O Sorriso Do Palhaço

6 Capítulo 6 — Apenas Um Beijo


Notas iniciais
OLÁÁÁÁÁ! Estou aqui na data marcada e com mais um capítulo da fic. Meu deus! Perdi a conta de quantos comentários e quantos de vocês reclamam minhas atualizações mensais. Façamos o seguinte então. Se você quer que esta fic se torne quinzenal, favor deixar um comentário dizendo que não gosta das atualizações mensais. Ou me mande uma mensagem privada, tanto faz. Se o número de pessoas querendo isto chegar a 40 (4/5 do total de leitores acompanhando), farei um esforço para torná-la quinzenal, contudo não prometo pontualidade devido a minha disponibilidade de tempo escassa. Mas juro que vou tentar. Conversamos mais no final das notas. Sem mais delongas, BOA LEITURA.

Solitárias nuvens continuavam nos céus a obstruir a visão do sol. Gotículas d’água escorriam pelas folhas das árvores da floresta e estas caíam ao chão com cuidado semelhantes ao pouso de uma bailarina após uma série de passos de dança complexos e simplesmente lindos de se ver.

Os coturnos de Grimmjow deixavam profundas marcas na terra molhada e a mesma também deixava manchas marrons nas laterais e solas do sapato. O rapaz não se importava já que sempre era designado para este tipo de trabalho onde se sujar era algo simplesmente inevitável. Certa vez foi escalado para pegar porcos na floresta; suas botas nunca mais foram as mesmas depois daquele dia.

A frágil garota relaxava nos fortes braços do rapaz, não dormia, apenas tinha sua respiração tranquila e regular. Seus olhos cinzentos estavam semicerrados e ela apenas olhava para o chão abaixo de si seguindo o movimentos dos pés sujos do azulado e as marcas deixadas na lama.

Ela criou um padrão dentre as fendas da sola dos coturnos, decorou-as e até mesmo cronometrou as passadas de Grimmjow.

Sentia-se tão culpada quanto triste. Era verdade que fugir era o seu desejo mais profundo e o que mais almejava dada a atual situação na qual estava fadada a passar o resto de seus dias sendo uma miserável em um circo precário e, muito provavelmente, sendo abusada por seus superiores senão pelos espectadores. Contudo, parte de si já havia se apegado ao local precário chamado de Circo de Las Noches.

Talvez fosse o cheiro imundo e irreconhecível dos vagões que a abrigou quando mais queria morrer. Talvez fosse o ateliê de Szayel e suas inconfundíveis estampas variadas e totalmente diferenciadas. Talvez fosse o banheiro com seu fedor de mofo. Ou, talvez, uma possibilidade quase remota, Orihime havia se apegado aos olhos esmeraldas indiferentes e totalmente únicos de Ulquiorra, apenas talvez.

Queria tirar o moreno de sua mente, deletá-lo, esquecê-lo, jogá-lo aos leões, apenas... Queria apagar sua existência e as memórias relacionadas a ele, deste jeito conseguiria fugir do circo sem arrependimentos, sem se perguntar se ele estaria bem e se preocupar com o mesmo. Mas era tarde demais, ela já tinha criado certo sentimento pelo palhaço.

Conforme Grimmjow lhe carregava para seus aposentos no trem, a ruiva podia sentir vários olhares ofensivos sobre si, lhe julgando, talvez até difamando-a entre sussurros mais tarde. Porém, ao erguer os orbes acinzentados ela pôde encontrar olhos dourados os quais não lhe julgaram, muito menos lhe repreenderam, mas sim a entenderam.

Szayel.

Pelo menos não iria se arrepender de não lhe dar adeus agora, pois ele estava ali, pronto para continuar com seu plano de fazê-la voltar ao estado original em troca de perfeição exalada pela jovem. Ainda não entendia o propósito de tal acordo, contudo agradecia tê-lo aceitado assim, pelo menos, teria o rosado como seu amigo em um lugar onde confiança e carinho pareciam estar fora do vocabulário das pessoas.

Esboçou um sorriso quase invisível para Szayel enquanto o azulado que lhe carregava passava por este. Orihime nunca soube se o estilista retribuíra seu gesto amigável ou não. Aliás, esta era uma das dúvidas que mais a consumiam por dentro. Será que Szayel um dia fora seu amigo de verdade? A realidade era desconhecida pela garota.

Voltou a fixar seu olhar sobre os coturnos imundos de Grimmjow e novamente descobriu o padrão e a sincronia dos passos do rapaz.

Não eram lentos e nem rápidos, apenas na medida certa para alguém andando na terra.

Os movimentos das pernas do azulado lhe lembravam muito sua infância, não sabia o porquê disto, apenas... Se lembrava.

