O Soldado e a Sentinela - Guerra Infinita
2 Reencontrando Velhos Amigos
Notas iniciais

Um pouco antes da aterrisagem, Aria serviu a comida que havia trazido para todos os tripulantes do quinjet, aproveitando para tirar um tempo para alimentar a pequena Bex. Depois, ela e Bucky vestiram os novos uniformes, por cortesia do Reino de Wakanda. Pouco tempo depois de Bucky voltar para casa, Aria lhe mostrou as armas e os trajes que havia ganhado enquanto morava no país africano. A própria Shuri projetou os novos uniformes.
— Ela disse que preferia que nós nunca precisássemos usá-los. Mas, em caso de uma emergência como essa, era melhor nós ficarmos com eles. — Aria disse, se lembrando da princesa wakandiana.
~~
Aria estava no sexto mês de gravidez, e já estava apresentando uma barriga considerável. E iria ficar pior nos próximos meses. Pela primeira vez em muito tempo, ela deixava o laboratório. Havia sido convidada ao palácio de T’Challa por Shuri, sua irmã mais nova, princesa de Wakanda e cientista no comando do caso da recuperação da mente de Bucky.
Normalmente, ela não gostava muito de sair do laboratório. Mesmo com T’Challa tendo dado ordem de proteção e segurança absoluta a ela, ainda sim, ela sentia que alguns habitantes a olhassem torto em algumas situações. Não podia culpá-los, afinal ela era uma fugitiva refugiada no país deles, oferecendo sério risco a Nação, caso fosse encontrada.
Era um pouco impossível imaginar que ela seria encontrada dentro de Wakanda. Era um país altamente desenvolvido, com tecnologia ultra moderna, que conseguia até se esconder do resto do mundo, através de hologramas ilusórios que davam a entender que o país não existia realmente. Mesmo assim, não conseguia impedir o julgamento de terceiros.
Um exemplo de alguém que realmente não simpatizava com ela era Okoye, líder das Dora Milaje. A primeira vez que as duas se viram foi tão tensa que T’Challa quase foi obrigado a impedir uma briga. Aria teve certeza que Okoye não lhe deu umas bofetadas só porque estava grávida.
Mas a vida era assim mesmo, dificilmente as mulheres gostavam de Aria de primeira. Bastava lembrar do histórico com Natasha e Wanda para ter certeza. Alguma hora a birra de Okoye iria terminar. Pois bem, a única exceção para essa regra era Shuri. A princesa se deu bem com Aria desde a primeira vez que se encontraram, e Shuri demonstrou ser tão palhaça quanto Aria era com os amigos mais íntimos.
Pois bem, a Sentinela havia acabado de chegar ao palácio e estava a caminho do laboratório particular de Shuri. Ela ainda não estava acostumada com tantas parafernálias modernas e tecnológicas ao redor dela. Tudo bem que passara grande parte da vida trabalhando com apetrechos avançados, mas comparar a tecnologia da HIDRA com a tecnologia de Wakanda era quase uma heresia. Ao chegar, foi recebida de braços abertos pela cientista.
— Aria! Finalmente, achei que alguém tinha te interceptado no caminho! — Shuri disse, cumprimentando-a com o gesto típico wakandiano.
— Não, ainda não tive a sorte de esbarrar com a Okoye hoje. — Aria respondeu, sarcasticamente, causando risadas na outra. — Então, você meio que “exigiu” que eu viesse para o palácio imediatamente, eu estou curiosa. É algum avanço no caso do meu marido?
— Também, ainda estou dando um jeito de dar um “reset” na mente dele. Mas, enquanto isso, eu trabalhei em um projetinho secreto que pode ajudar vocês dois no futuro. — Shuri respondeu, segurando no braço da Sentinela, fazendo-a acompanhá-la pelo laboratório.
— Shuri, o que você está fazendo por nós dois já é muito, eu nem sei como agradecer. Não se dê o trabalho de fazer ainda mais. — Aria respondeu, modesta. Ela já estava recebendo muita ajuda do reino, e se sentia insegura por achar que estava abusando da hospitalidade.
— Deixe de besteira! Tenho sorte de ter vocês dois aqui comigo. Se vocês não estivessem aqui, eu só iria poder testar essas coisas com o meu irmão, e uma hora eu iria enjoar dele. — Shuri respondeu, mostrando a língua em uma expressão de nojo, em sinal de brincadeira.
Aria não pode deixar de rir. Esse período que estava passando em Wakanda era difícil, com ela sendo uma refugiada, seu marido estando congelado, isso sem nem contar com a garotinha que chegaria em cerca de três meses. E Shuri era uma companhia muito confortante, desde que Natasha e Wanda não puderam mais estar com ela.
