O Senhor das Florestas
1 O Pó da Terra
Notas iniciais

As crianças do povoado achavam aterrorizante que a família de Ascian vivesse tão perto da Floresta Profunda. O povoado já temia às florestas em geral, mesmo que precisasse delas para sobreviver, preferindo regiões abertas do campo ou largas clareiras. Velhas viúvas diziam que fantasmas eram atraídos pelas matas, e as crianças temiam fantasmas e outras coisas mais.
Ascian achava besteira. Vivia na floresta desde pequeno e nunca viu um fantasma. Mas a Floresta Profunda era um enigma que o atraía. Não de uma forma corajosa, mas alerta. Não tinha um dia que Ascian não estivesse atento à proximidade dela. Às vezes perdia horas na estranha afecção, parado na frente do casebre de madeira, estudando as sombras das árvores gigantescas como se algo pudesse sair de lá e alcançá-lo.
— Você se preocupa demais, meu querido – dizia sua mãe, a voz cheia de doçura. – Apenas não entre lá, e nada vai acontecer.
— Pare de aterrorizá-lo, Vivienne, criamos ele para ser homem – repreendia o pai quando ela tentava tranquilizá-lo, sempre afiando o machado.
Os irmãos lhe entendiam. Do mais velho ao mais novo, todos sabiam que a Floresta os espreitava, fosse para levá-los ao topo do mundo ou destruí-los ao pó da terra.
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