O Sol e a Andorinha
1 Prólogo
1780
A mulher sangrava e chorava, segurando as barras da tosca cama de metal até deixar os nós dos dedos brancos. Suor descia por sua face, o sal do esforço de trazer uma criança ao mundo, e o sal das lágrimas de sua humilhação queimando seus olhos.
Lady Harriet Winston não se abalou.
Se havia um Deus, este estava em dívida com ela.
Nas acomodações dos criados, Emma Brown, a sua antiga criada de quarto, dava a luz a uma filha de seu marido, Lorde Edmund Winston. Ironicamente, à apenas dois meses, ela mesma tinha dado à luz uma bela menina, que, naquele momento fatídico, repousava em um aposento duas vezes maior que aquele e infinitamente mais luxuoso, na companhia de uma ama de leite.
Harriet sorriu, erguendo apenas um dos cantos dos lábios, enquanto Emma soltava mais um grito. Vermelha, com os cabelos desgrenhados e gritando impropérios, Emma parecia o animal que realmente era, a cobra que seduzira seu marido ao pecado. Não era usual para uma mulher traída acompanhar o parto de um bastardo, mas Harriet insistira, para "garantir que Emma estivesse confortável".
A parteira, uma velha mal-humorada da vila, molhou um trapo e passou bruscamente no rosto de Emma.
— Ora, ora, sua coisinha frágil, empurre! Achas que o bebê vai sair sozinho? Tsk! Menina fraca! — Resmungou a parteira. Emma grunhiu, seu rosto (como se fosse possível) adquiriu um tom ainda mais carmesim. As velas tremularam. Lady Harriet continuou impassível.
Meia hora depois, finalmente, um choro estridente, cheio de vida, ecoou no quarto. Harriet achou ter visto uma sombra de sorriso no rosto pálido de Emma, enquanto a velha senhora limpava o bebê, mas este desapareceu logo em seguida. Os olhos da moça arregalaram-se de repente e sua respiração acelerou.
Foi apenas um momento, um sopro. De repente o peito de Emma não mais subia e a luz apagou-se dos seus olhos. A parteira, quando o percebeu, soltou uma exclamação de horror, e, imediatamente, olhou para sua Senhora.
Harriet, com muita brandura, tirou a criança dos braços da velha e a ninou, como jamais tinha feito com sua própria filha. Com uma doce expressão, aproximou-se do ouvido da infante e sussurrou palavras cheias de veneno no mais doce dos tons:
— A vadia de sua mãe morreu, mas não se preocupe... Você pagará no lugar dela!
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