O Soldado E Sua Dama
1 One-shot
Notas iniciais
Ele acordou com um salto.
Ofegante.
O coração disparado.
Mas lembrava pouco; um avião, uma promessa, o frio.
E mais importante ele se lembrava dela.
Sim, dela.
Pois a única razão para continuar caminhando era ela.
Imaginou o que teria ocorrido se tivesse sobrevivido, talvez, ela mesma o colocasse para dormir por ter se atrasado.
Ele riu, um privilégio que há muito tempo lhe fora tirado.
Olhou para o lado, um pedaço da cama estava intocado, vazio e frio.
Oh céus, como o frio lhe atormentara!
Dizendo que estava sozinho.
Que ela não ia voltar mais.
Levantou com um salto, amava lembrar dela, mas também odiava lembrar dela, trazia tantas lembranças ruins, tantas lembranças boas, mas o frio o atormentava tanto...
Água fria.
Olhou para o espelhou do banheiro do quartinho onde estava hospedado, havia deixado a barba crescer, emagrecera, estava com olheiras, não conseguia dormir, as malditas lembranças surgiam diante de seus olhos ao mesmo instante em que se fechavam, e, embalado por tal emoção, revivia o tempo que se fora.
Lembrar dela o deixava assim.
Um estrondo.
Um soco na parede.
Por que sempre tinha que lembrar-se de seu sorriso?
Qualquer outro homem, já haveria se embalado na bebida, mas ele sabia, que ela jamais o perdoaria se ficasse assim.
Ela era o seu sol, sempre no centro, e ele um planeta qualquer que a rodeava.
Ás vezes o amor dura, mas em outras ele machuca.
Se vestiu rapidamente, fez a mesma rotina de sempre: desceu até uma cafeteria local, fez alguns “bicos”( ele ainda não tinha achado um serviço ideal, não tinha se acostumado com o século no qual se encontrava, então fazia qualquer coisa que aparecia para poder se sustentar, mas sempre conseguia muito pouco), mas sempre, ao final do dia, gostava de passear em um parque, sentava-se em um banco, à sombra de uma árvore, e observava as pessoas.
Gostava de observa-las, eram engraçadas, algumas passavam e queriam tirar fotos com ele, dizendo que era um herói; como fora brilhante liderando um grupo denominado The Avengers na invasão de N.Y, falavam com tanto entusiasmo, andavam tão despreocupadas, como se não tivessem solidão, como se não sentissem o frio.
Um casal havia passado, era um garoto alto e uma garota com metade de sua altura, ele achou engraçado, mas mesmo assim, ficavam bem juntos. Estavam de mãos dadas, ele podia não estar tocando suas mãos, mas sabia que estavam quentes, porque ele conhecia essa sensação, abraços apertados, nada podia separa-los, corações acelerados.
Olhou para a própria mão, e a tocou; fria
Ninguém o abraçava.
O coração estava sólido, de modo que fazia seu peito doer...
Por que sempre tinha que lembrar-se de seu sorriso?
Um toque em seu ombro, o fez voltar à realidade, era uma moça, seus cabelos castanhos encaracolados brilhavam ao sol, os olhos azuis mostravam alívio ao vê-lo.
-Finalmente o encontrei!- exclamou a moça, falava com tanta intimidade, que as pessoas (e ate ele mesmo), acreditavam que se conheciam de alguma forma.
-Desculpe, mas qu...
-Ah, não! Sei que parece estranho, pois nem nos conhecemos, mas não pude me conter, é que estivesse procurando por tanto tempo...
-Por mim?
-Sim. Steve Rogers, certo?
Ele assentiu confuso.
-E o que quer comigo?- pareceu um pouco rude, mas estava tão cansado, que falou assim mesmo. A moça não se incomodara.
-Falar.
-Sobre o que?
- Peggy Carter.
Seu corpo estremeceu ao ouvir o nome dela.
-Como...?
-Vem comigo.
Parece fútil seguir alguém que mal conhecera, mas era sobre a sua dama que ela estava falando, ele precisava saber, seja lá o que fosse.
Ele a seguiu ate um estacionamento próximo ao lugar onde ele estava hospedado, imaginou que ela tinha ido lá primeiro. Entraram em um carro prata muito bonito, mas ele não entendia qual era, tudo ainda era muito novo para ele.
Enquanto rodavam a cidade, rumo a um destino que só a motorista sabia, ficaram em um longo silencio.
-Meu nome...- — a moça pronunciou-se quebrando o silencio-... É Marie Carter...
Ele a olhou, em seus olhos castanhos ela viu o espanto.
-Peggy Carter é minha mãe...
Sua cabeça estava girando, estava confuso,
Peggy teve uma filha? Isso foi realmente o que ouvira?
Mas não eram parecidas...
Como..?
Por que...?
