O Sol Negro E A Lua Branca
15 As Máscaras Caem
Notas iniciais
Um relógio. Uma ampulheta. Olhos fixos em si. Fumaça, muita fumaça. E de repente uma luz, aranhando seus olhos nus.
Rukia acordou, com a cabeça latejando. Estava em uma sala escura e mal-iluminada, uma luz crua vinda do teto. As paredes eram de cimento, cinzas e sujas. O recinto todo tinha um cheiro ruim; cheiro de urina.
Rukia olhou com mais atenção; e viu: duas fadas, um homem e uma mulher. Um moreno com roupas simplistas e orelhas pontudas —sem asas, Rukia percebeu —e a mulher que ela vira anteriormente encantando aquele homem.
—Oh, deuses, no que você me meteu, Lucinda! —sibilou o homem para a mulher, na sua língua nativa. Tinha um leve sotaque, Rukia percebeu —não falava como os outros. —Vim aqui por diversão; esses humanos são hóspedes da rainha. Você me ferrou; a Rainha vai me deportar, se não me matar, claro.
—Relaxe; a Rainha gosta do povo elfo. Seu rei é um dos amigos mais prezados dela.
—Isso não importa; ela vai me queimar vivo!
—Cale sua boca; a humana acordou! —os dois o olharam, os olhos totalmente grandes e redondos á baixa luz.
—O que fizeram comigo?! —Rukia se mexeu, tentando correr, e viu que estava amarrada. Tiras de couro se estendiam por todo o seu corpo.
—Devíamos ter colocado uma mordaça nela. —a fada comentou, falando propositalmente a língua de Rukia para que ela se assustasse.
—Devíamos ter colocado é uma venda nos olhos da garota! —o elfo gritou, visivelmente irritado.
—Venda para quê? Depois de fazermos o que viermos fazer com ela, a humana não se lembrará de nada.
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Rukia estava apavorada. O coração parecia querer sair do peito, e fazia doer. Berrou; sua garganta estava doendo, o berro como uma lâmina em sua garganta. O elfo seguia seu trabalho, remexendo em uma bolsa; mas a fada se irritou. Acertou mais de um murro na cara de Rukia, e ela sentiu sua boca se encher de sangue, manchando os dentes e deixando um gosto de ferro na boca. Acertou uma cuspida, imunda de sangue, bem na cara da fada.
—Nojenta! —a fada sibilou. —Essa coisinha imunda cuspiu em meu rosto!
—Talvez devêssemos deixá-la novamente inconsciente? —sugeriu o elfo.
—Não, as drogas não funcionarão, então.
—Vocês vão me drogar?! —Rukia questionou. —Como fizeram com os outros humanos, como fizeram com Ichigo...
—Quem é Ichigo? —o elfo questionou, mas a fada continuou falando:
—Deuses, não pense que temos apenas uma maneira de droga-la. Aqui, em Arcádia, principalmente na Faerie, temos muitos entorpecentes.
Rukia tremeu visivelmente. As duas fadas despejavam ervas em um pequeno e rasteiro compartimento no chão e, em seguida, com um estalo de dedos, as ervas se incendiaram em fogo verde e a fumaça irrompeu, um breu surpreendentemente firme e denso —não quase transparente como fumaça comum. Rukia prendeu a respiração, lutando para não respirar a droga. Mas, cedo ou tarde, enquanto olhada pelos olhos atentos dos seres, ela se viu vencida. Soltou a respiração, e a fumaça entorpecente entrou por suas narinas e a fez feliz.
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—Ichigo,—Lucius voltou a perguntar —onde está Srt. Rukia?
—Eu não sei! —Ichigo respondeu novamente. —Deve ter dado um passeio; aquela guriazinha curiosa...De qualquer modo, se eu não fosse bem educado, também faria o mesmo: esse palácio é enormemente grande para não ser explorado.
Lucius aproximou-se de Ichigo: ele via que o ruivo estava drogado, sim, podia ver na cor de seus olhos. Sabia que qualquer comida ingerida em Arcádia era ou entorpecente ou tóxica aos humanos —além de que ele poderia usa-la para obrigar a permanência e a escravidão de Ichigo no Mundo Das Fadas. Era útil em muitas ocasiões, mas não agora —agora ele tinha que lidar com uma humana xeretando sua casa.
Ele suspirou, exatamente quando a porta se abriu e Rukia entrou.
—Onde você estava? —ele arfou.
Rukia franziu a testa, tentando lembrar-se do que fizera. Lucius viu que ela também estava drogada, e supôs que Rukia também tivesse comido da comida das fadas antes de dar uma volta no castelo. Ele suspirou, aliviado.
