O Som Do Coração
4 Capítulo 3
Notas iniciais
Hoje temos mais um cap e uma surpresa: POV do Edward.
Vamos poder entender o sofrimento dele o que é muito importante para o desenvolvimento da história.
Cap grandinho...espero que gostem!
Edward POV
Eu ainda não conseguia acreditar. Eu estava a caminho do meu primeiro dia de aula como professor de música na escola de Forks.
Se há um ano atrás alguém dissesse que eu estaria em Forks, sendo professor de música, eu teria gargalhado da cara dessa pessoa. Mas a nossa vida pode dar uma grande virada, quando a gente menos espera...
Meu pai é musicista e minha mãe é bailarina. Eles fizeram muito sucesso na época deles e a música de qualidade sempre esteve presente na minha vida e de meus irmãos. Talvez por isso, eu e a Alice seguimos por esse caminho. A única fruta que caiu longe do pé foi o meu irmão mais velho, Emmett, que resolveu ser médico. Como foi o 1º filho, talvez não quisesse viver a sombra do meu pai e da minha mãe.
Eu, o 2º filho, me apaixonei desde criança pelo piano. Também, nos tínhamos um piano de cauda tão lindo em casa, que não tinha como ser diferente. Foi naquele piano que aos 4 anos comecei a ter aulas e dali não parei mais. Como morávamos em Nova York eu tinha sempre os melhores professores. Na época meu pai era diretor e minha mãe coordenadora do curso de Ballet na Julliard. Segundo eles, foi na Julliard que se conheceram e começaram sua história de amor.
Quando terminei o ensino médio eu já era um excelente pianista, com uma carreira muito promissora pela frente. Mas eu tinha um sonho maior, além de ser pianista, queria ser maestro. Eu já tinha minha vida toda definida na cabeça. Eu estudaria 5 anos, me formaria pianista e depois faria um mestrado de 3 anos para me tornar maestro. Tudo isso é claro na Julliard. E foi exatamente isso que aconteceu. Hoje, com 25 anos, tenho formação de pianista e mestrado em regência de orquestras. Eu queria reger grandes orquestras, começando, quem sabe, pela de Julliard.
Por isso, quando decidi que iria me candidatar a uma vaga na Julliard, meu pai achou melhor se aposentar, não queria que dissessem que eu fui aceito porque ele era diretor. Então, ele, mamãe e Alice se mudaram para Forks. A escolha por Forks deu-se porque Emmett era e ainda é, chefe do departamento cirúrgico do hospital da cidade e eles queriam poder estar mais próximo dele. Meus pais decidiram-se, mesmo de longe, por acompanhar e ajudar no desenvolvimento de alguns jovens promissores no mundo das artes.
Apesar de todo mundo dizer que eu era bonito e teria qualquer garota aos meus pés, eu nunca fui “pegador”. Eu não queria nenhum relacionamento sério, pois sabia que o amor poderia atrapalhar meus planos com a música e para mim, meu único amor era a música. Mas eu tinha minhas necessidades de homem. No ano passado, ultimo ano do meu mestrado, eu estava saindo com a Victoria. Uma linda bailarina que tinha conhecido numa visita que minha mãe fez na Julliard e eu a acompanhei. Nós dois sabíamos que era apenas sexo casual, então não havia cobranças, mas éramos exclusivos.
Passamos “juntos” dois meses. Ligávamos-nos sempre que precisávamos “descarregar as energias”. Nunca tínhamos encontros em público e quase ninguém sabia da gente. Eu sempre usava camisinha, então estava tudo certo. Era o arranjo perfeito para mim. Mas depois desses dois meses, as coisas começaram e mudar complemente.
No meio do mês seguinte a Victoria me ligou dizendo que tinha ganhado um curso intensivo para o Ballet Clássico no Royal Ballet of Londres e que ela não podia perder esta oportunidade e teria que ficar nove meses fora. Estranhei no inicio, porque não tinha ouvido nada sobre isso e normalmente um curso desses seria, a princípio, muito divulgado. Mas tudo bem, afinal de contas não tínhamos compromisso nenhum. Estranhei também o fato de que ela não quis nem se “despedir” de mim, mas como precisava entregar minha tese do mestrado em 6 meses não tinha muito tempo livre para me preocupar com isso.
Entreguei minha tese faltando duas semanas para acabar o ano letivo e como presente de meus pais, por ter terminado mais uma etapa da minha vida, eles me deram uma viagem para conhecer alguns países da Europa: Espanha, Itália, Paris e Londres.
Como eu realmente precisava tirar umas férias depois de longos oito anos de trabalho, aceitei. Foi uma viagem linda, até eu chegar em Londres... Nem sei por que me lembrei que Victoria estaria lá, talvez pelo fato de eu estar algum tempo sem ter relações com mulher alguma.
