O Sucessor - Interativa
3 Capítulo 3 - Ernest Schreave
Notas iniciais

"É dessa massa que somos feitos? Metade de indiferença, metade de ruindade."
(Ensaio sobre a Cegueira – José Saramago)
O Sucessor
Capítulo 3 — Ernest Schreave
O melhor de ser o príncipe herdeiro? Ninguém pode reclamar quando você tranca a porta, as janelas e decide que tudo o que vai fazer nos próximos minutos é pensar.
Nenhum médico ou pai desesperado – como seria no caso de Ty e Marilia – virá me obrigar a abrir a porta. Nenhum primo vem me forçar a participar de uma atividade de distração. Na verdade, todos sem exceções parecem amar quando eu decido pensar. Afinal, é tudo o que eu tenho que fazer a minha vida inteira: pensar e tomar decisões
O que eu sou treinado para fazer desde pequeno vai além de roubar a coroa de minha irmã. Eu sou treinado para liderar um país inteiro, com a ajuda de meia dúzia de conselheiros. Ou seja, minha vida toda foi sobre pensar e tomar a melhor decisão quanto a falar, agir e ordenar, aprendendo sempre que tudo o que eu fizesse não deveria ser considerado apenas palavras, desde o menor pensamento já era uma ação, que prejudicaria ou ajudaria um país inteiro.
Um país que, pela opinião da meia dúzia de conselheiros que meu pai possui, eu iria arruinar.
E assim foi reaproveitada a ideia que meus pais juraram nunca voltar a pôr em prática, senhoras e senhores, a Seleção de Ernest Schreave. Tudo que eu mais “desejava”, trinta e cinco moças no castelo, prontas para pôr as mãos na Coroa, prontas para roubar de mim o que eu roubei de Terly. Prontas para— como os “conselheiros” disseram, ao propor essa ideia – amansar o coração do príncipe herdeiro, para que o país passasse a vê-lo como um rei amoroso e não um engravatado de olhos duros.
Engravatado de olhos duros. A seleção era minha sina, o final de uma das poucas liberdades que eu acreditava possuir como futuro rei e ao mesmo tempo minha chance de não desapontar mais ninguém. Mas eu precisava saber, antes de todos, quem eram. Precisava saber para ter o direito de me preparar para o que estava por vir e arrumar, quem sabe, alguma esperança – dentro dessa ideia louca de escolherem quem eu deveria casar em cima de um sorteio.
— Chateado por causa da briga com o rei? Essa você deveria admitir, primo, foi inconsequente. — A voz de Astra me fez levantar a cabeça. Desde que entrara no quarto estava com as mãos apoiadas na mesa, considerando tudo o que havia acontecido no dia, de modo que não cheguei a notar a mulher sentada em uma das poltronas perto do piano.
— Só foi inconsequente porque Wan e Terly atrapalharam minha primeira ideia. — Minha voz soou como um resmungo, mas mesmo assim me virei, escorando na mesa e a encarando com os braços cruzados.
— Ah, por favor, seus planos não eram muito melhores. E faltam dois dias, descobrir agora quem são as Selecionadas só te obriga a encenar a cara de surpresa na televisão. — Astra levantou uma sobrancelha e me encarou, estava usando um vestido longo roxo – de seda – e um xale nos ombros, obviamente para ir ao jantar mais tarde, ele moldava seu corpo e lhe garantia um ar de realeza que não tinha por sangue. Qualquer um poderia dizer que era uma moça bela, mas depois de anos conhecendo minha prima, eu sabia mais do que qualquer um reconhecer seu olhar. Astra era apenas uma coisa: cruel.
— Que seja então. — Respondi a contragosto e descruzei os braços, batucando os dedos na mesa atrás de mim. — Por que, exatamente, está aqui Astra?
— Ora, eu queria saber o que tinha dado na sua cabeça em aceitar a ideia do garoto Leger, e bem... — Ela abriu um sorriso, um sorriso que não condizia com seus olhos, mas mesmo assim foi capaz de iluminar seu rosto. — ...achei que você pudesse me acompanhar ao salão de jantar. Pelo o que eu entendi, seu pai não te botou de castigo no quarto.
