O Sequestro

23 Capítulo 22 - Carta Fechada ao Mundo.


Notas iniciais
Olá, leitores lindos e maravilhosos! Vocês são uns divos! É muito bom poder estar postando novamente^^
Bem, como sempre tenho algumas coisas pra falar e encher o saco de vocês:
1. Eu sei que demorei um século, e que mesmo assim comecei novas fics, mas é que eu sou viciada em animes e tinha que escrever minhas ideias, se não elas não sairiam da minha cabeça e eu iria ficar travada aqui para sempre. Então, se soou que eu estava indiferente com OS, peço desculpas.
2. Aqueles que eu disse que eu postaria até segunda, como hoje é segunda, não tem como vocês me julgarem kkk brincadeirinha, prometo não dar mais avisos ilusórios ToT
3. Estou quase entrando de férias, então em breve vcs sairão desse clima "só-posta-de-mês-em-mês", juro pelas barbas de Zeus u.u
4. Esse capítulo não está lá muito emocionante, legal ou grande, mas os próximos estarão mais compensadores...~spoiler~vai ter piscina e joguinhos interessantes ~spoiler~ Vocês vão ver! *---*
5. Perdão por fazer vocês esperarem tanto, e acabar esse cap com suspense, mas foi o máximo que consegui até agora...Escola mata a gente...Então achei melhor postar o que tinha, e não demorar um mês e meio!
6. Se estiver muito ruim, culpem a Mari, pois ela que disse que estava bom! haha
7. Percebi que tenho 80 leitores em OS *oo* muito feliz! Mas acho que alguns são fantasmas, então...Fantasmas queridos! Apareçam por favor ^^
8. Um obrigada especial à daughterofafrodite pela recomendação, e tb a todos que já recomendaram a fic ><
Enfim, acho que é isso...
Boa leitura, e não esqueçam que adoro vocês ♥

Capítulo 22. -Carta Fechada ao Mundo

x.

Parecia impossível, mas não mais que repentinamente, Atena mudou de ideia.

Sim.

Seus olhos já estavam postos na primeira linha do papel e devoravam-na como se o mundo fosse acabar naquele instante, porém, de súbito, sua leitura simplesmente se refreou, e ela acabou não saindo por um bom tempo daquele intragável vocativo: “Cara Atena”.

Era simplesmente inevitável.

A deusa tinha um sexto sentido extremamente aflorado, e algo lhe dizia que ler aquilo, que aparentemente era uma carta endereçada a ela, lhe causaria sérias aflições no futuro.

É claro que isso por si só conseguia atiçar ainda mais a sua curiosidade, então resolveu investigar o porquê de estar sentindo aquela sensação...esquisita. De temor.

E concluiu que só podia ser pela óbvia razão de invasão de privacidade.

É.

O problema não era nem invadira privacidade de Poseidon, pois ele era irrelevante, e uma vez que a carta supostamente estava endereçada à ela, já se tornava um direito seu lê-la e decifrá-la, a seu bel-prazer.

Porém, Atena não queria que Poseidon descobrisse que ela iria ler seu tão inexpugnável “Caderno”.

De maneira alguma.

Era uma questão de honra. Mal podia imaginar a seleção de palavras que ele iria usar para xingá-la, se viesse a desvendar que ela violara seu esconderijo secreto, e seu cofre trancado a sete-chaves, mas tinha quase plena certeza de que enxerida, egoísta, intrometida, irritante, intrusa, entre outros adjetivos super carinhosos, estariam marcando presença unilateral naquela doce seleção.

E acontece que, para Atena, ser chamada daquelas coisas, com um pouco de culpa no cartório, faria com que ela não tivesse argumentos potencialmente suficientes para contestá-lo.

E Atena odiava não ter argumentos para contestar!

Então, inevitavelmente, não podia trair seu orgulho.

Se era para ler aquelas coisas ultra-mega-secretas de Poseidon, então bem, ninguém descobriria que o havia feito.

Ninguém. Absolutamente ninguém.

Entretanto, como poderia ler todo aquele punhado de páginas escondida? Era inacreditável, mas aparentemente Poseidon recheara mais de 200 páginas com sua caligrafia torta, e seria difícil ler tudo aquilo em segredo, ainda mais por ele ficar constantemente grudado nela, vigiando todos os seus passos.

Como é que iria fazer para não ser pega?

...

Foi então que, depois de alguns segundos, não mais que de repente, a estratégia surgiu, como todas as outras estratégias surgiam em seus planos de batalha.

Inédita.

Aquela ideia era algo completamente novo...Diferente... E perverso, até. Tão doce quanto caramelos, mas tão incorruptível como uma muralha de 100 metros de espessura por 50 de altura.

Atena ficou pasma por alguns momentos, assustada com a própria genialidade.

Em seguida, sorriu satisfatoriamente...

Poseidon era um idiota se pensara que podia encurralá-la fácil.

Muito idiota.

x-x

Enquanto nadava pelos horizontes infinitos de água à sua frente- sua inacabável fonte de magnitude, Poseidon deixava que aquele sentimento de realização e glória circulasse por suas veias.