Recordava em especial um dia em que seu irmão tivera folga do trabalho e eles foram passa-lo na praia.

O mormaço quente sufocava de calor a pequena menina de dez anos de idade. Seus longos cabelos ruivos estavam presos firmes em um rabo de cavalo alto, ainda mantendo a mesma mobilidade de madeixas soltas. Suas presilhas azuis prendiam fios rebeldes que ousavam cobrir seu belo rosto.

Trajava um maiô azul celeste tão claro como as presilhas e contendo estampa de bolinhas brancas. Fora um presente de muitos natais passados dado por seu irmão e como a pequena era magra a peça ainda lhe servia perfeitamente.

A brisa marítima passava pela menina carregada do aroma salgado do mar. O sal insistia em ficar preso nas bochechas coradas de Orihime.

As ondas refletiam o brilho do sol com seu balanço moderado e repetitivo.

E então pararam.

Inoue abriu seus olhos em um susto. Por que as ondas pararam tão repentinamente? Por que não era mais uma pobre menina de dez anos de idade? Onde estava seu irmão? Apenas queria voltar para aquela doce época onde tudo era mais fácil e não era uma escrava de um circo em decadência.

Queria sentir a brisa do mar batendo em seu rosto mais uma vez. Queria ser livre e se sentir assim.

Antes que pudesse protestar ou apenas se recuperar da lembrança feliz, o rapaz colocou a garota no chão de madeira do vagão. Não era o melhor dos lugares, pelo contrário, parecia ser o piro deles, contudo para um vagão de trem de um circo precário, era muito, talvez, pela posição de Ulquiorra na hierarquia dali, este fosse um dos aposentos mais luxuosos de todo o trem.

A jovem olhou cuidadosamente mais uma vez para cada detalhe daquele aposento e a cada novo sugo de madeira visto por ela seu olhar desanimava. Perdia a vida. Novamente sentia-se como uma prisioneira sem previsão de soltura.

Podia sentir as marcas vermelhas em seus pulsos latejando como se as algemas estivessem de volta. As feridas cicatrizadas ardiam como se tivessem acabado de serem feitas pela palha cortante e todo o mal trato. Conseguia sentir novamente o cheiro insuportável e pútrido do lugar por onde veio chegar neste circo. Da corda com a qual Aizen a amarrou como se fosse um animal. Dos olhares petrificados. De tudo.

─ Obrigada. ─ falou para Grimmjow como um sussurro.

O clima estava tão tenso naquele vagão que supria as palavras de Orihime e a mesma tinha medo de tentar falar mais alto e algo ruir.

─ Você acha que te trazer até foi de graça? Não me faça rir, princesinha. ─ o rapaz esboçava seu típico sorriso sádico e expressão irônica que o tornavam, de certa maneira, muito sensual.

─ Como assim? Você me trouxe de volta por mando de Aizen, você fez para manter seu emprego, não? ─ a confusão da moça não podia ser expressa em palavras.

Isto fora uma tarefa para o azulado, algo necessário, o que ele receberia em troca? Seu emprego continuaria ali. Pelo menos era isto que ela achava.

─ Mando de Aizen? ─ olhou-a com as sobrancelhas arqueadas e seu sorriso cresceu. ─ Isso é uma piada, certo? ─ deu uma risada brevemente, porém ainda continuava com aquele ar de brincalhão mantendo seu jeito sensual. ─ Se duvidar Aizen nem sequer sabia da sua pequena fuga ou se sabia nem preocupado estava. Se bem que aquele homem é muito estranho. Mesmo que tudo dê errado ele apenas sorri e diz que tudo estava no plano.

─ Aizen não te mandou? Você foi atrás de mim por vontade própria mesmo? ─ perguntou novamente ainda muito confusa com tudo isso.

Grimmjow a odiava, queria mais que ela se danasse─pelo menos era o que achava─, então por que diabos ele iria atrás dela imediatamente no meio de um temporal tão forte como aquele? Tantas perguntas e nenhuma resposta era lhe dada.

─ É... Vamos dizer que sim. Aizen não me mandou. E isso não foi de graça, princesinha. ─ a malícia imposta no sorriso aumentou consideravelmente, bem mais do que deveria.

A curvatura dos lábios do rapaz eram tão sugestivas que deixaram as bochechas da garota coloridas de um tom de vermelho novo. Recusava-se a olhar para o rosto dele, na verdade, recusava olhar para qualquer parte do corpo do jovem. Seu olhar indeciso recaía ou sobre o chão de madeira ou sobre seus próprios pés descalços e cheios de lama e arranhões.

─ O que você quer em troca? ─ falou num tom de voz tão baixo que, se Grimmjow não estivesse próximo dela, não teria ouvido.