—Bom, queria dar um aviso a vós. A Rainha os convoca para uma festa no Salão de Festas Central, para que divirtam-se antes da possível aniquilação ou salvação de seu mundo.
—Huumm. —Ichigo balançou a cabeça, aparentemente aprovando.
—Um criado os banhará e vestirá para a festa. —completou Lucius. —Ela irá ser de noite, e habitantes de toda a Arcádia comparecerão. —E em seguida olhou para a comida, com certo desdém. Os pratos estavam quase vazios, mas muito ainda havia para se comer. Certamente se continuassem a sua comilança, na festa ainda estariam drogados. —Mandarei que ele tire a mesa.
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A Rainha Unohana, a bela pele branca sem poros, olhava atenta para os outros governantes, mostrando suas excelências nos espelhos. Era uma técnica muito antiga essa —o ato de usar os espelhos da sala do trono como comunicadores. Agora era muito mais fácil conversar com seus compatriotas, cada um governando um reino —alguns, como o reino das sereias, quase inacessíveis para Unohana.
Arcádia tinha, além dela, mais quatro governantes: Suzumebachi, rainha das pockets; Ferbail, rei dos leprechauns; Selena, rainha das sereias; e Frodo, rei dos elfos. Cada governante correspondia á um deus da religião feérica —era a reencarnação dele.
—Uma peninha que os humanos da profecia pararam em suas mãos. —comentou Suzumebachi, uma fadinha pequena, com uns cinco centímetros de altura, assim como todo o seu povo. Tinha um rostinho de criança, os cabelos castanhos avermelhados presos em um penteado de criança, mas não se engane —seu poder era enorme. Unohana podia ver, como paisagem de fundo, um pouco de sua sala do trono. Ela, assim como a maioria das fadas pockets, moravam dentro de uma flor. A que constituía o palácio de Suzumebachi era um girassol lindo e majestoso.
—Sim, sim, adoraria que os humanos caíssem em meu domínio. —concordou Selena, Rainha das Sereias. Seu cabelo era cor de mel, ondulante e comprido na água. Tinha olhos verdes enormes —características das sereias —e uma cauda, com escamas verde prateadas, forte e linda. Seu palácio era de pérolas e coral, e ficava no fundo do mais profundo oceano.
—Se caíssem em seus domínios, provavelmente estariam mortos agora. —falou Unohana, com serenidade.
—E como! —concordou Ferbail, Rei dos Leprechauns. Um homenzinho de um metro, ruivo, barbudo e mal-humorado. —Se caíssem aqui, eu mesmo os mataria! —exclamou, dando um soco no ar. Seu palácio era feito de pedra, e tinha ouro espalhado por todos os lados. O caminho para ele era um arco-íris, e muitos humanos já foram pegos seguindo-o.
—Frodo e eu somos os únicos que achamos que eles possam ter chance. —disse Unohana.
—Eu espero que o tenham, minha cara Unohana. —falou Frodo. Era um homem alto, com olhos cor de grama e orelhas pontudas. Depois de Suzumebachi, era o mais voltado a natureza. —Não suportaria ver Terra, aquele planeta tão bonito, devastado e controlado por aqueles demônios pútridos. —ele cuspiu, seguido por barulhos de concordância pelos outros governantes. Era o governante que Unohana mais gostava, e tinha mais afinidade. O povo das fadas e dos elfos há muito eram unidos, por suas incontáveis semelhanças.
—Mas certamente que os humanos também não merecem o lugar. —falou Selena. As sereias eram os habitantes feéricos mais caçados pelos humanos, e isso a fez desenvolver um certo ódio especial pela espécie. —Os caçadores engoliram o orgulho nesses últimos anos; e isso devemos á pressão colocada pelo povo demoníaco.
—Quando um daqueles caçadores veio me buscar para um acordo de paz —disse Ferbail —não acreditei.
—Sim, sim, Ferbail, —concordou Frodo, parecendo cansado —sabemos que você meteu-lhe um soco na cara. Você já contou essa história umas cinqüenta vezes.
Selena riu, e Ferbail bufou irritado.
—Dêem-lhe uma folga. —pediu Suzumebachi. —Está velho e caduco!
—Mas, ora! —zangou-se Ferbail. —Como ousa uma pirralha dessas, com nem cinqüenta anos direito, desrespeitar-me! —Pockests vivem em média 120 anos, enquanto leprechauns 300. Sereias vivem em média 600 anos, enquanto fadas vivem 800 anos e elfos podem viver 1000. —Eu já tenho meus 250 anos, mocinha, vire esse seu bico...