Sim... Adorava sentir a liberdade e o poder que só a água salgada lhe conseguia dar...

E tinha que aproveitá-lo, porque sabia que, assim que chegasse a seu destino, aquilo simplesmente desapareceria, para ser dado de lugar a outra sensação, infinitas vezes menos realizadora que aquela.

É. A culpa.

Era até irônico que mesmo com todos os argumentos inovadores de Lans, -que o faziam se sentir como se fosse o Dono do Mundo- já ditos e marcados em sua consciência com tinta permanente, a sensação de virtude desaparecesse tão rápido. Logo que não estava no alcance de continuar ouvindo as palavras dela, a culpa vinha e tomava o lugar da glória, simplesmente para dominá-lo.

Como se fosse um covarde.

Bem, era melhor engolir de vez que talvez fosse um mesmo.

Aquela era a melhor oportunidade que surgia em sua vida de conquistar tudo o que queria. Uma vingança para Atena. Uma reviravolta em sua situação com Zeus. Uma nova amante...

Mas era engraçado que esses troféus tivessem um gosto tão adstringente de vazio, quando vinham acompanhados da sensação que teria de partir com os próprios dedos todos os pedaços de Atena para isso.

Sim.

Havia prometido a Alana que não iria falhar. Que odiava Atena, e que queria vê-la na lama, assim como seu “querido irmão”.

Mas uma coisa era pronunciar as palavras, e a outra era colocar o plano em ação.

A ruiva dizia que ele não enxergava os horizontes mais amplos...Que de uma vingancinha aquele sequestro poderia passar a ser a data que marcava um período seu de prestígio e renovação...

Acontece que ele não sabia muito bem se queria mesmo prestígio e renovação, ao custo de roubar pela eternidade a felicidade de Atena para si.

Queria vê-la revoltada, indignada e frustrada por suas artimanhas vingativas do sequestro...Mas não tinha certeza se queria vê-la triste, partida em milhares de fragmentos de dor, por sua culpa.

O quão paradoxal aquilo conseguia ser?

Isso é, partindo do pressuposto de que conseguiria mesmo conquistar Atena.

Quer dizer, talvez, nem tivesse por que se preocupar. Talvez nem precisasse inventar uma desculpa esfarrapada para Lans -e ouvir seus furiosos protestos- para justificar sua desistência daqueles planos de dimensões catastróficas. Talvez estivesse subestimando a capacidade de Atena de se autoproteger, e de esquivá-lo.

E por um segundo desejou que fosse assim mesmo.

A cada minuto que passava, chegava mais perto da conclusão do que o que escrevera em uma daquelas cartas falsas- que não eram exatamente tão falsas, uma vez que precisara tirar o repertório de todas as suas lembranças e emoções para escrevê-las-, na verdade não era uma informação dissimulada para atingir Atena, e sim a mais insólita das verdades:

“A verdade, minha cara Atena, e eu só fui capaz de perceber isso hoje, neste maldito dia, é que eu sou incapaz de machucar você. Ou agredir você usando alguma coisa além de insultos.”

Mas não.

Não, não iria se esquivar agora. Não, depois de todas as suas juras e promessas.

Iria prosseguir tentando conquistar Atena. Sim, iria.

Só que não dominado por aquela terrível culpa.

Não necessariamente no objetivo de cumprir um plano maquiavélico e quebrar parte por parte da essência dela, sem piedade.

Não por isso.

Era...Apenas por vencê-la, e vê-la frustrada pela derrota, já determinada, e com um sorriso infantil no rosto, pronta para contra-atacar.

Era assim que aquilo deveria ser.

Apenas por curiosidade de saber até que ponto poderiam chegar...

x-x

-Atena?

Ao chegar na bolha, ou melhor, REDOMA –Poseidon quase não acreditava que Atena estava conseguindo fazer com que chamasse sua própria fantástica criação de bolha-, ao invés de invadir o espaço como qualquer criatura normal, ele decidira usar sua posição como Deus para se teletransportar de uma vez para o quarto.

É claro que poderia ter feito isso muito antes, diretamente, assim que deixara o Palácio, porém, não se arrependia nem um pouco de ter preferido ir pela água...

Aquela viagem de volta havia feito com que tirasse algumas conclusões importantes... Essenciais para que conseguisse continuar sorrindo tranquilamente daquela sua forma despojada, inteiramente aliviado.

Mas agora esse sorriso espontâneo dava lugar para um franzir de cenho característico, por não ter a mínima noção de onde Atena poderia estar.

O cenário do enorme quarto ao seu redor estava inteiramente vazio.

Apenas os móveis e objetos o habitavam, e lhe faziam companhia. Nada de uma loira petulante esparramada em cima da cama, e a porta de acesso ao banheiro também estava aberta, o que indicava que lá ela não poderia estar.

Foi quase uma surpresa, pois Poseidon estava quase convicto, que ao chegar, iria surpreendê-la com a boca na botija, investigando e descobrindo todos os acessos secretos de seu “esconderijo”.

