O Senhor de Gondor
5 Capítulo 5 - Uma Nova Jornada Muito Esperada
Os livros que Wallor conhecia falavam um pouco sobre o Condado. Relatavam que o povo de Gondor manteve uma grande amizade com os Hobbits por séculos após o reinado de Aragorn, o maior de seus reis. Não era incomum encontrar Hobbits circulando pelas antigas terras gondorianas.
Ao se aproximarem do Condado, depararam-se com um grande portão metálico adornado por detalhes rústicos. Ao redor, erguiam-se altas muralhas brancas sobre um gramado verde cerrado, refletindo a luz do sol com intensidade quase ofuscante. Aquela visão destoava bastante das histórias que Wallor ouvira sobre um lugar simples e aberto.
Diante do portão, dois pequenos guardas, menores até que Glorick, avançaram com lanças longas demais para seus próprios corpos. Vestiam armaduras que ocultavam os rostos e usavam botas grandes e marrons que ressaltavam seus pés largos.
— Parados! Quem são vocês e o que querem aqui? — ordenou um deles, apontando a lança.
— Somos homens de Gondor — respondeu Aratus com firmeza. — Eu sou Aratus, filho de Barethor, e amigo.
Os pequenos guardas cochicharam entre si e então retiraram os capacetes. Tinham cabelos encaracolados, olhos vivos e expressões surpreendentemente amigáveis.
— Seja bem-vindo ao Condado, senhor Aratus — disse um deles, acionando uma alavanca com o pé para abrir o portão.
Assim que entraram, a beleza do lugar se revelou por completo. Colinas verdes pontilhadas por portinhas redondas, algumas casas de madeira espalhadas, campos férteis cortados por riachos azulados. Crianças pequenas corriam e brincavam sob o sol alto, enquanto pássaros preenchiam o ar com seus cantos. Alguns Hobbits observavam os visitantes com cautela, outros com sorrisos abertos. Aquele cenário transmitia uma paz quase palpável, como um bálsamo para almas cansadas de guerra.
Aratus acendeu o cachimbo enquanto subiam uma colina onde surgiam mais casas, pequenas oficinas e plantações de fumo. Dizia-se que o fumo do Condado era o mais valorizado entre reis e nobres.
Foi então que uma voz fina, porém firme, ecoou do alto:
— Quem são vocês?
Sobre a colina, um Hobbit descalço balançava os pés peludos no ar, observando-os com os braços cruzados.
— Quem quer saber? — retrucou Aratus.
— Eu quero! — respondeu o Hobbit, emburrado.
— Você quer… ou alguém pediu que quisesse? — provocou Aratus, soltando uma pequena nuvem de fumaça.
Irritado, o Hobbit acabou se traindo.
— Diga a ele que estamos atrás dele — continuou Aratus. — Diga que somos amigos. E que o menino desaparecido foi encontrado.
A expressão do Hobbit mudou instantaneamente. Ele disparou colina abaixo sem dizer mais nada.
— Vamos esperar — disse Aratus, desmontando. — Ele não deve demorar.
Pouco depois, um homem surgiu no topo da colina, acompanhado de dois Hobbits. Usava uma capa cinzenta, gasta pelo tempo. Aproximou-se com os olhos brilhando.
— É verdade, Aratus? Você o encontrou?
— Sim. Ele está ali — respondeu, apontando para Wallor.
O homem aproximou-se e cravou a espada no chão diante do jovem.
— Meu rei.
Ao ver a lâmina, Wallor reconheceu as inscrições élficas, idênticas às gravadas em sua própria faca. O reconhecimento foi imediato.
— Levante-se — disse ele com suavidade.
Quando o homem se ergueu, foi Wallor quem se curvou.
— Obrigado… por ter salvado minha vida.
O homem sorriu e o puxou para um abraço. O capuz caiu, revelando cabelos negros e longos, presos atrás da cabeça.
— Fico feliz por ver que sobreviveu à queda. Acreditei, por muito tempo, que o havia condenado… e por isso abandonei meu posto de Guardião.
— E um dia nos encontramos — completou Aratus.
O homem assentiu.
— Meu nome é Tuandil.
Seguiram até a casa onde ele se hospedava. O interior era baixo, exigindo cuidado para não bater a cabeça. Sentaram-se à mesa enquanto os Hobbits serviam chá, pães e biscoitos.
— Eu sou Paladim Tuk — apresentou-se um dos Hobbits. — E este é meu primo, Tolman Gamgi. Pode chamá-lo de Tom.
Conversaram por horas, até Wallor levantar uma dúvida que o acompanhava desde a chegada.
— Os livros descrevem o Condado como um lugar aberto e pacífico. Não mencionam muralhas, guardas ou fortalezas.
Tom e Paladim trocaram olhares antes de responder.
— Isso mudou após a queda de Gondor — explicou Tom. — Saqueadores começaram a invadir nossas terras. Então os Frans se organizaram.
— Frans? — perguntou Hildwyn.
— Hobbits guerreiros — esclareceu Paladim.
Com o cansaço acumulado, decidiram descansar. Na manhã seguinte, a mesa estava farta como um verdadeiro banquete.
— E agora? — provocou Barad. — Para onde vai o rei?
— Rohan — respondeu Aratus. — Lá, Wallor pedirá ajuda diretamente ao rei.
Tuandil, porém, sugeriu algo mais.
— Irei à Floresta das Trevas buscar Guardiões.
Antes de partir, Aratus entregou-lhe o pergaminho encontrado em Orthanc. Tuandil leu em silêncio, o rosto endurecendo.
— Isto é língua negra… É um trecho sobre o Um Anel.
Ao ouvir os versos, um silêncio pesado caiu sobre o grupo.
— Mas o Um Anel foi destruído — murmurou Tuandil.
— Ainda assim, Eithor planeja algo — respondeu Aratus. — Precisamos descobrir o quê.
Animado, Paladim subiu numa banqueta.
— Se houve uma Sociedade do Anel… talvez sejamos a Sociedade contra Eithor?
— Definitivamente não — cortou Aratus, arrancando risadas.
O grupo então decidiu se dividir. Parte seguiria para Rohan. Outra parte partiria rumo à Floresta das Trevas.
E assim deixaram o Condado, cavalgando em direções diferentes, enquanto novos caminhos se abriam diante deles.

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