Uma risada alta ecoou por todo o vagão. Parecia realmente que o azulado estava achando graça de tudo isso. Por alguns eternos segundos o único som tanto no trem como, talvez, no circo inteiro fora a risada histérica do rapaz.

Isso irritou a garota.

Ele estava debochando dela. Óbvio que a pobre menina sabia o que o jovem queria em troca de tê-las trazido de volta, era tão evidente como um urso pardo na neve branca e fina. Contudo não queria dizer em voz alta, muito menos fazer o tal pedido. Não queria acreditar que tudo isso estava acontecendo, apenas.

A moça tremia, não de medo, nem de tristeza ou nervosismo. Apenas tremia pois não queria nada disso para si mesma e nem para o pior de seus inimigos.

Mesmo após o rapaz parar com sua risada, nenhuma resposta fora ouvida.

Vendo o quanto a menina estava acanhada e com vergonha, Grimmjow fez até um esforço. Ele não era lá de ser gentil, muito menos de responder perguntas estúpidas como aquela, contudo era inegável dizer que de alguma maneira tinha se apegado à ruiva, apenas não sabia se era inimizade ou algo romântico.

─ Um beijo. Eu quero um beijo, princesinha. ─ falou direto com um sorriso de canto e malicioso. ─ E não me venha com aquelas bitocas que nem um segundo sequer duram. Eu caminhei no meio de um temporal e sujei meus coturnos favoritos por você. Eu quero um beijo de verdade. Um que me deixe excitado, entendeu, princesinha?

As bochechas da moça apenas intensificavam seus tons de vermelho. Ela nunca havia beijado alguém, era pura. Esta seria sua primeira vez e que ótima primeira vez. O rapaz com quem seria seu primeiro beijo era arrogante e nem sequer possuía sentimentos pela garota e ele era um tanto mal intencionado e cheirava a pura testosterona.

Será que se batesse a cabeça forte o bastante poderia esquecer isso?

─ Mas será só um. Apenas porque você me salvou da morte, ouviu? ─ gaguejou.

─ Sem problemas, princesinha. ─ sorriu.

Orihime suspirou e fechou os olhos. “É só um beijo, vai acabar logo e você vai poder esquecer isso. Nunca mais vai ter que beijá-lo novamente. Vai ser rápido como tirar um band-aid”, dizia a si mesma tentando aumentar sua coragem.

─ Tá esperando o que? Não tenho o dia todo, não. ─ Grimmjow estalou sua língua.

─ Tá. Já vai. ─ disparou nervosa com tudo aquilo.

Disse mais algumas palavras de força para si mesma e antes que o azulado pudesse reclamar novamente sobre a demora, Orihime passou suas mãos pelo pescoço do rapaz e beijou-o. Não sabia exatamente o que fazer, apenas deixou com que seus instintos falassem por ela.

Enlaçava os dedos nos fios azuis e brincava com os mesmos deixando a cabeleira do jovem muito bagunçada. Tentava fazer seu melhor para beijar bem e não demorou para ele retribuir o ato com ainda mais intensidade. As fortes mãos de Grimmjow enlaçaram a fina cintura da moça e apertava-a com um tanto de voracidade não se importando com a fragilidade da ruiva. Era agressivo tanto no beijo como em suas ações.

Sentia os apertões ferozes em sua cintura e a violência do rapaz que, agora, lembrava uma pantera, um animal selvagem para Inoue. A mão direita do circense deslizou pela curva das costas da garota com destino à sua bunda e chegou lá. Apertou-a com força e gosto, mas antes que pudesse fazer o que pretendia e levantar a saia da garota, alguém lhe interrompeu.

─ Já chega, Grimmjow. Ela não é sua escrava e muito menos sexual. ─ disse Ulquiorra firme parado atrás dos dois na entrada do vagão.

Rapidamente os jovens se separaram e Orihime afastou-se de Grimmjow. Tampou a boca e arregalou os olhos cinzentos ao ver a figura do palhaço ali. Suas bochechas agora coravam, não pelo beijo, mas pelo fato do moreno estar ali. Tremia não de nervosismo ou medo, mas de culpa por ter beijado o azulado. Contudo desta vez não conseguia desviar seu olhar marejado dos orbes esmeraldas de Ulquiorra.

─ Agora que estava ficando divertido. ─ parecia que o rapaz gostava de provocar seu superior, e muito.

Por alguns longos segundos Ulquiorra ficou ali com sua expressão indiferente, preso no infinito oceano cinza que eram os olhos de Inoue e ela apenas retribuiu. Não desviou, não negou. Pelo contrário, fez o mesmo, perdeu-se no mar esmeralda dos orbes do palhaço. Contudo ainda tinha medo de se afogar naquele mar, não sabia nadar e tinha medo das consequências de se perder naquele olhar. Era perigoso. Não podia. E então desviou se olhar para as tábuas empoeiradas do chão com suas bochechas intensamente coradas.