Astra vez um biquinho, desdenhando toda a ocasião, e se levantou da poltrona para se escorar na mesa, ao meu lado.
— Ah, entendo. — Inclinei a cabeça, como se participasse de seu jogo, e abri um pequeno sorriso. Como disse, eu a conhecia a anos, e ela foi uma boa professora. — Você acha que quando as selecionadas chegarem, vai ser posta de lado, que eu não terei tempo para você, que minha mãe não terá tempo para seus mimos, até mesmo Terly terá companhia a mais e poderá ficar bem longe de você. Posso ver em seus olhos, Astra, você disse para meus pais que vai morar no palácio para dar apoio às selecionadas, mas vai ser mais como.... hum, como você chama minha irmã?... ah, sim... fantasma.
— Eu não serei posta de lado, sabe muito bem que minha raiva não vem disso. — Ela falou e levou uma mão a meu peito, fazendo menção em arrumar a gravata. Sorri. Ainda estávamos jogando. — Só acho que essa ideia de Seleção, tirou minha chance de virar rainha algum dia.
— Que chance? — Fiz minha melhor cara de espanto, enquanto levantava uma mão até seu rosto. — Sabe que eu nunca me casaria com você. — Sussurrei, e me inclinei até ela. — Seria loucura da minha parte entregar o país para a única pessoa que poderia fazê-lo queimar sem precisar de ajuda. — Apenas um encostar de lábios. Rápido e tão cruel quanto ela. — E além disso, eu vou ser fiel as selecionadas Astra, espero que tenha consciência disso.
Foi uma promessa e um aviso, depois disso me afastei dela, dessa vez realmente arrumando minha gravata e me pondo a andar pelo quarto, até que parei de frente para o grande painel de metal, repleto de avisos, gráficos, projetos, fotos de viagens e de um grande calendário. 3 de Agosto, anúncio das selecionadas.
— Sendo assim eu vou aceitar a proposta de Heitor. — Eu suspirei, mas não me virei para ela. — Ele queria que eu fosse na próxima reunião da empresa, na França, com ele...
— Boa sorte.
— ...e eu sei que não serão apenas negócios, veja bem, ele é o CEO da companhia e eu sou a Vice-presidente, sei muito bem que não tinha necessidade dessa viagem à capital francesa.
Finalmente me virei para ela, pelo espelho às suas costas pude ver meu reflexo. Talvez os conselheiros estejam certos afinal, eu pareço mesmo um engravatado de olhos duros.
— Eu disse, boa sorte. Heitor é um cara legal, e você tem que parar com isso, afinal não é como se eu...
— ...amasse você. — Completou e sorriu, não consegui impedir e sorri para ela. Nunca vou superar a mestra, não quando é Astra Orders.
Ela deu de ombros, como se não ligasse para sua superioridade diante do futuro rei, apesar de aquilo ser tudo para ela. Acabei rindo, uma risada contida e não consegui me impedir de me aproximar dela, levando os braços a sua cintura.
— Não ia ser fiel as Selecionadas? — Astra levantou uma sobrancelha, fingindo estar confusa, mesmo que o sorriso malicioso decretasse o contrário.
— Elas ainda não chegaram. — Murmurei contra seu pescoço, dessa vez foi ela quem riu, um pequeno risinho, enquanto eu a provocava.
— Hm.. ainda há tempo antes do jantar e...
O estrondo vindo da porta fez com que nós dois pulássemos no lugar, para logo depois nos separarmos um pouco vermelhos. Por sorte ou azar não era nenhum conselheiro ou mordomo.
— Uau, veja só Caius, a seleção nem foi anunciada e o príncipe já tem alguém para treinar os beijos. — A mulher riu da própria piada enquanto apontava uma faca para nós, Astra instintivamente se escondeu às minhas costas, apertando o meu ombro direito com uma das mãos.
