O Sultão

20 Mais do Passado...


Notas iniciais
Oi flores e queridos. Eu falei semana que vem e estou atualizando antes kkkkkk, mas outro só semana que vem. As leitoras novas sejam bem-vindas. Beijos açucarados e muito obrigada pelos comentários.

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Capítulo 19

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Bella

Soraya me acompanhou para o terraço do palácio com Edward, mas ela escolheu estar do lado oposto ao nosso colocando sua atenção nas plantas do lugar e não na gente.

─ Sei que sua amiga e meu irmão estão atraídos, mas deixe eles. Os dois são adultos e nós dois sozinhos temos problemas suficientes para falamos. ─ ele meditou olhando para o horizonte.

─ Você precisa saber que nunca falo três vezes quando discordo dos planos de uma pessoa. Falar com seu irmão foi minha segunda tentativa para evitar a loucura deles. Não vai ter uma terceira. ─ respondi me abraçando.

Edward virou para me olhar.

─ Com a festa acontecendo não pudemos conversar, mas conheço meu povo para saber que nela você ouviu muitos boatos e insultos disfarçados de elogios.

Ri sem humor.

─ Como com certeza você ouviu no nosso jantar de noivado em Rajar.

Ele não negou.

─ Não é o seu passado que está cheio de segredos escuros.

Me virei também.

─ Como se todos soubessem da minha primeira opção profissional. ─ zombei.

─ A maioria do meu povo não sabe, mas eu sei e o que você sabe de mim é pouco.

Eu não soube o que responder.

─ Não tenha medo minha flor. Eu amei Jamilah e a amei por completo, como hoje amo você, mas os boatos que falam contra mim estão ai e se eles estão é porque machuquei minha esposa.

Abri meus olhos mais que o normal tragando a saliva.

─ Não foi intencional, Jamilah nunca me falou que tinha endometriose até eu a encontrar numa poça de sangue um dia, mas todos pensaram que o culpado era eu e...

─ Você nunca se defendeu para proteger o segredo dela. ─ percebi.

Edward deu um passo para mais próximo de mim.

─ Ela era minha esposa, tinha minha lealdade e a endometriose é...

─ A doença que mais provoca infertilidade feminina e compromete o ato sexual sendo fonte de muita dor na penetração vaginal. ─ antecipei sua frase. ─ Eu sei. Tive companheiras de trabalho com esse diagnostico, mas também pelo que sei a cirurgia a laser alivia muito a dor e a paciente pode ter uma vida sexual normal ativa. ─ corei.

Falar da intimidade de outra pessoa não uma atitude recorrente na nossa cultura.

─ Jamilah tinha medo da cirurgia, medo da infertilidade que muitas vezes vem com a doença.

Olhei para o jardim do palácio e voltei a olhar para ele.

─ Mas existe a fertilização in vitro para as mulheres que enfrentam dificuldade de engravidar após o tratamento dela.

─ Existe, mas ela não podia nem ouvir falar na possibilidade, porque se sentia uma mulher completa por não poder gerar nossos bebês de maneira natural e dentro da minha posição como Sultão a sucessão do trono ia ser colocada em dúvida.

Edward está certo.

No Ocidente a fertilização in vitro é comum, mas em muitos lugares do Oriente continua sendo um tabu.

─ E você se sente culpado, porque não percebeu que sua esposa tinha essa doença, apesar da dor no ato sexual e porque sua posição na realeza fazia a Princesa se sentir pressionada para ter um filho naturalmente. ─ percebi.

─ É vergonhoso admitir, mas a entrega de Jamilah quando estava comigo nunca me deixou perceber seu sofrimento. Ela nunca deu sinais de dor na minha frente e... quando descobri a verdade me preparei para mentir pela minha esposa, porque na nossa cultura seria vergonhoso para ela se todos soubessem da infertilidade dela e todos me pressionariam para casar de novo.

Aspirei.

─ Mas Jamilah também não estava preparada para dividir você com outra e não aguentando o peso de não se sentir uma mulher completa ela se matou. ─ respondi baixo.

─ A culpa é minha.

─ Não é não. ─ o contradisse. ─ Você falou “Eu amei Jamilah e a amei por completo, como hoje amo você” e se você a amou como mostra que me ama também abriu mão de outras esposas por ela, como abriu por mim.

Ele colocou suas mãos no balcão do terraço abaixando a cabeça.

─ Se eu pudesse dar o mundo para salvá-la tinha dado, mas naquela época eu não podia abrir mão do direito de ter outras esposas e Jamilah sabia de tudo.

Coloquei minha mão no meio das suas costas.

Ele me olhou pelo canto do olho.

