Notas iniciais
Bom dia!
No espirito da Páscoa trouxe o capítulo que postaria amanhã, hoje. Aproveitem.

Bella POV

Não sei quanto tempo eu fiquei sentada encostada na porta chorando. Aos poucos fui me acalmando. Quando achei que estava melhor sai cautelosamente da sala e vi que os corredores estavam vazios. Ótimo, não queria ver ninguém mesmo. Edward...

O que eu estava pensando? Eu não queria ver ninguém e automaticamente o nome dele veio na minha mente? Será que queria dizer: ninguém a não ser Edward? Não podia ser, eu acabei de conhecer ele, não troquei mais que algumas palavras com ele... Eu só posso ter ficado louca mesmo.

Entrei no banheiro feminino e passei uma água no rosto. Quando me olhei no espelho, decidi que ia fazer o que devia ter feito assim que percebi que aquilo era uma aula de música. Eu iria até a secretaria trocar de matéria. Meu peito se apertou num sentimento estranho ao pensar que não veria mais Edward. Bom, pelo menos essas sensações estranhas que eu tinha quando estava perto dele também iriam embora. A última coisa que eu queria agora era me apaixonar. No fim era melhor para ele, porque, com certeza, ele merecia alguém melhor do que eu. E também, quem disse que ele me queria? Bonito e simpático de jeito que era devia ter alguma mulher na vida dele, fora que ele era meu professor e, acredito eu, uns seis anos mais velho do que eu... Conclusão: Nós dois = PROBLEMA.

Caminhei com passos firmes e apressados até a secretaria, tinha que fazer rápido, daqui a pouco teria a minha próxima aula e não queria correr o risco de mudar de ideia. Parei em frente à porta e respirei fundo, eu iria mesmo fazer isso? SIM. Eu iria, até porque como eu vou fazer aula de música sem tocar nenhum instrumento? Bati levemente na porta e entrei, uma senhora estava atrás do balcão me olhou e sorriu simpaticamente para mim:

- Olá. Sou a Sra. Cope. Você é Isabella, não? Em que posso ajudá-la?

Revirei os olhos, todo mundo tinha que saber quem eu era? Tudo bem que eu já morei aqui, mas fui embora com 8 anos. Mas como precisava da ajuda da Sra. Cope, forcei meu melhor sorriso para ela.

- Sim, mas só Bella. Eu acho que meu pai me matriculou na aula errada para o 1º horário e eu precisaria trocar para outra matéria...

- Hum...um momentinho – Olhou registros no computador – Você está atualmente na aula de “Música Instrumental Avançada I”. Acredito que não tenha nenhum erro. Eu mesma lembro-me de ter feito sua matrícula e seu pai insistiu para que você fosse matriculada nesta aula.

Aquele bandido. Certamente eu iria acertar as contas com ele quando chegasse em casa. Porque ele não pode simplesmente aceitar que eu não quero mais chegar perto de qualquer coisa relacionada à música? Olhei novamente para Sra. Cope, ela devia saber o que tinha acontecido para eu voltar para Forks, então tentei fazer uma cara de coitadinha...

- Sra. Cope, depois de tudo o que me aconteceu, eu não me sinto preparada para voltar para a área da música. Eu sei que meu pai quer o melhor para mim, mas às vezes ele não entende que preciso do meu próprio tempo... – Pela primeira vez em muito tempo queria que alguém sentisse pena de mim, eu precisava que ela simpatizasse com a minha situação.

- Bella querida, eu sinto muito pelo que aconteceu. Vamos ver se consigo te ajudar... – Olhou novamente nos registros, apertou algumas teclas e franziu a testa. Isso não era um bom sinal. – Bella, infelizmente não temos vaga em nenhuma turma no momento...

Não, não podia ser verdade. Eu precisava trocar de aula, tentei implorar.

- Mas Sra. Cope, eu troco por qualquer aula, tem que ter vaga em alguma ou eu fico bem quietinha em um canto, ninguém vai notar que tem uma aluna a mais naquela aula, por favor...