Selena riu.
—Duzentos e cinqüenta anos? Mas que piada!
—Cale essa sua boca bafenta, sua bruxa do mar! —ralhou o leprechaum.
—Fiquem quietos! —Frodo exigiu. —Não vêem que isso é algo sério?
Unohana, que até então sorria, falou:
—Mandem representantes dos seus reinos: eles verão os humanos. Verão a morte ou a renascença deles .
♠♥♣
Ichigo sentia-se tonto. Dormira como uma pedra depois que Lucius saiu, e havia acordado com as batidas da porta de dois criados-fada, um homem e uma mulher. Eles tinham asas muchas e defeituosas, como se estivesses molhadas.
O homem foi preparar o banho para Ichigo, enquanto a menina-fada fazia o mesmo para Rukia. Ichigo observava Rukia de longe, e ela parecia estranha: seus olhos estavam diferentes, ela olhava fixo para o nada e tinha um sorriso estranho nos lábios.
Depois o criado o chamou para o banho. Ichigo o olhava de forma desconfortável, mas o menino-fada não saía do lugar. Uma hora fez menção para tirar as roupas de Ichigo; Ichigo negou, mas o menino não pareceu entender. Então ele foi obrigado a tirar a roupa, peça por pela, cautelosamente, até estar completamente nu e entrar na banheira.
O menino-fada começou-lhe a ensaboar, mesmo Ichigo se esquivando e o estapeando toda hora. Tinha olhar de profissional, e não ligava para as reações exageradas do Kurosaki. Quando Ichigo finalmente cedeu —e o banho já estava quase no fim —ele o esfregou com força, e murmurou algo em feérico:
—Quanta sujeira.
Depois ele o secou; e Ichigo ficou pensando: então era assim que era ter um criado para fazer-lhe tudo; assim que Rukia se sentia em relação á Neliel. Sentiu-se mal pelo criado, um menino com aparência jovem, que parecia triste e moribundo, sem grandes esperanças. Pensou em suas asas, asas quebradas, e viu que era assim que o povo feérico tratava seus deficientes: os colocando na posição que consideravam a mais humilhante. Pensou em como o garoto não entendia sua língua, e como Lucius dissera que todas as fadas sabiam os idiomas humanos —ele não os tratava como parte de seu povo.
Ichigo, após isso, não mais apresentou hostilidade com o criado-fada e até mesmo o tentou ajuda-lo com a mesa. Tentou soar agradecido, murmurando a palavra “obrigado” muitas vezes. O criado surpreendeu-se, e sorriu para ele. Ichigo sorriu de volta.
O menino, diferente da maioria dos homens-fada, tinha cabelo curto, repicado e cheio. O cabelo era azul, e uma tatuagem de um trevo de quatro-folhas —ou uma marca de nascença? —á baixo do olho. A criada de Rukia era magrinha e usava uma roupa inchada e chamativa, como em um circo, seu cabelo azul escuro estava preso e parecia mais curto que os demais.
Quando anoiteceu, Ichigo e Rukia foram escoltados até o Salão Central por dois guardas, de aparência rígida e real. Ignoraram completamente os criados, nem mesmo dirigindo-lhes um olhar, como se fossem móveis.
Quando chegaram ás portas da frente do recinto ainda estavam muito bonitos. Rukia vestia um vestido leve e azul das fadas, que ressaltava a cor dos olhos —embora eles tivessem algo de errado desde que Ichigo acordara. E Ichigo parecia um lorde feérico, com um grande casaco castanho-avermelhado, roupas chiques, e um broche prateado.
Abriram as portas, deparando-se com o grande e nobre recinto.
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Lucius passava pelos corredores do castelo quando ouviu murmurinhos. Verdade que não costumava ouvir a fofoca alheia, mas quando foi fofocado algo sobre os “humanos da Rainha” ele precisou ouvir. Escondeu-se atrás de uma das paredes, e ouviu duas fadas conversando: um homem e uma mulher.
—Você acha que não perceberão que aquela humana pequenina está drogada? —perguntou uma voz de homem, élfica pelo sotaque.
—E se perceberem? E daí? Acha que a Rainha moverá um músculo para ajudar humanos? —indagou a mulher, já sabendo a resposta. —Eles irão ser devorados nessa festa, de um jeito ou de outro. Aposto que Rainha Unohana os usará de sacrifício.
O elfo engoliu em seco, abafando o ruído que Lucius também fez.