Tentei ligar para ela diversas vezes, mas como não consegui contato e estava com tempo livre fui até a escola Royal Ballet of Londres ver se conseguia encontrá-la. Fiquei muito surpreso quando o pessoal da administração disse que não tinham nenhuma aluna Victoria e que muito menos tinham oferecido cursos gratuitos na Julliard. Tinha alguma coisa muito errada acontecendo e eu precisava descobrir o que era. Liguei para Irina, antiga colega de quarto da Victoria na Julliard, talvez ela tivesse alguma informação. Irina, a principio, foi muito evasiva e disse que não sabia de nada, tive que apelar para o meu charme e dizer que eu já tinha combinado de encontrar com Victoria, mas que tinha perdido o endereço e queria fazer uma surpresa. Ela mudou o tom comigo e ficou feliz que havíamos nos acertado, me passando o endereço do lugar em que Victoria estava morando e me desejou Parabéns. Eu fiquei sem entender parabéns por quê? Nem era meu aniversário. E outra, eu e Victoria não tínhamos brigado, não que eu me lembrasse pelo menos.
Novamente o sentimento de que tinha algo muito errado nesta história tomou conta de mim e fui diretamente para o endereço que Irina tinha me dado.
Quando cheguei na rua do endereço que tinha passado ao taxista, consegui ver as costas de Victoria andando na calçada, o cabelo ruivo encaracolado era inconfundível. Paguei o taxista e corri para alcança-la. Encostei em seu ombro e ela virou automaticamente. Quando olhei para ela, arfei, em choque.
– Edward! – Ela parecia que tinha visto um fantasma. – O que está fazendo aqui?
Eu estava em estado de choque, totalmente paralisado, meus olhos estavam grudados na barriga de grávida que ela exibia. Devia estar de uns seis ou sete meses pelo tamanho. Minha mente começava a fazer inúmeras suposições para o que eu estava vendo, mas em todas a conclusão era a mesma: você vai ser PAI!. Eu precisava falar, mas nada saia da minha boca. De repente, me dei conta de que estava segurando a minha respiração e soltei todo o ar numa lufada...
– Eu...eu...você....você...está grávida?
Victoria encheu os olhos de lágrimas abriu e fechou a boca diversas vezes e por fim resolveu ficar em silêncio. Após o choque inicial, meu corpo todo pareceu se aquecer com o fato de que eu seria PAI. Eu tinha gerado uma criança, eu teria um filho. Eu não tinha planejado nada disso e sim eu queria me apaixonar, casar, ter uma família e filhos, exatamente nessa ordem, mas não agora.
Só que eu tinha gerado aquela vida, eu era responsável por ela. Meu coração começou a bater mais rápido no meu peito e meus olhos ficaram marejados. É impossível descrever a emoção que eu senti naquele momento. Era como se meu coração tivesse dobrado de tamanho e toda essa nova parte estava cheia de amor pelo o bebê que Victoria carregava no ventre. Fui logo questionado o porquê de ter me escondido à gravidez.
– Porque você não me contou Vic? Porque fugiu para Londres? Eu teria te ajudado, eu vou te ajudar... – Minha voz foi morrendo na medida em que notei a frieza do olhar de Victoria sobre mim. Ela respirou fundo e finalmente resolveu falar.
– Edward, podemos tomar um café e conversar?
Assenti e fomos num café próximo a casa em que ela estava morando. Quando sentamos, ela ficou em silêncio de cabeça baixa alguns minutos, quando olhou em meus olhos novamente eu pude sentir novamente a frieza que ela exalava deles.
– Edward nem você, nem eu planejamos essa criança. Nós não nos amamos, era apenas sexo casual. Quando minha menstruação atrasou, a princípio, eu fiquei em choque. Mesmo eu não estava tomando anticoncepcional porque não queria engordar, nós sempre usávamos camisinha. A única conclusão que cheguei foi de que alguma estourou e acabamos, no calor do momento, por não perceber.
Eu continuava sem entender porque ela não tinha me procurado.
– Mas Victoria, porque assim que soube, você não me contou?
– No mesmo dia que eu soube, procurei um médico para abortar. Eu não queria e não quero esta criança. Cheguei no dormitório chorando e a Irina me obrigou a contar tudo para ela. Quando contei, ela me disse que tinha uma tia que morava em Londres e não conseguia ter filhos e queria muito adotar uma criança e estava disposta a pagar uma boa quantia por uma “barriga de aluguel”. – Eu não conseguia acreditar no que estava ouvindo, ela queria vender o meu bebê? A raiva se apoderou de mim, deixando minha respiração entrecortada, faltava pouco para eu avançar sobre ela. Era uma vida, uma parte de mim e ela queria simplesmente vender o nosso bebê? – Eu não quis te contar, porque sabia que você ia ficar todo sentimental. Então disse para a Irina que você não queria assumir a criança. Assim, ela me ajudou mais ainda. Fez o contato com a tia dela, que me ofereceu casa, comida e roupa lavada enquanto espera pelo nascimento da criança. Depois vai me dar uma bolada em dinheiro. Você sabe que não sou de família rica como você, então preciso garantir o meu futuro.
