O Sultão
35 Atentado
Notas iniciais
───────
Capítulo 34
───────
Bella
“Bem-vindo, Majestade”, “Desculpe” e “Te amamos, Majestade” são poucas das muitas mensagens escritas para Edward nos cartazes das pessoas que estavam na lateral da pista do aeroporto.
Sorri e Edward não chorou, mas vi nos seus olhos que ele se emocionou.
Movi a mão pedindo para ele caminhar na minha frente.
Caminhou e atrás dele continuei descendo a escadaria.
Meu marido moveu a mão para as pessoas, mas não falou.
Com a emoção que mostra no seu olhar hoje as palavras sobram e o novo comportamento dos sumaneses é o começo de uma longa reconciliação.
─ Viva o nosso Sultão!
─ Viva! Viva!
─ Viva a nossa Sultana!
─ Viva! Viva! ─ as pessoas gritavam.
Movi a mão para elas também, mas entrei no carro primeiro e o caminho para o palácio foi devagar pelo grande número de pessoas nas ruas desejando ver Edward.
Nossos seguranças só cuidaram para elas não se machucarem.
Ele está triste com os sumaneses por todos esses anos, mas nunca vai aceitam que se machuquem.
Coloquei minha mão na sua para mostrar que não está só.
Me olhou, mas não conseguiu sorrir.
Senti meu coração apertado por ele.
Edward olhou para os sumaneses de novo e minha mão continuou na sua.
Soraya olhou para o outro lado para não invadir nossa privacidade.
Chegamos ao palácio.
Muitos sumaneses choraram.
O peso do arrependimento muitas vezes dói.
Procurei não mostrar nada e ser paciente.
Seu assistente deu água para ele e o chefe de segurança abriu a porta do carro para a gente.
Edward saiu, beijou minha testa e caminhou para nossa ala.
Acho que precisa estar sozinho.
Caminhei para a ala dos escritórios e Jasper entrou no meu para falar comigo.
─ Os casos de sarampo vêm do desvio de verba que ia levar a vacinação para as tribos menores.
O olhei.
─ Eu queria estar errada. ─ murmurei.
─ Eu também e conheço um Sultão que vai se chatear muito quando descobrir o desvio.
Aspirei.
─ E não vou estar no caminho dele. ─ respondi.
─ Também não e com as provas que consegui vou encaminhar a denúncia para o Ministério Público.
Olhei para a minha foto com Edward na mesa do meu escritório.
Foi tirada na casa de praia.
─ Ele vai estar bem? ─ meu cunhado perguntou.
O olhei de novo.
─ Só precisa de tempo. Seu irmão não era muito de falar, mas o comportamento ruim do povo de vocês sempre o magoou.
Concordou.
Soraya entrou no meu escritório e ele saiu.
─ Majestade o novo organizador de eventos do palácio me entregou as datas para a senhora escolher a melhor para a sua coroação.
Ela me mostrou as três que estavam num papel simples.
─ A segunda. Não podemos deixar que seja muito longe, mas também não é educado mandar os convites muito perto da data oficial. ─ decidi e no começo da noite Edward entrou no meu escritório.
─ Quando você começou a desconfiar? ─ ele levantou os papéis da investigação que Jasper fez no sistema de vacinação, na sua mão.
─ Não desconfiei, mas na vídeo chamada com o infectologista inglês vi que tinha a possibilidade. ─ respondi.
─ Mande Soraya dar os dados dele para o meu assistente. O depoimento dele vai ser importante para o Ministério Público e vou encontrar se tem mais corrupção.
Movi a cabeça.
─ Você está melhor?
─ Tudo é mais fácil quando sei que você está comigo. ─ respondeu suave.
Levantei e me beijou.
O abracei.
Edward retribuiu meu abraço e no nosso quarto massageei suas costas para aliviar seus músculos.
─ Você sabia que as pessoas estavam no aeroporto? ─ perguntou.
─ Não, Soraya só me pediu para não deixar você olhar pela janela. Acho que ela desejava te surpreender.
─ E surpreendeu.
O senti estar pesado.
─ Você tem que perdoar as pessoas.
─ Preciso de tempo.
─ Todo que você desejar. ─ respondi.
Ele reajustou seu corpo no meu.
O ouvi aspirar e com meus dedos fazendo cafuné no seu cabelo Edward dormiu.
Também dormi, mas acordei primeiro pela manhã.
Sentei devagar na cama colocando sua cabeça na minha perna.
─ Amor, habibi acorda. ─ falei baixo, com as mãos no seu cabelo. ─ Habibi. ─ me curvei beijando seu rosto.
Se moveu.
─ Bom dia. ─ falei mais suave.
Abriu os olhos e sorriu.
─ Bom dia. ─ respondeu.
Beijei seu rosto de novo.
─ Seu café da manhã está na mesa.
Levantei.
Ele me olhou.
─ O que perdi?
Sorri.
Estou pronta para trabalhar.
