O Sorriso do Maroto - Fred Weasley

5 Gosto muito de você, leãozinho


Notas iniciais
Esse capítulo ficou um pouco quebradinho e mais focado na Ana. Queria mostrar um pouco de quem ela é além da namorada do Fred. Queria agradecer aos dois leitores que comentaram no último capítulo. Doctor Alice Kingsley e Lerushe vocês fizeram meu dia ❤

— Gosto muito de você, leãozinho. Para desentristecer, leãozinho, o meu coração tão só, basta eu encontrar você no caminho– cantarolou Ana.

A menina estava deitada no gramado perto da casa de Hagrid. As folhas da grama faziam cócegas em seus braços e pernas. Os raios do sol batiam em sua pele esquentando-a. A brisa mexia em seus cabelos, espalhando o cheiro de jasmin no ar. Mexeu também em um dente-de-leão, levando-o ao nariz da menina, fazendo-a rir.

Não havia lugar melhor do que ali para a lufana. Sua mente se esvaziava e ela finalmente se sentia livre. Não haviam aulas, feitiços e nem Hermione, seus problemas simplesmente desapareciam. Ela aproveitava a companhia do sol, da brisa e das bribas que passeavam por entre a grama. Uma delas se aconchegou em seu colo. A menina sorriu ao ver que suas escamas verde-prateadas não se contraiam. Ela havia puxado de seu avô o jeito com as criaturas mágicas e de sua mãe o gosto por herbologia.

Seu horário livre estava chegando ao fim e a menina sabia que tinha que retornar ao castelo. Ela delicadamente tirou a briba de seu colo e se despediu dela com uma referência.

Ana finalmente retornou ao castelo. E a realidade.

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Lino gargalhava enquanto Fred e Jorge se olhavam confusos. Lino era engraçado, mas ele realmente não sabia contar piadas.

— Entenderam? Porque ela queria chegar do outro lado.

— Que tipo de piada é essa? — perguntou Jorge.

— É uma piada trouxa. Arthur Bingley riu muito quando eu contei para ele. Ou talvez ele estivesse rindo de mim — o menino fez uma careta.

Os gêmeos gargalharam. O trio não havia mudado muito desde o primeiro ano. Estavam alguns anos e travessuras na frente, mas ainda eram as mesmas crianças bagunceiras. Suas risadas infantis enchiam o salão comunal de alegria. Apenas mais um dia normal na casa de Godric Gryffindor.

Riram até chegar na aula de herbologia. Seria uma aula conjunta com a Sonserina, o que tirou um pouco do bom humor dos meninos. A professora Sprouse explicava as propriedades mágicas da Acácia.

— Os egípcios a consideravam sagrada. Para utilizar seus frutos é preciso esperar dez semanas. É dele que extraímos a seiva para utilizar na poção da paz. Pode ser encontrada em todo o mundo, mais facilmente no Egito, porém temos uma ótima coleção aqui em Hogwarts — ela disse orgulhosa — existem também as propriedades mágicas dos seus bagos brancos, mas explicarei sobre eles na próxima aula.

Os alunos se juntaram em trios seguindo as instruções da professora. A tarefa era relativamente simples: podar a árvore e passá-la de um vaso para outro.

— Me sinto como um jardineiro — reclamou Jorge.

— Um jardineiro bem irritante e chato — brincou Lino.

— Pelo menos não sou eu que fico choramingando pelos cantos. “Oh! Por que ela não gosta de mim?”, “ Ela é tão linda!”, “Ela só presta atenção do Fred e não em mim” — Jorge disse afinando a voz e fazendo cara de sono.

Lino virou na direção de Fred receoso do amigo ter ouvido alguma coisa, mas ele estava concentrado demais. O ruivo estava focado no lado de fora da estufa, onde Hermione Granger passava rindo de algo que Harry falava. Fred estava alheio a tudo e a todos, inclusive aos comentários dos sonserinos. Jorge, por outro lado, não estava.

— Ouvi dizer que Potter passa bastante tempo no escritório de Dumbledore.

— Já sabemos como o mestiço consegue tantos pontos para a Grifinória — Dimynus riu maldoso.

— Sendo uma pessoa decente -retrucou Jorge — ao contrário de vocês dois.

— Uau Weasley. Tente mais uma vez que eu talvez me importe.

— São pessoas como você, Dimynus, que mancham a imagem da Sonserina — o ruivo disse revirando os olhos.

