O Sol Negro E A Lua Branca

21 Uma noite de desejo, sombras e honra


Notas iniciais
Agradecimentos á Néphélibate e Kevyn Valdez, esses divos

Nell estava dormindo em sua cama, quando acordou com uma respiração no seu rosto. Respiração? Estava mais para bufadas de ar quente, que levantavam alguns fios de cabelo da sua testa. Desnorteada, ela abriu os olhos lentamente. E então ela viu aqueles olhos pretos a encarando, parecendo esperá-la. Era o cervo da outra noite, aquele que a ajudara a encontrar o corpo. Lentamente ele foi se afastando, para que Nell olhasse para toda aquela criatura deslumbrante. O cervo era realmente impressionante: robusto, com o pêlo negro e levemente molhado, e os chifres eram como um mosaico em cima de sua cabeça, como se troncos de árvores constituíssem um chapéu.

Ela levantou-se da cama, já preparada de certa forma para o que iria acontecer. Iria encontrar um outro corpo, dessa vez ela tinha certeza absoluta. Mas, estranhamente, não estava com medo. O cervo era um porto seguro, e ela se sentia protegida perto dele. Ele começou a andar elegantemente com suas pernas torneadas, e Neliel o seguiu.

Dessa vez, eles foram parar lá na praça principal do reino. Todas as ruas passaram voando para Nell, mas seus pés foram ficando cada vez mais sujos de lama. O cervo andava vagarosamente, sem aquela pressa da noite anterior. Talvez ele combinasse com estado de espírito de Neliel.

O ar foi se condensando e ficando mais pesado, à medida que Neliel ia andando pela praça. Sentia o medo correndo por suas veias de forma pulsante e energética. E, também, sentia algo bem lá dentro do âmago. Tristeza, dor, arrependimento, sofrimento e raiva em formas de lembrança. Era aqui que os prisioneiros eram enforcados.

A plataforma de enforcamento havia sido recém-montada, ontem mesmo, provavelmente. E lá em cima dela, pendurada na forca, estava uma mulher agonizando. Os cabelos castanhos avermelhados balançavam com ela, os olhos dois buracos sangrentos e agonizantes. Ela estava nua e, entalhado na pele da barriga dela, estava escrito: As almas deles. Não fazia ideia do que significava, mas ela temeu pela segurança de Rukia por algum motivo.

E então, com a visão turva de medo, ela notou a sombra negra abaixo da mulher. Não era exatamente visível, estava opaca, mas Neliel sabia que era horrível por causa da sensação —a sombra emanava rancor, ódio e crueldade e todos os piores sentimentos humanos e não humanos.

Ela recuou dois passos quando a sombra a viu e veio voando como uma flecha até ela. Viu sua vida passando como um túnel pelos seus olhos, e não sentia nada mais do que um medo tão grande que rasgava seu peito.

Nell berrou, e sombra caiu, tampando os ouvidos e agonizando com o barulho. Em um instante, o cervo estava em pé, pisando na cabeça da sombra, e Neliel se sentia no lugar do cervo, botando pressão na cabeça da entidade com o pé; noutro instante, Nell estava novamente no quarto, com a cabeça no colo de Orihime.

—Calma, Nell, foi apenas um sonho. —acalentou Orihime, mas, quando Neliel olhou para baixo, para seus pés, eles estavam sujos de lama.

♠♥♠

Rukia lavou o rosto pela última vez antes de tentar dormir novamente. Ela não se sentia segura o suficiente naquele lugar para se permitir fechar os olhos. Foi até a cama e deitou-se, olhando para o quarto inteiro para dar uma checada. Não tinha ninguém, mas o quarto era tão pesado e tudo era tão escuro —ela se arrepiou, pensando nas criaturas que podiam se esconder nas frestas e nos cantos escuros.

O castelo todo rangia, e os seus fantasmas sussurravam pelos corredores. Rukia estava mais ciente do que nunca de tudo á sua volta. O medo projetava adrenalina em suas veias. A casa parecia viva.

E, de fato, a casa estava viva.

As paredes sangravam, as luzes oscilavam e formavam figuras na parede. Elas falavam com Rukia, em uma língua morta que ela nunca tinha ouvido falar. No entanto, uma das figuras repetia uma mesma frase uma centena de vezes, e Rukia reconheceu a língua.

