bomba soltar vou me esconder kkkkk