Ela falou tudo isso como se fosse a coisa mais normal do mundo “vender” uma criança. MEU DEUS! Eu ainda não conseguia acreditar que ela pretendia fazer isso mesmo.
Só pretendia, porque esse bebê era meu também e se ela não queria eu iria ficar para mim... Precisei respirar fundo para não avançar nela por cima da mesa e descarregar toda a raiva que estava sentindo.
– Você não vai fazer nada disso, eu sou o pai dessa criança e não permito. – Falei entre dentes, meu corpo todo tremia exalando a raiva que eu estava sentindo naquele momento.
Victoria deu uma risadinha debochada.
– Qual é Edward, eu já tomei a decisão. Não vou voltar atrás. Eu chorei muito, pensando sobre isso e assim é melhor para todos. Eu dei sorte que a tia da Irina mora aqui em Londres,então pude inventar a história ideal, todo mundo pensa que eu estou fazendo curso de Ballet, quando eu voltar, além de estar rica, retorno para a Julliard e realizo o meu sonho de ser uma prima bailarina.Nada do que você me diga vai me fazer mudar de ideia. Atualmente o meu único problema, foi você ter descoberto...
Ela falava essas palavras como se fosse a coisa mais normal do mundo. Eu não consegui mais me controlar e ouvir toda a loucura que ela estava planejando. Levantei quase derrubando a minha cadeira e com o dedo em riste, gritei, cuspindo toda a minha raiva para fora:
– VOCÊ ESTÁ LOUCA! ESSA HISTÓRIA SÓ É BOA PARA VOCÊ! EU SOU O PAI! E TENHO MEUS DIREITOS.
Victoria se levantou também, pegou sua bolsa e olhando friamente em meus olhos.
– Na verdade, para todos os efeitos legais, o pai é desconhecido e assim vai ficar.
Virou as costas e saiu andando, me deixando, por alguns segundos, paralisado com aquela atitude. Quando encontrei forças em minhas pernas saí correndo atrás dela e a alcancei quando estava quase atravessando a rua. Segurei seu braço com força.
– Você não pode fazer isto. Eu faço um teste de DNA provando que eu sou o pai.
Ela deu uma sonora gargalhada e olhou-me com sarcasmo.
– Até você conseguir comprovar paternidade essa criança já nasceu e já vou ter entregado para a tia da Irina e você nunca mais ver vê-la. É melhor você nos deixar em paz. Adeus.
Ela chacoalhou o braço e se soltou de mim. A partir deste instante tudo aconteceu muito rápido. Victoria começou a atravessar a rua e olhou para trás dando um último sorriso sarcástico para mim, mas quando virou de volta não viu o carro vindo e o carro a pegou em cheio. Lembro-me de dar um grito agoniado e correr em direção a Victoria que estava caída ao chão com a mão na barriga e muito sangue ao redor.
Eu só pensava na criança, ela tinha que sobreviver, mesmo tendo recém-descoberto a sua existência, eu a queria tanto, era como seu só estivesse completo se ela estivesse bem.
Eu nunca me senti tão impotente. Acho que eu devo ter esperado umas duas horas por alguma notícia. Assim que o médico me viu, perguntou se eu era parente da Victoria. Disse que era pai do bebê. No mesmo instante o médico me olhou com pesar tão grande nos olhos, que automaticamente eu soube, meu bebe havia morrido. Eu simplesmente desabei no choro, um choro muito sofrido. A única coisa que ouvi o médico falar foi: “Sinto muito pela sua garotinha...”
Foi como se eu levasse um soco na boca do estomago. Eu fiquei sem ar e não conseguia respirar. Eu corri para fora do hospital e quando cheguei na parte de fora eu gritei, tentando exalar toda a minha agonia. Era uma menininha. Minha menininha. Eu me sentia um merda. Não havia sido capaz de cuidar da minha própria filha.
Uma parte de mim morreu junto com minha filha naquele dia.
Voltei imediatamente para os EUA. Nem quis saber de Victoria, se estava viva ou morta, pouco me importava. Eu fui para Forks, ficar na companhia da minha família. Eu tentei ir para Nova York, mas eles não permitiram que eu ficasse sozinho, talvez porque eu mais parecia um zumbi do que qualquer outra coisa.