—Ora, não se preocupe. —acalmou a fada —O povo elfo não tem ligações com humanos, mas como você viu ao humanos são bastantes insignificantes. A pequenina não representou nenhuma dificuldade para nós quando a drogamos...
Uma flecha passou zunindo pelo rosto da fada, e acertou-lhe a asa, prendendo-a na parede mais próxima. Lucius apareceu, o arco e flechas em mãos, bem quando o elfo pegou o seu. Lucius tacou-lhe uma bola de poder verde, e ela explodiu no elfo, que derrubou a arma de imediato e caiu no chão.
Se as pessoas no salão abaixo notaram —já que estavam em um corredor que atuava como uma ponte sobre as cabeças dessas pessoas —não pareceram se importar.
Lucius segurou o elfo pelo cabelo, levantando-lhe um pouco, e enterrou sua cabeça na parede.
—O que fez com Rukia Kuchiki? —Lucius sibilou no ouvido do elfo.
Ele pareceu hesitar um pouco, a boca tremendo. Mas enfim disse:
—A-a humana entrou na Área dos humanos. Viu a Lucinda. Sabíamos que não deveríamos estragar o disfarce antes da festa... Lucinda pediu-me para ajuda-la a drogar Rukia. Eu... eu...
—TRAIDOOOR! —uma voz uivou. Lucius virou bem na hora para ver...
A faca de Lucinda cruzando o peito do elfo, perfurando-lhe o coração.
Quando Lucius virou-se, ele levou o corpo do elfo junto. O corpo acabou sendo usado como escudo para o golpe fatal que, se não fosse pelo elfo, ela teria acertado em Lucius.
Lucius olhou surpreso para a fada: sua asa estava rasgada, e o icor dourado que era o sangue das fadas vazava dela. Ela retirou a faca do corpo do elfo, que havia morrido com os olhos arregalados, e a superfície antes prateada estava dourada de sangue élfico.
Lucius jogou o corpo do elfo em cima dela, e recuou até a balaustrada para assim mirar a flecha. Ela retirou o corpo do elfo, jogando-o, e correu para Lucius tão rápido que ele não conseguiu puxar a flecha, e com o peso do corpo em si derrubou suas armas no salão abaixo.
Lucius segurava as mãos da fada; uma queda mortal abaixo de sua cabeça; em cima dela, uma lâmina afiada igualmente mortal o esperava.
Girou o corpo com toda a sua força, invertendo a posição, e sem querer, jogando Lucinda lá embaixo. Ela fez um barulho, um poft! que deu náuseas em Lucius. Ele olhou para baixo, o corpo amassado lá embaixo, o sangue dourado manchando o piso, as pessoas se aglomerando perto do corpo.
Se eu não sair, logo logo eles irão me ver.
Lucius saiu do campo de visão dos espectadores lá embaixo, arrumando o colarinho e ajeitando a roupa manchada de sangue do elfo. Não tinha tempo para trocar-se: tinha que ajudar Ichigo e Rukia.
♣♥♠
O salão tinha um teto abobado e transparente, que dava vista para as estrelas. Era maior do que tudo que Ichigo já tivesse visto, cheio de “pessoas”, mesas e cadeiras. Havia uma música contagiante, com ritmo frenético, que Ichigo não sabia de onde vinha.
Lá em cima, havia um grande camarote, onde a rainha, majestosa como sempre, se erguia.
Ichigo havia visto vários outros tipos de habitantes: fadinhas, bebericando mini-drinques; anõezinhos barbudos usando cartolas; e o que parecia ser uma raça de fadas sem-asas.
Virou-se para o lado, para uma parede inteira de vidro, e viu: lá dentro lindos seres, metade-humanos, metade-peixes, nadavam. Estavam nus, os cabelos dolorosamente esvoaçantes na água. Ichigo sentiu uma vontade tremenda de ir lá nadar com eles.
Mas quando virou-se para comentar algo com Rukia a pequena havia aparecido. Girou a cabeça, tentando acha-la no meio de tantos seres, fadas e elfos altos, e não viu nada, apenas um amontoado de cabeças desconhecidas, cabelos exóticos zanzando por toda a parte.
Correu pela multidão, esbarrando em vários seres. Até que sentiu uma mão gelada em seu ombro: Lucius. Portava um semblante preocupado, e o terno impecável estava manchado.
—Onde está Rukia?—perguntou Lucius, a voz se esforçando para ser ouvida no barulho.
—E-eu não sei. —ele gaguejou, sentindo-se mal de repente por não te-la protegido, sendo que este era o seu trabalho. —Ela sumiu do nada, quando eu...
