O Sorriso Do Palhaço

9 Capítulo 9 — Noive-a e case com ela


Notas iniciais
HOJE É DIA 24 E EU POSTEI ♥ SABEM O QUE ISSO SIGNIFICA? QUE A FIC VOLTOU A SER MENSAL, YAY! ♥ Me programei direitinho agora e se tudo der certo, mês que vem vai ter dia 24 capítulo novo, e no próximo também e em novembro e dezembro e por aí vai. ♥ Eu ia postar esse capítulo só mês que vem, mas achei que vocês mereciam isso por terem aguentado meu hiatus de 2 anos. Então tcharam! Espero que gostem e espero que um dia eu possa me redimir com vocês. ♥


O ambiente cheirava a pó e bebida. Contudo, tinha de se admitir que a sala de estar era muito bem decorada; nela só havia os móveis mais caros e bonitos da época e estes eram trocados toda vez que o dono dos mesmos o quisesse. No centro, estava um sofá vermelho e ao lado uma poltrona—ambos pareciam ser muito confortáveis—, na direita da cadeira, uma mesa com várias garrafas de bebidas alcoólicas. À esquerda dos móveis estava um rádio de última geração e bem bonito por sinal. Atrás de tudo tinha uma porta de madeira maciça que dava para os aposentos mais privados do vagão; o quarto.

— Quero que a prepare para hoje à noite. Tenho planos e ela tem que estar impecável — disse Aizen sentado na grande poltrona enquanto tomava um copo de whisky em sua mão direita.

— Ela ainda não está pronta, senhor — respondeu Szayel tentando desviar o olhar. Tinha medo de seu chefe, e temia mais ainda não atender às suas expectativas como no momento. Ele era imprevisível.

— Szayel — suspirou. Deixou sua bebida sobre a mesa de canto junto de outras garrafas e se levantou para ficar mais próximo do figurinista. — Não me importa isso. Ela já está neste circo há um mês vivendo praticamente de graça, então EU decidi que ela está SIM pronta e eu a quero hoje. Por mais que ela seja preciosa para meus objetivos, não é tão preciosa a ponto de fazer eu esperar tanto, entendeu? — terminou em tom de ameaça para com o metrossexual.

— Sim, senhor Aizen — engoliu em seco.

— Muito bem, pode ir — o senhor do picadeiro voltou a sentar-se e pegou seu whisky. — Terminei com você.

Granz fez uma breve reverência e saiu do vagão aliviado por deixar aquele local impregnado com medo no ar. Os momentos que mais odiava era quando tinha de estar ali. Enquanto o homem com sexualidade duvidosa saía, Ulquiorra entrava.

Não sentia medo de Aizen nem do seu poder de tirar seu emprego e/ou sua vida a qualquer momento. O único sentimento que tinha em relação ao seu senhor era desprezo e nojo; por tudo aquilo que já fez com Halibel e por nunca sequer ter lamentado sua morte, para ele, ela só era mais um brinquedo. Depois da morte de sua “mãe”, o palhaço só continuou no circo por não haver mais nenhum lugar para onde ir e ele nem tinha a vontade de procurar por outra alternativa. Contudo, perdeu seu entusiasmo e ambição, caiu na realidade e nunca mais levantou para sonhar. Aceitava tudo que lhe era imposto sem questionar ou negar; o que viesse era lucro. Seu coração congelou há 4 anos e desde então nunca teve a intenção de descongelá-lo.

Indiferente, parou na frente do senhor Sousuke esperando alguma ordem vinda deste. Estranhou o silêncio pairando no ar e o som do whisky sendo tomado lhe incomodava tanto que acabou tomando uma atitude.

— Me chamou, senhor? — perguntou olhando diretamente para o outro.

Aizen fitou o seu funcionário—pobre menino, nunca simpatizou com ele, mas pelo menos não fazia nenhuma pergunta—, só notara sua presença quando ele falou. Não perdeu tempo e deu um sorriso com um quê de malícia. Voltou a olhar para sua bebida.

— Sabe, Ulquiorra, eu apreciava muito os serviços da sua querida falecida senhora Tier — ele estava bêbado com toda a certeza. — Ela era uma jóia rara — fez um brinde no vazio em homenagem à loira. — Nunca mais achei alguém como ela o whisky parecia ser muito interessante visto que o mais velho encarava o líquido com fascínio. — Eu passei quatro anos procurando e testando, mas ela era única. Confesso que nunca a amei nem senti sua falta como pessoa, no entanto COMO senti falta do quê ela fazia — Ulquiorra sentiu sua mão coçando para socá-lo. Sousuke parou por um momento para tomar um gole da bebida. — Eu acho que encontrei uma substituta talvez até melhor, afinal, não há nada mais excitante do que a inocência — ele riu. — Diga-me, como está a nossa princesa? Não gostaria que algo acontecesse com nossa jóia.