Eu ficava o tempo todo no meu quarto, deitado olhando para cima, lembrando e revivendo os poucos momentos em que estive próximo da minha filha, tentando recriar meu encontro com Victoria, imaginando formas que manteriam minha menininha viva. Eu só comia quando minha mãe ou Alice me obrigavam. Eles conversavam muito comigo, mas eu não conseguia sair daquele estado. Eu não sabia como seguir em frente. Fiquei mais ou menos um mês e meio nessa estado.
Numa das muitas noites insones que eu tive, resolvi tentar escrever sobre a dor que eu estava sentindo, porque ninguém parecia entendê-la. Mas assim que peguei o papel e o lápis, notas musicais começaram e se formar na minha cabeça e quando vi estava compondo uma música. Uma música para o meu bebê.
Aos poucos eu consegui sair do meu estado “letárgico”. Eu entendi que para conseguir seguir em frente, eu precisava da música e porque não escrever uma música em homenagem a minha filha. Nos primeiros dias eu escrevia duas notas e quando ia tocar chorava feito um bebê. Mas umas duas semanas depois, eu já estava mais “conformado” com a minha dor e já tinha escrito metade da música. O problema agora era que eu estava empacado no mesmo pedaço, não sabia como continuar. Nada do que eu escrevia parecia se encaixar na música e eu não aceitava nada que não soasse perfeito. Minha família sabia que eu estava escrevendo uma música, mas não havia mostrado nada para eles ainda.
Foi então que meu pai teve a brilhante ideia de que eu fosse professor de música na Forks High School. Ele disse que eu precisava me distrair, que a inspiração viria no momento em que eu entrasse em contato com outros instrumentos, não só o piano ou conversasse com outras pessoas e eu teria novas ideias. Falou também que a escola estava procurando ampliar seu programa de música e não tinha professor nem para música iniciante e muitos menos para trabalhar com música instrumental avançada, quem sabe se eu tentasse formar uma orquestrinha e eu assim, poderia usar meu mestrado em regência.
Por fim, acabei aceitando e a escola ficou maravilhada com o fato de ter-me como professor.
Então aqui estou. Dirigindo meu Volvo em direção à escola e escutando Alice tagarelar sobre como vai ser ótimo seu último ano e como vou amar ser professor dela. Sim, eu teria que aguentá-la como aluna também, não bastava como irmã. Ri deste pensamento. Alice era uma força da natureza, parecia sempre ter dez pequenos anões dentro dela. Mas eu a amava e amava também o jeito dela ser. Ela tocava flauta transversal maravilhosamente bem, eu tinha absoluta certeza que no ano que vem ela estaria indo para Julliard.
Ao chegarmos na escola, estacionei meu carro e enquanto caminhávamos pelos corredores, resolvi lembrar Alice de algo muito importante.
– Alice, não se esqueça que durante a aula eu não sou seu irmão, sou o professor Cullen.
Olhei para ela em tempo de vê-la revirando os olhos teatralmente. Bem estilo Alice.
– Maninho, você não tem que se preocupar comigo e sim com as suas demais alunas. Elas vão adorar te chamar de professor Cullen com uma voz rouca e sexy e ver se conseguem te levar para a cama. Afinal de contas você sabe o quanto é lindo e que sempre chama atenção das mulheres em todos os lugares.
Paramos em frente à sala dos professores, vários alunos já estavam passando pelo corredor. Foi minha vez de revirar os olhos. Acho que era coisa de família.
– Alice, por favor. Primeiro: eu não tenha intenção de ter nenhum relacionamento no momento, nem curto e nem de longo prazo e segundo eu não me interesso por garotinhas.
– Edward, o amor não escolhe hora para aparecer, bem como não escolhe idade. Você ainda vai se apaixonar, vivenciar um amor tão forte que não vai caber no seu coração, melhor ainda se for amor a 1ª vista. E digo mais, minha intuição diz que isso vai acontecer logo logo... E quando acontecer daí sim você vem me dar lição de moral, ok? – Odiava quando Alice ficava séria, parecia que estava prevendo o futuro.
– Ih Alice. Credo! Para de me rogar praga.
Entrei na sala dos professores e a deixei falando sozinha. Precisava pegar alguns materiais que deixei para fazer cópia no dia da reunião de professores. Assim que entrei uma professora, não lembro bem o nome, Joana, Vânia ou seria Tanya?, veio toda sorridente com as minhas folhas na mão. Ela até tentou puxar papo comigo, mas apenas peguei as folhas agradeci e sai porta a fora. Não estava a fim de jogar conversa fora com ninguém, especialmente se esse alguém tivesse intenções amorosas.
Fui caminhando a passos lentos até o mini-auditório, local em que daria as minhas aulas de música instrumental. Eu estava um pouco nervoso, não pela parte musical, mas sim pela parte de ser professor, era uma experiência nova.
Entrei na sala pela porta lateral e cumprimentei a turma.
