Notas iniciais
Oii, capítulo quentinho saindo. Obs: Estamos chegando aos capítulos finais, então me deixem saber o que estão achando. Como gostariam que tudo acabasse? Quem sabe sua sugestão possa aparecer em algum dos capítulos ;)

... -Ai meu deus, machucou? – Fiz menção de me levantar, mas ele me impediu segurando meu braço, fiquei o encarando esperando que dissesse onde doía, mas ao invés disso me puxou pra si e me beijou...

Eu retribuo o beijo e isso me deixou mais envergonhada do que o beijo em si, me levantei meio a contragosto.

— Desculpa. – O olhei meio irritada, ele não estava se desculpando não né. – O que foi?

— Nada. – Ainda tinha a cara de pau de me perguntar. Me sentei ao piano, se sentou ao meu lado, rindo o descarado.

— Só pra constar, estou me desculpando pela queda e não pelo beijo. – O encarei pra dizer algo, mas ele me deu um selinho. – Quer aprender? – Se referiu ao piano, fiz que sim.

— A não, eu sou péssima, minhas mãos são minúsculas, muito difícil. – Disse após várias tentativas.

— E só prática. – Sorria com meu desespero.

— Já que eu tentei, você devia aprender um pouco de ballet também. – Ele murmurou que não tinha nada a ver, o piano era mais fácil. – Não é nada, vem. – O puxei.

Eu tentei ficar séria, mas ele era muito desengonçado, não conseguiu fazer nenhum dos passos.

— Você vai ficar rindo? – Tentou ficar sério, mas eu sabia que queria rir.

— Me desculpa. – Disse rindo ainda mais quando ele tentou o último. – Tá, esse é fácil, se você me derrubar eu te mato. – Expliquei que ele iria ficar parado e me levantar pela cintura quando eu me lançasse sobre ele, eu só podia estar ficando doida, mas fui. Dei impulso e corri em sua direção, ele me segurou como se fosse papel e me ergueu no ar, sorri. – Agora, me desce devag... Aí seu doido. – Me assustei quando me jogou em seus braços.

—Assim? – Bati em seu peito.

— Que susto. – Desci de seus braços e ia me virando quando ele me puxou e ficou com o rosto próximo ao meu.

— Er... vamos voltar, já está na hora. – Me afastei

— Espera. – O olhei confusa.

— O que foi?

— Você quer saber sobre a Marina? – O olhei surpresa, mas fiz que sim, nós nos sentamos novamente ao piano, ouvia atentamente enquanto ele contava. – Ela era minha ex-namorada, faleceu em um acidente de carro.

—Sinto muito. – Segurei sua mão. Ele concordou e continuou.

— Era um dia de apresentação, ela era melhor amiga da Maya bailarina também, as duas tinham se apresentado e no fim eu insistir que fossemos comemorar. – Ele deslizava os dedos pelas teclas do piano, sem tocá-lo, como se a lembrança estivesse vindo a mente. – No início elas não queriam, mas eu insisti então elas concordaram e fomos, no fim da noite um cara bêbado avançou o sinal. – Já imaginei o resto. – Nosso carro capotou com o impacto, eu sofri arranhões, Maya lesões nos pés e a Marina...- Agora ele fechava as mãos em punhos.

—Tudo bem, não precisa terminar se não quiser.

— Eu quero. – Esperei o tempo dele. – Ela faleceu na hora. – Achei que tinha acabado, mas depois de um tempo continuou. – Não consegui me desculpar...era pra ter sido eu...

— Ei, não diz isso. – Olhei nós seus olhos. – Não a conheci, mas tenho certeza de que se Marina estivesse aqui não iria querer te ouvir dizer isso, ela iria querer te ver vivendo sua vida sem culpa, até porque não foi sua culpa. – Encostei a cabeça em seu ombro. – Foi uma tragédia. – Eu dizia isso pra ele e meio que servia pra mim também, porque por muito tempo culpei o motorista que causou meu acidente, mas hoje vejo que de nada adianta guardar essa mágoa, aconteceu e eu não tenho o poder de mudar.

Se pensar bem, minha história não é tão diferente da de Marina, no dia que aconteceu o acidente meus pais e eu estávamos indo para uma apresentação que era muito importante, lembro que passei dias me preparando. Mas um motorista bêbado colidiu em nosso carro... Infelizmente Marina não sobreviveu, mas eu sim e viver remoendo o que aconteceu não vai mudar nada, eu só tinha que ser grata e viver da melhor forma possível.

— Você parece com ela. – Falou do nada.

— Pareço? – Fez que sim. – Então ela era bem bonita. – Brinquei. Ele sorriu um pouco e me beijou, dessa vez foi um beijo mais calmo, sem pressa.

—A gente precisa mesmo voltar — sussurrei, ele encostou a testa na minha e concordou. Quando saímos ele segurou minha mão, encarei nossas mãos juntas, não sei como vai ser quando voltamos, mas queria que continuasse assim.