— E são pessoas como você que ajudam a manchar nosso sangue — rosnou Theodore Nott irritado.

— Gente, isso é realmente necessário? — Lino disse tentando fazer as pazes.

— Ah! Cale a boca! Vai babar na namorada do outro ali que é o que você sabe fazer melhor.

— Fico extremamente ofendido. Sou um excelente locutor e saiba que… — mas ele não teve tempo de terminar a frase. Um ruivo pulou no sonserino, deixando sua varinha cair no chão. Jorge observou espantado seu irmão dar uma surra no outro garoto, no bom e velho estilo trouxa.

— Nunca, nunca mais diga isso na sua vida. Não ofendo sua pequena inteligência desse jeito — Fred rosnou ao se levantar — todos sabemos que Lino é o melhor locutor da história de Hogwarts.

— E o único capaz de distinguir os gêmeos Weasley — acrescentou Lino orgulhoso.

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Ana corria pelos corredores de Hogwarts. Suas duas trancinhas saltitavam e suas bochechas estavam vermelhas do esforço. Sua mente voava de possibilidade em possibilidade. A menina entrou na enfermaria e procurou por seu namorado.

— Amor! — disse Fred sorrindo — você não acredita no que acabou de acontecer! Você precisa ver o outro cara!

Ainda sem fôlego a menina se aproximou da maca. Fred estava relativamente bem, tirando um corte na boca e um mais profundo na sobrancelha direita. Ana fez um beicinho ao mesmo tempo que segurava as lágrimas de alívio. Quando soube que Fred estava na enfermaria seu coração havia pulado algumas batidas.

— Eu não posso te beijar — ela disse rindo causando uma careta de descontentamento no namorado.

— Se você quiser tenho um modelo idêntico em perfeitas condições. Só pedir que é seu — Jorge disse dando uma piscadela.

— Acho que essa é a hora para você evoluir para a classe de luxo. Mais elegante, bonito e com um, ahr, pacote maior — Lino disse fazendo todos gargalharem.

— Você deveria passar uma mistura de hortelã nesse corte da boca — Hermione disse levantando os olhos do livro que estava lendo.

— Na verdade você deveria passar uma pomada dos bagos brancos da Acácia — comentou Ana meio sem graça.

— Acácia? Nós ainda não estudamos isso.

— Eu sei — respondeu a lufana. Eram raras as vezes que ela conhecia algo e a grifinória não. Nas oportunidades que isso acontecia era sempre nas áreas que Hermione menosprezava: trato de criaturas mágicas, adivinhação e herbologia.

Ana se sentou na maca, o que os outros consideraram como a hora de deixar o casal sozinho. A menina passava a mão pelos cabelos ruivos do menino, retirando um pouco da terra e das folhas que acabaram ali por causa da briga. Realizou este trabalho calmamente, alternando seu toque entre os cabelos e a bochecha de Fred.

Quando a lufana finalmente acabou, Fred foi lavar o rosto e ela ficou observando os inúmeros potes dispostos em prateleiras diversas. Cumprimentou Dimynus, que definitivamente estava pior que Fred.

— Vamos amor, ou vamos acabar perdendo a janta — o ruivo disse e lhe beijou os lábios delicadamente.

Os dois saíram para o corredor, enquanto Ana sorria sem graça, sentindo o gosto de hortelã na boca.

Notas finais
Vamos lá! 1) GOSTO MUITO DE VOCE LEÃOZINHO: é uma música do Caetano Veloso e foi ela que inspirou toda essa vibe do início do capítulo. (https://m.vagalume.com.br/caetano-veloso/o-leaozinho.html) 2) BRIBAS: são pequenos lagartos verde-prateados que podem ser encontrados na Grã-bretanha e Irlanda. Seu couro é muito utilizado para fazer bolsas e carteiras pq sua pele escamosa meio que se contrai perto de estranhos (encontrei a explicação das bribas em uma página da Wikipedia que era uma lista dos animais mágicos do mundo de hp). (https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Criaturas_em_Harry_Potter) 3) BINGLEY: sobrenome que dei ao personagem Arthur Bingley é uma referência ao senhor Bingley de Orgulho e Preconceito ❤ 4)ACÁCIA: tirei a explicação dela de uma página da internet (http://escola-de-hogwarts.weebly.com/plantas-maacutegicas.html)