Sem muita demora, contudo um pouco chateado, o palhaço voltou a encarar Grimmjow que mexia em seus cabelos azuis e encarava-o da mesma forma com os orbes cobaltos.

─ Eu pedi que você a trouxesse de volta para meus aposentos, não que lhe tirasse a inocência em meus aposentos, Grimmjow. Pode ir agora. ─ afirmou.

Inoue arregalou os olhos ainda mais, mesmo ainda olhando para os sugos da madeira sob seus pés. A mão sobre a boca tampava o jeito surpreso com que ela estava semiaberta. Não conseguia engolir as palavras de Ulquiorra, apenas não faziam sentido algum para a menina. Ele, justo ele, seu senhor, o que guarda as chaves de sua liberdade e quer mais que ela se dane, pediu para trazê-la de volta daquele temporal? Por quê? Por que não deixou-a à deriva dos lobos famintos da mata? Adicionou estes questionamentos à sua lista inacabável de perguntas sem respostas.

─ De nada, chefinho. ─ respondeu sarcástico e dirigiu-se à saída tendo de passar por Orihime.

A menina, ainda em choque, nem sequer percebeu quando Grimmjow aproximou-se de si com a boca extremamente perto de seu ouvido. Na verdade, não sabia nem mais onde ela estava. Sua confusão chegou a ser tão grande que esqueceu o padrão dos passos do azulado.

─ É isso mesmo que você ouviu, princesinha. Eu não fui por conta própria te buscar na floresta. Quem me obrigou a ir lá foi esse palhaço de meia tigela aí. Faltou só ele implorar para eu ir lá te buscar. Surpresa, Orihime. ─ sussurrou no ouvido da moça e logo saiu com passos largos dali sorrindo sarcasticamente para o seu superior.

As palavras de Grimmjow não esclareceram em nada a mente da menina, pelo contrário, apenas tornou-a mais confusa. Quais eram os porquês e seus motivos? O que o palhaço estava escondendo dela? Por que ela era tão valiosa assim para Aizen? Ou será que não era valiosa assim para Aizen, mas sim para Ulquiorra? Não sabia. Temia saber e ficar ainda mais confusa.

─ O que está fazendo aí parada, mulher? Vá se lavar. Não quero que meus aposentos fiquei cheios de lama e seu sangue, escrava. ─ disse firme.

A voz do rapaz trouxe Inoue de volta à realidade, mesmo ficando surpresa de imediato, voltou à seus sentidos e apenas afirmou desanimada com sua cabeça baixa. Com passos lentos e largos, passou por Ulquiorra que observava cada movimento feito por ela e seguiu em direção aos banheiros para esperar na fila e, talvez, ter sorte de tomar banho.

Assim que a menina sumiu de vista, o rapaz suspirou e adentrou no vagão sem pressa alguma.

Aproximou-se da cômoda e abriu uma gaveta cheia de tralhas. Gravatas, pulseiras, cartas, previsões do futuro, coisas inúteis. E do meio de tanta bagunça, tirou de lá uma foto amassada, envelhecida e um pouco queimada nas pontas.

Olhou fixamente para a fotografia, contudo com a mesma expressão indiferente. Após vários longos segundos devotados à observar a imagem, guardou-a novamente na gaveta e fechou-a rapidamente fazendo com que o som ecoassem no vagão.

─ O que eu estou fazendo? ─ suspirou. ─ Não posso me apegar àquela mulher. Não posso me apegar à ninguém. Não de novo. ─ e deixou suas palavras no ar enquanto deitava na cama não tão luxuosa e fechava os olhos, suspirando inúmeras vezes.

Devia queimar aquela foto, na verdade, devia queimar aquela gaveta toda. Nunca mais queria ver aquela imagem.

Nunca mais queria ver o rosto daquele mulher de longos cabelos loiros.

Nunca mais queria sentir o que sentiu por ela.

E nunca mais queria sofrer o que sofreu por ela.

Porque sorrir dói.

Notas finais
Gostaram? Odiaram? Upupupu! Agora a história começa a ficar interessante. Não vou contar quem é a moça loira da foto e nem qual sua relação com Ulquiorra, mas posso dizer que ela não é o que todos vocês pensam. Buuuuut voltando ao que comentei nas notas iniciais. Querem que a fic seja quinzenal? Comentem isso ou me mandem mensagem privada. Se chegarmos a 40 leitores querendo isso, farei um esforço sem garantia de pontualidade para torná-la mais frequente. Prontos? Apontar, preparar.... VALENDO! A partir de agora vou contar os leitores que querem mais atualizações por mês e está feito nosso acordo dos 40. Até o próximo mês quando trarei os resultados. Beijos da Fuinha.