As perguntas invadiam sua mente, mas ele não conseguia pronuncia-las.
Marie Carter, vendo o que acontecia...
-Não posso responder as suas perguntas, só minha mãe pode fazer isso...- e os olhos azuis cravaram-se nos olho castanhos confusos de um homem- Chegamos...
Com tudo o que estava acontecendo, ele não havia reparado que já haviam se afastado da cidade, onde eles estavam para ele era um mistério, em volta via-se a natureza prevalecendo contra a cidade; o lugar era totalmente vazio, a não ser por um muro extenso, mas ele achou que deveria ser alguma antiga mansão abandonada, a visão seguinte que viu o assombrou.
O coração mais pesado no peito.
Viu sair, daquela mansão antiga, uma senhora de preto, chorando incontrolavelmente.
Aquilo era um cemitério.
Seguiu Marie, andaram bastante, era um lugar bonito, e logo percebera que deveria ser caro, pois os túmulos eram todos decorados de varias pedras diferentes, infelizmente, ele não reconhecia nenhuma.
-Chegamos.
Pararam em frente a um tumulo simples, no entanto, não eram as pedras que o deixaram espantado, era o que estava escrito nela:
“Aqui jaz Peggy Carter, uma heroína
03 de agosto de 2010”
Não conseguia falar, a garganta estava seca, o coração parecia uma pedra.
-Aqui – entregou-lhe uma carta, ele a recebeu com as mãos tremendo – quando mamãe morreu, ela pediu para lhe entregar isso, ela me fez prometer, foi seu ultimo pedido – por um momento ela olhou para o tumulo, e ficou em silencio, em seus olhos azuis ele viu que estava emocionada – eu achei que seria impossível afinal, você não tinha voltado ainda, mas quando vi as noticias sobre N.Y, eu sabia o que tinha que fazer, enfim, eu cumpri minha missão.
“Vou dar um tempo para vocês, estarei esperando lá fora.” Foi o que ela lhe dissera, estava atônito demais. Pegou a carta, abriu-a cuidadosamente. Começou a ler:
Querido Steve,
Já faz muito tempo, não é?!
Sabe, eu realmente te esperei, naquele encontro, mas você se atrasou. Eu sabia que você não estava morto, mas mesmo assim eu chorei tanto, achei que não ia conseguir viver, tudo isso porque você não estava do meu lado, porque eu não ia te ver mais.
Então, eu conheci Brad Mccartney, ele me ajudou a superar o que eu estava passando, então depois de muito tempo entre nos surgiu o amor, namoramos e depois casamos. Ele me fez muito feliz, e me deu três filhos: Sophia, a mais velha, Marie (que, eu acho que você já deve ter conhecido), a caçula tem os olhos do pai dela, e o meu filho do meio, se chama Steve; sim, eu coloquei seu nome nele, porque, desde que ele nasceu eu sabia, que ele seria igual você, que ele seria meu pequeno Steve.
Terminou de ler a carta.
Os olhos pesarosos.
Olhou para o seu tumulo mais uma vez, mas não disse uma palavra, ele sabia que nada podia ser dito, apenas se levantou, e caminhou em a direção à saída.
As ultimas frases as carta ecoando em sua cabeça.
“ Mas por favor, Steve, não se culpe,tudo que aconteceu, foi algo do destino...”
Cada passo parecia deixar um rastro de sentimentos.
“...mas nunca se esqueça...”
Lagrimas escorriam de sua face.
“...de que eu nunca te esqueci...”
Sentiu algumas gotas e água sobre o corpo, e, em questão de minutos, uma chuva forte caia sobre seu corpo; nada mais do que justo, em relação a tal comovente cena.
“... isso é porque...”
Caminhando, ele podia ver sua linda e bela Peggy Carter, correndo a sua frente, e sorrindo, o sorriso mais lindo de todo o mundo, e o desafiando a alcança-la.
“... Eu Te Amo Steve...”
As poucas pessoas que estavam lá, não entendiam a cena, mas podiam afirmar que era como um soldado se despedindo de sua amada dama.
“... eu espero que você seja feliz,assim como eu fui, mas não se esqueça de mim, por favor...”
Já estava em frente ao portal daquele lugar, quando olhou novamente para trás.
O corpo todo molhado,
A respiração ofegante, como se tivesse feito algum esforço, mas seria uma mentira se não dissesse que esquecer um amor não é um grande esforço.
“...contudo,minhas eternas felicidades...”
Ele podia ver sua imagem ao lado do tumulo sorrindo pare ele; porque essa era uma das coisas da qual ele mais lembrava sua pessoa, o sorriso.
— Eu vou te amar para sempre Peggy.
A imagem deu seu ultimo sorriso antes de tremeluzir.
“ Adeus Steve.”
- Adeus Peggy.
Em seu peito, podia sentir seu coração mais leve.
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