– Bom dia turma! Sejam bem vindos a Música Instrumental Avançada I.
Ainda bem que a minha primeira aula era com alunos que já entediam de música, isso facilitava e muito o meu trabalho, se eles fossem realmente bons eu tinha vários planos para realizar durante o ano com eles. Procurei rapidamente Alice entre os alunos mais próximos do palco e não a encontrei. Subi no palco para poder reunir todos os alunos e iniciarmos a aula.
– Sou o seu professor, o Sr. Cullen. Gostaria que todos subissem aqui no palco e se aproximassem do instrumento que pretendem tocar na nossa aula para que possamos verificar o nível em que verdadeiramente estão.
Levantei os olhos para buscar novamente Alice, mas meus olhos focaram nos de uma garota parada um pouco mais no fundo do que os demais alunos. Nossos olhares se conectaram imediatamente, fazendo meu coração disparar de forma estranha e minhas mãos começaram a suar. Eu fiquei completamente paralisado. Fui tomado por uma sensação estranha, que era muita boa, mas eu não consegui entender o que era. Parecia que éramos as únicas pessoas naquela sala. Ela tinha o rosto lindo, em formato de coração... Percebi que ela mordeu os lábios e ruborizou. Mesmo sem ela querer, porque é claro que fez aquilo porque estava com vergonha, foi uma atitude muito sexy. Este pensamento me fez sorrir para ela... Porra! Só faltava eu ficar excitado, no meio da aula, porque uma simples garota mordeu os lábios e ficou vermelha. Eu nunca tive esse tipo de reação à mulher nenhuma e podia começar agora. Eu precisava falar alguma coisa antes que a situação ficasse mais constrangedora...
– Ei, você que está aí mais afastada, junte-se a nós. Qual o instrumento você toca?
Instintivamente, para quebrar a conexão do nosso olhar, olhei para o seu corpo. Grande erro, ela era linda! Tinha a pele clara, os cabelos cor mogno estavam soltos e caiam sobre seus ombros como cascata, era um pouco mais alta que Alice, mas seu corpo parecia ter as curvas certas nos lugares certos. Tinha um corpo de mulher e de uma mulher muito gostosa por sinal. Pelas roupas que usava, parecia fazer questão de esconder sua beleza, mas me parecia uma tarefa impossível. O que eu estou pensando, meu Deus, ela é apenas uma menina!
– Ela vai tocar piano, Edward. – Alice falou.
Alice! Eu fiquei tão vidrado na garota que nem percebi que Alice estava ao lado dela o tempo todo. Precisava recuperar minha postura de professor e por isso olhei seriamente para Alice.
– Aqui é Sr. Cullen, Alice. Tenha respeito.
Alice deu uma risadinha, aquela bandida. Isso só podia ser a praga que ela rogou para mim. Subiu as escadas do palco trazendo a garota junto.
– Claro maninho, desculpe, mas é que você não é tão velho para ser Sr. Cullen. Esta é Isabella Swan, mas ela prefere ser chamada de Bella. Bella este é o Sr. Cullen, nosso querido professor.
Bufei e revirei os olhos para Alice, claramente mostrando minha indignação com a atitude dela. Em seguida olhei para garota, que agora eu sabia se chamava Isabella. Bella. Realmente Bella. A mulher mais bela que eu já tinha visto.
– Prazer Bella, sou o professor Cullen.
Estendi a mão e olhei novamente nos olhos dela. Agora eu conseguia ver os olhos dela, eram cor de chocolate, lindos. Novamente nossos olhares ficaram conectados e olhei fundo nos olhos dela, talvez tentando descobrir mais sobre essa garota, que com um olhar conseguiu me desarmar completamente. Mas o sentimento mais marcante que o olhar dela transmitia era uma tristeza sem tamanho, parecia que eu me olhava refletido no espelho. De repente meu coração pareceu se aquecer. Bella parecia tão envolvida quanto eu, tanto que Alice, notando a nossa situação, de um suave cutucão nela. Prontamente Bella estendeu a mão para mim e me cumprimentou.
– Oi professor Cullen.
A voz dela era muito doce e suave. Foi como música para meus ouvidos. Mas não foi nada comparado a corrente elétrica que passou pelo meu corpo e com o toque suave da sua mão na minha, pude sentir pelo toque que a pele dela era muito macia. Eu nunca tinha sentido nada como aquilo. O pequeno toque da mão dela na minha, fez com que novamente todo o meu corpo se aquecesse. Ela pareceu sentir a corrente também, pois puxou rapidamente a mão de volta. Fiquei olhando para minha mão, tentando entender como um simples toque podia me causar todas aquelas sensações.
Percebi que a turma toda estava esperando para que aula começasse, enquanto eu e Bella, estávamos em nossa bolha particular. Precisava recobrar a sanidade, então pigarreei e me voltei para a turma.
