O Sexto Distrito - Stan
1 Capítulo 1 - A execução.
Estava escuro, muito escuro. Stan andava a passos fracos, tentando fazer o mínimo de barulho possível, sua respiração era fraca e pausada. O pouco oxigênio que se podia respirar naquele lugar era extremamente precioso, o cheiro que sentia era algo extremamente desagradável, náuseas surgiam a todo o momento. Não sabia como fora parar ali e nem o porquê. Depois de caminhar por um tempo, notou que estava em um túnel, continuava sua caminhada, até ouvir um grito longínquo, Stan conhecia aquela voz, era a voz de uma criança, um menino, seu irmão...
Stan acordou de um salto. Suava frio, ao levantar seu braço percebeu que o mesmo estava tremendo, assim como seu corpo. Sua cabeça latejava com o barulho do sino da cidade, já era tão tarde assim? Sentou-se em sua cama com dificuldade, tentava se lembrar do pesadelo, mas era em vão, sua cabeça doía muito e isso só iria piorar sua enxaqueca, — maldito sino – sussurrou ele. Levantou-se, ainda sonolento foi até o calendário como fazia todos os dias,o pedaço de papel o dizia que ele se encontrava no dia 10 de outubro. Sem perceber os olhos de Stan se abriram automaticamente, como pode ter esquecido? Era hoje, o dia da execução, precisava se apressar, precisava estar lá, precisava salvá-lo.Ao correr aos tropeços para o banho, Stan se lembrava do acontecido. O calendário marcava 5 de outubro quando seu padastro Rerold o obrigara a caçar com ele, Stan não queria ir de jeito algum, nunca havia conhecido nenhum dos outros 5 distritos, nunca nem havia saído da cidade de Sandela... Stan tinha medo do desconhecido, não havia alegria para ele em matar outro animal, em sua concepção, ter alegria por matar era o sentimento mais repugnante que um ser humano poderia sentir. Mas o Pikachu não havia matado por motivos fúteis, ele havia matado para proteger, proteger suas crias. O crepúsculo reinava no céu com seu tom violeta alaranjado, lindo e assombroso ao mesmo tempo. Um grupo de 5 homens acompanhavam Rerold quando ele e Stan adentraram a floresta de Sandela, logo avistaram um alce pastando ao longo de um pequeno lago, o animal mordiscava a grama majestosamente, um ser sem preocupações, mal sabia ele o que o esperava, Rerold montava sua majestosa Rapidash com um fogo negro tremeluzente a suas costas os outros estavam a simples cavalos o mesmo poderia se dizer de Stan. A Rapidash de Rerold soltou um relincho estrondoso que, com toda certeza, foi ouvido por toda a cidade. Não era permitido ter pokémons na cidade de Sandela, mas é claro que a posição de Rerold o dava certos benefícios. O alce partiu em disparada assim que ouviu aquele barulho amedrontador, Rerold seguiu em seu encalço numa velocidade impressionante, os outros viam atrás, e por último Stan, ele estava longe quando ouviu o ressoar do barulho do rifle de Rerold – está morto. – pensou ele. Quando alcançou o grupo, o alce jazia imóvel no chão, à bala o perfurara no pescoço, só uma, nada mais. O grupo voltava para casa, Rerold segurava com sigo o chifre do alce ensanguentado. O céu negro pairava sobre as suas cabeças, com as estrelas como pequenas luminárias e a lua, linda, estava branca num tom quase transparente, jorrando luz nos olhos de Stan. Quase na chegada a cidade, Stan ouviu um barulho estranho, ao longe viu algo se mexendo, parou seu cavalo, com isso os outros pararam também, Rerold foi ao seu encontro com uma face que mostrava claramente dúvida.- O que foi? – Disse ele, sua voz cortante como aço.- A algo ali, atrás daquelas árvores. - Árgo, va la e veja o que é.O homem carrancudo dispôs seu cavalo a trotar, os outros esperavam pacientemente, depois de algum tempo, o grupo ouviu um grito agudo, Rerold pediu para os outros esperarem e juntos ele e Stan foram ver o que era. Ao chegarem pouco perto do lugar onde Stan vira a coisa se mexer avistaram um homem deitado ao chão, era Árgo, ele tremia, ao seu pescoço havia uma criatura amarela de orelhas pontudas, ela sugava seu sangue, ela o matava. Rerold pegou seu rifle, mas logo percebeu que estava sem munição, uma bala era o que sempre carregava, sempre se gabando por não precisar de mais do que isso. Stan não percebeu, foi rápido de mais, o rato amarelo vinha rapidamente ao seu encontro, seus olhos eram amarelo cobre, um olhar apavorante, sua boca estava totalmente suja, suja de sangue. Ao mesmo tempo em que ele vinha, Rerold quebrou o chifre do alce no meio, fazendo com isso um bastão. Quando o mostro estava bem perto ele o arremessou contra a árvore mais próxima. O mostro tombou, caído, impotente. Rerold o pegou amarrou sua boca e colocou em um saco negro e espesso. Se preparava para ir embora quando se lembrou de Árgo, pediu para Stan examinar se ele estava vivo, Stan obedeceu, chegando perto do homem, ouviu algo parecido com som de choro, vinha de uma árvore próxima, ele se dispôs a investigar, virou para traz, Rerold não o observara, ao olhar dentro do casco oco da árvore viu dois ratinhos amarelos, pequenos, indefesos, a mente de Stan começou a formigar, era isso, ele matara para proteger seus filhotes, apenas isso. Rerold havia de entender, não agora, com os nervos a flor da pele. Stan pegou os filhotes e os escondeu em suas roupas logo após foi se juntar a seu padastro.Logo após acabar o banho, Stan vestiu sua roupa e correu para o seu quarto, onde havia escondido os filhotes, mostrar eles em praça pública com certeza obrigaria o prefeito da cidade, Rerold, a libertar o Pikachu. Ao sair do quarto com os filhotes na caixa viu de relance seu reflexo no vidro da janela, um garoto de 15 anos, branco como leite, cabelos pretos desarrumados, e olhos de um castanho adocicado, claros como ouro. Desceu as escadas até encontrar a porta, o relógio marcava 12:00, a execução estava marcada para as 13 horas, precisava se apressar. Ao abrir a porta deu de cara com um céu azul e um sol forte brilhava em seu centro fortalecedor, aquele não era um dia para mortes e Stan sabia disso.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
Fale com o autor