Anima tua tamen est ad nos. A sombra na parede não parava de repetir, com sua voz de serpente.

Sua alma nos pertence.

O coração de Rukia começou a bater mais forte, quase rasgando o peito. Ela recuou, até estar com as costas retas na cabeceira da cama.

Anima tua tamen est ad nos.

Sua alma nos pertence.

A figura começou a gargalhar, como se soubesse que Rukia enfim entendera, e as outras entidades fizeram o mesmo. As sombras ficaram maiores e mais lúcidas, já formando corpos de formato humanóide, porém com partes do corpo não humanas: chifres, garras, caldas e cascos. Eram demônios, sem nenhuma sombra de dúvida.

Ela tampou os ouvidos e enterrou o rosto nos joelhos, pois o quarto pulsava —parecia que alguém batia em suas paredes com toda a força, e as paredes pareciam estar se aproximando da cama de Rukia. Sem poder fazer nada de realmente relevante, ela chorou —as lágrimas ardiam como ácido, e caíam salgadas demais em sua boca. Ela engasgou algumas vezes, até que puxou sua faca do travesseiro, e, impotente, a jogou em uma das paredes. Ela refletiu nela e caiu no chão de forma ridícula. O som da faca caindo era tão alto nos ouvidos de Rukia porque era o símbolo de sua fraqueza.

—Me deixe em paz! —Rukia berrou, o que fez com que as entidades apenas gargalhassem mais. —O que vocês querem de mim?!

Anima. Anima. As vozes diziam, de forma repetitiva e mecânica, mas com determinação e desejo. Anima eius! Anima eius! As vozes agora berravam de forma ensurdecedora. Anima eius!

ANIMA EIUS

Sua alma.

Nós queremos sua alma, Kuchiki Rukia.

.

—Rukia... —uma voz interrompeu o mar de terror. —Rukia!

Ela ainda estava concentrada naquela cena, ela ainda ouvia as vozes e via as criaturas rastejando por aquelas paredes. Então duas mãos agarraram os seus ombros magros e afiados, e começaram a balançá-la para frente e para trás, até que sua visão foi abalando-se e ficando nublada, e deu lugar a realidade. Rukia viu Ichigo, com um semblante preocupado, e notou que aquelas mãos eram as dele.

—Ichigo... —ela engoliu o ar. Ichigo estava perto, ajoelhado na cama perto dela.

—Eu tive um mau pressentimento sobre você... Você está bem, Princesa? —indagou Ichigo, alarmado.

—É claro que estou, seu idiota. —Cada palavra era uma luta para a Kuchiki; em cada palavra, ela ficava sem ar e precisava puxá-lo com muito esforço. Não queria preocupar Ichigo, não queria preocupar ninguém. —Eu estava dormindo.

—Mas estava sentada.

—Estava dormindo sentada.

Ichigo olhou para ela, como que pensando a veracidade de suas palavras. Depois de alguns segundos —e longos segundos para Rukia —ele largou seus ombros e preparou-se para ir embora.

—Não! —Rukia protestou, sem pensar. Ansiava por Ichigo, o desejava. Não apenas porque precisava de um protetor, já que estava com medo; mas porque sentia saudade dos lábios do Kurosaki. Ela queria um amante, para dar-lhe carinho e não proteção. Quando notou o que dissera, já era tarde demais para voltar atrás, então ela pegou as mãos de Ichigo e as colocou na cintura fina dela. —Fique. —sussurrou baixinho, suavemente e com desejo.

Aquela palavra significava tanto para Ichigo; mesmo ele, um garoto pouco letrado, sabia o significado da palavra, e o que estava escrito em suas entrelinhas. Ele arquejou com o seu som, porque era proferido por aquela boca redonda e de lábios finos que pertenciam á Rukia. No fim, ele não pôde mais resistir: a beijou vorazmente, com gula e volúpia. Ela agarrou seus cabelos, os puxando pela raiz. Doía sim, mas esse era o preço da paixão. Ichigo gemia, enquanto ia explorando ainda mais a boca de Rukia. Suas mãos apertavam o tecido fino da camisola dela, já quase sentindo a sua pele macia e pálida, a pele que a camisola protegia. Ichigo foi descendo os lábios para a região do pescoço dela, onde depositou beijos e pequenos chupões. Sentia o sangue por baixo da pele aveludada de Rukia, deslizando por suas veias. A pele dela era quente e macia no pescoço, mais desejosa do que em qualquer outro lugar.

