Notas iniciais
Olá meninas, mais um capítulo para vocês.
Espero que estejam gostando, estou me esforçando ao máximo.
Vou procurar postar todas as segundas-feiras um capítulo novo.
Bjo e aproveitem a leitura.

Bella POV

Terminei meu banho e me arrumei em tempo recorde. Claro que isso devia eu fato de apenas ter vestido uma roupa qualquer e penteado rapidamente meus cabelos, nem ao menos passei maquiagem ou qualquer coisa do tipo. Não me sentia bonita e por consequência não queria tentar parecer bonita.

Desci correndo as escadas e encontrei meu pai me esperando

- Vamos Bella, estamos atrasados!

- Calma pai, eu nem tomei café ainda... – Eu estava tentado adiar o fato de ter que ficar ao redor de outras pessoas o máximo possível, porque uma coisa era fingir que estava bem somente para Charlie, outra coisa era fingir para um monte de gente que nem conheço.

- Não vai dar tempo Bells, se tomar café vai perder o primeiro horário! – Charlie já saiu me puxando porta a fora e abrindo a porta da viatura. Sim, eu iria para escola na única viatura policial da cidade!!

A ida até a escola foi silenciosa. Podia sentir os olhos do Charlie em mim, mas como eu fiquei o tempo todo olhando para fora da janela, ele não puxou assunto. Rapidamente chegamos ao nosso destino e percebi quando todos os olhares se voltaram para o nosso carro. Claro, eu devia ser a novidade da escola. Suspirei fundo e quando estava pronta para sair do carro, Charlie resolveu falar:

- Quer que eu entre com você? – Percebi o tom preocupado de sua voz

- Não pai, fica tranquilo, está tudo bem – Como sempre dei um sorriso forçado e beijei sua bochecha.

- Filha, você não me engana, sei que não está tudo bem, que você ainda esta muito triste, mas as coisas vão melhorar... eu prometo... – Fiquei encarando Charlie sem saber o que falar, eu pensei que estava o enganando direitinho.

- Eu... eu tenho que ir, não posso me atrasar. – Saí do carro antes que as lágrimas traiçoeiras denunciassem o quanto certo ele estava.

Mas antes que eu pudesse sair correndo meu pai abriu o vidro e me chamou:

- Bells, esqueceu o seu horário. – Charlie estendeu o papel para eu pegar pela janela.

- Obrigado pai!

Peguei o papel rapidamente e caminhei para a entrada do colégio. Caminhei de cabeça baixa, olhando para o chão evitando assim que algum curioso viesse falar comigo. Como estava atrasada nem olhei a matéria que teria no 1º período, somente a sala: um Mini-Auditório. Que estranho, que matéria que seria em um mini- auditório? Como não queria ajuda de ninguém, demorei um pouquinho para achar a sala. Assim que adentrei o local percebi que devia ter lido o papel.

O mini-auditório estava cheio de gente e cheia de instrumentos musicais em cima do palco. A primeira coisa que notei foi o grande piano de cauda no canto direito do palco. Peguei meu papel não acreditando que meu pai havia feito aquilo comigo. Abri o papel e verifiquei o que eu mais temia, eu estava matriculada na “Música Instrumental Avançada I”. Eu ia matar Charlie. Que droga! Será que ele não entende que não quero mais nada que tenha haver com música???

Ele ia ver quando eu chegasse em casa! Confesso que fiquei surpresa que Forks tenha programa de Música, ainda mais música instrumental avançada... De qualquer forma eu não iria ficar ali mais nenhum minuto, iria direto na secretaria trocar o meu horário. Quando me virei para sair do auditório, acabei esbarrando em uma pessoa.

- Me desculpa! Foi sem querer! – Pedi e comecei a ajudar a juntar o que estava no chão, pareciam partes de uma flauta transversal.

- Não foi nada! Não precisa se preocupar... – Levantei meu olhar para entregar o que tinha recolhido e dei de cara com uma garota pequena, com cabelos curtos espetados e um sorriso contagiante. Pela primeira vez em meses me senti com vontade de retribuir um sorriso. Sorri e entreguei o material para ela que continuou falando...

- Oi, eu sou Alice. – Sorriu novamente. – Você é Isabella, certo?

- Sim, mas só Bella. Como sabe meu nome?