- Eu sinto não poder te ajudar, existe uma lei que define o nº de alunos por turma (n/a: nos EUA existe mesmo uma lei sobre isso, deveria ser no Brasil também, quem sabe a educação estaria melhor). – Ela me olhou pesarosa. – Mas vou ficar com o seu nome aqui, se alguém vier aqui e quiser trocar para a sua aula, eu te aviso, ok?

Eu não estava acreditando, não tinha vaga em nenhuma turma... Que merda! Contei até dez para não descontar minha raiva momentânea na Sra. Cope afinal de contas, ela nada podia fazer.

- Ok. Obrigada de qualquer forma.

- Tenha um bom dia querida.

Nem me despedi e saí pela porta com destino a minha próxima aula. Pelo jeito seria um longo 1º dia.

[...]

Estava a caminho, graças a Deus, da minha última aula do dia: Biologia. Consegui passar o restante da manhã, almoço e até agora despercebida, porque andei o tempo todo cabisbaixa evitando que as pessoas me olhassem e tentassem puxar algum tipo de conversa. Entrei na sala de aula e como vinha fazendo em todas as matérias, me apresentei para o professor. Todos os demais alunos estavam em duplas e o professor me indicou o único lugar vazio, ao lado de nada mais, nada menos que Alice Cullen.

Conforme ia me aproximando da cadeira ao lado dela, dirigia-lhe um olhar que dizia: “não quero falar sobre o episódio de hoje pela manhã”. Sentei fazendo bastante barulho para mostrar que meu humor não estava bom. Ela pareceu ter captado a mensagem e passou um bom tempo da aula sem falar nada, mas podia sentir ela dirigindo alguns olhares para mim e mexendo o corpo inquieta, como se quisesse muito dizer alguma coisa.

Quando o professor mandou que iniciássemos um trabalho prático ela viu a oportunidade perfeita e não se conteve:

- Eu sei que não quer conversar e não vou te forçar a nada, a única coisa que eu quero te dizer é que se precisar de alguém para conversar, pode contar comigo.

A sinceridade dela me desarmou, achei que ela ia dizer que sentia muito pelo meu “descontrole” que me entendia, que tudo ia ficar bem, assim como todo mundo falava e eu sabia que não era verdade.

- Obrigada Alice. Mas por enquanto prefiro fazer o trabalho de Biologia.

Ela sorriu, acho que ficou feliz que eu não dei uma “patada” nela.

- Sem problemas. Só quero te fazer uma última pergunta, posso?

Bufei, estava bom demais para ser verdade. Eu tinha certeza que ela perguntar o que tinha acontecido de verdade com a minha mãe, mas mesmo assim olhei para ela e assenti, decidindo que resposta daria a ela.

Alice abriu um grande sorriso e falou:

- O que foi aquilo entre você e o Edward na aula hoje?

Primeiro arregalei os olhos de surpresa com a pergunta e depois abri e fechei a boca várias vezes, sem saber o que responder. Então não foi uma coisa inventada pela minha cabeça? Por fim pigarreei e tentei formular uma reposta, mas saiu como uma pergunta...

- Como assim, não houve nada, houve?

Alice sorriu ainda mais...

- Claro que houve. Edward também não soube me explicar o que aconteceu, mas vocês ficaram se encarando, parecia que estavam encontrando depois de muito tempo perdidos, pareciam conectados, na verdade pareceu amor a 1º vista...

Eu fiquei vermelha como um pimentão. Eu ainda nem tinha parado para pensar no que tinha sido aquele “momento” que eu e Edward tivemos. Eu nem acreditava em amor a 1ª vista... Quanto mais eu pensava mais eu ficava vermelha e menos as coisas faziam sentido. Mas peraí, pelo que Alice falou, Edward sentiu alguma coisa também?

Alice ficou analisando a minha reação e começou a dar pequenos pulinhos na cadeira, parecendo muito feliz...