Seria esperar demais que ela não o descobrisse, com toda aquela trilha de areia programada para guiá-la ao local.

Porém, ao inspecionar o quarto, nada parecia ter mudado, e os grãos espalhavam-se metodicamente, exatamente como tinha deixado antes de ter partido para o Palácio.

Era um tanto estranho...

Será que superestimara a curiosidade de Atena de descobrir os seus segredos?

Bem, só iria saber depois que a achasse na casa.

Vasculhou rapidamente o andar de cima, porém não encontrou nada fora do habitual...

Inspecionou com afinco a biblioteca, mas a menos que Atena tivesse descoberto uma forma de se esconder dentro das fibras da cortina, ela não estava ali.

-Atena? -Chamou uma vez, ou outra, mas só o eco lhe respondia.

Continuou a tentar acha-la, observando até a área da piscina –que lhe rendeu uma ideia muito interessante para o futuro-, mas foi inútil, porque só foi encontrá-la depois de ter investigado mais de metade dos cômodos da casa, debruçada na mesa da cozinha, lendo o que parecia ser um livro “curto”, para suas dimensões, e apenas bebericando uma xícara de café.

-Atena? – Chamou.

E finalmente veio a resposta que ele queria que tivesse vindo das outras vezes. Furiosos olhos cinza, de repente, desviaram-se do livro para irem repousar sobre ele.

Espera aí...Ele os chamara de furiosos?

Na verdade, estavam mais para coléricos!

-Poseidon?!

-Er...Sim. Estava procurando por você.

-Procurando...Por mim?

-Aham.

A deusa piscou uma. Duas. Três vezes.

Os lábios meio que levemente entreabertos.

Em silêncio.

Ficava um tanto quanto difícil decifrar o que ela pretendia fazer, depois de ficarem presos naquele embate de olhares penetrantes, de tal modo que se surpreendeu ao de repente observá-la saltar da pequena cadeirinha onde estivera sentada e ir de encontro ao lugar onde estava repousado, habilidosamente.

Ela chegou tão perto, que por um momento Poseidon até achou que ela fosse querer abraça-lo, mas isso foi antes de seus cachos voarem, abrindo espaço para a visualização de seu rosto pronto para o embate, e de ela estender o livro, com uma capa mais dura que mármore, e começar a entregar uma dolorosa dose de livradas furiosas em sua cabeça.

-ENERGÚMENO!...PLATELMINTO!...DEGRADÁVEL!...-Ela xingava por entre as livradas, aumentando a dose de força em níveis estratosféricos depois de cada palavra, de maneira que Poseidon não teve opção se não se proteger com os braços e tentar se esquivar da fúria simplesmente inexplicável recém-adquirida pela deusa.

-M-mas o quê?

-MENTECAPTO...EXECRÁVEL...BABACA!!! –Atena largou o livro na mesa, e passou a usar as próprias mãos para socar seu peito, num ódio que só poderia ser muito genuíno, pois fazia doer quase tanto quanto se seus poderes não estivessem limitados.

Poseidon não estava entendendo absolutamente nada.

-RÍDICULO! ESTÚPIDO! EGOÍSTA!

O que poderia ter acontecido para que ela reagisse daquela forma tão pseudo-obcecada e sedenta de ódio, à mínima visão de si?

Será que ela havia achado o caderno de cartas?

Será que havia sido gênia a ponto concluir que aquilo fora premeditado num plano para conquista-la?

Não...Era muito improvável...

Então...Por que...?

-IMBECIL! ANENCÉFALO...AH!! –Poseidon aproveitou um momento de ponto cego nos ataques dela, para segurar seus punhos, como sempre fazia quando queria imobilizá-la.

-Acalme-se, Atena!

-GRR...NÃO!

A tática era assisti-la se debater até parar, ou conseguir respirar naturalmente sem cuspir um de seus “elogios amorosos” a cada mínima fração de segundo. Daquela vez, porém, pareceu demorar mais tempo que o necessário para Atena ceder à sua força.

-Me solta!!! IDIOTA!

Nunca tinha visto a deusa tão irada com ele, quando não havia nenhum motivo óbvio.

Pareceu prolongar-se um século inteiro até ela desistir de se soltar em seus braços, e cerrasse as pálpebras.

Ficou cinco minutos lamentando-se em perpétuas-roxas, mais do que perfeitamente indignada.

-Atena. O que foi que aconteceu??!

Questionou, mesmo que soubesse que ela ainda não estava totalmente recuperada de seu ataque de ódio, e que pudesse voltar a se debater e protestar.

A deusa apenas continuou suspirando por um tempo. Minutos, para ser mais preciso, que para Poseidon pareciam ser infindáveis.

Só depois de então ela voltou a abrir os olhos.

Mas o olhar que lançou para ele era de uma frieza tão incomensurável, que até conseguiu fazer um arrepio correr-lhe da base de sua nuca para baixo.

-Será que posso saber aonde é que você estava, Poseidon?!