Schiffer desde seus 16 anos não demonstrava nenhuma expressão, contudo, desta vez, não pôde conter sua surpresa apesar de já ter desejado esse destino à moça. Não era a primeira vez desde que ela chegara que ficava surpreso, todavia desta vez era diferente.

— Orihime? — questionou ainda confuso.

NOSSA! — Aizen terminou seu Bells e bateu com o copo na mesa deixando-o lá. — Depois de tantos anos sem demonstrar nada, ESSA é a sua primeira reação?! — riu alto e histericamente.

O palhaço se deu conta do ocorrido tarde demais e voltou a ter sua indiferença estampada na face apesar desta estar abalada pelo deslize anterior. Entendeu, não completamente, o porquê disso, contudo não ia admitir e nem queria entender mais. Sua maior vontade era suprimir e extinguir este resquício de sentimentos em si. Odiava isso; o “sentir”.

— Não me diga que… — parou e pensou um pouco, logo voltando a fitar, com olhos entreabertos, o proletário e arqueou as sobrancelhas. — … você está apaixonado por ela — o silêncio se instalou no ar durante segundos que pareciam a eternidade e mais um pouco.

— Não, senhor — respondeu sério o palhaço.

— Bom, bom. Se esse fosse o caso, seria um problema… para você — encarou-o. — Tenho planos maiores do que uma simples Halibel II para Inoue — pôs mais bebida em seu copo e tomou um gole. — Pretendo fazê-la minha noiva e depois me casar.

Silêncio. O palhaço desviou o olhar para não demonstra sua confusão sobre tudo aquilo. Isso não era do feitio do empresário à sua frente. Continuou quieto, pois não havia nada para ser dito.

— Sabe, Ulquiorra, o meu pai é um homem bem conservador — continuou o senhor. — “Arranje um emprego, ganhe dinheiro, tenha uma mulher e por fim um filho” era o que ele dizia — tomou outro gole. — E agora ele está me cobrando, ele quer que quer que eu me case — falava com raiva, mas logo se acalmou. — Então vou me casar — riu. — E não há ninguém melhor do que a nossa princesa para ser a senhora Sousuke, não é mesmo?

— Sim, senhor — voltou a encarar Aizen.

Ele era louco, simplesmente maluco. Schiffer devia ter saído desse circo assim que Halibel morreu, contudo acabou ficando por falta de vontade de buscar algo melhor. E agora estava ali, negando a realidade e desejando mais do que nunca que tivesse se mandado dali.

O dono do circo ficou um tempo fitando o outro e pensando.

— Pode ir, acabamos aqui — disse por fim liberando o menino.

O rapaz dispensou formalidades e saiu sem dizer nem fazer nada; apenas saiu.

[...]

Um mês. Quatro semanas. Trinta dias. 720 horas. 43,200 minutos. 2,592,000 segundos. Esse é o tempo que Inoue tinha estado naquele pesadelo circense.

Por enquanto não tinha feito nenhum trabalho senão lavar e passar roupas, às vezes até ajudava na cozinha, mas nem tanto. Os dias em terra haviam acabado há uma dois dias, desde então estavam viajando de trem para o próximo destino onde fariam shows. Até agora não presenciou nenhum espetáculo, geralmente quando estes aconteciam Inoue estava ocupada passando tempo sozinha. Estes eram os únicos momentos em que sua mente podia viajar para longe, pois não havia ninguém para lhe atrapalhar ou pedir uma blusa limpa. Costumava olhar para o céu estrelado e pensar em como a vida era boa antes, e às vezes até imaginava desfechos dignos de contos de fadas para esse pesadelo chamado de vida. “Talvez Ichigo venha me salvar” pensava no início de tudo, agora o seu salvador era Ulquiorra. Ela simplesmente não conseguia evitar esse pensamento.

Infelizmente tudo isso eram apenas frutos de impulsos nervosos, porque a realidade continuava sendo aquele vagão fechado e um prato de comida genérica em seu colo. Praticamente todos os dias comia sozinha nos aposentos de seu mestre—ainda ficava impressionada por este ter um vagão só seu enquanto outros tinham de dividir—pelo fato de não ser bem vinda na área de refeições, todos tinham medo de comer junto dela por temerem a Aizen. Raras vezes ficava lá para comer com Szayel e uma vez comeu junto de Grimmjow, até que ele não era tão ruim assim.