─ Jasper estava muito doente, nossos pais não tiveram irmãos e eu não sabia qual ia ser o destino do meu povo sem meu filho para estar no trono no futuro.

Me afastei voltando a me abraçar.

─ Outro parente seu podia assumir o sultanato.

Edward reajustou sua postura estando de frente para mim.

─ Você esteve com meus parentes hoje. Deixaria um país nas mãos deles?

Tremi.

─ Não.

─ Minha esposa também não.

─ O que o Príncipe Jasper tinha?

─ Meningite Meningocócica, ele a contraiu num combate fronteiriço na África Ocidental ajudando nossos aliados numa missão secreta antes da criação das duas últimas vacinas.

─ Você não é culpado, só fez o que podia com o tinha, porque você é homem como qualquer um, mas também é um grande líder e muitas pessoas dependem da sua liderança para sobreviver.

─ Jamilah...

─ Se matou pela própria fraqueza dela. ─ o interrompi. ─ Edward na nossa cultura uma pessoa que não pode ter filhos é vergonhoso, mas milhares dentro dela convivem com essa verdade todos os dias e não estão pensando em se matar.

─ É, mas só uma ia ser a futura Sultana de Suma.

─ E você ia se humilhar por ela. A verdade é que Jamilah não merecia o seu amor, nem eu mereço. ─ respondi baixo com a cabeça curvada para frente.

─ E eu Isabella? Tenho direito de tirar uma flor da terra dela para plantá-la na minha e vê-la mochar? ─ sua pergunta me surpreendeu.

Virei à cabeça de lado para vê-lo.

Meditei por um segundo e sorri suave.

─ A flor está acostumada a terras áridas e sabe se adaptar a elas para não mochar.

Edward me abraçou colocando seu rosto no meu cabelo. Ele virou a cabeça e senti seu rosto molhado no meu.

─ Edward... ─ reagi chocada e me afastei um pouquinho, mas retribui seu abraço colocando meu corpo no seu.

Não vou ser como Jamilah, não vou esconder nada dele.

As intrigas na festa, Tanya...

─ Edward. ─ falei novamente. ─ Habibi. ─ tentei ser mais carinhosa, porque sua fragilidade emocional me falar que sua esposa era fria com ele, apesar do amor dele.

─ Desculpe. ─ o Sultão enxugou suas lágrimas.

─ Nunca se desculpe por me mostrar seus sentimentos. ─ pedi colocando a mão no seu rosto.

─ A Princesa...

─ Também me amava, mas nos últimos meses do nosso casamento se afastou de mim pela depressão dela e quando eu perguntava por que tanta tristeza ela me enganava com palavras doces que esquentavam meu coração ingênuo.

─ Você disse outro dia que ela confiou na pessoa errada e você também.

─ Anwar era prima dela, a melhor amiga, confidente e assessora. Jamilih confiava nela e eu também entregando minha amizade para ela, mas Anwar invejava tudo o que era da minha esposa e eu confundi as tentativas de sedução dela a mim com carinho de amizade. ─ sorriu tolerante. ─ Sei que a maioria das pessoas da nossa cultura não acredita na amizade entre homem e mulher, mas eu acredito e cai fácil nas mentiras de Anwar.

─ Foi ela quem começou os boatos contra você? ─ perguntei.

Ele sorriu tolerante novamente.

─ Não, foi minha própria família. Alguns dos meus parentes dariam um braço para estar no meu lugar.

Aspirei.

─ Você tem que ter mais cuidado com eles. Na festa ouvi duas das suas parentas insinuando que você machucava Jamilah quando visitava o quarto dela.

─ Isabella...

─ E não é só com elas. Lady Tanya me procurou no dia que chegamos a Suma falando com todas as palavras que continua desejando casar com você. ─ abriu a boca para falar de novo. ─ É óbvio que a moça não sabe do nosso contrato e tenho segurança suficiente para não estar me sentindo ameaçada por ela. Mas, não sei o que esperar da pessoa que está por trás dela e seu povo já tentou me matar.

Virei para o jardim.

Edward levantou a mão para pegar no meu rosto, mas não a colocou nele.

A baixou.

─ Você é meu amor. Vou proteger você e garantir que Tanya nunca mais a incomode.

Com um braço esticado e uma mão no cotovelo olhei para ele.

─ Acredito. Minha mãe...

Sorriu.

─ Seu pai e eu achamos que você ia gostar da surpresa.

─ Adorei. Obrigada. ─ falei estando na ponta dos pés para beijar seu rosto como beijei pela manhã.

Me dando sua mão Edward me ajudou a descer a escadaria com Soraya atrás de mim pelos próximos dois dias ele e eu visitamos dois novos hospitais sumanes, uma universidade e outra tribo beduína.