– Bom... Vamos começar então buscando entender a escolha de instrumento de cada um. Aproximem-se e explorem livremente o instrumento de sua escolha.
Os alunos buscaram seus instrumentos e fizeram pequenos grupos buscando se conhecer. Alice passou por mim, me dando um olhar significativo, do tipo “depois conversamos sobre isso”... Suspirei balançando a cabeça, sabendo que se dependesse da Alice, depois da aula teria muitas perguntas a responder.
Olhei para o piano e percebi que Bella havia ficado sozinha ali. Seria ela a única pianista do grupo? Parecia que sim. Fiquei estranhamente feliz por saber que tocávamos o mesmo instrumento. Mesmo que no mestrado de regência eu tenha aprendido a tocar os principais instrumentos de uma orquestra, o piano sempre foi e sempre seria minha especialidade e preferência.
Bella olhava receosa para o piano. Parecia que estava com medo de tocá-lo? Muito estranho. Se estava nesta aula, deveria saber tocar piano. Percebi ela se aproximar mais do piano e passar a mão em cima dele e fechando os olhos, parecia muito triste.
Como se fosse uma imã me puxasse para perto dela, aproximei-me por trás. Eu pretendia falar alguma coisa, mas o cheiro dela me invadiu em cheio, era um cheiro peculiar, um cheiro delicioso de morangos. Suspirei. De repente minha vontade era jogá-la em cima do piano e sentir se todas as partes do corpo dela tinham realmente esse cheiro e se o gosto da pele dela era tão doce quanto eu imaginava. Minha respiração acelerou e minha voz saiu mais rouca do que eu esperava.
– Porque não se senta e toca para nós?
Percebi que a respiração dela ficou suspensa.
Eu tinha que parar com esses meus pensamentos!!!! Meu Deus! Ela era apenas uma garota. Uma garota em um corpo de mulher, muito gostosa, mais ainda assim uma garota. O problema era que meu corpo parecia ter vontade própria e pegou a mão dela, num pedido mudo para que sentasse e tocasse piano.
Bella colocou os dedos nas teclas e senti o corpo dela se retesar. Lágrimas começaram a descer pelo seu lindo rosto e minha vontade era de pegá-la no colo e a consolar, mesmo sem saber o que estava acontecendo. Ela abriu os olhos e a olhei interrogativamente, o que estava acontecendo com ela? Antes que eu pudesse perguntar alguma coisa Isabella levantou e rapidamente pegou suas coisas e saiu correndo do mini-auditório.
Eu fiquei preocupado e quando fiz menção de ir atrás dela, Alice me segurou pelo braço.
– A deixe ir, tenho certeza que ela quer ficar sozinha agora.
Franzi o cenho e olhei para Alice, ela sabia de alguma coisa? Ela pareceu entender meu questionamento mudo.
– Depois da aula conversamos.
Foi difícil dar continuidade a aula, mas consegui terminá-la. Como era o primeiro dia deixei que a turma se conhecesse e explorasse os instrumentos mostrando em que nível individual cada um estava. Mas toda a vez que eu olhava para o piano lembrava de Bella e me perguntava o que tinha acontecido com ela para que fugisse da aula desse jeito?
Alice esperou todos saírem da sala e se aproximou de mim.
– Eu tenho somente alguns minutinhos, preciso ir para a minha próxima aula. – Incrivelmente Alice estava séria, então eu sabia que o problema da Bella deveria ser algo grave.
– O que houve com a Isabella? – Falei o nome inteiro dela porque sabia que a Alice iria ficar imaginando coisas se eu dissesse Bella.
Alice revirou os olhos.
– É Bella, Edward. E se você saísse mais de casa saberia exatamente o que deixou a Bella daquele jeito. Eu acho que ela mesma deveria te contar, portanto vou ficar quietinha... – Alice tinha um brilho diferente nos olhos, como se estivesse vendo algo que eu não estava. Bufei irritado.
– De todas as vezes que você deveria ficar quietinha e não fica, você escolhe esta! O que custa me dizer o que aconteceu? Como vou poder ajudar ela sem entender o que está acontecendo? – Falei exasperado.
Alice deu um sorrisinho satisfeito. Pronto, estava de volta a Alice que eu conhecia.
– Então você está preocupado com ela? Porque está preocupado com ela se nem a conhece? – De novo ela me olhou como se estivesse vendo algo que eu não estava.
Eu fiquei em silêncio por alguns minutos, nem eu mesmo sabia a resposta para a pergunta de Alice... Mas deveria ser porque ela era minha aluna, certo? Eu deveria me importar com os meus alunos...
– Eu...eu...me preocupo com ela porque ela é minha aluna e eu como um bom professor quero que ela tenha futuro na música. – Assim que terminei de falar, percebi que nem eu mesmo acreditei no que tinha dito.