—Você é a mulher mais fantástica que eu já vi, Rukia. Minha princesa, minha rainha.

Rukia gemeu com as palavras de Ichigo, e pegou as mãos grandes e calejadas do ruivo, que até agora permaneciam em sua cintura e costas, e as colocou em seus seios, incentivando-as a acariciá-los. Ichigo ficou envergonhado e hesitante, mas logo começou a acariciá-los, já sentindo a temperatura morna da pele de Rukia por baixo do vestido, e os apertando convenientemente e de forma carinhosa. Rukia gemeu, olhando para o teto do quarto. Porém, logo ela já beijava o rosto de Ichigo. Beijou as duas têmporas diversas vezes, lambeu a ponta de seu nariz com luxúria e deu um selinho na boca de Ichigo, apenas um roçar de lábios que fez Ichigo desejar mais.

Rukia foi deslizando a mão pelo peito de Ichigo, desabotoando todos os botões um por um, até que fosse possível a retirada da camisa. Quando isso aconteceu, ela deslizou as mãos pelo peito nu dele e pela barriga, sendo seguida por um arrepio que eriçou todos os pêlos de Ichigo.

—Rukia. —Ichigo gemeu.

Eles se beijaram mais uma vez, de modo muito intenso. Rukia sentia as batidas rápidas e fortes do coração de Ichigo, pois suas mãos estavam estrategicamente postas em seu peito. Ichigo tinha uma mão no seu cabelo, puxando sua cabeça para trás, com a finalidade de beijar seu maxilar, e a outra mão em um dos seus seios, o massageando e apertando. Rukia gemeu quando Ichigo abriu as pernas e a encaixou ali, bem pertinho dele. Ela envolveu a cintura do ruivo com suas pernas. Sentia a intimidade dele, e a sua ficando úmida.

Ichigo foi abaixando a camisola de Rukia, absorvendo a sensação da pele cor de mármore da princesa. Aspirou o cheiro de seu cabelo, enquanto ia abaixando mais e mais, até que os seios de Rukia ficaram expostos. Ela enrubesceu, e ele também; mas não conseguiu parar de olhar para os seios pequenos, porém formosos, da morena. Delicadamente, ele pousou seus lábios neles, e os beijou de forma carinhosa, os massageando com a língua, os sorvendo, enquanto Rukia gemia, e gemia...

Como ela gemeria mais vezes á um homem que não era Ichigo.

Ichigo parou com tudo, com uma frieza que nem mesmo ele sabia que tinha. Acontece que o Kurosaki não estava mais excitado, e sentia, na verdade, uma sensação de desprezo e tristeza.

—Você está noiva, Rukia.

Ela piscou algumas vezes, como se estivesse levado um soco ou coisa que o valha.

—Eu sei disso, Ichigo.

Ele se afastou dela, levantando-se da cama e pegando sua camisa de volta. Aquilo doía para ambos, e era uma dor muito forte. Seus corações estavam tão vermelhos, porque haviam sido picados e amassados, e aquilo não era amor, só sangue.

—Eu sei muito bem que mulheres de alta sociedade como a senhorita, principalmente porque não escolhem o marido, costumam ter amantes. E, olha Rukia, não é sua culpa nem nada, mas eu não quero ser um amante, você entende? —a voz de Ichigo soava agoniada, parecia que alguém apertava seu peito e sua garganta. Ele fazia o possível para soar paciente, mas suspeitava que soasse mais ridículo do que tudo. —Fere minha honra e integridade de pessoa.

—Mas você não é meu amante, Ichigo. —Rukia negou, balançando os cabelos bagunçados com os movimentos da cabeça.

—E então o que eu sou, em, Rukia?! —Ichigo explodiu. —Diga-me, Rukia, você vai casar-se comigo?! Uma princesa como você, a porra de uma princesa, vai casar-se com um pobre moribundo?! Não, é claro que não vai!

—Ichigo, se eu pudesse...—Rukia replicou, já com lágrimas nos olhos.