A princesa a levou até os fundos do laboratório, fazendo com que ela parasse em frente a dois manequins vestidos com dois trajes diferentes. Um era um traje masculino. Aria o achou particularmente familiar. Após pensar um pouco, o achou parecido com um dos trajes que ela viu na exposição do Capitão América no Smithsonian. Precisamente, um dos trajes no estande do Comando Selvagem. O traje que um dia fora usado por Bucky.
O outro era feminino. E particularmente belíssimo. Era uma versão aprimorada de seu antigo traje da Sentinela Vermelha. Dessa vez, cobria o corpo todo, ao contrário do cropped que deixava seus braços e barriga expostos. Era todo vermelho e preto, e parecia ser feito de um material muito resistente. Contudo, havia uma coisa diferente. O uniforme tinha um certo aspecto aviário, porém, sem asas. Aria estranhou tal fato.
— Fiquei inspirada depois de ter visto umas crianças conversando perto de nós quando estávamos em cima de um dos monumentos, outro dia. — Shuri explicou. — Estavam falando na nossa língua nativa. Te chamavam de Águia de Fogo.
Aria se lembrava daquele dia. Também se lembrava de como se sentia satisfeita ao sentir o sol e o vento em seu rosto, lá de cima. Era quase a mesma sensação de liberdade.
— Sabe, na nossa cultura, a Águia é um animal que simboliza força, coragem, fé e nobreza. Você demonstra tudo isso, eu vejo todos os dias o quanto você é determinada a salvar o Sargento Barnes. É um totem muito poderoso. — Shuri continuou. — Aria, talvez... bem, talvez seja a hora de deixar a Sentinela para trás.
Aria a encarou. Shuri estava certa. A Sentinela Vermelha foi uma arma criada pela HIDRA, com o único objetivo de trazer caos para o mundo, e ela ainda usava aquele manto, mesmo após se livrar do controle da organização nazista. Era hora de enterrar aquilo, junto com todas as lembranças ruins do passado.
— Bem... acho que vou entrar para o Animal Planet de vez. — Aria brincou. — As crianças acertaram em uma coisa, pelo menos. O fogo é vermelho. E vermelho sempre vai ser a minha cor.
~~
— Águia de Fogo? — Bucky perguntou. Apesar de saber dos trajes e das armas, ele nunca ouviu sobre os codinomes. Aria simplesmente achou que não seria relevante contar, já que eles não estariam em uma missão tão cedo. Achou errado. — É meio exótico. Eu gostei.
— Você também não escapou do Animal Planet, querido. — Aria respondeu. — Shuri disse que depois que eu parti, as crianças também viram você, não me pergunte como. Passaram o dia todo te chamando de Lobo Branco.
— Mas o que é isso? Agora estamos deixando crianças escolherem nossos novos codinomes? – Bucky perguntou. Após um curto período de silêncio, ele retomou a fala. — São melhores do que os anteriores.
Aria sorriu de lábios, entusiasmada. Desde que Bucky voltou, seu senso de humor estava crescendo a cada dia. Ela amava isso. Significava que as cicatrizes deixadas pela HIDRA não eram fortes o bastante para destruir suas vidas de vez.
Ao se juntarem ao resto da equipe, encontraram Wanda segurando Bex no colo, ao lado de Visão. O androide parecia mais calmo, quase como se não estivesse sentindo dor, enquanto Wanda brincava com a garotinha, utilizando seus poderes para distraí-la. Visão olhava a cena com concentração, porém, ao mesmo tempo, distante. Será que estaria imaginando um futuro ao lado da Feiticeira? Será que queria ter filhos com ela?
— Ela está dando trabalho? — Aria perguntou, se aproximando de Wanda.
— Rebecca é muito boazinha. Ela parece gostar da minha magia. — Wanda respondeu, percebendo que Bex parecia determinada em segurar os dedos dela, tentando “pegar” os poderes.
— É, boazinha até você entrar no banheiro e ela abrir a porta a cada dois segundos... e coitado seja quem trancar a porta. — Aria respondeu, sarcasticamente, enquanto Wanda lhe devolvia Bex. — Os berros são tão altos que podem deixar uma população inteira surda...
— Deixe-a passar uma noite com a Tia Natasha que isso se resolve em um instantinho. — Natasha respondeu, se aproximando.
— Pelo amor de Deus... se eu deixar a minha filha com você por uma noite, no outro dia ela vai voltar sabendo duzentos golpes de karatê e falando russo fluentemente. — Aria respondeu, com seu típico olhar arregalado. Contudo, um sorriso se formou em seus lábios logo em seguida. — Acho que não seria uma má ideia...