– Claro, maninho, claro. Continue contando essas mentiras a você mesmo. Eu realmente não sei que nome dar ao que aconteceu hoje entre vocês, “carma”, “destino”, “amor a 1ª vista”, chame do que quiser... Você só não pode dizer que não sentiu nada diferente com a Bella, porque isso todo mundo notou!
Eu fiquei olhando Alice atônito. Todo mundo tinha notado? Então não era algo da minha cabeça, houve mesmo aquela ligação estranha entre a gente? Mas eu ainda nem tinha parado para pensar o que havia sido isso e Alice vem me falar em amor, ainda mais por alguém que não troquei mais que dez palavras? Não podia ser isso, eu já tinha decidido que não queria amar ninguém...
Olhei para Alice que ampliou o seu sorriso, devia estar vendo pelas minhas expressões a batalha interna que eu estava travando...
– Alice, para com essas bobagens. Não aconteceu nada. Eu já falei que não quero amar ninguém. É Bella, além de tudo, é uma garota, deve ser uns oito anos mais nova do que eu... Mesmo que eu não tenha amado Victória, agora eu sei que relacionamentos existem apenas para machucar a gente.
Alice olhou para mim pesarosamente.
– Edward eu já te disse isso e vou te dizer de novo, amor não escolhe hora, idade e muito menos lugar. Apenas acontece... Mas se você quiser continuar se enganando, fique a vontade.
Passei as mãos nos cabelos como sempre fazia quando estava nervoso. Amor? Não... Alice estava ficando louca.
Alice recolheu sua mochila e foi até a porta. Mas antes de sair, virou-se o olhou diretamente nos meus olhos.
– Eu tenho aula, mas vou te dizer mais três coisas: 1º Bella não é Victoria 2º Talvez você precise amar alguém para curar o seu coração e 3º e mais importante EU falei que você ia se apaixonar e que seria logo! – Alice sorriu brilhantemente como se fosse um gênio por ter chegado a essas conclusões e saiu pela porta.
Eu fiquei ali parado pensando em tudo o que Alice me disse. Mas parecia tão inacreditável...
[...]
Eu esperava que hoje o dia fosse mais produtivo. Ontem depois da aula não consegui me concentrar em mais nada. Toda a vez que eu sentava em frente ao piano e tentava continuar a minha música, a imagem da Bella vinha na minha frente. E não só a imagem, mas todas aquelas sensações estranhas do dia anterior também. Tudo o que eu conseguia pensar era se a boca dela era tão doce e macia quanto parecia e porra isso estava me deixando excitado. Eu fiquei o dia todo ontem excitado por uma garota de 17 anos. Eu precisava me tratar...
Cheguei na escola mais cedo do que eu esperava. Na verdade eu saí mais cedo de casa para não ter que dar carona para Alice. Eu queria fugir dela e seus olhares e perguntas mudas (e às vezes não tão mudas) quanto aos meus sentimentos por Bella. Nem eu sabia que sentimentos eram esses.
Hoje eu tinha aula com a turma iniciante, então não veria Bella. De repente me senti triste ao constatar isso. Sai do carro e balancei a cabeça tentando espantar esses sentimentos. Quando foi a última vez que me senti triste por não ver alguém que não fosse minha família? Na verdade acho que isso nunca tinha acontecido.
Fui direto ao mini auditório, quem sabe enquanto aguardava o início da aula não conseguiria dar sequencia na minha música...
Sempre que eu tocava a minha música eu esquecia do mundo ao meu redor. Era como se eu estivesse vivendo a emoção de ser pai ao lado da minha garotinha, talvez por isso, toda a vez que eu tocava, eu me emocionava. Eu tocava com todo o meu coração. Quando acabei de tocar a parte que já estava pronta, como de costume peguei meu lápis na tentativa de colocar alguma nova nota musical na partitura.
Foi quando ouvi alguém me aplaudindo. Virei-me para os sons das palmas imediatamente. Não tinha mostrado a música para ninguém ainda, nem para minha família... Meus olhos fitaram intensamente os da pessoa que estava me aplaudindo. Era Bella e ela parecia maravilhada com o que tinha ouvido.
– É a música mais linda que já ouvi professor Cullen.
A voz doce e suave invadiu meus ouvidos e quase fechei os olhos de prazer, mas não conseguia desviar meu olhar dela.
De repente, tudo o que eu queria naquele momento era que ela estivesse sentada ao meu lado. Parecendo ouvir meus pensamentos, sem que eu a chamasse, ela subiu no palco e sentou do meu lado na banqueta.