─ Nada. ─ respondi. ─ Tenho uma reunião daqui dez minutos e você tem uma vídeo chamada em vinte.
Se surpreendeu.
─ É mais de oito da manhã?
Ergui e baixei um ombro.
Levantou da cama, parou para me beijar e entrou no banheiro.
Sorri e com meu tablet na mão sai da nossa ala.
─────
─ Sultana, as principais noticias de hoje estão na sua mesa e Lorde Mubarak pediu para entregar esse documento a senhora.
Abri a pasta que Soraya me deu depois da minha primeira reunião do dia com nossa equipe.
Um abaixo assinado... pedindo punições mais duras para... a discriminação de gênero?
Vinquei minha testa, surpreendida de uma maneira muito boa.
─ O conheço? ─ perguntei.
─ Ele é filho do Sheik Masud.
O líder da tribo principal.
─ E a irmã dele é médica, mas muitas pessoas não gostam de ser atendidas por mulheres.
Os homens não gostam e muitas mulheres rejeitam a ajuda dos médicos.
─ Não mudou as leis, mas vou falar com Edward.
Só que não hoje.
Ele tem muitas reuniões com os Ministros do sultanato, conselheiros e assistentes dele.
Eu também não parei e pelos próximos dias a organização da festa da Liberdade levou muito do meu tempo.
─ Seu vestido, Majestade. ─ Soraya o trouxe para o meu quarto o colocando na cama.
Fechei os dados do meu computador.
─ Obrigada.
Levantei da cadeira eu que estava e abri a capa que o cobria para olhar.
Vinquei minha testa.
Ele é muito bonito, mas não é o modelo que escolhi para vestir na festa.
Achei um cartão preso nele.
“Sua primeira escolha era perfeita, mas achei que você ia gostar da surpresa.”
Sorri reconhecendo a letra do meu marido.
─ Você tem sorte por eu adorar as ideias do meu marido. ─ falei para ela.
Soraya sorriu.
Ela tem ajudado muito Edward nos planos dele para me surpreender e colocando o vestido marfim com rosas vermelhas bordadas cheguei à festa da Liberdade acompanhando Edward no seu primeiro discurso depois do que mostrou à verdadeira Jamilah:
─ Suma.
─ Oi, Majestade.
Sorri.
─ Escrevendo meu discurso para a festa da Liberdade procurei muitas palavras para descrever nosso país, mas nos mil anos de liberdade que conquistamos sempre tivemos uma economia forte que poucos povos conhecem e só conseguir encontrar uma palavra: rara. ─ sorriu. ─ Suma é uma joia rara que também é única pela força que nos uni como pessoas e a capacidade da gente se reinventar e levantar quando nos jogam no fogo.
Todos o aplaudiram.
─ Somos fortes, mas nosso passado não é feito só de glorias e alegrias e a Sultana me falou há poucos dias: você tem que perdoar as pessoas.
Todos calaram.
Edward me olhou e virou para os sumaneses de novo.
─ Ela não está errada e como nos reinventamos também vamos recomeçar.
O aplaudiram mais.
Olhei para o prédio da frente e a luz do sol refletiu numa superfície metálica.
Pisquei quase cega pelo brilho muito forte luz no metal, mas vi uma arma apontada para o meu cunhado.
Não.
O sniper ia atirar.
─ Jasper! ─ o empurrei para o lado.
A bala entrou no meu braço.
Jasper gritou para protegerem Edward.
Vacilei, mas meu marido empurrou os seguranças me protegendo com o seu corpo.
Outro tiro.
A bala entrou no ombro dele.
Não.
─ Edward.
A multidão na praça correu gritando.
Ele também vacilou e fechou os olhos, mas não desmaiou.
─ Não se mova. ─ falou baixo.
Tremi.
Seus lábios estavam perto do meu ouvindo.
Fechei os olhos e a terceira bala voou muito perto da gente.
Jasper pegou o fuzil de um segurança e meu marido olhou para ele.
Meu cunhado moveu sua mão no chão mostrando três dedos para ele.
Edward virou seu corpo de cima do meu, mas continuou do meu lado.
─ Vamos entrar.
Mordi meus lábios.
─ Vou te proteger, mas vamos continuar abaixados. ─ falou.
Concordei.
Jasper apontou o fuzil.
Um, dois, três e ele atirou em três snipers.
Me movi abaixada com Edward.
Seu corpo cobriu o meu de novo e nossos seguranças se moveram com a gente.
Mais tiros inimigos e Jasper atirou de novo machucando os dois últimos snipers.
“Um anjo da morte” lembrei das palavras do meu marido.
Entramos no palácio.
Meu estômago virou.
Desmaiei.
─────
Meu corpo está pesado.
Senti meu antebraço, mas não meu braço.
Anestesia local.
A gente reconhece a sensação depois de se machucar muitas vezes nos treinos pesados das equipes de torcida profissionais.
Abri meus olhos devagar.
Me senti tonta, mas reconheci Edward do meu lado.