- Hum... todos aqui na cidade sabem da sua história...eu...eu...sinto muito. – Ela me olhou como se entendesse toda a minha dor, como se verdadeiramente sentisse muito, mas como poderia? Ela nem me conhecia... E eu não queria ser lembrada na escola por isso, muito menos ficar ouvindo um monte de “sinto muito” de um monte de gente que na verdade não sentia nada a não ser pena.

- Não tudo bem, já estou melhor. – Forcei meu melhor sorriso. – Tenho que ir, meu pai me matriculou na aula errada.

- Não vai ficar? Pelo que soube é uma excelente pianista e temos nesta aula um excelente professor. – Alice me olhou com olhos pidões, mas nada seria suficiente para me convencer a ficar naquela aula.

- Eu não toco mais piano. – Falei duramete e olhei para a porta lateral do auditório onde estava entrando o professor. – Tenho realmente que ir. Antes que eu pudesse chegar a porta, ouvi a voz do professor:

- Bom dia turma! Sejam bem vindos a Música Instrumental Avançada I.

Fiquei paralisada ao ouvir a voz dele, era uma voz diferente, era musical, rouca, sexy, única. Virei-me lentamente para o som da voz e me deparei com um homem lindo, posso ousar dizer o mais lindo que já tinha visto até então. Alto, forte, musculoso, dando para ver, por cima da malha fina que ele usava, os contornos definidos do peitoral, um cabelo cor de bronze bagunçado num penteado totalmente sexy. Continuei parada no lugar enquanto minha mente processava tudo aquilo de homem com um grande “UAU”. Tinha um rosto que parecia o de um anjo. Como estava um pouco longe não consegui enxergar os olhos. Subiu no palco sem olhar diretamente para ninguém e quando chegou no centro do palco continuou falando:

– Sou o seu professor, o Sr. Cullen. Gostaria que todos subissem aqui no palco e se aproximassem do instrumento que pretendem tocar na nossa aula para que possamos verificar o nível em que verdadeiramente estão.

Minha mente dizia “saia daí Isabella”, “vá embora”, mas minhas pernas continuavam paralisadas. Foi então que o professor levantou os olhos e olhou diretamente para mim. Quando os nossos olhos se encontraram, mesmo de longe, meu coração deu um grande solavanco, minha boca secou e mordi meus lábios como sempre fazia quando ficava nervosa. Foi como se o tempo parasse, ele ficou olhando para mim por longos segundos e parecia paralisado também, como se estivesse me analisando apenas com o olhar, parecíamos conectados por algo, como se estivéssemos somente nos dois ali. Ruborizei imediatamente o que mesmo com a distância que estávamos ele pareceu ter notado, visto que seu rosto formou o sorriso torto mais lindo que já vi.

- Ei, você que está aí mais afastada, junte-se a nós. Qual o instrumento você toca?

Seus olhos deslizaram rapidamente pelo meu corpo e ele voltou a me encarar enquanto aguardava uma resposta, mas eu não conseguia falar. Não sei o que estava acontecendo, esse tipo de coisa não acontecia comigo. Claro, eu sentia atração pelos meninos e já tinha até dado alguns beijos, mas como não queria que nada atrapalhasse meu ex-brilhante futuro como pianista, nunca quis nenhum tipo de relacionamento. E como não fazia o tipo sexy e atirada, não chamava muita atenção também. Mas agora estava experimentando um turbilhão de sensações novas, parecia que um calor subia por todo o meu corpo em ondas e se concentrava no meu baixo ventre.

- Ela vai tocar piano, Edward. – Alice falou vindo para meu lado me levando para cima do palco.

- Aqui é Sr. Cullen, Alice. Tenha Respeito – Edward falou olhando seriamente para Alice, que deu uma risadinha subindo as escadas do palco comigo a tiracolo.

- Claro maninho, desculpe, mas é que você não é tão velho para ser Sr. Cullen – Olhei para a Alice e então para a Edward e percebi as semelhanças, além do fato de que ambos eram lindos. – Esta é Isabella Swan, mas ela prefere ser chamada de Bella. Bella este é o Sr. Cullen, nosso querido professor. – Me obriguei a sorrir com a forma que ela falou Sr. Cullen, totalmente formal, como se ele fosse a pessoa mais importante do mundo. Ele bufou e revirou os olhos para Alice e em seguida olhou para mim.