—Mas não pode! Esse é o problema: você não pode! Não importa o quanto eu me esforce, o quanto nós nos amamos, eu sempre vou ser a segunda opção, sempre vou ser um objeto de alívio do seu marido, não é?! —Ichigo virou-se para a porta, para esconder as lágrimas de raiva que saíram de seus olhos. Em seguida, com uma voz mais fraca e calma, afirmou: —Não é sua culpa, Rukia, não é. Não estou brabo com você, e por favor não me odeie. É só que eu não aguento mais, você entende? Continuamos amigos, não é?

Ichigo não recebeu resposta, e então marchou até a porta, saiu e a fechou. Rukia ficou olhando para ela, abraçando seu próprio corpo, e chorando até não poder mais.

♠♥♠

Matsumoto caminhava pelos corredores do castelo; estava inquieta demais para dormir. Todos os seus sentidos de caçadora apitavam naquela cova de monstros. Não entendia, mesmo naquelas condições, como Byakuya casaria sua irmã mais nova com um monstro repugnante como o príncipe do Hueco Mundo. Na verdade, nem queria entender. Os Acordos haviam sido assinados há uns 10 anos, mas Rangiku não os respeitava. O Acordo estabelecia uma relativa paz entre os caçadores e os membros do Submundo, mas por ela, todos os membros do Submundo podiam ardem no Inferno, afinal pertenciam á aquele lugar. Nada impediu que eles transformassem a vida de Matsumoto em um Inferno, afinal de contas, já que um bando de lobisomens matou seus pais e seu noivo. Até entendia o assassinato de seus pais, já que eles já haviam matado vários lobisomens —e as feras realmente mereciam —mas seu noivo? Deus, ele nem ao menos era caçador, nem sabia que existia criaturas das sombras para matar.

Ela sentia pena de Rukia; ela era boa moça demais, e merecia um marido muito melhor do que Grimmjow. Quando Rukia era criança, ela fora sua preceptora, e ensinara um pouquinho de tudo, e até bastante, porque Rukia era uma garota muito esperta. Os caçadores tinham uma ânsia de passar seu conhecimento, e todos seus homens e todas as suas mulheres eram pessoas letradas e inteligentes em torno disso.

Ela ouviu barulhos no corredor, e seguiu o som, caminhando e segurando o candelabro. Logo os sons foram formando palavras compreensíveis para Matsumoto, já que ela cada vez mais perto.

—Não, não. —uma voz de mulher protestava, parecendo á beira das lágrimas. —Pare, por favor! Eu não quero...

—Mas eu, sim. —uma voz masculina disse.

Matsumoto virou no corredor, vendo uma cena que com certeza não queria ter visto. No corredor estava o Príncipe Grimmjow, agarrando pelo pescoço uma copeira e a pressionando contra seu corpo. Ele aspirava o pescoço da pobre empregada, que chorava. Grimmjow lambeu suas lágrimas salgadas, e retirou com violência a touca da copeira, fazendo com que seus belos cabelos longos e cor de mel caíssem feito cascata pelo seu rosto branco e molhado.

—Você é minha, Valentina.

A garota se afastou, com medo. Porém, corajosa, abriu a boca e rosnou, mostrando suas presas. Ela se transformou: suas unhas e seus dentes cresceram, sua face se contorceu em um focinho e seus olhos mudaram de cor, de castanho-claro para amarelo. A linda garota era um lobisomem.

—Ora, essa. —Grimmjow riu. —Sua vadia. Você não passa de um ômega. Vai querer me enfrentar? —Grimmjow estendeu os braços, como se dissesse “Pode vir”.

Matsumoto viu a deixa perfeita para entrar na conversa.

—Ela não, mas eu sim.

Grimmjow olhou para ela com uma surpresa quase engraçada, e depois veio o desespero e a raiva que não foram engraçadas para ninguém.

—Caçadora.

—Pensei que lobisomens tinham olfato e audição apurados, mas vejo que isso não é verdade. —Rangiku constatou, com um tom de ironia na voz. Grimmjow rosnou. —Pelo menos não quando estão no cio, não é?

