O Som Da Minha Dor.
2 Toque de harmonia.
Notas iniciais
~~~~ NO CAPÍTULO ANTERIOR ~~~~
Estava a mais ou menos uns 200 metros de mim. Tinha o corpo tatuado. Um monge? Pelo que me pareceu àquele momento, ele estava meditando, sentado de costas para mim, sobre uma pedra no meio do lago. Não quis atrapalhar e pensei em seguir por outro caminho. Dei um passo para trás, mas pisei em algumas folhas secas, e no mesmo instante ele se levantou, suave como o vento, e se pôs em posição de guarda; fiquei imóvel, com os olhos arregalados.
- Diga seu nome, estranho.
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Ótimo, ele havia pedido a única coisa que eu não poderia fazer. Ótimo! Fiquei ali, para por alguns segundos que me pareceram uma eternidade. Nesse momento pude realmente reparar nele. O maxilar marcado, a pele morena, a bandana cobrindo os olhos. Cego. Ele era cego. Respirei fundo. A trança grossa de cabelo no alto de sua cabeça. Eu perdi o fôlego. Ele era realmente bonito.
– Rápido, diga seu nome. Não vai mesmo querer que eu vá até aí.
A voz grave dele me fez arrepiar. Eu REALMENTE não queria que ele viesse até mim, mas não havia como me identificar. Foi então que tive uma ideia. Rapidamente desatei os nós que prendiam meu Etwahl, me sentei no chão, enquanto o monge continuava atento a cada som que era emitido. Essa seria minha saída. Os sons.
– Ok, foi você quem pediu por isso.
Respirei fundo e comecei a tocar algumas notas. Uma composição antiga. Ele, antes que havia começado a avançar em minha direção, agora estava paralisado. Eu continuava tocando, enquanto o observava.
– O que é isso? Q-Quem é você? Por que não me responde?
Toquei algumas notas mais tristes, ele se aproximou, guiado pelo som.
– Você é algum tipo de anjo?
Eu sorri. Eu jamais seria um anjo. Anjos provavelmente possuíam lindas vozes. Eram perfeitos. Eu estava longe da perfeição. Me pus de pé, deixando meu Etwahl pairando à minha frente, como geralmente ficava. Estendi a mão, devagar, até o rosto dele, e o toquei com as pontas dos dedos.
– Eu me chamo Sona — Sorri, embora soubesse que ele não poderia ver.
– Porque não me respondeu antes? Porque eu te ouço.. dentro de mim?
– Não lhe parece simples? Você não vê, — movi meus dedos, suavemente por cima da bandana que cobria seus olhos — eu não falo.
– Eu estava certo...
– Certo? — Fiquei confusa.
– Você é um anjo. — Ele sorriu. Eu corei. De certa forma, eu gostava de não ser vista quando estava vermelha.
Ele, levou as mãos até meu rosto, passou a ponta dos dedos calejados — mas que por algum motivo, não machucaram minha pele, e sim me pareciam como seda, me deixando ainda mais vermelha — por todo meu rosto.
– Você é linda — Eu ri baixinho.
– Tenho de ir embora, — Suspirei — teremos uma batalha difícil hoje.
Tirei a mão de seu rosto, e me virei, pronta para ir embora, quando ele segurou minha mão. Olhei novamente para ele.
– Eu lutarei ao seu lado. Nem que seja a última coisa que eu faça.
Meu coração acelerou, minha respiração se atrapalhou. Eu não sabia o que dizer. Ou no meu caso, pensar. A calma que exalava dele, era sobrenatural, se minha aura se misturasse à dele.
– Eu vou te esperar — segurei sua mão mais forte. Logo depois a soltei e segui de volta para o vilarejo. Eu podia sentir toda a atenção dele focada em mim. Segui a diante. Talvez eu não deveria, mas toda minha alma me pedia para acreditar nele. Amor a primeira vista? No nosso caso, ao primeiro acorde.
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