- Bella, você também sentiu alguma coisa diferente quando encontrou Edward? OMG! Que legal! Eu não acredito! Eu nunca tinha visto nada parecido com isso.

- Hei Alice, calma aí. Ninguém aqui está apaixonada ou algo parecido. — Tentei acalmá-la e me acalmar também, tudo o que ela estava falando era muita loucura para ser verdade. – Seu irmão é lindo e pelo jeito ótimo professor, mas nada além disso. Não pode ser...

Quando Alice ia me retrucar o sinal bateu e eu mais que rapidamente juntei minhas coisas e saí da sala quase correndo, mas ainda em tempo de ouvi-la:

- Continuem assim, os dois fingindo que não é nada! – Deu um risadinha.

Misturei-me rapidamente aos demais alunos no corredor e a última coisa que ela falou ficou martelando na minha cabeça, nós dois fingindo?? Quer dizer então que para o Edward não significou nada... Que ele não se sentiu hipnotizado, ou a corrente elétrica, ou todas aquelas sensações diferentes a cada palavra ou toque que trocamos??? De repente, me senti triste. Mas quem eu queria enganar, eu era apenas uma adolescente sem atrativos, porque tudo aquilo de homem iria se interessar em mim? Aliás EU não estava interessada nele, afinal de contas nem o conhecia e nos encontramos apenas uma vez, então não tinha motivos para nenhum de nós ter sentimentos.

Fui para a casa de a pé, falando o tempo todo o “mantra” que nem eu não estava interessada pelo professor Cullen, quem sabe assim eu conseguiria acreditar em mim mesma.

[...]

Eu aguardava ansiosa meu pai chegar em casa. Apesar de tudo que tinha acontecido no meu 1º dia de aula e tudo que Alice me falou não sair da minha cabeça um minuto, eu tinha que acertar minhas contas com Charlie. Até porque era por culpa dele que eu estava toda confusa, se ele não tivesse me colocado na aula de música nada disso teria acontecido e eu nem teria conhecido Edward.

Quando finalmente ouvi o barulho da porta da frente da casa se abrindo, respirei fundo e me preparei para falar tudo que estava engasgado na minha garganta.

- Bella, onde está?

- Na sala pai. – Falei secamente, para ele já perceber que não estava para brincadeira. Em questão de segundos, ele entrou na sala.

- O que houve? Porque está com essa cara de brava? – Perguntou se fazendo de desentendido

- O que houve? Tem coragem de me perguntar o que houve? O que houve vou você ter me matriculado NUMA MERDA DE AULA DE MÚSICA – Gritei, cuspindo toda a minha raiva.

- Olha a boca mocinha. – Charlie falou me repreendendo o que só aumentou a minha raiva, e continuou falando calmamente – Eu fiz o que achei melhor. Afinal de contas, como seu pai, tenho que colocar algum juízo nessa cabeça. Você não pode desistir da música Bella.

O fato de ele estar falando tudo aquilo com muita calma, se fazendo de “pai perfeito” estava me irritando mais ainda.

- Eu não só posso, como já desisti da música, Charlie. E você vem depois de todos esses anos, querer dar uma de pai? Olha, eu sempre de te respeitei, mas se você queria ter o direito de colocar algum juízo na minha cabeça, deveria ter ido morar em Nova York comigo e com a mamãe...Então não venha agora querer recuperar o tempo perdido... – Minha raiva era tanta que eu já não media as palavras que dizia.

- Bella, minha filha, eu sei que você está sofrendo muito, mas como você acha que sua mãe iria se sentir sabendo que você desistiu de tocar? Eu...

Interrompi ele gritando

- NÃO FALA DA MINHA MÃE. Você nunca esteve com a gente, como pode saber o que ela ia querer? Como pode saber o que é melhor para mim? – Virei de costas para ele, pois sabia que não iria aguentar sem chorar e não queria que ele visse que tinha me atingido com aquelas palavras e as lágrimas traiçoeiras que começaram a cair vertiginosamente do meu rosto.