Era um ataque rebelde. A mulher e o homem que fechara a porta do quarto com violência claramente faziam parte dos rebeldes. Ela tinha uma trança nos cabelos, que pareciam longos e que eram escuros como breu, sua pele era clara, mas bem suja, talvez fosse alguns tons mais branca quando limpa, olhos escuros e raivosos, sobrancelhas grossas e boca fina, usava uma calça preta, rasgada nos joelhos e na panturrilha, junto com uma blusa de alças, igualmente preta e protetores de metal, nos ombros e nas costas – nada para proteger a frente –, já a faca que segurava na mão esquerda parecia confiante, nada que indicasse que era uma amadora no que fazia.
Como poderia ser amadora se invadiu o castelo tão bem? Antes que os alarmes fossem soados!
Voltei o olhar para faca, pingava sangue no tapete do quarto, a mulher não era mesmo nenhuma inexperiente. Respirando fundo levei uma mão para trás, apenas para dar suporte para Astra que ainda parecia aterrorizada.
— O que o príncipe faz ou não, com as mulheres, não é de meu interesse. — O homem, que antes estava na porta do quarto foi para o lado dela, dessa vez engoli em seco. Ele tinha uma arma na mão direita, nada tecnológica como a dos guardas, mas com certeza bem funcional, baixei um pouco olhar, sua mão esquerda estava sobre o cinto, ele tinha uma faca também, mas esta estava embainhada. O homem – Caius, como fora chamado – era pelo menos cinco centímetros mais alto que a mulher a seu lado, ela que por sua vez devia ser uns três ou quatro mais alta do que eu, tinha a pele escura e o cabelo praticamente inexistente, uma barba malfeita e uma expressão dura no rosto – mesmo que essa não chegasse aos pés da que a garota fazia ao nos encarar – ele estava vestido praticamente do mesmo modo que a mulher e assim que percebeu que eu o analisava invés de simplesmente gritar por algum guarda, fez algo que me surpreendeu, guardou a arma às suas costas e cruzou os braços.
— Mas o que ele vai fazer com esse país é.
— Caius, o tempo! Os outros devem invadir a qualquer momento e os guardas vão chegar. Temos que ir logo! — A mulher parecia totalmente contrariada em estar ali, e eu não precisava pensar muito para entender o porquê. Assim como os rebeldes remanescentes, ela odiava a Monarquia, ela me odiava.
— Isso vai ser rápido, Rose. — Ele disse rígido e respirou fundo, encarou a mulher rapidamente, com amor e pesar, antes de voltar o olhar para mim. — Então, o que você pretende?
— O que eu pretendo o que?
Essa foi minha resposta inteligente, enquanto Astra apertava ainda mais meu ombro, quase pude sentir suas unhas passarem pelo paletó. A mulher – Rose – bufou.
— Quando for rei, rapaz! Preste atenção. — Ele voltou novamente o olhar para Rose e ela revirou os olhos. Pareciam um casal, mas claramente não concordavam sobre estar ou não aqui. — Os rebeldes de hoje, eles não têm um bom objetivo para estar aqui, pelo menos a maioria. A questão é que, são todos homens e mulheres desesperados, mesmo com o fim das castas... muitos ainda sofrem preconceito e muitos culpam o palácio, por morrerem de fome enquanto vocês esbanjam riqueza e saúde.
— E nem ouse citar as princesas como desculpa! — A rebelde se intrometeu na conversa, mas eu sabia onde queriam chegar, entendia o que falavam.
Os rebeldes, em sua maioria, eram pessoas que odiavam a Monarquia, tudo o que desejavam era nos tirar do poder, jogar o país no caos e dizer que a culpa de toda a desigualdade era apenas da coroa. Mas ainda haviam os desesperados, meu pai uma vez disse, os que estavam na pobreza por causa do preconceito pós-castas e que atacavam o palácio ou promoviam discórdias em troca de dinheiro ou comida, os que acreditavam que roubando algo iam conseguir trocar e ter uma vida melhor.
O homem parecia ser do tipo desesperado, para querer falar comigo no meio de um ataque. Já a mulher... estava em um limiar entre o ódio e a discórdia, e o desespero.