—Tudo bem. —falou Lucius. Ele olhou de um lado para o outro, e murmurou algo em sua língua. —Tenho que ir. Tome isso. —e guardou uma folha em suas mãos, as fechando em punho em torno dela.
Antes dele sair, Ichigo viu um pequeno lampejo de seu rosto: estava negro, os ossos proeminentes e verdes fluorescentes e vibrantes. Virou-se para o lado, supondo ter imaginado coisas.
Mas não.
Todos os habitantes eram horríveis. Tinham um rosto pintado de negro, os ossos brilhantes, pareciam embaçados. Os olhos das fadinhas eram brilhantes, como uma tocha, e elas pareciam vampirinhas voadoras. O cabelo dos elfos era embaraçado, como um ninho. E os leprechauns, que nem normalmente eram bonitos, tinham seu rosto virado em uma careta assustadora.
Ichigo correu, tendo um lampejo das sereias pelo canto dos olhos: criaturas cinzas, com os olhos negros borrados. Estava assustado, e queria sair de lá o quanto antes.
E então a viu. Rukia.
Estava sentada em uma mesa repleta de homens. Ria e parecia se divertir. Um homem-fada forte, que anteriormente era bonito, mas que agora refletia um monstro, segurava uma mecha de seu cabelo e sorria para ela. O sorriso, que pelo menos ainda era branco, parecia um rasgo em seu rosto, os caninos afiados.
Ichigo se jogou na mesa, e acertou-lhe um soco com a mão que não segurava a folha. O homem caiu da cadeira com o impacto. Os amigos dele se levantaram, surpresos e irritados.
Ichigo pegou Rukia pelo ombro, as unhas da mão que seguravam a folha tão forte que cortavam a palma da mão de Ichigo até sangrar.
—Ichigo, o que está fazendo? —indagou Rukia, irritada. Subitamente Ichigo percebeu o que estava errado nos olhos dela: estavam totalmente coloridos.
—Rukia, você não entende.—Ichigo gaguejou. —Eles são monstros.
Mais fadas os encurralaram, formando um círculo ameaçador sobre si. Do camarote, a Rainha batia palmas.
—Vocês não vão vencer. —a voz dela ecoou por todo o salão. —Então deixem pelo menos que eu me divirta!
E depois tudo aconteceu muito rápido: as luzes se apagaram subitamente; Ichigo viu apenas fleches, vindos de alguma luz colorida: Byakuya com uma espada, berros de fadas, Urahara com um cetro, gargantas cortadas, Yoruichi camuflada pelas sombras, e um Ulquiorra arrancando um pedaço do pescoço de uma fada com os dentes, o pedaço de carne voando com uma trilha dourada ao redor.
E as luzes se ascenderam: o círculo de fadas ao redor deles estava morto, e lá estava Byakuya, Yoruichi, Urahara e Ulquiorra. As fadas rosnavam e silvavam, enquanto a Rainha urrava em frustração.
—ATAQUEM-NOS! —A Rainha berrou. —TODOS! AGORA!
Ichigo tentou inutilmente se proteger, e Yoruichi estalou os dedos, um brilho irrompeu de lá e cegou Ichigo.
Quando recuperou a consciência novamente, estava correndo sobre o gramado verde que passara para ir ao palácio de Faerie. Byakuya estava ao seu lado, com uma espada de prata em mãos. Rukia estava sendo carregada por Ulquiorra, e protestava e berrava:
—NÃO! LEVEM-ME LÁ DE VOLTA! EU NÃO QUERO IR COM VOCÊS!
Vendo que as palavras cortavam o coração de Byakuya, Yoruichi fez um gesto para que ela desmaiasse no colo do Ulquiorra. A cabeça dela balançava quando chegaram á pedra que antes Ichigo e Rukia usaram como passaporte para vir á Arcádia, para a porta fechada da caverna.
Todos pararam, derrapando. Abriram caminho para Urahara que, com o cetro, descreveu um círculo na pedra. Ela então se abriu e eles correram pela caverna também. Podiam ouvir, bem ao fundo, os berros dos habitantes de Arcádia.
Quando irromperam na floresta, Urahara descreveu novamente um círculo com o cetro e a abertura se fechou.
—Quanto tempo o selo irá durar? —perguntou Byakuya.
—O suficiente.
Correram pela floresta, até chegar á uma carruagem negra, com os cavalos de igual cor. Ulquiorra foi no acento de cocheiro, e os outros, arfando, sentaram-se no lugar dos passageiros.
Byakuya bateu no teto da carruagem com o cabo da espada, e eles partiram.
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