- Prazer Bella, sou o professor Cullen.

Olhou em meus olhos e me estendeu a mão. Fiquei paralisada novamente, pude sentir seu cheiro singular, de homem sexy e sedutor e novamente um calor se apossou do meu corpo. Minha mente gritou de novo: “Pare Izabella. Este é um homem feito, é mais velho e com toda a sua beleza deve ter compromisso com alguém. Pare de sentir essas coisas”. Mas, ao retribuir o seu olhar meu coração de gelo pareceu se aquecer. Agora que conseguia ver a cor dos olhos dele, que pareciam um mar verde de esmeraldas, não conseguia desviar deles. O que mais me chamou a atenção é que os olhos dele bem ao fundo pareciam de uma tristeza imensurável, parecia que eu me olhava refletida no espelho. Ele sustentou meu olhar como se olhasse minha alma... Alice, procurando me tirar da letargia que eu me encontrava me deu um suave cutucão.

- Oi professor Cullen. – Falei timidamente e me mexi estendendo a mão para ele também. Quando nossas mãos se tocaram foi como se o calor que estava sentindo no meu corpo fosse diretamente para o meu coração, que bateu mais acelerado ainda e em seguida uma descarga elétrica pareceu passar entre nós, minha respiração ficou descompassada e por reflexo puxei rapidamente minha mão de volta. Não sei se ele sentiu o mesmo que eu, mas ficou olhando para a própria mão como se buscasse entender o que tinha acontecido. Quebrou a conexão do nosso olhar, pigarreou e voltou a falar com a turma novamente.

- Bom... Vamos começar então buscando entender a escolha de instrumento de cada um. Aproximem-se e explorem livremente o instrumento de sua escolha.

Alice me empurrou para próximo do piano e foi para o local onde estavam as demais pessoas que tocavam flauta transversal. Curiosamente eu fiquei sozinha no piano e fiquei pensando porque ninguém mais sabia tocar um instrumento tão bonito quanto este. Fiquei tentando entender porque simplesmente não ia embora daquele lugar, mas parecia que estava presa ali. Perdida em meus próprios pensamentos comecei a passar a mão na parte de cima do piano, tinha meses desde a última vez que eu tinha chegado tão próximo a um, e lembranças de momentos felizes com minha mãe vieram diretamente na minha mente. Meus olhos marejaram e os fechei tentando me concentrar nos momentos felizes, para que eles não fossem embora e eu pudesse fingir, pelo menos por um instante, que nada tinha acontecido. Senti aquele cheiro de homem inconfundível, um breve movimento atrás de mim e ouvi uma voz rouca e sexy em meu ouvido:

- Porque não se senta e toca para nós? – Edward falou tão próximo do meu ouvido que estremeci involuntariamente, meu coração bateu muito rápido e minha respiração ficou suspensa. Eu ia realmente tocar piano de novo? Que tipo de poder esse homem, que conheci a meros cinco minutos, tinha sobre mim? Antes que pudesse tentar responder essas perguntas ele pegou minha mão com delicadeza me pedindo para sentar em um convite mudo. Quando nossas mãos se tocaram, novamente fui tomada por uma enxurrada de sensações. Não ousei abrir os olhos e me sentei na banqueta e assim que coloquei os dedos nas teclas, imagens do dia do acidente inundaram minha mente.

Sem minha permissão lágrimas desceram vertiginosamente pelo meu rosto e abri meu olhos encontrando Edward me olhando interrogativamente, parecendo preocupado. Levantei-me rápido pegando minha mochila e saí correndo do mini-auditório, sem olhar para ver se alguém vinha atrás. Corri o mais rápido que pude procurando um lugar para me esconder e tentar me recompor. Não podia chorar agora. Não era hora, mas doía tanto... Como não conhecia toda a escola, fiquei feliz quando encontrei um lugar para me esconder, o armário do almoxarifado. Entrei e tranquei a porta. Deslizei pela porta chorando e quando sentei no chão abracei minhas pernas e deixei as lembranças tão doídas daquele dia fatídico me assolassem. Eu tinha vontade de gritar, arrancar os meus cabelos, qualquer coisa que me fizesse sofrer. Eu merecia sofrer, porque a culpa era toda minha.

Notas finais
Gostaram??? Até a próxima segunda!
Obrigada a quem comentou!!