O Submundo Da Ciência
2 Capítulo 2 - O Submundo da Ciência e Tecnologia
Notas iniciais
— BEM VINDO, NOVATO! — Várias vozes davam as boas vindas.
— Hã...? Onde... — Estava tudo escuro. Os olhos de Marco demoraram um pouco para acostuma-se com a luz. Parece que estava em coma por um longo tempo...
— Marco? Acordou? — A voz era conhecida... Mesmo sem ver o rosto, ele reconheceu. Lucio e sua voz irritante!
—Lucio?! — Perguntou Marco.
— Ufa, pessoal, ele não perdeu a memória. — Brincou. — Sim, sou eu! — Respondeu.
— O que aconteceu?! Morremos? — Marco parecia aliviado. Talvez porque descobriu que após a morte, há vida. Como cético, nunca acreditou nisso.
— Não, claro que não! Estamos vivos! Mais do que nunca! — O respondeu alegremente.
— Ah, certo... — Seus olhos estavam se acostumando à luz. — Mas o que diabos aconteceu, afinal?
— Nós estávamos no telhado da escola... — Foi interrompido.
— Eu me lembro disso! O que aconteceu depois que você... Nós sumimos?
— Bem, nós fomos teletransportados, como eu disse. Mas acontece que algum estagiário colocou uma mesa no lugar onde você iria aparecer. Quando você apareceu, bateu na mesa e caiu de cabeça no chão... — Gargalhou alto.
— Não ria, maldito! Minha cabeça dói... — Reclamou Marco.
— Pelo menos não perdeu a memória, não é? — Gargalhou novamente.
—... Você verá. Você e o estagiário maldito! — Ameaçou Marco. — Mas espera... Porque você também não bateu na mesa?! — Indagou-o.
— Quem você acha que foi o estagiário?! Perdão...
— Seu... Desgraçado, te matarei... Espere até eu melhorar! — Os olhos já estavam acostumados, já reconhecia todos na sala; havia muitas pessoas; muitas luzes; muitas coisas...
— Aqui, beba isso. — Falou uma voz feminina.
— Obri... Obrigado! — A dona da voz feminina era linda. Marco espantou-se com a beleza dela. Perguntou-se mentalmente se não estava realmente no céu e aquela na sua frente era uma Anja.
— Se sente melhor? — Perguntou Lucio.
— Mas claro que não! — Respondeu com muita ignorância. — Espere... Sim, estou melhor! — Levantou-se imediatamente. Aparentemente o que ele tinha bebido parecia um remédio (Mas com um gosto bom) e funcionou instantaneamente. — O que foi isso que bebi?! Minha cabeça não dói mais. — Olhou para a jovem que lhe dera o remédio. — Obrigado... Bela dama. Você salvou minha vida...
— Oras, não exagere! — Falou Lucio — O que você acabou de beber agora é chamado de Raiz Planint. É um chá feito com a única folha de uma planta chamada Phonis, uma referência à magnífica Phoenix. Sinta-se honrado por beber isso. Só existem atualmente 20 dessas plantas... Por enquanto. De qualquer forma, ela é uma planta incomum... Muito. Ela tem o poder de curar tudo. Menos a morte, é claro.
— Existem apenas 20 dessas?! E porque ainda me deram uma?! Não que esteja reclamando, mas...
— Relaxe, nós estamos a cultivando; acho daqui a um ou dois anos, teremos milhares... — Respondeu.
— Ah, entendo... Espere. ESPERE! Como assim “nós”? Quem são vocês afinal?!
— Somos... Aliens. — Brincou com a ideia compulsiva de Marco de que Aliens existem.
— O quê?! Eu sabia! Vocês existem de verdade! Ah, cara, eu estou tão... — Foi interrompido pela gargalhada de Lucio.
— Calma, rapaz. Eu estou brincando...
— Mas... Agora mesmo... E como você explica tudo o que aconteceu agora há pouco?!
— Nós somos humanos; mas temos um conhecimento e uma tecnologia muito avançada!