De certo modo, era sempre o desespero.
— Então, está aqui, com uma mulher que provavelmente matou alguém do palácio, — Comecei devagar, indicando a faca dela com os olhos, antes de voltar a encarar o homem. — querendo fazer um acordo para não... esbanjarmos mais nossa riqueza?
Eu poderia rir daquilo, de onde ele queria chegar. Viera ao palácio sem nenhum plano concreto, apenas esperando que eu o ouvisse e no clamor do momento fizesse algum tipo de aliança com os rebeldes? Em todos os ataques, sendo dos que odiavam a monarquia ou não, eles matavam muitas pessoas inocentes. Caius e Rose só estavam arrumando um jeito de serem mortos se essa era a ideia principal.
— Meu pai já está fazendo tudo o que pode para parar o preconceito pós castas. Se vieram realmente só por isso, perderam o seu tempo.
Dessa vez tive certeza que senti as unhas de Astra perpassando o paletó e enfincando em minha pele. Cale a boca, ele tem uma arma. Era o que sua mensagem passava.
— Ele é inútil Caius, não vai nos ouvir. Me deixe acabar com eles ou vamos embora de uma vez. — A rebelde falou com uma impaciência ainda maior na voz.
— Não vim aqui fazer um acordo com você, vim te alertar. — Ele disse, ignorando Rose e dando um passo em nossa direção, o que me fez aproximar o braço esticado para trás ainda mais de Astra, um gesto de proteção praticamente inútil. — Seu pai, é um bom homem.
— Acho que eu já sei disso, obrigado.
— Mas corre um perigo que vocês não poderão evitar. Existem pessoas nesse castelo que não querem que as coisas melhorem, não com os Schreave no poder, não com a Monarquia. — Caius falava rápido, seu tempo obviamente acabando.
— É uma acusação séria demais, ainda mais vindo da boca de um rebelde.
— Você não consegue perceber? Tudo o que seu pai faz pelo país, os incontáveis projetos... e mesmo assim toda a bagunça do governo anterior parece continuar?
Abri a boca para responder, mas a fechei e franzi as sobrancelhas. Sim, eu posso ver. Qualquer um era capaz de ver aquilo, como o país estava um caos desde que a última casta fora removida, mesmo com toda a liberdade... o preconceito ainda assombrava todos. Antigos “nobres” e antigos oito.
— A questão é o que você pretende fazer quando for rei, o que, do jeito que as coisas andam... não demorará muito. — Ele continuou quando viu que eu não possuía resposta, mas falou devagar, quase apreensivo que suas palavras se tornasse uma ameaça ao meu ver. — Vocês devem mudar as confianças rapaz, mudar o jeito de ver tudo ao seu redor. A rainha America trouxe uma nova perspectiva ao seu pai, mas isso de acordo com o reinado de seu avô. Você não pode mais acreditar nessa visão, se quiser que as coisas melhorem... deve fazer mais do que ouvir o que te mandam fazer.
— Você deve ser rei, mas um novo tipo de rei. — Rose abaixou a faca depois das palavras de Caius e se virou realmente para mim, pela primeira vez no momento, sem raiva no olhar. — Você deve ser superior a Clarkson, e melhor que Maxon, alteza.
Era impossível não ouvir o deboche na voz dela com alteza, mas me forcei a respirar fundo.
— Como eu disse, há gente nesse castelo que está fazendo de tudo para que o governo de confiança do seu pai seja um fiasco, e que o país caia novamente. Mas também existem pessoas que querem o melhor, que precisam do melhor, e que estão cansadas de atacar o palácio por motivos de vingança. —Ele olhou para a porta do quarto, apreensivo, pela primeira vez voltei minha atenção para lá, para o barulho no corredor que se aproximava. — Quando puder responder à pergunta, quando souber o que fará...
Dessa vez o olhar apreensivo foi para a mulher, como se fizessem um acordo mutuo e cheio de medo.
