O Sol que me aquece
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Desde que Laura tinha me contado sobre a Marina eu não conseguia me aguentar de curiosidade, eu não queria ser intrometida então não tinha perguntado mais nada, mais ainda sim queria saber sobre. Agora estava no quarto, e Maya estava arrumando suas coisas pra próxima aula.
— Maya. – Não custava nada perguntar.
— Sim?
— Posso te fazer uma pergunta? – Ela respondeu que sim, então continuei. – Quem é Marina? – Ela parou de arrumar a mochila pra me encarar.
—Quem te falou dela? – Porque todo mundo falava assim, só me deixava mais curiosa.
— Eu só ouvi. Ela é namorada do seu irmão? – Porque se for, ele estava sendo um idiota por tentar se aproximar de mim.
— Ex. Olha Bianca, eu não quero ser grossa. – Voltou a arrumar sua mochila. — Mas acho que você deve falar com ele sobre isso, eu vou pra aula, a gente se ver depois?
— Tá bem. – Ela saiu me deixando pensativa.
Hoje eu tinha dois períodos livres, resolvi então dar uma volta pela escola, acabei indo parar no jardim. Tentei entrar em contato com a Camila, liguei algumas vezes e nada, sentei-me embaixo de uma árvore, pensando em como ela estava, devia estar muito ocupada, não atendia minhas ligações, muitas coisas passavam pela minha cabeça, mas resolvi não criar história antes dela entrar em contato.
— Esse lugar está ocupado? – Não precisei levantar a cabeça pra saber que era o Gabriel.
— Depende, sobre o que você quer falar. – Ele se sentou ao meu lado.
— Queria me desculpar por ontem. – Suspirei.
— Tudo bem, no fim você não estava de todo errado. – Ele levantou uma sobrancelha. – Que foi? Eu realmente tinha treinado bastante, exagerei.
— Certo, então tá tudo bem?
— Claro, por que não estaria? – Será que eu estaria sendo muito invasiva se perguntasse sobre a tal garota. – Er... Gabriel.
— Humm?
— É que eu soube, que você não tocava piano faz um tempo. – Ele se sentou melhor, como se estivesse incomodado, soltei de uma vez. – E por causa da Marina?
— Quem te falou isso? – Ele definitivamente se incomodou.
— Eu só ouvi, é verdade? – Demorou um pouco mas respondeu.
— Não tocar mais foi uma escolha minha, ela não tem nada a ver com isso. – Chegou a ser um pouco grosseiro.
— Desculpa, não quis ser intrometida. – Ele ficou em silêncio. – Er.. vai fazer algo hoje à tarde? – tentei mudar de assunto, se o assunto não o deixava à vontade quem era eu pra insistir. Ele me encarou por um momento e por fim respondeu.
— Não. Estou com a tarde livre, você?
— Tenho uma aula hoje, mas depois estou livre. Queria te mostrar um lugar, quer ir? – O olhei com expectativa, ele me encarou nos olhos e foi como se eu sentisse sua expressão mudar, ficou mais leve.
— Pode ser. – Me levantei pra ir pra aula, antes que eu me atrasasse.
— Te vejo mais tarde então.
Não consegui prestar atenção na aula, a mente estava longe, quando enfim a aula acabou fui me arrumar pra sair com Gabriel.
— Onde você vai toda linda desse jeito? – Laura quis saber ao entrar no quarto.
— Você acha que está demais?
— Não, tá linda, vai sair com o Gabriel? – Se sentou em sua cama.
— Tão na cara assim? – Terminei de ajeitar o cabelo.
— Só um pouco. – Sorriu. – Vai lá se divertir. – Agradeci e sai.
Encontrei com ele no jardim.
—Oi, vamos?
— Onde a gente vai mesmo? – Quis saber.
— Não seja curioso, eu chamei um táxi, vem. — O puxei.
