O Sol

11 Capítulo 11


Agora imagine:

“Garotas, se arrumem, a hora está chegando.” – Disse a suma-sacerdotisa bondosa.

Todas vestiram seus uniformes roxos, exceto eu, que coloquei o meu cinza de graduação com honra. Ele servia perfeitamente em mim, contrastava com o loiro dos meus cabelos e o azul dos meus olhos.

“Apressem se, formem a fila.”

Formamos uma fila indiana e seguimos para o altar. Ao nosso lado andava a fila masculina, todos eles vestindo seus novíssimos trajes também. Eu fiquei no final. Um a um, recebemos um cajado com o nosso nome gravado nele (mesmo que o cajado fosse fraquíssimo, o ato era simbólico). A fila foi ficando mais curta, até que chegou eu. Talvez por mero acaso, mas com certeza por destino, quem me entregou o cajado foi o Bispo.

“Minha dourada, nunca pare de brilhar. Entrego-lhe esse cajado como forma mais profunda da minha gratidão por sua existência sagrada. Também quero que fique com esta tiara, ela foi abençoada com o poder sagrado e te ajudará na sua jornada.”

Ele apertou a minha mão com cordialidade. Mas não dava pra agüentar, seus olhos aguavam com a emoção que o tomava. Sim, não dava pra agüentar, ele quebrou o aperto de mão e me abraçou forte.

“Deus estará convosco, e eu também, cuide-se. Minha missão sobre você está cumprida.”

Sai a passos lentos e fúnebres do altar, andei pelos bancos. As pessoas me olhavam com assombro também. Eram as famílias das pessoas. Todos os novos-sacerdotes estavam recebendo o cumprimento de seus pais. Eu passei reto e voltei para o fundo. Sozinha.

Cheguei na penteadeira e me olhei no espelho encardido. Eu estava emocionada, chorando.

O futuro me esperava.