- Eu fiz o que sei que é melhor. A música, minha filha, pode te ajudar a superar tudo isso. Você sempre tocou com toda a emoção do seu coração. Continue a fazer isso. Eu pensei que se você conseguisse extravasar essa tristeza com a música, não precisaria ficar chorando escondido quando está no banho, ou se isolar de todo mundo como fez nas férias, ou fingir o tempo todo que está bem. Você poderia para de tentar se enganar e tentar enganar todos e quem sabe de fato começar a se recuperar.

Eu podia sentir o amor de Charlie enquanto falava aquelas palavras. Eu não tinha enganado ele um dia sequer... No fundo eu sei que ele queria o meu bem. Mas a música não podia me ajudar, ela tinha destruído a minha vida... E eu merecia sofrer... Respirei fundo e ainda de costas pra ele e disse em um sussurro:

- O que eu fiz não tem perdão. A música não vai mudar nada. Na verdade, ela só me faz lembrar de tudo... – Não consegui continuar e um soluço anunciou o choro forte e sofrido que tomou conta de mim

Charlie se aproximou de mim, virou-me de frente para ele olhou intensamente nos meus olhos e me abraçou com toda a força, fazendo um carinho nos meus cabelos.

- Filha, eu vejo a dor em seus olhos, mas você tem que aceitar que foi um acidente, nada foi culpa sua. Dê uma chance para si mesma Bella. Eu tenho certeza que a música vai te ajudar, afinal de contas você ama tocar piano, em todas as tuas apresentações, e olha que eu vi todas, dos cinco até os dezessetes anos eu via o teu sorriso completo, os teus olhos brilhando, você colocava seu coração toda vez que tocava.

Essa declaração me pegou totalmente de surpresa... Charlie tinha visto minhas apresentações? Mas como? Ele não esteve sempre em Forks? Parecendo ler meus pensamentos ele continuou:

- Eu acompanhava todo o calendário das tuas apresentações. A Renne me mandava mensalmente o local e horário que você iria tocar. Eu ligava para os lugares e como eles sempre filmavam as apresentações, eu comprava uma cópia do DVD e te assistia. Era como seu eu tivesse lá.

Charlie me colocou sentada no sofá e enquanto eu secava minhas lágrimas e tentava assimilar a recente descoberta ele foi até o armário embaixo da TV e abriu as duas portas que revelaram uma imensa coleção de DVDS. Realmente parecia ter ali todas as minhas apresentações. Aquilo realmente me pegou de surpresa. Eu sempre pensei que Charlie não queria ter nada a ver comigo e Renne. Eu tinha certeza que meus olhos estavam arregalados e que minha boca estava aberta em choque.

- Mas pai, se você gostava de me ver tocar e queria isso para o meu futuro, porque não veio morar com a gente? Porque você e a mamãe se separam? – Minha raiva estava momentaneamente esquecida pela surpresa de saber que Charlie acompanhava cada passo meu... Eu sempre pensei que não era importante para ele. Lembro-me que senti muita falta dele nos primeiros 5 anos, pois quando estávamos em Forks éramos muito conectados, as vezes, mais que minha mãe e Charlie. Mas depois de um tempo, passei a me acostumar com a sua ausência e passei a sentir que tinha apenas mãe...

Charlie sentou-se a meu lado no sofá e ficou olhando-me intensamente, como se estivesse decidindo se me contaria algo ou não. Por fim, deu um longo suspiro e começou a falar.