O recinto era frio, solitário. A madeira da qual era feita era escura e velha em algumas partes. O chão rangia conforme ela se mexia. Atrás de si tinha o móvel onde achou o porta retrato, onde o rapaz guardava suas roupas. Na sua frente, um banco para quaisquer necessidades. À esquerda, uma cama simples, desconfortável, todavia era melhor do que nada. Não era um vagão tão grande para falar a verdade, 15 passos e já acabava o espaço. Era apenas o suficiente para o palhaço.

Tinha uma colher em mãos e comia vagarosamente seu almoço. Estava sentada no chão enquanto apoiada na cômoda; preferia o chão por ser mais casual e mais familiar. Em sua cabeça ainda estava a imagem do palhaço sorrindo, nunca esqueceria aquela foto.

Era divertido estar sozinha.

— Queria ver aquilo — pensou alto referindo-se ao sorriso.

— Ver o que, querida? — perguntou Szayel que entrou ali sem Inoue perceber.

— Ah, oi Szayel! — sorriu a ruiva. — Nada importante, só queria ver, ahn… um filme! Faz muito tempo que não vou no cinema, sabe — disfarçou.

— Nunca fui no cinema, mas acredito que seja incrível — afirmou o rosado enquanto sentava-se ao lado dela.

— É simplesmente demais! É como uma foto que se mexe! Nunca vi algo tão incrível quanto aquilo!

— Então eu tenho que ver isso. Vamos juntos na próxima cidade, querida.

— Vamos! — os olhos de Orihime brilharam ansiosos pelo acontecimento que nunca viria. Contudo logo percebeu que algo estava errado; Szayel nunca viera a esse vagão, ele dizia que não simpatizava com o palhaço. — Ahn, Szayel, não quero lhe ofender, mas o que veio fazer aqui?

— Temos trabalho para fazer, querida, e é urgente — avisou porque sabia que iria demorar para deixá-la impecável. O problema não era a deixar bonita, mas sim ensinar as boas maneiras da alta sociedade.

— Ok! Vou terminar de comer e já vou para seu vagão! — respondeu com a boca cheia de comida.

O metrossexual acenou com a cabeça e saiu.

A menina sorriu para si mesma e desviou o olhar, nisso avistou uma vitrola. Animada, deixou sua comida—a qual não tinha nenhuma vontade de comer—e se levantou em direção ao aparelho. Não tinha nenhum vinil na agulha, então passou a procurar algum para ouvir. Fazia muito tempo que não ouvia música, desde que seu irmão morrera para ser mais exata.

Procurou por algum disco durante algum tempo até achar um disco de Irving Kaufman e por sorte era o que continha “Chong He Come From Hong Kong”, sua música favorita da infância. Pôs o vinil na vitrola e colocou a agulha na faixa desejada, após alguns segundos, a música começou.

Orihime deixou a melodia a levar para longe, para uma época onde seu irmão estava vivo e sua única preocupação era o qual cor era sua favorita, e dançou. Seus pés se moviam conforme a música, com os olhos fechados deixou-se levar. Nunca se sentiu tão leve como naquele momento. Era como se toda a sujeira, toda a preocupação, todos os machucados daquele pesadelo sumissem e tudo que restava era ela, só ela.

— O que você está fazendo? — interrompeu Ulquiorra sério.

Inoue se desequilibrou ao voltar para a realidade e caiu.

O rapaz apenas a encarou indiferente.

— Você não devia estar com Szayel, mulher? — questionou.

— Ah, sim, devia — respondeu atordoada pelo tombo.

O moreno ignorou-a e sentou em sua cama.

— Você precisa de alguma coisa antes que eu vá? — perguntou Orihime quase saindo do vagão.

— Não.

A menina não disse nada, apenas acenou triste por ele não precisar dela e saiu.

Raiva. Raiva. Raiva! Por que ele não expressava nada? Por que ele nunca sequer falava algo mais do que a obrigação? E pior, por que ela gostava dele? Por que ele? Por que não continuar gostando de Ichigo? Mesmo sabendo que ele nunca ficaria com ela, seria melhor do que sofrer com este homem. Melhor do que se iludir com os olhos esmeraldas e o cabelo meia noite. Melhor do que todo esse pesadelo.

Antes que percebesse, chegou ao vagão de figurinos, lar de Szayel.

Suspirou ao fechar a porta.

— Preparada, querida? — perguntou o rosado enquanto arrumava algumas peças para dar espaço para a moça sentar ao seu lado.

