Notas iniciais
espero que gostem :D

O tempo ainda continuava negro. Como se algo realmente ruim estivesse acontecendo. Mas, o que mais me deixava intrigada era o fato de que isso parecia estar só me afetando. Desde que Roland me encontrou perdida no cemitério, não trocamos nenhuma palavra. Na minha opinião? Era melhor assim. O silêncio podia falar por nós. Na verdade, o que mais poderíamos falar? Roland era um cara legal, sempre sorrindo. Como Cam mesmo disse um ótimo amigo. Tenho certeza que qualquer assunto com ele seria agradável. Mas e eu? Quero dizer, meus amigos falam que sou uma ótima pessoa. E que se divertem comigo. Mas, sempre que o assunto é ele, eu realmente não me sinto a vontade. O silêncio por fim, é a melhor opção!

Caminhávamos por uma direção diferente da qual eu fui. Roland disse que ali era seguro, longe do cemitério. E podíamos respirar mais o ar puro. Eu estava com medo de voltar pelas lápides. E com toda certeza, ele notará isso. Mas como um bom cavaleiro, não mencionara.

– O caminho aqui é mais longo do que o outro. Mas, depois do que você me disse, achei que aqui seria uma melhor opção – Roland quebrou o silêncio. Demorou até que eu processasse o que ele tinha dito, mas quando o fez, eu apenas acenei com um meio sorriso. Minha ideia era manter o silêncio. Esta ótima assim, sem precisar que eu passasse por qualquer assunto que acabasse me deixando com vergonha. – Ou você não é muito de falar, ou por algum motivo você não quer falar comigo. Mas ai lembrando de antes, quando nos víamos às vezes, você costumava conversar comigo. Quando foi a última vez mesmo?

– Foi quando você ainda usava armaduras, tinha a branquinha e era, era apaixonado por Rosaline – o interrompi enquanto as lembranças transbordavam por minha mente. Ele me olhou, e por um momento pensei que ele me xingaria por mencionar Rosaline. Mas antes que qualquer coisa, ele abriu um sorriso. E que sorriso.

– Estamos progredindo, bom pelo menos você me respondeu – ele disse mexendo em um de seus dreads. Eu estaria babando, se não tivesse ciente de que ele acharia aquilo ridículo e tão clichê. Mas que dane-se, tudo que relacione Roland era clichê. Abaixei minha cabeça, ele não precisava achar que eu era uma idiota. O silêncio se estendeu por mais alguns minutos. E eu sinceramente agradecia por isso. Fazia um bom tempo que eu e Roland não conversávamos, e pra ser sincera? Eu acho que não estou pronta para isso. Mas ele nunca imaginaria o porquê disso.

– Então por onde andou esse tempo todo? – ele tentou novamente estende um assunto. Seria muita grosseria eu ignorar e seguir em frente? Sim seria, mas eu não me importaria em ser grossa. Não com qualquer outra pessoa! Mas era ele ali.

– Eu conheci lugares, me diverti. Fiz muitas coisas. Sabe andei por ai – respondi fingindo pouco interesse.

– E em uma dessas curtições você veio parar aqui. – Ta, ele pegou no ponto fraco.

– É, longa historia. Mas e você? Faz tipo, séculos que não nos vimos. Literalmente né? – ta essa piadinha foi a pior possível. Mas ele riu, seria por educação ou por que ele vu alguma lógica nisso. – Andei curtindo, sabe pondo a cabeça no lugar. – Ele disse dando de ombros. Sorri em resposta, o que mais eu poderia dizer? Começamos de longe a avistar os prédios da Sword& Cross e agradeci mentalmente por isso. Não houve mais conversas durante o resto da viajem. Por vezes eu queria puxar conversa com ele. Ficar horas e horas jogando papo fora, e dizendo tudo o que eu tinha feito durante o tempo em que estive longe, e todas as vezes que eu pensava nela. Queria saber o que ele tinha feito, quantas vezes saíra e se divertiu, queria saber cada detalhe. Mas o orgulho – coisa que aprendi convivendo com mortais – nunca permitiria que eu fizesse isso. E o medo! Medo de que ele fale algo sobre Rosaline, e sobre como se amaram até que ela desse seu último suspiro. Ele pareceu estar mais preocupado com seus pés do que com qualquer outra coisa, já que passara o resto do caminho olhando para o chão. Foram alguns breves minutos, mas pareciam longas horas que passamos assim.

As coisas pareciam ter se normalizado, as pessoas que antes estavam no refeitório agora estavam espalhado do lado de fora da Sword&Cross, ninguém estava interessado nas minhas roupas sujas, ou os cortes em meu rosto, ou o fato de ter chegado com Roland. Coisa que realmente me agradou.

– Se não conhecesse bem os dois, diriam que estavam destruindo alguns galhos ai. – o comentário que Cam fez ao ver meu estado, fez com que eu corasse. Olhei para os lados, para não ver como Roland agirá.

– Galhos? Estávamos quebrando era árvores mesmo. –rebatou Roland rindo, e dando uma piscadela para mim. Mesmo sabendo que era uma brincadeira, não impediu do meu coração soltar pela boca.

– Eu, vou indo. Preciso me limpar! – disse já indo em direção ao prédio onde encontrava-se os dormitórios.

–Hey! Quer ajuda pra limpar as feridas? – se ofereceu Roland! Parte de mim gritava sim, mas a parte sensata fez a coisa certa, negou com a cabeça. Continuei andando, sem olhar para trás, só quando estava na porta do prédio permiti uma última olhada para onde os meninos estavam. A face de Cam tinha mudado de divertida, para série. E pude ler nos lábios dele “O que aconteceu?”. Mas eles olharam novamente, como para se certificarem de que estavam sozinhos e seguro para falarem o que for. Entrei no prédio sem mais nenhuma delonga. Eu estava cansada, meu músculo gritava por socorro. Limpei-me, e dei um jeito nos machucados – isso era o de menos para mim – e em seguida deite-me na cama – não tão confortável como as quais eu era acostumada – mas muito bem recebida por mim. Meus olhos se fecharam, cansados de mais para ficarem abertos. Eu era um anjo caído, não era normal essas dores, e sono. Mas algo naquele cemitério realmente fez algo comigo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.