- Filha, eu sempre fui um homem de cidade do interior, sabia que eu nunca saí de Forks para nada? Eu nasci aqui e vou viver minha vida toda aqui. Quando você se interessou em tocar piano, nossa, eu fiquei muito feliz. Eu achava tão bonito, mas era eu tão bronco, que jamais chegaria perto de um, com medo de quebrar. E você era muito boa no piano, eu me orgulhava e me orgulho muito da pianista que você é. Mas quando Forks ficou pequena para você, que com 8 anos tocava melhor que qualquer professor da cidade – ele sorriu levemente para mim, retribui o sorriso. – eu sabia que seu destino não era ficar aqui. Eu e sua conversamos a achamos melhor levar você para onde teria a melhor formação. Mas eu não podia ir junto... – ele tocou meu rosto fazendo um carinho na minha bochecha. Inclinei meu rosto em direção a mão dele e aproveitando o momento. Desde que tinha vindo para Forks, esse era o primeiro gesto de carinho não forçado entre a gente.

- Porque pai, porque não podia ir com a gente?

- Bells, eu não saberia me portar na cidade grande. Eu tenho que confessar, mesmo que eu pareça um velho tolo para você, eu não fui porque tive medo. Medo principalmente de você e sua mãe terem vergonha de mim. Eu não sou feito para a cidade grande, do contrário da sua mãe e você. Eu não saberia me comportar ou entender as “manias” da cidade grande – Percebi que ele estava muito envergonhado de estar me confessando isso. – Eu preferi deixar que vocês realizassem os sonhos de vocês sem culpa, por isso disse que não podia deixar a cidade sem um xerife. Eu nunca te contei isso, porque queria esperar você ter idade suficiente para entender, mas acho que agora tem. Filha, eu te amo muito e sempre te amei, eu podia não estar presente “ao vivo”, mas o tempo todo estava pensado e torcendo por você com todo o meu amor.

Meus olhos encheram novamente de lágrimas com essa declaração e quase pulei nos braços de Charlie abraçando-o com muita força. Enquanto o abraçava, minhas lagrimas molhavam a sua farda da polícia e ele me abraçava de volta fazendo um carinho nas minhas costas, acho que tentando me acalmar. Nessa hora, o motivo que iniciou nossa discussão estava totalmente esquecido.

[...]

Acordei na manhã seguinte com os olhos levemente inchados, afinal de contas os acontecimentos do dia anterior tinham feito eu chorar muito. Mas eu estava feliz por poder entender um pouco melhor meu pai e sua atitude em não estar comigo e minha mãe em Nova York. É claro que não concordei com o fato de que ele iria nos envergonhar e tals, mas quando falei isso, é claro que ele retrucou dizendo que as coisas eram diferentes naquela época. Ficamos um grande tempo abraçados na sala sem falar nada, parecia que estávamos matando a saudade de carinho entre pai e filha. Foi um momento lindo. Depois jantamos e ele novamente pediu que eu desse uma chance para a música e disse que era para mim pensar sobre e não ficar discutindo com ele, que não mudaria nada. Ele estava certo.

Então, decidi que iria frequentar as aulas, até porque não poderia trocar de matéria mesmo. Mas ainda não me sentia preparada para voltar a tocar. Edward... Novamente o nome dele veio a minha mente do nada, isso aconteceu várias vezes ontem. Era eu parar de fazer alguma coisa e minha mente trazia o nome dele e por consequência eu estremecia. Eu precisava dar um jeito de parar com isso, afinal de contas não tinha nada com Edward e teria que me acostumar não só com o nome dele, mas com sua presença também, pois teria aula de música pelo menos duas vezes por semana.

Meu pai me deixou na escola novamente. Hoje os olhares diminuíram um pouco, acho que não sou mais novidade. Ainda bem. Faltavam ainda uns vinte minutos para a aula começar, mas para evitar me perder já fui me dirigindo para a sala de aula. Ao passar pelo mini-auditório, ouvi uma melodia desconhecida sendo tocada ao piano. Movida pela curiosidade e vendo a porta entreaberta, entrei silenciosamente pela porta lateral da sala.

Edward estava sentado ao piano, tocando uma música que eu não conhecia. Era uma melodia linda, mas muito triste. Ver Edward tocando era algo que eu não estava preparada! Era lindo demais, ele passava seus grandes dedos pelas teclas com força, mas fazia parecer o mais suave possível. Conforme a força que colocava nos pedais do piano, seu corpo ia para frente e para trás e seu cabelo desgrenhado se movia junto com ele.