Quando ela se sentou meu corpo todo reagiu a ela. Seu cheiro peculiar me atingiu em cheio. Eu não conseguia falar, parecia hipnotizado por ela. Se toda vez que ela se aproximar de mim eu tiver essas reações, eu vou perder minha sanidade. Ela respirou fundo e fechou os olhos. Quando os abriu novamente parecia envergonhada e olhou para a partitura da minha música.
– Você escreveu essa música? – Ela voltou a me olhar. Eu precisava responder, mas não encontrava minha voz. Com um esforço que parecia sobre humano falei num sussurro:
– Sim, na verdade ainda estou escrevendo, sempre paro nessa parte. Não consigo encontrar a continuação correta para ela... – Bella estremeceu e automaticamente perguntei – Está com frio?
Ela ficou vermelha novamente e balançou a cabeça negando a minha pergunta. Será que ela sabia o quanto tentadora e sexy ficava quando estava assim? A proximidade dos nossos corpos estava me deixando excitado. Alguns fios do lindo cabelo dela caíram no seu rosto, fazendo com que eu não conseguisse ver a beleza dos olhos e do seu rosto.
Minha mão, parecendo ter vontade própria, capturou os fios de cabelo caídos e colocou de volta atrás da orelha dela. O fato de eu estar tocando Bella não passou despercebido pelo meu coração, que começou a bater descompassado e um turbilhão de sensações diferentes passaram pelo meu corpo.
Bella baixou os olhos, mas levantei delicadamente seu queixo com a minha mão. Eu precisava olhar naqueles olhos. Mesmo sem saber o que eram todas aquelas sensações eu queria sentir mais, eu precisava sentir mais.
Aproximei-me mais dela, quase colocando o seu rosto no meu. Sua boca entreabriu-se e puder sentir seu hálito batendo no meu rosto. Minha respiração acelerou-se e meu coração parecia galopar no meu peito. Ainda segurando seu queixo, fiz um carinho em sua bochecha. Bella arfou e percebi sua respiração se acelerando também. Ela fechou os olhos. Aproximei-me ainda mais, minha respiração cada vez mais acelerada. Nossos corpos pareciam trocar energia. Parecia que um imã estava nos empurrando, como se precisássemos fundir nossos corpos. Eu não conseguia entender o que estava acontecendo.
– O que é isso? Esse poder...
Bella abriu os olhos e me encarou surpresa. Naquele momento todo o desejo que eu estava sentindo falou mais alto, eu precisava beijá-la... Fui aproximando mais meu rosto do dela, quase colando nossos lábios.
Respirei fundo deixando que o cheiro dela penetrasse por todo o meu corpo. Bella parecia tão entorpecida pelo desejo quanto eu e fechou os olhos. Rocei levemente meus lábios nos dela. Seus lábios eram tão macios e tinham um gosto doce... Meu corpo todo pareceu pegar fogo, como seu eu estivesse recebendo uma pequena dose da melhor droga do mundo e queria provar mais... Novamente rocei meus lábios nos de Bella, mas agora com mais força, mordisquei levemente seu lábio inferior o que fez Bella dar um pequeno gemido que me levou a loucura. Colei nossas bocas novamente, aprofundando o beijo, pedindo passagem com a minha língua e prontamente Bella cedeu. Explorei cada canto da sua boca para depois deixar nossas línguas se cruzarem, de forma calma, sem pressa, mas como muita intensidade.
Bella parecia sentir a intensidade do nosso beijo tanto quanto eu. Ela passou os braços pelo meu pescoço e seus dedos se fecharam em meus cabelos, tentando aproximar ainda mais nossos corpos. Dessa vez eu não contive um gemido. Eu estava quase sem fôlego, mas não queria parar de beijá-la. Quando nos separarmos, estávamos ambos arfantes. Meu corpo todo tremia. Porra! Nossas bocas se encaixavam de forma perfeita. Encostei minha testa na de Bella. Ela permaneceu de olhos fechados, estaria com vergonha? O sinal da escola tocou anunciando que a aula iria começar. Eu precisava falar algo e rápido.
– Bella...
Eu não sabia o que dizer, eu ainda estava entorpecido e queira era beijá-la de novo. Eu nunca havia me sentido dessa forma com um simples beijo. Ouvi o barulho de algumas conversas e sabia que a qualquer momento os alunos iriam entrar pela porta da sala. De repente Bella pareceu despertar. Abriu os olhos e me encarou por alguns segundos. Não consegui decifrar o que vi no seu olhar. Quando abri minha boca para falar novamente, ela levantou e pegou sua mochila.
– Pre...preciso ir, eu tenho aula.
Ela estava meio trôpega, mas sem me dar chance de falar nada, ela saiu mais uma vez como um foguete pela porta. Será que ela iria fugir de mim?
Notas finais
Como sou nova nessa "coisa" de escrever fic, peço desculpa se a descrição dos momentos, principalmente do beijo não agradou...
Até o próximo cap.
Bjao!
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