O Sultão
8 Discussões
Notas iniciais
───────
Capítulo 7
───────
Bella
─ La! ─ repeti minha resposta negativa ao sair da porta da sala do trono e aproximar deles. ─ Vocês perderam a cabeça? Nós estamos no meio de uma guerra e não podemos nos dar ao luxo de desestabilizar nosso governo por desentendimentos pessoais entre a gente. ─ grunhi.
─ Bella, eu amo você e eu não queria ter te atirado no olho de uma tempestade de areia, mas papai está demonstrando que não vai ceder e desta vez eu também não vou. Desculpe. ─ meu irmão me disse e eu olhei para o nosso pai com meu olhar repleto de decepção pelo comportamento inflexível dele.
─ Não é nada pessoal. O seu irmão é o Príncipe Herdeiro desse sultanato e é obrigação dele fazer o que é melhor para o nosso país. ─ papai respondeu e eu aspirei pesadamente.
─ O melhor para Rajar é ter o príncipe deles feliz, porque um futuro líder amargurado não vai fazer nada de bom pelo nosso povo e se meu irmão não pode se casar com a mulher que ama sem abrir mão dos seus direitos eu também não me casarei com o Sultão Cullen. ─ afirmei.
─ Não me desafie, menina. Eu sou o Sultão de Rajar e posso ordenar que uma das minhas jovens primas se case com Edward no seu lugar. ─ papai grunhiu com falsa indiferença.
─ Mas não pode obrigá-lo a aceitar sua proposta, porque ele quer se casar com uma Princesa de primeira linhagem, não com uma parenta sua qualquer e eu não vou assumir as responsabilidades do meu irmão. ─ respondi.
─ Cuidado Isabella, não se esqueça de que você também tem deveres para cumprir e precisa fazer o que for exigindo de você. ─ papai tentou me intimidar, porém eu não sou mais uma criança que diz sim a todas as suas ordens.
─ Não se eu também abrir mão dos meus direitos reais. ─ revidei, mas desde que evidenciei minha presença para eles eu não voltei a alterar a voz.
─ Bella não. ─ Emmett interviu.
─ Por que não Emmett? Essa é uma monarquia hereditária e papai precisa entender quais serão as consequências das escolhas dele. ─ expliquei para ele e depois me virei para papai. ─ Sem herdeiros diretos a sua posição como monarca será enfraquecida, a aliança com Suma será perdida, o nosso povo vai continuar mergulhado na guerra e quando o senhor morrer alguém que não nasceu para reinar vai assumir o seu lugar. Alguém ganancioso, que nunca fará nada por Rajar. ─ eu joguei sobre os nossos tapetes toda a lama escondida e sem a menor cerimônia os deixei sozinhos.
Dois dias mais tarde uma pesada nuvem ainda flutuava sobre a minha família, mas ninguém além da gente percebia.
─ Vossa Alteza esteve perfeita durante o seu discurso. ─ Soraya me disse quando entrei no palácio.
─ Obrigada. ─ respondi, enquanto ela me seguia pelo corredor.
Soraya é uma das assistentes da minha mãe e estará comigo até eu escolher alguém para ocupar a sua função.
─ Lady Rania e Lady Farihah estão aqui para vê-la. ─ informou.
─ Diga que eu não estou.
─ Elas a viram no jardim.
─ Invente que eu tenho outro compromisso. ─ sugeri.
─ Não dá. Sua mãe não quer ofender a família do Sultão e ela pediu para que a senhora as receba. ─ explicou e o tom da sua voz foi como o de quem diz “sinto muito”.
─ Mas eu posso ofendê-las. ─ murmurei desgostosa.
─ Vossa Alteza? ─ Soraya sorriu transigente. ─ A senhora nasceu diplomática e nem se tentasse ofenderia alguém de propósito. ─ eu não a contradisse porque ela ainda não me conhece, se conhecesse saberia que, apesar de ter o dom das palavras frequentemente escolho a franqueza direta no lugar da prudência.
Farihah é uma das muitas primas do meu pai e ela é a mais jovem delas. Também é a mais desagradável de todas e a última pessoa que eu gostaria de ver em qualquer ocasião.
─ Boa tarde, às duas. ─ eu disse a Lady Rania e Farihah quando entrei no salão verde do palácio.
─ Vossa Alteza. ─ as duas se curvaram para mim e eu movi a mão impaciente.
─ Como vai Lady Farihah? Lady Rania. ─ as cumprimentei adotando uma formalidade que pouco uso quando estou em família.