─ A cadencia da sua voz é como música. ─ um paciente na meia idade para quem eu estava lendo contos árabes falou.

Sorri e na ala das crianças pintei meu rosto com estrelas e flores de tinta guache com glitter para animá-las com músicas e histórias infantis.

─ Ela é bonita e engraçada como a princesa Mulan. ─ o menininho disse para a mãe.

─ Obrigada, cavalheiro. ─ o agradeci com um sorriso suave nos lábios e uma reverência graciosa.

Ele sorriu também e na universidade Edward e eu participamos de um jogo com arco e flecha. Ele me deixou ganhar na primeira vez, mas na segunda o venci de verdade.

Meu noivo sorriu aplaudindo e no meu último dia em Suma o líder da outra tribo beduína nos deu dois lindos amuletos artesanais com areia do deserto dentro.

─ Como não é possível contar a areia um verdadeiro casal nunca vai estar separado em seus corações. ─ o líder falou colocando os amuletos em nossas mãos.

Sorrimos e no palácio mamãe e eu exploramos o lugar juntas ouvindo mais boatos que não dei importância.

─ É para você. ─ à noite no aeroporto entreguei um relógio masculino como presente para Edward.

A peça que comprei no mercado do ouro.

─ É lindo. Muito obrigada. ─ respondeu suave olhando para a elegante peça marrom de couro sintético costurado a mão.

Sorri e seus olhos brilharam quando nos olhamos pela última vez antes da minha entrada no meu avião.

Mamãe viajou em outro e o que trouxe parte da minha equipe e bagagem também decolou.

─ Cansada? ─ Alice perguntou sentada do meu lado.

Ela passou os últimos dois dias sumido pelo palácio sumanes.

─ Só pensando no futuro. ─ respondi lembrando do diário da princesa.

Não falei para Edward o que seu irmão me disse dela, porque não o li para saber se tudo é completamente verdade ou só exageros da visão árabe masculina na maneira de ver os cenários da vida.

─ Hoje completa um mês que o conheci. ─ respondi não supervalorizando nada. ─ Ele também lembrou, olha. ─ apontei para um vaso no interior do avião.

─ São rosas do deserto?

─ Tem muito significado pela pergunta que ele me fez outro dia.

─ Se ele tem direito de tirar uma flor da terra dela para plantá-la na dele. ─ murmurou.

─ É. ─ falei um pouco da minha conversa com Edward para ela, mas continuei guardando os segredos dele e da princesa.

─ E o que significa o relógio?

Olhou para mim.

Bebi um gole da minha água.

─ É prático para ele usar no dia a dia.

─ Cuidado Bella, o gelo congela e muitas pessoas se afastam dele, porque não gostam de frio.

Pisquei várias vezes para organizar meus pensamentos.

Alice está certa, se eu continuar mantendo Edward a um braço de distância sempre vou estar dando um passo para frente e outro para trás e nunca vou me apaixonar por ele.

Eu estou tentando. Abri a boca para falar, mas será que estou de verdade?

Aspirei e de volta a Rajar me dediquei a ajudar Rosalie a se adaptar a sua nova rotina enquanto cumpro meus compromissos oficiais.

─ Postura reta, ombros alinhados, queixo para frente. Você agora é uma princesa, sua aparência tem que estar sempre elegante e ser princesa também é ser diplomata. ─ sentada na frente dela a olhei. ─ Uma palavra sua fora do lugar e as nossas relações exteriores com outros países podem ser prejudicadas. Mas, nunca deixe as pessoas a humilharem. ─ levantei.

Seus olhos acompanharam meus movimentos.

─ Você é esposa do meu irmão, a honra dele e aceitar uma ofensa contra você é aceitar uma ofensa contra ele.

Rosalie balançou a cabeça.

─ Nunca cruze as pernas, na nossa cultura cruzá-las é falta de educação com quem está na sua frente. ─ colocou as suas de lado. ─ E nunca perda sua dignidade. Sorria. ─ sinalizei com a mão debaixo do queixo. ─ Se as pessoas a ofenderem com ofensas e preconceitos cobertos de elogios não responda abertamente, mas as coloquem no lugar delas da mesma maneira.

Ela abriu a boca para falar e eu levantei a mão pedindo para esperar.

─ Você é a futura Sultana desse país e merece respeito.

─ Mas...

Olhei para minha cunhada.

─ Não sou uma princesa de nascimento.

─ É mais: é a escolha do meu irmão.

E meu pai entrou numa guerra para que ele fosse fez. Essa parte não falei em voz alta.