Assentiu com a cabeça chegando mais perto dele. Sentou no banquinho reservado em frente ao homem e esperou pelo que iriam fazer hoje. Ele vestia como sempre tudo na última moda e estava impecável. Calças marrom, suspensório vermelho e uma camisa de linho branco.

— Hoje vai ser diferente, vamos nos preparar para jantar fora, certo?

— Ok — disse determinada, apesar de não entender o que estava acontecendo, só queria apagar Ulquiorra de sua mente no momento.

Queria ser ele para não sentir essa frustração.

[...]

A noite caía como uma luva. As cores do céu brincavam entre si e se misturavam, formando um pôr-do-sol mais do que belo, fantástico apenas.

Tinham chego à cidade de Cortland, estado de Nove Iorque, há aproximadamente duas horas. Ulquiorra saiu do trem para esticar as pernas e tomar ar fresco. Ninguém merecia ficar 2 dias inteiros aprisionado em um vagão, apesar de ele já ter se acostumado, ainda odiava aquilo.

A temperatura de 8ºC não era muito agradável, contudo era melhor do que o calor sujo do trem. Esfregava as mãos para se aquecer em vão. Esperava que o frio congelasse novamente seu coração que começava a sentir novamente.

Vestia uma calça cinza de algodão, coturnos devido à lama, suspensórios pretos, uma camisa de flanela branca e um casaco por cima. Apesar de que este não evitava que o moreno sentisse frio, apenas amenizava porcamente a sensação térmica de 4ºC.

Quando ia pegar a moeda de ouro em seu bolso para se distrair, ouviu algo.

— Ugh! Que frio! — reclamou Orihime.

Automaticamente como um robô, o palhaço virou-se para a menina.

Linda.

Szayel tinha caprichado dessa vez. Inoue vestia um vestido preto indo até suas canelas, uma sandália de salto alto vermelha e um casaco de pele. A maquiagem combinava perfeitamente com sua inocência de menina e algumas madeixas ruivas estavam presas atrás. Tudo favorecia a sua beleza e a tornava mais irresistível do que já era.

A garota ergueu o olhar que estava fixado em suas mãos e este se encontrou com o de Ulquiorra.

— Ah… Ulquiorra… — falou vagamente.

— O que você quer? — perguntou seco. Tentava ao máximo extinguir tudo que passava por sua mente, mas era inevitável; ela estava linda.

— Szayel me disse para ir até o vagão do Senhor Aizen por ordem deste, então estou aqui — esclareceu com certo rancor. — Não se preocupe, não estou fugindo de meus afazeres e nem do circo — provocou. Queria que ele lhe elogiasse, queria ser paparicada. — Aliás, nem conseguiria correr com estes saltos — brincou tentando aliviar o clima. Por mais que odiasse essa indiferença do outro, não conseguia evitar de tentar ser legal, a esperança de um romance com ele sempre estaria ali no coração dela, apesar de mínima.

— Então vá logo, Aizen não gosta de esperar, mulher.

Orihime desanimou com o comentário e apenas assentiu com a cabeça e continuou sem caminho.

Todavia algo estava preso na garganta da moça e precisava ser dito. Ela parou e virou-se novamente para o palhaço que a encarava.

— Acho que você deveria sorrir mais vezes, você tem um sorriso lindo e não deveria escondê-lo — confessou sorrindo e antes que o rapaz pudesse dizer algo, continuou a andar para seu destino.

Confusão. Surpresa. Gratidão. Todas essas emoções e mais passavam pela cabeça do moreno. Ela foi a primeira desde Halibel a lhe elogiar. Há anos não se sentia daquele jeito, lisonjeado e surpreso. Aquela mulher era diferente de tudo do que já vira. E odiava isso. Odiava ela ser diferente e despertar em si algo além de indiferença e desprezo. Odiava ela despertar em si sentimentos afetivos os quais mantinha trancados a 7 chaves em seu coração petrificado.

Não ia admitir nada. Ia extinguir tudo isso. Todavia, por mais doloroso que fosse, tinha de confessar para si mesmo que a única que podia talvez lhe trazer felicidade estava indo para um caminho sem volta; para os braços de Aizen se tornar sua esposa.

A única possibilidade de sorrir de novo estava indo embora.

Assim como foi com Halibel.



Notas finais
Gostaram? Odiaram? Bem, SURPRESA! Apesar de eu ter escrito esse capítulo há umas 3 semanas já, eu não revisei ele porque sou preguiçosa, hue. MAS ESPERO QUE TENHAM GOSTADO, MÊS QUE VEM TEM MAIS, AMORECOS. ♥