Marco estava confuso; olhava para os rostos que lhe encaravam; via os computadores que ele nunca vira antes, cheios de botões e cabos elétricos espalhados pela sala. Por um momento fechou os olhos, deitou-se no chão e desacreditou em Lucio e começou a pensar que aquilo era uma nave espacial. “O que realmente está acontecendo?”; “O que realmente foi tudo isso?”; “Esse frangote está realmente falando a verdade ou não?”; “Chegarei a tempo do jantar em casa?”. Esse tipo de pensamento encheu a cabeça de Marco. Obviamente, estava querendo muito socar alguém. Mas se eles forem realmente Aliens? Poderia está botando a vida ele e da Terra em risco; não que ele se importe com o povo da Terra, mas em quem ele iria bater? Extorquir dinheiro? Sem isso para ele o mundo não tinha valor.
Pensou. Pensou... E resolveu agir... Primeiramente, levantou-se, e em seguida olhou para Lucio.
— Cara, não me importo! Realmente não me importo. Apenas quero voltar para casa. Não ligo se vocês forem Aliens ou humanos, ou deuses. Não me importo mesmo. Adeus. — Andou para um lado e outro procurando a saída.
— Adeus. — Despediu-se Lucio — A saída é por ali... — Apontou para uma porta metálica.
Marco foi-se em direção à porta. Abriu e antes que desse um passo para fora, parou espantado, boquiaberto.
— Como...? O quê...? MAS O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI?!
Lucio gargalhou.
Um raio laser veio em direção à Marco, que com um movimento pouco sutil, jogou-se no chão, fazendo com que o raio acertasse um painel de um dos computadores da sala.
— Ops! Fomos descuidados! Marco feche logo essa porta antes que alguns Hientropos fujam! — Aconselhou — Ou mais raios lasers acertam aqui.
Antes que Marco fechasse a porta, alguém dentro da sala falou algo...
— Desculpem por isso... — Um cara com uma arma na mão, acenava enquanto pedia desculpa pelo que acabara de acontecer.
Marco fechou a porta. Sentou-se de no chão, botou as mãos na cabeça...
— EU ESTOU NO INFERNO?! TUDO BEM, EU SEI QUE FUI UMA PESSOA MÁ... JÁ ESTAVA ESPERANDO POR ISSO! — Berrou, e conformou-se. — Por favor, posso falar com Satã?!
Uma voz grossa e um tanto incompreensível no começo falou algo; que Marco pensara que vinha do além ou de Satã.
— SATÃ! EU QUERIA TANTO FALAR COM O SENHOR! — Berrava Marco.
— HAHAHAHA, não sou Satã, rapaz! — Respondeu calmamente a voz.
— Hã?! Mas... — Fora interrompido por Lucio.
— Shiu! Ele é o Sr. Morien. O diretor daqui... — Informou-o à Marco, Lucio.
— O quê...? Ele não é Satã? — Indagou Marco.
— Claro que não! E você não está no Inferno, jovem! — A voz respondeu à pergunta de Marco — Como o aprendiz Lucio falou, eu sou o Diretor da Central de Ciência e Tecnologia.
— Espere... Eu não estou entendendo nada! O que é essa Central de Ciência e Tecnologia?! — Questionou — E mais... Por que tinha monstros esverdeados naquele pântano atrás daquela porta?! — Apontou para a porta que tinha lhe feito surtar e cogitar que estava no Inferno.
— Mantenha a calma, rapaz! Aquilo que você viu não passava de ilusões; aquela é a sala de treinamento, onde treinamos e aperfeiçoamos nossas novas armas tecnológicas. Mas também chamamos aquela sala de “Pesadelo”. — Forçou um riso, e logo voltou a explicar. — Lá nós podemos... — Fora interrompido.
— ESPERE! NÃO ESTOU ENTENDENDO NADA! — Comentou desesperadamente Marco. — Onde afinal eu estou?! — Indagou.
— Com licença, diretor. — Falou Lucio. — Mas acho que devemos explicar TUDO para ele, se o senhor permitir, eu posso dar uma “aula” para ele. — Completou olhando para Marco.
Um minuto de silêncio. E então a voz do diretor que vinha de algum alto falante na sala, o respondeu.
— Muito bem, Lucio. É justo que ele saiba de tudo. Você pode ensiná-lo, mas apenas o básico do básico; após isso, ele terá que ir à Murthin! — Disse a voz.
— Certo Sr. Morien! Eu lhe ensinarei em no máximo uma semana! — Falou Lucio, completando... — Vamos! Começaremos agora!