Aspirou e numa visita minha ao principal hospital que trata as vitimas da guerra ela me acompanhou.

─ Acho que você sabe que teoricamente Emmett é muçulmano, mas não é grande praticante da religião e você não precisa se converter ao islamismo para se casar com ele.

─ Sei, mas uma mulher muçulmana não pode casar com um homem não muçulmano, porque o marido pode convencer a mulher a ir por outro caminho. ─ expeliu o ar menosprezando a doutrina religiosa.

─ Na visão ocidental é machista, eu sei, mas na Arábia é só parte da religião. ─ murmurei e pelos próximos cinco dias ensinei para Rosalie tudo o que consegui. ─ Nunca vá a lugares sagrados ou a uma tribo beduína sem o hijab. Estar com a cabeça descoberta neles é considerado falta de respeito e nunca fale alto ou grite com o seu marido na frente das pessoas para não ser mal vista pela maioria delas.

Expeliu o ar novamente.

─ Eu sei. Seu irmão não reage as mil maravilhas quando o contradigo.

Ri zombeteira.

─ A maioria dos homens árabes não reage.

Ela me olhou desanimada e com Alice acompanhou a primeira prova dos meus vestidos de noiva.

─ Que alma vai se salvar no purgatório? Você convidou sua cunhada para estar com a gente. ─ minha melhor amiga zombou baixo.

─ Cala a boca. ─ respondi mais baixo.

Mamãe não falou nada, nem foi simpática com a nora.

─ Ah. ─ resfolegou vendo meu primeiro vestido de noiva. ─ Minha joia preciosa ele é perfeito. ─ seus olhos brilharam.

─ A cor tem significado? ─ Alice se interessou.

─ O dourado representa a posição dela na realeza e toda a riqueza da nossa família. ─ minha mãe respondeu.

─ Os rubis nele são incríveis e o brilho dourado da capa forrada com veludo é...

─ Espetacular. ─ batendo palminhas Alice antecipou o final da frase de Rosalie.

Sorri e o próximo que provei era verdade-esmeralda com mangas semitransparentes e muitos bordados florais a mão.

─ Quem é o designer deles? ─ mamãe perguntou.

─ É surpresa. ─ sorri suave.

─ E os outros?

─ Também vão ser surpresa. ─ respondi para Alice.

─ Mal posso esperar para ver os meus! ─ Rosalie suspirou sonhadora.

─ Você vai ser uma noiva linda.

Gostei de ouvir a primeira gentileza que mamãe falou para Rosalie.

Minha cunhada sorriu alegre e no outro dia a levei para o meu escritório.

─ Suas obrigações como princesa vão estar sempre em primeiro lugar, mas nelas você tem que achar atividades que gosta de fazer, causas para apoiar e lutar por elas.

─ Qual a sua? ─ questionou.

Levantei meu olhar para ela.

─ Na atualidade?

Concordou.

─ Livrar Rajar da guerra. ─ respondi. ─ Mas Emmett está trabalhando nas medidas contra o novo Coronavírus. Nosso país não tem casos da doença, mas a fiscalização preventiva nas portas de entrada dele está forte.

─ Eu sei, Emmett me falou que criou um fundo especial para possíveis gastos com cidadãos que contraírem o vírus ou que estão sendo trazidos de outros países que a doença já está ativa.

─ É. A prevenção é o melhor caminho e, apesar de preocupante Rajar não tem motivo para pânico. Doenças epidemiológicas estão na história do mundo desde que ele existe e nas épocas e lugares mais variados que têm. ─ meditei digitando no computador. ─ Rosalie muitas pessoas vão desejar manusear você para tentarem manipular Emmett ou conseguirem informações privilegiadas do interesse delas. Cuidado e quando as repreender que seja firme, mas com calma. Você tem que ser a paz que todos desejam, não a tempestade que machuca.

Concordou e oito dias após a minha vinda de Suma o caos já se espalhou pela Península Arábica com todos os embargos que Alzan e seus aliados receberam.

Aspirei.

Com medo de estarem sem nos próximos dias os cidadãos desejam estocar comida e água, mas os líderes deles estão limitando o número de produtos que eles podem comprar e outras pessoas também estão guardando medicamentos e insumos, mas em várias cidades desses países aliados não tem mais comida para vender.

Olhei para a vista da capital rajanesa sabendo que é o melhor para o nosso povo, mas não para as pessoas inocentes que estão pagando pelas más escolhas dos seus líderes.

─ Alteza.

Olhei para Soraya.

─ O Príncipe Jasper no telefone.

─ Vossa Alteza. ─ apertei o botão do viva voz.

Edward não está bem. O envenenaram.

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