— Tem certeza? Ela já está assim agora, se começar a treinar... — Bucky respondeu. Realmente, o senso de humor dele estava melhorando muito nos últimos meses.
— Exatamente. Não sabemos, ela pode acabar se tornando o Zezé dos Incríveis. Eu não duvidaria. — Aria respondeu, colocando Bex de pé no chão. — Acabei de me lembrar que tem alguém dentro desse quinjet que eu ainda não perturbei. Vamos, Bex?
Bex já sabia falar algumas palavras, como “mama”, “papa”, “sim”, “não” e “mais”. Mas não sabia formar frases completas e falar outras palavras de forma correta. Basicamente, ela ainda estava evoluindo da fase “gugu dadá” dos bebês. Ao menos, já sabia andar. E estava andando, segurando a mão de Aria, até a cabine do piloto.
— Oi, passarinho. — Aria cumprimentou Sam enquanto ele ainda estava pilotando. O Falcão deu uma boa olhada nela, como se não a visse há muito tempo.
— Ainda não tô acreditando que vocês dois toparam entrar nessa... — Sam respondeu. — Não sei se eu teria vindo, no lugar de vocês.
— Fizemos uma promessa. Lá no laboratório de Wakanda, lembra? Nunca iremos deixar nossos amigos na mão. — Aria respondeu, voltando a pegar Bex no colo. — Ela não ia gostar de saber que os pais dela amarelaram...
— Essa é...? — Sam foi interrompido.
— Rebecca Stella Barnes. Nós a chamamos de Bex para encurtar. — Aria respondeu. — Ela queria conhecer o Tio Sam... e saber como ele tem passado.
— Sou um foragido das Nações Unidas, não posso passar mais de doze minutos nos Estados Unidos sem ser visto e minha namorada pediu para darmos um tempo. — Sam respondeu, em um tom sarcástico. — Fora isso, tudo está bem.
— É só um período ruim, vai melhorar. — Aria respondeu, colocando uma mão em seu ombro, em um gesto amigável. — Sei que estar no meio de três casais não ajuda muito. Mas posso dizer que se a Sharon realmente te ama, uma hora ela irá voltar. Ou, quem sabe, você não vai encontrar sua alma gêmea em Wakanda?
— É, isso se sobrevivermos a toda essa história de Thanos e as Joias do Infinito. — Sam respondeu, fazendo com que Aria soltasse uma risada sarcástica. Por fim, os dois se encararam com uma expressão de “isso vai dar ruim, e você sabe”.
— Veja pelo lado bom. Não teremos mais que aguentar as cantadas ruins do Steve. — Aria respondeu. Foi a primeira vez que ela ouviu Sam gargalhar em muito tempo.
— Eu já tinha esquecido dessa piada! Nossa, como eu senti sua falta, parceirinha. — Sam respondeu, se recuperando do ataque de risadas.
— Também senti falta de vocês. — Aria respondeu. — Vamos, Sam. O mundo está acabando mesmo, é melhor rir da desgraça do que chorar. Já choramos demais. Todos nós.
— Nisso você tem razão. — Sam respondeu, começando a descer o nível do quinjet. — Estamos chegando, é melhor você ir lá para trás e colocar um cinto de segurança. Na Bex também.
Aria assentiu e deixou a cabine. Voltando para a parte dos assentos, ela viu de relance, Bucky conversando com Bruce. O assunto parecia ser sério, pois ambos estavam concentrados. Ela também ficou surpresa, geralmente Bucky era um pouco antissocial, não gostava muito de bater papo com os colegas de equipe. Era mais um dos sinais que demonstravam que ele havia melhorado. Ela o deixou conversar e foi se sentar em outro lugar. Teve que se sentar sozinha, pois não queria segurar vela nem para Natasha e Steve, nem para Wanda e Visão.
*~*
Wakanda estava do jeito que todos se lembravam. Ao mesmo tempo selvagem e tecnologicamente avançada. Ainda era um lugar lindo e agradável de se viver. E era ainda mais lindo à noite. Aria não teria ido embora se não fosse pelo ataque sofrido por T’Challa, há cerca de um ano, que colocou todo o país em risco. O Pantera não quis arriscar que acontecesse outra vez e a mandou para a Escócia, escondida, sob proteção do Reino.
Claro, como ela estava completamente grávida na época, T’Challa teve que mentir para a própria segurança dela. Ele havia dito que um laranja aleatório de uma tribo tinha se rebelado contra o governo dele, mas na verdade, o poço era mais fundo. O Rei omitiu a história completa para Aria não teimar em querer lutar ao lado da nação.