Lucio virou e andou até uma porta ali perto, cujo deixou semi-aberta e desapareceu dentro da sala.
— É melhor você ir logo. — Falou a doce voz da jovem que lhe ofereceu o chá de Phonis.
— Ah, certo! — Apenas concordou, apesar de ainda não raciocinar muito sobre o que ocorrera, mas algo lhe dizia que logo ia encontrar sua resposta.
Marco tratou de ir atrás de Lucio; Atrás da porta apenas um corredor curvado para a esquerda. Havia umas cincos ou seis portas, não deu pra contar exatamente, já que Lucio estava no fim do corredor segurando a porta e o apressando para andar rápido.
— Vamos, vamos! Ainda teremos um longo dia pela frente, já que ainda é meio-dia...
“Meio-dia?!”, pensou Marco. É verdade que já tinha perdido a noção do tempo; eram no máximo umas 9 horas da manhã quando Lucio o chamou na sala, só havia passado apenas 3 horas, mas tantas coisas acontecerem nesta manhã de terça-feira, a mais louca que Marco já vivera, a mais complicada e confusa; mais confusa do que o dia em que ele tentou calcular o dinheiro de suborno de um aluno que estudava com ele, e estava prometendo pagar 1,60 por dia, e iria pagar tudo de uma vez no fim do mês.
Marco apenas o seguiu. Atrás da outra porta, era uma sala maior que a anterior; parecia mais como uma área central, era enorme. Havia um painel grandão no centro da sala, era o que mais chamava a atenção ali. A sala era bem iluminada com fortes holofotes no telhado; fazia um pouco de frio, devido aos fortíssimos ares-condicionados instalados estrategicamente. Tinha vários vasos enormes na sala, com umas plantas bem artísticas, muito belíssimas e muito agradáveis aos olhos humanos. Ao lado esquerdo da porta que Marco entrara, possuía um enorme balcão no lado direito da sala, parecia uma recepção de um hotel, atrás do balcão, três atendentes lindíssimas. Havia um corredor vindo do lado oposto da porta onde Marco e Lucio entraram, o final do corredor dividia-se no meio: um corredor do lado direito e um do lado esquerdo. Havia também três portas: uma no fim do pequeno corredor; uma à direita do balcão (Onde Lucio e Marco entraram) e outra em direção à frente do painel.
— Olá Missy, estou de volta! — Cumprimentou uma das atendentes no balcão, que apenas acenou e respondeu com um “Bem vindo novamente”. — Aqui é uma das salas de recepção, ali — Apontou para o corredor do outro lado da sala — é a entrada principal da sala. Aquele é o Painel de Avisos e também a agenda semanal de treinamentos na Sala Ilusória. O local onde você viu o “Pântano”. E ali é o nosso destino, prepare-se! — Completou Marco, apontando para a porta que havia à frente do painel.
Marco imaginara coisas enormes; talvez ali estivesse um enorme deserto, completamente cheio de areia fina que dificulta a pessoa de andar. Ou talvez, quem sabe, um enorme castelo medieval, com uma ponte de entrada, abaixo da ponte enormes crocodilos, e soldados armados com lanças e escudos que guardavam a entrada do castelo.
Não conseguiu conter o ânimo e foi-se logo em direção à porta.
Ao abrir a porta, Marco espantou-se. E frustrou-se. Lá era apenas uma sala normal.
— Calma aí, apressadinho! Essa é a sala de espera!
— Ah, cara! — Disse Marco com um ar chateado.
Lucio e Marco entraram na sala e sentaram-se cada um numa poltrona preta e bem acolchoada. Apoiando os antebraços nos braços da poltrona e juntando as mãos entrelaçando os dedos. Olhou para Marco que estava retirando uns doces da pequena mesa à sua frente.
— Bem, Marco... Agora eu lhe explicarei TUDO! O que nós somos, onde estamos, e porque você está aqui! — Disse Lucio.
— Já estava na hora! E esses doces são horríveis! — Rezingou, devolvendo os doces que havia pegado.
— Óbvio, esses doces são especiais, o gosto depende do seu humor atual! Mas, apenas presta atenção no que vou lhe contar, está ouvindo?! — Indagou-o.
— Ah, o quê?! — Marco estava concentrado numa pequena estátua de um monstro bestial que estava em cima de uma mesa do outro lado da sala.