— Vá para as cozinhas. Fale com Jehard Pike, ele fica por lá durante as noites, quase sempre. Dê sua resposta, e vamos nós todos se ajudar. Você será livre para construir seu governo e nós poderemos parar com essa loucura e.... —Ele encarou o chão por um momento, considerando as palavras seguintes. — Ernest, isso pode parecer repentino, rebeldes virem falar com você, pedindo que aceite uma visão que não conhece e de gente em quem não confia, mas seu pai fez isso na época dele, também esperamos que consiga fazer.
Eles não esperaram reação, também deveria ter sido algum tipo de acordo mútuo, mas assim que o homem terminou de falar eles correram e se jogaram contra a janela – antes pude ver Rose pegar algo, provavelmente para quebrar o vidro. Foi tudo muito rápido –, deviam ter algum plano, pois estávamos no quarto andar e mesmo assim nenhum deles hesitou. Fui obrigado a me abaixar e proteger Astra contra os vidros que se espalharam e voaram em todas as direções, no mesmo momento em que outras pessoas invadiam o quarto.
— Alteza? — Não são rebeldes. Consegui me virar, quatro guardas adentraram o quarto alarmados, estavam sujos, com suor e sangue.
Ainda não nos viram.
Apoiando no chão, me levantei, puxando Astra comigo, que estava em um estado de choque e medo, mas por outro lado não tinha quase nenhum arranhão de vidro na pele, enquanto seu vestido parecia receber uma camada de “pó” de pequenos fragmentos do mesmo.
— Oh, pelos céus! O senhor e a senhorita estão bem! Todos foram levados para o abrigo, mas vocês não apareceram, os guardas mandados para encontrá-los... nunca voltara- — Um dos homens falava apressado, aparentemente o ataque havia terminado ao mesmo tempo em que Caius e Rose pularam a janela.
— Calma, Ryle, deixe-os respirar e uma coisa de cada vez. — A única mulher do grupo se virou para mim, olhando o ambiente com mais cuidado. — Tinha mais alguém aqui, alteza?
Mirei rapidamente Astra, ela ainda não parecia conseguir falar.
— Um rebelde. — Por que os está ajudando? — Ele nos manteve aqui, sob ameaças... tinha uma arma, mas devia estar sem balas, quando ouviu que alguém se aproximava pulou a janela.
A mentira, ou meia verdade, saiu fácil e sem ser abalada pela minha boca. Nem eu mesmo consegui me entender, do porquê de ter feito aquilo, do porquê de não ter contado sobre o que os verdadeiros rebeldes disseram, sobre o traidor nas cozinhas...
Culpo o calor do momento e a velocidade com que as coisas ocorreram.
— Esse sangue é de quem? — Ela apontou para o tapete, onde o sangue da faca de Rose pingara.
— O homem estava machucado.
Parece uma desculpa mesmo antes de eu ver um vinco surgir em sua testa, ela estava pensando, considerando aquilo, tentando entender o porquê de um príncipe treinado não ter reagido a um homem que claramente parecia desnorteado.
— Provavelmente ele matou os homens que foram enviados para encontrar vocês.
— Provavelmente. — Respondo, na mesma forma pensativa e casual que ela fizera. Por algum motivo, eu sentia que seu interesse não era em nossa segurança, mas entender o porquê dos supostos ataques “vazios” de um homem. Por que vir de tão longe, invadir o palácio e apenas ficar ameaçando o príncipe? Não faz sentido.
Droga Ernest. Devia ter pensado mais na desculpa, mesmo que não tenha hesitado...
— De todo o modo já acabou, seu pai ordenou que fosse encontrado e levado até ele se não estivesse incapacitado, alteza. — Sua voz é fria, não uma voz de líder – eu saberia reconhecer isso –, mas quando volta a se dirigir a mim, tem uma frieza a mais nos olhos duros.
Vocês devem mudar as confianças. A frase do rebelde acaba voltando a minha mente, e vejo a mulher varrer o cômodo com os olhos uma última vez – não acreditou em nenhuma palavra do que eu disse – antes de sair comigo e Astra em seus calcanhares e seus soldados seguindo mais atrás.
Pela primeira vez eu senti que não devia confiar em alguém da Guarda Real.
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