O Sol que me aquece
1 Capitulo 1
Notas iniciais
CAPITULO 1
Já fazia uma semana que estava decidida a contar aos meus pais sobre a minha decisão a respeito da dança, não fazia ideia de como seria a reação deles, mas não iria voltar atrás isso eu tinha certeza.
— Você vai mesmo tentar? — Camila, minha melhor amiga, e eu estávamos na cozinha dá minha casa, sentei na mesa de frente para ela e a respondi decidida.
— Vou.
— Não acredito. Calma aí... — Franzi o cenho quando a vi vasculhando sua bolsa.
— O que você tá fazendo? — Sorri ao ver ela se olhando na câmera do celular e se arrumando pra sabe-se lá o que.
— Estou me arrumando. — Falou como se só isso já explicasse tudo, continuei a olhando com cara de interrogação. — A gente vai tirar uma selfie. — Certo, agora eu fiz uma cara tipo, enlouqueceu de vez. — Pra registrar esse momento, dã.
— Eu não vou tirar uma selfie, estou comendo. — Foi como se tivesse falado com a parede. — Não posta isso.
— Postei. — Disse sorrindo olhando pro celular.
— Camila! Eu estou horrível. — Só pra constar eu tinha acabado de acordar, e só tinha feito um coque mal feito. — Apaga.
— Não dá. — Disse prendendo o riso. — Você tá muito fofa, olha. — Eu estava ridícula, tinha acabado de tomar leite e havia ficado com bigode. — A olhei incrédula.
— Eu não acredito que você postou mesmo. Apaga agora. — Corri atrás dela na cozinha, com a faca de manteiga na mão.
— Bom dia meninas. Devo me preocupar com essa cena? — Parei de correr. Ele já estava acostumado com cenas do tipo até porque, Camila e eu nos conhecemos desde crianças somos praticamente irmãs. — Deixa que eu fico com isso. — Disse tirando a faca de minha mão.
— Bom dia tio Dani. — Ela me lançou um olhar tipo, já contou pra ele? Com outro olhar respondi que não. — Tio, olha essa foto, o que acha? — Cerrei os olhos.
— Está fofa.
— Pai! — Isso é um complô. Ela foi embora, enquanto eu sussurrei "apaga" e ela sussurrou de volta "tá fofa". Sorri, ela iria apagar. Camila é minha vizinha desde que eu me entendo por gente, a gente praticamente tem duas casas, na verdade ela passa mais tempo aqui do que eu na dela.
— Bom dia Pai, queria contar algo a vocês. — Falei cutucando as unhas, eu não sabia qual seria a reação deles então...
— Claro, sua mãe já está descendo. — Sentou ao meu lado e começou a se servir.
— O que tem eu?
— Bianca quer nos contar algo.
— Há, claro filha. Pode falar. — Eles sentaram juntos e ficaram me encerrando.
— Eu, hm... Me inscrevi pro concurso de ballet. — Falei de uma vez. Eles se encaram por um segundo e soltaram ao mesmo tempo.
— Você tem certeza?
— Absoluta. — Eles continuaram me encarando sem dizer nada então continuei. — Mãe, Pai eu sei que minha decisão parece meio repentina, mas eu venho pensando e treinando já faz um tempo, acredito que estou pronta.
— Certo, vou marcar uma consulta com o pediatra. — Minha mãe disse já se levantando.
— Eu já marquei, sabia que iriam ficar preocupados então já me adiantei.
— Você já marcou. Ela já marcou. — Repetiu olhando pro meu Pai.
— Mãe, calma eu estou bem. Eu consigo.
— Eu sei que consegue meu amor, mas... — Eu sei bem com o que eles se preocupavam, a um tempo atrás eu sofri um acidente que quase me deixou paralitica da cintura para baixo, o acidente não afetou só a mim, mas também aos meus pais que ficaram sempre ao meu lado. Na época lembro que quase entrei em depressão, a dança é tudo pra mim e eu não soube como reagir com a notícia de que jamais dançaria. Mas o que aconteceu no passado precisa ser deixado no passado, estou cansada de me submeter aos meus medos.
— ..., mas a gente se preocupa, porém te apoiamos. Certo? — Disse meu Pai olhando pra minha mãe dessa vez.
— Certo. – disse meio a contra gosto. — Só me prometa que irá com calma filha, eu sei que gosta de dar o seu melhor em tudo, mas deve ir com calma tudo bem?
— Tudo bem, eu prometo. — Me levantei e os abracei. — Obrigada, amo vocês.
— Também te amamos. — Responderam em uníssono.
Uma semana depois...
Desci a escada aos pulos, literalmente. Meus pais já estavam prontos então eu basicamente tomei meu café e os acompanhei até o carro.
— Iai filha, ansiosa? — Perguntou meu Pai me olhando pelo espelho do carro, parei de arrancar o esmalte das unhas e o encarei em silêncio. — Entendi. Mas ô — Me mostrou os dedos cruzados. — Vai dar tudo certo.
— Assim espero. — Respirei e inspirei, me preparei tanto, tinha que dar certo.
Em alguns minutos eu estaria no palco, por um momento aquilo parecia assustador, os pensamentos contrários lutavam para vim à tona, mas eu precisava ouvir a voz da razão. Iria dar tudo certo.
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