Grimmjow, que havia ficado irado por ser tratado com um cão, também se transformou. Sua transformação era mais poderosa do que a de Valentina, e Matsumoto constatava isso apenas observando seus olhos: eram azuis gélidos e ardiam com ira e poder. Seus caninos eram mais afiados, e seu focinho era maior e mais forte. E então veio o rugido: ele era genuíno, grosso, amedrontador —Valentina abaixou a cabeça em submissão assim que o ouviu. No entanto, Matsumoto continuou lá, em pé e impassível.

Ela veio para cima dele com o candelabro mesmo, pretendendo bater em sua cabeça, no entanto ele segurou o candelabro sem nenhuma dificuldade, e soltou um risinho; nesse tempo de distração, Matsumoto o atingiu com uma joelhada na barriga. Ele arfou e se afastou, e então Matsumoto veio á ele novamente com sua arma improvisada, mas antes de qualquer coisa ele a atingiu com as garras no rosto. Ela berrou, sentindo o sangue na sua boca, com um gosto terrível de ferro.

Grimmjow correu até ela, e começou a soca-la —ela tentava se defender, mas estava claramente encurralada. Houve uma hora que não conseguiu mais, e os socos de Grimmjow começaram a atingi-la em cheio. Fraca, ela finalmente se permitiu cair no chão. Porém, o sofrimento não acabou. Grimmjow a chutava com toda a sua força, ria e a xingava:

—Pensou que pudesse me enfrentar, não é caçadora?

Foi nesse momento que ele foi atingido em cheio com o candelabro —não, não fora Matsumoto. Ela ainda estava caída no chão, e deixara cair o candelabro enquanto Grimmjow a espancava. Quem havia dado uma pancada em Grimmjow era Valentina. Ela arfava, observando, atônita, o sangue na cabeça de Grimmjow, e ele recuperar lentamente a consciência. Finalmente, ela o atacou de novo com as garras —mas agora já era tarde demais, pois ele segurou suas garras e a jogou no chão, a fazendo berrar quando suas costas atingiram o chão frio com violência.

—Depois cuido de você, sua megera traidora. —Grimmjow virou-se para contemplar Valentina no chão, chorando e tremendo de medo. Nesse instante, Matsumoto acertou-lhe uma rasteira que fez com que ele caísse no chão.

Ela levantou-se, pegou uma faca de prata do bolso do vestido, e sentou no peito de Grimmjow, impedindo que ele fugisse. Levantou a faca até o alto da cabeça, e a afundou na clavícula do lobisomem. Ele berrou, sentindo o ferimento queimar como se houvesse jogado ácido em sua pele. Quando a levantou novamente e já se preparava para esfaquear o coração da criatura, Grimmjow segurou sua mão. Rangiku tentou baixar a faca, mas tudo que conseguia era fazer alguns arranhões superficiais no braço de Grimmjow.

Finalmente as posições se inverteram, e agora era Grimmjow que estava em cima dela, a sufocando com o peso de seus joelhos. Antes que tivesse a chance, ele arrancou a faca de suas mãos. Passou suas unhas pelo pescoço e pela clavícula de Rangiku, fabricando um colar vermelho de sangue que envolveu seu pescoço. Matsumoto ergueu a cabeça: então seria morta por um lobisomem. Observou Valentina com o canto do olho, o rosto desesperado que ela tinha, um rosto que havia se mantido cativo pela vida toda, e só agora resolvera lutar.

—Últimas palavras? —perguntou Grimmjow, com um sorriso.

A visão de Rukia se casando com uma monstruosidade feito essa lhe deu náuseas; mas, pelo menos, Matsumoto morreria lutando. Era o que todos os caçadores desejavam: a morte honrosa.

—Pelo menos lhe fiz alguns cortes, sua aberração canina.

O rosto de Grimmjow se contorceu com raiva.

Ela cairia da mesma forma que seus pais e seu noivo.

Cairia lutando com aqueles monstros. Não era vergonhoso.

E, por isso que, quando Grimmjow perfurou seu peito com aquelas garras, ela não sentiu medo nem arrependimento. Apenas mergulhou na honra do trabalho cumprido.

Notas finais
Fiquei um tanto insegura sobre esse capítulo, porque é a primeira vez que escrevo um ecchi e tal, e não sei se ficou muito bom. Espero que tenha ficado. Gaby te assustando e matando personagens legais desde agora! Huhuahua E vai se preparando, porque vai ser assim mesmo! Capítulo não revisado, porque estou com presa. Me desculpem os erros.