Sam pousou o quinjet na pista de pouso do centro da capital wakandiana. Através de um recado de Steve, T’Challa já estava sabendo que o Time Cap estava a caminho e tomou a liberdade de ir recebe-los. Contudo, o Pantera não estava sozinho. Alguém havia chegado em Wakanda antes deles. Alguém que tinha certos... assuntos pendentes com o Time Cap.
— Rhodey? O que está fazendo aqui? — Natasha perguntou, percebendo a presença do Máquina de Combate no local. — Achamos que tinha ficado no complexo para resolver os problemas com o Ross.
— O mundo está acabando, dane-se o Ross! Vim para cá o mais rápido possível para ajudar nas defesas. — Rhodey respondeu. — Aqueles caras virão atrás do Visão assim que souberem que ele está aqui.
— Não posso negar ajuda, Capitão. Pelo o que vocês disseram, parece que vamos precisar de toda a ajuda possível. — T’Challa respondeu, cumprimentando todos e os guiando até uma nave menor que os levaria até o palácio.
— Então não vamos perder tempo. — Steve respondeu. — Vamos levar o Visão até a Shuri agora mesmo.
— O que uma garota de dezoito anos pode fazer que eu não posso? Só quero ver... — Bruce resmungou para si mesmo, esperando que ninguém ouvisse. Porém, alguém ouviu.
— Ela é um gênio. Projetou os trajes do T’Challa, o do meu marido e o meu. Além de consertar a mente dele em tempo recorde. — Aria respondeu. — Sem ofensa, mas eu não duvidaria que ela fosse mais inteligente que você e o Lata Amassada juntos.
Aria não disse aquilo por maldade, apenas era verdade. Havia chances enormes de Shuri ser mais inteligente que Bruce e Tony juntos. Bruce nem ligou pela resposta, pois estava prestes a rir com a menção ao “Lata Amassada”.
— Sra. Barnes... eu só queria me desculpar pelo... bem, pelo incidente do aeroporto. — Rhodey se aproximou dela, tentando se desculpar. Era verdade que ele tinha sido um dos que haviam tentado prendê-la e o resto do time, injustamente. Mas no meio do processo, ele quase havia ficado aleijado, então...
— Por mais que aqueles poucos dias na Prisão Balsa tenham sido agradáveis, acho que não é para mim que você deve desculpas... — Aria respondeu, apontando com a cabeça para Bucky.
O Soldado caminhava mais atrás da equipe, com a filha nos braços e uma arma nas costas. Ele olhava para os lados, aproveitando a vista do país africano. Ele gostava dali. Dava para ver que ele gostava. De repente, ela sentiu culpa. Culpa por não estar ali quando ele acordou, por praticamente obrigá-lo a partir... bem, ela precisava ter certeza de uma coisa.
— T’Challa, como estão as coisas por aqui desde o incidente do... como era o nome dele mesmo? Killhorner? — Aria perguntou, se aproximando do Pantera.
— Killmonger. Depois de tudo aquilo, decidimos abrir Wakanda para o resto do mundo, e ajudá-los com nossos recursos. — T’Challa respondeu. — Ainda estamos no meio do processo, por isso continua sendo difícil para qualquer um chegar aqui. Atualmente, os únicos forasteiros que sabem como entrar e sair daqui são vocês e Everett Ross.
— Por isso fez com que eu fosse realocada para a Europa? — Aria perguntou, sentindo aquela pontada de esperança por paz e segurança ser tirada de si. — Porque Wakanda estava chamando muita atenção da ONU e todos os holofotes estavam voltados para cá... o que significa que poderiam descobrir que eu e Bucky estávamos aqui...
— Exatamente. — T’Challa respondeu. — Mas isso naquela época. Agora, as coisas estão voltando aos eixos, uma de cada vez. Temos provas que você e seu marido foram vítimas, ao invés dos monstros que o governo americano insiste em tentar colocar na cabeça do resto do mundo. São provas que podem inocentar vocês dois de vez.
— Eu gostaria muito, mas sabemos a verdade. Por mais que nós dois sejamos perdoados pela ONU, ou qualquer outro órgão mundial, as pessoas ainda irão nos olhar torto. Nossa expectativa de uma vida normal agora é... — Aria também olhou em volta, admirando a paisagem. — Um refúgio como esse, onde possamos viver com nossa filha, em paz.
— Vocês sabem que são bem vindos para voltar quando quiserem, não sabem? — T’Challa perguntou. A equipe já estava se aproximando da outra nave.