Meu Deus! Eu estava hipnotizada enquanto via e ouvia ele tocar. Aquela música estava tocando no fundo do meu coração. Era triste, tinha uma melodia linda, que parecia mexer com todos os poros do meu corpo e da minha alma. Instintivamente, pensei na minha mãe. Edward parou de repente de tocar e pegou o lápis para escrever algo na partitura. Foi então que eu entendi, ele estava compondo a música... Sem perceber eu comecei a aplaudir a parte que ele tinha tocado. Ele virou-se imediatamente para o som das palmas e seus olhos encontraram os meus. Estremeci. Os olhos verdes estavam intensos com um sentimento, parecia de dor? Minha respiração ficou suspensa e as palavras saíram automaticamente da minha boca...

- É a música mais linda que já ouvi professor Cullen.

Mantive a conexão dos nossos olhos e então percebi que os dele estavam marejados. Senti uma coisa estranha no peito em ver que aquela música, apesar tão linda, o deixava triste. Foi como se uma força me puxasse para cima do palco e quando vi estava ao lado dele, me sentei ao seu lado na banqueta, seu cheiro único de homem me inebriou por alguns segundos e fechei os olhos respirando fundo. Ele continuou em silêncio. Envergonhada com a minha atitude de sentar ao seu lado sem ser convidada, quando abri novamente os olhos, olhei diretamente para a partitura que estava apoiada no piano. O título da música era: “Para Você” e Edward Cullen. Para quebrar o silêncio perguntei:

- Você escreveu essa música? – Voltei então meu olhar para aquele mar de esmeraldas e pude ver novamente a minha dor refletida nos olhos dele. Será que ele também sofria por ter perdido alguém? Sem desconectar o nosso olhar ele finalmente me respondeu.

- Sim, na verdade ainda estou escrevendo, sempre paro nessa parte. Não consigo encontrar a continuação correta para ela... – Sua voz saiu num sussurro, mas mesmo sim rouca e sexy, me fazendo estremecer, o que não passou despercebido por ele. – Está com frio?

Fiquei um pimentão de vermelha e balancei a cabeça fazendo que não. Com o movimento alguns fios de cabelo caíram no meu rosto. No que me pareceu um reflexo, Edward se aproximou mais e sua mão capturou os fios e colocou de volta atrás da minha orelha. O seu toque despertou novamente um monte de sensações diferentes no meu corpo e eu já estava com calor. Baixei minha cabeça para evitar seus olhos, mas Edward colocou a mão no meu queixo, puxando-o para cima, fazendo com que eu o encarasse de novo. Parecia que nossos corpos estavam trocando energia, fazendo que nos aproximássemos ainda mais. Estávamos muito perto, eu podia sentir seu hálito doce e quente no meu rosto, me hipnotizando. Ainda com a mão em meu queixo, Edward fez um carinho em uma bochecha com o dedão. Arfei, meu coração batia muito rápido e minha respiração estava entrecortada, entreabri os lábios para tentar normalizar minha respiração e fechei os olhos. Senti Edward se aproximar ainda mais, estávamos quase colados, senti sua respiração se acelerar também. Ele sussurrou bem próximo ao meu rosto:

- O que é isso? Esse poder...

Abri meus olhos surpresa, com intenção de perguntar do que ele estava falando, mas parei quando vi em seus olhos algo diferente, parecia desejo? Ele foi aproximando seu rosto e fechou os olhos quando seus lábios estavam quase colados ao meu. Eu não conseguia me mexer. Meu coração parecia que ia explodir. OMG ele ia me beijar?

Notas finais
Feliz Páscoa a todos.
Obrigada pelos comentários! Espero que estejam mesmo gostando!
Até a segunda-feira da próxima semana!
Bjo!