— Preste atenção! Essa conversa será muito importante!
— Certo, certo...
— Por onde eu começo... — Pensou consigo mesmo — Do começo, oras! Bem, você deve está se perguntando o que é a Central de Ciência e Tecnologia, não é?
— Ah, sim! — Ele mentiu, pois nem se lembrava mais desse nome.
— A CCT, como somos conhecidos, é um grupo que trabalha para o Governo Mundial...
— “Governo Mundial”! Existe algo assim?!
— Sim, por trás das cortinas... Quer saber mais um pouco sobre o Governo Mundial?
— Tanto faz.
— Considerarei como um “sim”! No mundo em que vivemos, pensamos que quem comanda as coisas são o Governo do país, estado ou da cidade. Errado. O Governo Mundial age detrás de tudo, os governantes (Presidentes, Ministros, Governadores Estaduais, Prefeitos, etc) são todos colocados no poder pelo Governo Mundial, usam a ilusão de uma votação democrática para enganar o povo. Bem, devo dizer que nem mesmo os governantes sabem da existência do Governo Mundial. O Governo Mundial coloca-os no poder, mas por trás de tudo, eles são manipulados pelos seus assistentes e conselheiros, que na verdade, trabalham para o Governo Mundial. O Governo Mundial manipula também as escolas, a mídia. Mas bem, chega de falar disso, esse não é o foco da nossa conversa... Eu, particularmente...
— Espere! Como você sabe tantas coisas?! — Espantou-se Marco.
— Esse é o motivo da nossa conversa! Antes, eu lhe falei sobre uma proposta. É sobre isso que vou lhe falar agora. Nós da CCT, somos treinados em uma escola especializada, antes de nos torna estagiário na CCT. Leva em média um ou dois anos para isso. Depende da sua velocidade de aprendizado.
— Hã?! Desculpe, eu me desliguei quando você falou “escola”. — Brincou Marco.
— Você é realmente muito engraçado! — Gargalhou.
Marco soltou um som de desprezo.
— Continuando: O que você acha de ir para a nossa instituição de ensino de Ciência e Tecnologia? — Propõe à Marco.
— E o que eu ganharei com isso?! — Quando se trata de estudos, Marco é bastante complicado para ser manipulado e convencido. Apesar da pergunta, ele tinha certo interesse. Queria descobrir mais sobre o quê presenciara até agora, afinal.
— Eu lhe direi... Antes eu também não ligava para estudos, aprendizados, para mim isso era besteira.
— Tsc! — Desprezou o argumento de Lucio.
— Você é bem complicado, não é mesmo? — Riu.
— Não me importo. — Desprezou novamente.
— Não? Então terei que te matar. — Lucio com um rosto bastante sério, levanta e dar um passo para trás, puxando uma pistola a laser da cintura e apontou para Marco.
— O quê?! Mas que diabos... — Assustado, Marco levanta-se da poltrona e caiu no chão. Se Lucio estivesse mais perto Marco o desarmaria facilmente, mas ele não estava.
— Pei! Pei! Pei! — Imitou o som da arma a laser. Estava sorrindo — Estou brincando.
— Maldito seja, vou acabar com a sua raça medíocre! — Vociferou, ao levanta-se apoiando na poltrona e mantendo o olhar frio em Lucio.
— OH, calma aí, cara! Brincadeira a parte. Agora gostaria de terminar a conversar com você. A Escola que tem o intuito de ensinar a ser um funcionário da CCT, irá começar em breve as aulas. Ao menos... — Fora interrompido pelo seu celular, que tocava um tema de um filme de aventura muito famoso. — Perdão, espere um pouco.
— Tsc. — E novamente, soltando um muxoxo, desdenhando.
— Sim, senhor! Agora? Certo... Espere, é hoje, Professor? — Esperou a resposta antes de continuar a indagar — Estou perdido no tempo então. Todos vão, ou apenas ele? Ah, certo, certo! Iremos imediatamente. Até logo! — Despediu-se e desligou o celular. — Vamos, temos uma reunião importante com os novatos.
— Ah. Esse seu celular tem alguma função especial? Tipo, soltar mísseis ou rastrear qualquer número do mundo? — Indagou curiosamente.
— Não seja idiota, é apenas um celular normal! Vamos logo! — Lucio saiu da sala, seguido de Marco aborrecido.
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