Notas iniciais
Espero que gostem :D

Verônica nunca teve um daqueles momentos de incompreensão logo ao acordar e é por isso que, quando abre os olhos ao lado de Daniel, ela não se surpreende em vê-lo ali. Também não se surpreende com a ausência de roupas que cubram seu corpo. Na verdade, isso nem chega a assustá-la.

Ainda assim, ela é rápida em se levantar, catar a lingerie, a camiseta e os jeans no chão. Também é rápida em vesti-los e arrumar o cabelo de qualquer jeito. E, mesmo não sabendo se o melhor a se fazer é retocar o batom ou simplesmente limpar o borrão que lhe resta, ela prefere passar de novo. De alguma forma, acha que isso combina mais com o momento.

Então, com Daniel ainda dormindo, ela apenas dá o fora dali. E sim, se por um lado é estranho a facilidade com que ela faz isso, simplesmente desaparece da vista de um rapaz com quem passou a noite, por outro isso também a alivia... Não é que ela não tenha se sentido bem na cama, mas espera-lo acordar podia apenas deixar as coisas estranhas. E, bem, ela o procurou tentando se livrar de preocupações antigas, por que é que criaria novas agora?

Assim é melhor, Verônica sabe. Não chegaram nem a trocar os números de telefone, e é melhor que continue assim. Que não mantenham contato. Ela não estava procurando algo duradouro.

E, mesmo ainda com essa filosofia em mente, se surpreende ao encontrar Arthur em seu apartamento, e não apenas porque ela tinha feito uma cópia para há um tempo atrás. É o que ele sempre faz.

Dessa vez, com cabelo despenteado e roupas amarrotadas, mas algo na expressão dele indica que ele não teve uma noite tão boa quanto a dela.

Verônica se recusa a falar primeiro. Ele também resiste um pouco, mas, por fim, desiste.

— Nós... – ele precisa respirar fundo uma vez antes de continuar, como se ambos já não soubessem o que ele fosse dizer – Como é que nós estamos?

Verônica demora para responder. Se recusa a gritar, até mesmo erguer a voz. Não quer brigar agora. Eles já fizeram isso, já passaram por isso, muitas vezes nos últimos meses, vezes o suficiente para saber que isso não estava adiantando.

— É a sua última chance.

Os olhos de Arthur se arregalaram diante dessa resposta. Verônica contém uma risadinha que mistura, ao mesmo tempo, desdém e divertimento.

— Você... Tem certeza?

Verônica sorri, e apenas sorri, como resposta.

E a verdade é que ela está se sentindo bem com isso.

E talvez até pudesse dizer mais alguma coisa, mas, bem, talvez ela esteja começando a entender uma coisa nessas últimas horas: é mais fácil obter o que se deseja com um sorriso do que com a ponta da espada.

Notas finais
E então, o que acharam? :D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!