─ Habibti*. ─ Rania respondeu, mas ser chamada de querida pela minha tia-avó tem a mesma honestidade que dizer que uma serpente nunca é traiçoeira e sua filha olhava fixamente para minha roupa.
─ Minha roupa está suja Lady Farihah? ─ questionei e ela nem teve a decência de corar.
─ Não, mas para alguém tão... liberal eu esperava roupas mais... ousadas. ─ respondeu com malicia olhando para o Kaftan dourado com estampas florais e calça leve azul-turquesa que escolhi vestir.
─ E para alguém que deve me respeitar você está passando dos limites. ─ a repreendi, deixando óbvio que eu entendi as baixas insinuações escondidas nas suas palavras educadas.
─ Não se ofenda habibti, minha filha apenas quis dizer que você teve uma vida diferente da nossa. ─ Rania interviu.
─ E tinha como ser diferente Lady Rania? Por causa da guerra estava exilada nos EUA. O meu pai me enviou para lá para me proteger. Eu não escolhi deixar Rajar e felizes são as mulheres que puderam ser protegidas no seu lar. ─ a coloquei suavemente em seu lugar.
─ O que minha mãe e eu estamos tentando dizer é que você foi criada com mais liberdade que nós e deve ser muito difícil estar noiva de um homem tão antiquado, um assassino como o Sultão Cullen. ─ Farihah tentou justificá-las, mas escolheu as piores palavras possíveis, porque quando ela foi injustamente maldosa sobre Edward, eu me senti desobrigada a continuar sendo educada com elas.
─ Saiam. ─ as expulsei quando fiquei de pé e apontei para a porta do salão, mas não alterei minha voz, apenas mostrei através dela que estou irritada com as duas.
─ Como disse? ─ Rania perguntou chocada.
─ Saiam da minha presença e não voltem mais ao palácio! ─ respondi inflexível.
─ Você não pode fazer isso com a gente. Nós somos família. ─ guinchou.
─ Posso. Eu sou sua Princesa, não sua igual e família não tenta seduzir o próprio sangue para alcançar objetivos nojentos. ─ as acusei mostrando que sei da armadilha que elas tentaram criar para Emmett. ─ A partir de hoje quem ofender o meu noivo também ofende a mim e será tratado com o rigor da lei rajanesa. Portanto, saiam ou serão chicoteadas. ─ afirmei e algum resquício de autopreservação deve existir dentro delas, porque elas reconheceram o perigo verdadeiro nas minhas palavras e obedeceram a minha ordem.
─ Suma tem sorte de ter uma futura Sultana como Vossa Alteza. ─ Soraya falou quando as duas saíram.
Ela esteve presente o tempo todo em silêncio.
─ Os sumaneses vão me odiar quando souberem o que o meu povo pensa do Sultão deles. ─ a contradisse e foquei no que é mais importante.
Eu preciso encontrar um modo de mostrar para as pessoas do meu país que elas estão erradas sobre Edward para poder evitar que a minha vida em Suma seja um completo inferno.
Edward também é gentil comigo, ele não merece ser caluniado e nenhum povo pode amar a Princesa de um lugar que odeia o seu soberano.
Cinco dias depois de Emmett e eu chegamos a Rajar a nossa agenda oficial está sendo extensa e eu estava voltando de uma visita a um orfanato quando me lembrei de um assunto importante que eu estava ignorando.
─ Que estilistas de noivas você recomendaria? ─ perguntei para Soraya quando sairmos do carro.
─ Estilista de... noivas? ─ ela gaguejou.
─ É. Ou eu terei que me casar vestindo uma toalha de mesa? ─ a minha pergunta zombeteira deixou a assistente da minha mãe envergonhada.
Bom humor. Eu preciso de uma assistente com bom humor.
─ Não Alteza, mas...
─ Você ficará linda com qualquer coisa que usar. ─ Edward a interrompeu.
Ouvir o som da voz dele me fez olhar para além de Soraya o procurando e ela arregalou seus olhos.
Eu não a culpo. Ele tem fama de ser um homem antiquado, mas é mais parecido com o moderno homem europeu do que com o árabe arcaico.
─ Majestade? ─ eu me surpreendi com a sua presença.
─ Você não esperava me ver hoje? ─ Edward questionou quando vinquei minha testa ao olhar para ele.
─ Não...? ─ eu estou tão surpresa por tê-lo aqui que a minha resposta foi mais parecida uma pergunta e toda a leveza do rosto dele desapareceu.
Próximo =>
Fale com o autor