O Senhor do Tempo
1 O Relógio
Notas iniciais
Em mais uma manhã comum Rob caminhava tranquilamente pela rua como costumeiramente fazia a tempos, quando em sua frente vê algo que lembra um relógio, e de perto percebeu ser um de bolso, sem dúvida antigo mas com um certo tom de polido, olhou em volta pra notar alguém que em algum momento sentiria falta de tal objeto, mas nada além dele estava naquela rua, todavia antes que retomasse seu trajeto notou que começou a se juntar uma névoa ao seu lado e mais impactado do que corajoso ficou imóvel pra entender o que estava ocorrendo, e no mesmo instante que aquela névoa tomou uma certa forma humana um certo instinto de movimentar as suas pernas o mais rápido possível o aturdiu, entretanto a curiosidade o deixou absorto em pensamentos sobre o que estava acontecendo ali. Tentou por as ideias e ordem e começou:
—Tu és uma alma penada ou gênio que por qualquer circunstância louca saiu deste relógio? — falou em tom até meio cordial, sem deixar transparecer o susto, mas tinha plena convicção que sua feição não era das mais passivas.
—Olá meu caro, que bom saber que preferes saber as coisas ao invés de fugir do desconhecido, e não, não sou nenhuma dessas suas opções descritas, sou um ceifador e vim aqui para levá-lo comigo. — o susto foi imenso quando além de mexer a boca saiu um som bem definido de um homem feito e seu timbre calmo não o afugentou naquele momento, mas quando mencionou 'ceifador' e 'levá-lo' suas pernas foram de súbito tomadas por um impulso surreal pra sair o mais rápido dali.
—Calma rapaz, antes de levá-lo vamos conversar e vou te mostrar algumas coisas, fazê-lo entender as consequenciais das suas decisões. — falou isso logo após como um teletransporte surgir na frente de Rob logo que ele virou pra correr e com a mão na sua cabeça forçou seu corpo a obedecer.
—Pelo que posso notar não há escolhas aqui, mas se possível não queria morrer assim tão jovem, nem sou pai ainda, falta a companheira mas a vontade nunca diminuiu, rogo que tenhas piedade, pois não sou uma pessoa de má fé, e sempre tento fazer a coisa certa, por que tal punição ?
—Você não compreendeu, você é quem vai decidir, eu apenas estou aqui pra lhe mostrar algumas coisas, abrir seus olhos meu jovem, só lhe peço encarecidamente que se acalme e me atenda, não o farei mau algum e nem me passa pela cabeça levá-lo a força. — falando isso o soltou e como viu que sua intenção não era realmente de desmembrar ou estripar Rob ficou ali apenas tentando absorver toda aquela situação maluca.
—Olhe pra baixo, e vai começar a entender.
—Não é possível! — soltou a exclamação antes mesmo de pensar nela, quando baixou os olhos estava ali imóvel no chão com o relógio em mãos, e quando notou que o mesmo ainda estava nas suas o soltou de imediato e o pavor lhe dominou totalmente, como aquilo era possível?
—Viu, seu corpo vai ficar aqui um tempo, agora olha o que tem em seu bolso esquerdo, creio que vai se recordar muito bem do que é. — o tremor de susto não o deixava controlar seus movimentos, mesmo assim se abaixou e pegou algo que tinha por certo que não estava ali de manhã quando saiu de casa.
—Se ler vai entender do que eu estou falando, respire fundo e leia. — estava em choque e mesmo lendo mentalmente gaguejava e tentava entender o que era, e após algumas linhas ele começou a se acalmar e lembranças foram aos poucos reaparecendo inconscientemente, intrometidas e doces eram tais momentos que eram as palavras e lembranças que o estagnaram em um mundo paralelo onde só conseguia ver ela.
"Se um dia voltar a vê-la minha linda garota dos olhos de gueisha sem dúvida não lhe soltarei jamais, terá em meu peito consolo e morada pro resto de seus dias"... eram memórias que estavam a algum tempo tampadas com medo, rancor e remorso, que assim como o sacar de uma rolha de um vidro de vinho vem a tona tudo de uma vez só, inundando seu coração e mente com o que um dia já foi o maior sonho que teve na vida, tê-la em seus braços. Quando terminou de ler uma mescla de saudade e felicidade surgiam de um sorriso com os olhos marejados fixados no seu guia que ficou ali o contemplando enquanto lia e mesmo agora não demonstrava emoção ou movimento algum, e então:
—Creio que minhas palavras foram verdadeiras não?
Perplexidade era a palavra que vinha em sua mente pra descrever aquilo, como seria possível uma carta escritas a anos atrás e já a tempos destruída venho a tona logo agora, o que era tudo aquilo?
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