O trânsito estava supertranquilo, agradeci, não queria voltar muito tarde para a escola, nem poderia para falar a verdade, se chegássemos depois do horário iriam comunicar nossos pais. Ele olhava pela janela tentando identificar o lugar, sorri um pouco, parecia uma criança. De repente escutei um barulho estranho e uma freada brusca, o motorista saiu do carro em seguida pedindo para que esperássemos, concordei e falei com Gabriel, mas não me respondeu, foi quando percebi que ele tinha ficado paralisado com a mão na minha frente, como que para proteger.
—Marina? – Ele me olhava espantado, a única reação que tive foi dizer que estava tudo bem, ele realmente parecia em pânico.
— Ei, está tudo bem. – Disse segurando seu rosto, ele me olhava com o olhar inexpressivo, fiquei preocupada. – Olha pra mim, está tudo bem, está me ouvindo? – ele fez que sim, sem dizer uma palavra. – Olha nós meus olhos. – Obedeceu, quando vi seu olhar mudando o abracei, ele demorou um pouco mas retribuiu o abraço.
— Bianca? – Suspirei de alívio.
— Sim, está tudo bem. A gente tá bem. – Continuei repetindo.
Depois de um tempo o motorista disse que tudo tinha acontecido porque um carro tinha ultrapassado o sinal vermelho, praguejei. Ele quis saber se queríamos continuar a corrida, olhei pro Gabriel pra ver se ele estava realmente bem como me disse que estava.
— Podemos continuar. — Falou ao motorista.
— Tem certeza? A gente pode voltar, teremos tempo depois...
— A gente vai, eu estou melhor sério. – Concordei, mas de vez em quando dava umas olhadas de canto de olho.
— Você já pode parar com isso. – Disse quando chegamos ao local.
— Isso o quê? – Me fiz de desentendida.
— Eu sei que está preocupada, desculpa por te deixar assim, mas eu estou bem de verdade, não precisa ficar olhando de canto de olho. — Dei um soco em seu ombro, pra tentar tirar o susto da mente, ele me assustou de verdade.
— Nunca mais faça isso. – Me olhou novamente com aquele olhar indecifrável. – Vamos.
O lugar que eu queria o levar era um teatro, ele era enorme e tinha espaço pra dança e um piano enorme, fiquei sabendo que uma vez por semana as pessoas poderiam usar a sala gratuitamente, eu tinha nos inscrevido.
— Como sabia desse lugar? – Quis saber olhando o piano, sabia que ele iria gostar.
— Andei pesquisando, você não vai tocar? – Sorriu com os olhos.
— Só se você dançar pra mim. – O jeito que ele falou “pra mim" quase me fez corar, quase.
— Será um prazer. – Fiz postura de ballet.
Ele realmente tocava muito bem, era como se meu corpo se movesse pela música. Quando finalmente o olhei, fiquei surpresa, ele estava gravando.
— Você está gravando? – Fui em sua direção.
— Sim, você sabe que é perfeita dançando né.
— Tá bom agora apaga, eu não estava preparada. – Tentei pegar o celular, mas sendo mais alto que eu estava sem chance de alcançar. Fiz cara de emburrada, ele tirou uma foto, sorri sem querer. – Gabriel!
—Quê? – Se fez de desentendido.
— Agora sério, me dá aqui, não vou apagar. – Estreitou os olhos, tentei não rir. – E sério. – Ele veio até a mim e entregou. – Vamos tirar uma boa, me aproximei dele e tirei uma selfie. – Tá vendo, essa ficou boa. – Fingi que está olhando a foto pra apagar o vídeo, mas ele foi mais rápido. Puxou o celular da minha mão me desequilibrando, fechei os olhos como que para não sentir o impacto da queda, mas quando os abri vi que ele havia me puxado para si me fazendo cair em cima dele.
— Ai meu deus, machucou? – Fiz menção de me levantar, mas ele me impediu segurando meu braço, fiquei o encarando esperando que dissesse onde doía, mas ao invés disso me puxou para si e me beijou.
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