— Claro, desde que a Okoye não me mate quando me vir. — Aria respondeu, sarcasticamente. Porém, se arrependeu amargamente de ter dito aquilo quando colocou os olhos nas Dora Milaje que estavam perto da nave. — E falando nela...
— Ela outra vez?! – Okoye perguntou, indignada. Na verdade, seu tom de voz estava mais para “grito” que para outra coisa.
— É bom te ver outra vez também, Okoye! — Aria gritou de volta, provocando a guerreira.
Mais atrás do grupo, Rhodey estava tentando se desculpar com Bucky, o que não estava sendo fácil. O Máquina de Combate sabia da história sobre 16/12/1991, e estava com problemas para se expressar. O Soldado também não parecia muito interessado no que quer que ele estivesse querendo dizer. A pequena Rebecca nos braços dele, que geralmente gostava de conhecer pessoas novas, não estava indo muito com a cara de Rhodey, e estava com a típica expressão carrancuda.
— Então... sei que a situação está complicada, mas... eu só queria dizer que... — Rhodey foi interrompido no meio de sua enrolação.
— Não importa mais. O que fizemos dois anos atrás perdeu a importância no momento em que essas Joias do Infinito passaram a ser uma ameaça para a minha família. — Bucky respondeu, em um tom sério.
— É isso mesmo! Eu pensei a mesma coisa. É bom não guardarmos ressentimento, o que passou já passou. — Rhodey respondeu, se afastando. A situação já estava estranha o suficiente, não precisava piorar.
*~*
O trajeto até o palácio foi quase totalmente silencioso. Todos pareciam tensos um com os outros. Especialmente Aria, que fez questão de sentar o mais longe possível de Okoye. Um pouco difícil, porque a nave não era tão grande quanto o quinjet e por estar cheia de gente.
Alguns minutos depois, havia uma aglomeração de pessoas paradas do lado de fora do laboratório de Shuri. Wanda praticamente teve que “abrir o Mar Vermelho” para conseguir levar Visão para dentro do laboratório. Ela o estava carregando com seus poderes, enquanto T’Challa e Bruce, que também era cientista e um dos criadores de Visão, iam na frente para explicar a situação para Shuri.
— Agora só temos que esperar eles tirarem aquela coisa da testa dele, para que possamos quebrá-la e acabar com isso. — Bucky disse, se aproximando de Aria. Ela o encarou, com uma expressão preocupada.
— Lembra que lá em casa, eu fiz você assistir “O Senhor dos Anéis” dez vezes, porque “Sociedade do Anel” foi o último filme que eu vi antes de ser capturada pela HIDRA? — Aria perguntou. Bucky assentiu, com uma expressão confusa. — Pois então, se lembra do “Retorno do Rei”, na parte da batalha nos portões negros de Mordor? Estou imaginando que nós seremos o círculo dos mocinhos e os Orcs serão o exército que Thanos vai mandar para cá.
— É, e os mocinhos ganharam a batalha, você lembra? Tudo o que precisamos fazer é “destruir o anel”, que nesse caso, é a joia na testa do Visão. — Bucky respondeu. Aria arregalou os olhos, surpresa com a resposta.
— Caramba, você está entendendo mais referências que o Steve! — Aria exclamou, em tom de surpresa.
— É que eu estou sendo obrigado a decorar essas coisas rápido. Você me fez assistir “Grease” vinte e oito vezes, até eu decorar todas as músicas. Não quero passar por outra situação dessas... — Bucky respondeu, sarcasticamente.
— “Grease” é simplesmente o melhor musical já feito! E nunca se sabe, vai que podemos derrotar o vilão com uma dança? — Aria respondeu, usando toda a sua ironia. Os dois não conseguiram segurar as risadas.
Em tempos difíceis, rir de coisas idiotas era o melhor remédio para qualquer coisa. Ele colocou um braço ao redor dela, trazendo-a para mais perto.
— Todas aquelas horas assistindo o mesmo filme podiam ser aproveitadas com outra coisa... — Bucky disse, em um tom baixo, de modo que somente ela pudesse ouvir.
— Podiam... se você quisesse dar um irmãozinho para a Bex. — Aria respondeu, em um tom baixo. De forma provocativa, ela o encarou e sorriu de lábios. — Estou brincando. Mas é verdade, nós estamos precisando de um tempinho. Essa noite, talvez...
— Combinado. — Bucky respondeu.
Tudo o que precisavam fazer era arranjar alguém para tomar conta de Bex durante algumas horas, e torcer muito para a extração da joia dar certo. Torcer mais ainda para Thanos não dar as caras por Wakanda... um pouco difícil, mas a esperança é a última que morre.
Continua
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