─ Oi. ─ falei baixo.
Ele se agitou colocando a mão no meu rosto.
─ Minha flor, você me assustou.
Sorri.
─ Melhor você se acostumar. Quando meu estômago vira minha cabeça apagar.
─ E o que virou seu estômago? ─ perguntou.
─ A violência.
Lembrei do ombro dele.
─ Seu ombro?
─ O médico do palácio removeu a bala com anestesia local. Do seu braço também. ─ sorriu. ─, mas ele prometeu que você não vai ter cicatriz.
Acho que só deseja suavizar tudo.
─ Os snipers?
Olhou para as pessoas que estavam no nosso quarto.
─ Saiam. ─ mandou. ─ O tiro que você levou é a resposta do pai da Jamilah a verdade. Você não era um alvo. Ele precisava ver meu irmão morto, me machucar para aguentar a vergonha que a filha deu a ele e aproveitou a agitação da festa da liberdade para quebrar nossa segurança, mas quando você empurrou Jasper o plano do Emir caiu.
Os covardes sempre machucam inocentes para manter seu orgulho.
Sentei colocando as mãos no seu rosto.
─ Como você vai responder?
Aspirou.
─ A economia da Basnia é fraca, mas Suma tem uma boa relação com a maioria dos países. Vou pressionar a economia basniense com embargos até as pessoas decidirem destronar o Emir.
Olhei para baixo e para cima de novo.
─ Troca de casas monárquicas ou mudança completa na espécie de estrutura politica do país?
─ Troca de casas monárquicas.
Caiem os Al Sharif, entram os el-Barbary.
É uma mudança justa e uma grande esperança para melhorar a economia da Basnia.
Os el-Barbary...
─ Os el-Barbary não são um ramo da sua família materna? ─ dei voz para os meus pensamentos.
Sorriu.
─ Você encontra melhor resposta para os crimes de hoje?
Não.
O mundo todo vai voltar a falar de Suma e do governante que assusta a todos, mas que respeitam.
─ Jasper?
─ Ele vai exonerar muita gente pela quebra na nossa segurança, mas a guerra continua não sendo o melhor caminho.
─ As pessoas na praça?
─ Muitas caíram, mas poucas se machucaram e as que se machucaram foram atendidas pelos socorristas que estavam na praça esperando por outros problemas na festa.
Minha cabeça doeu.
─ Minha família...
─ Machucaram a joia preciosa deles. Eles estão a caminho e meus ouvidos continuam doendo pelos gritos do seu pai, mas Emmett esteve calado. Acho que ele vai me socar na primeira oportunidade que tiver por eu não proteger você direito.
─ Edward!
Ergueu e baixo os ombros.
─ Não foi sua culpa. ─ murmurei.
Não vou deixar que ele se culpe pelo erro dos outros.
─ Senhorita Tehrani. ─ chamou Soraya.
─ Majestade. ─ ela entrou no nosso dormitório se curvando para ele.
─ Deixe a imprensa saber que a Sultana e eu estamos bem e que Suma não vai responder o ataque de hoje com violência.
Soraya moveu a cabeça e saiu.
Descobri que minha assistente responde muito fácil as ordens dele.
─ Não acho que seu assistente vai estar muito feliz com a minha.
─ Ele está muito ocupado com outras atividades para se chatear com ela.
Levantei da cama.
─ A festa da Liberdade...
─ Vamos continuar. Ela é muito simbólica Suma. Jasper derrubou os snipers e vai colocar reforços na segurança da festa. ─ me abraçou. ─ Você vai estar segura. Meus inimigos nunca mais vão te machucar. Eu juro.
Coloquei a cabeça no seu peito.
Percebi que trocaram meu vestido rasgado por outro maravilhoso.
─ Esse desenho também é muito bonito.
Edward sorriu.
─ Era para o segundo dia da festa, mas o estilista está costurando um novo.
─ Como você consegue achar tempo para desenhar?
─ Quando a inspiração é forte tudo vem fácil.
Me coloquei na ponta dos pés.
─ Obrigada. ─ beijei seu rosto.
Sorriu colocando suas mãos no meu rosto, de novo.
─ Foi o primeiro atentado aberto contra mim no meu governo e vou fazer o que puder para ser o último, mas temos que acalmar as pessoas. Acha que podemos falar da adoção que estamos fazendo?
Mordi os lábios.
─ Acho que vamos desarmar uma bomba com outra diferente, mas vale a pena tentar. ─ respondi.
Me abraçou.
Retribui e na frente do espelho reajustei o penteado do meu cabelo ── A maquiagem continua boa ── e com sua mão na minha Edward e eu caminhamos para a sacada principal do palácio ── Sua mão estava gelada como a minha.
─ Não fale o nome dele. ─ pedi.
Meu marido moveu a cabeça.
Nossos seguranças abriram a cortina vermelha que escondia a gente e uma nova multidão nos aplaudiu na praça.
Próximo =>
Fale com o autor