O Senhor das Florestas
8 O Brilho Destoante

A íris o assustou mais do que a criatura, e por instantes, tudo o que Ascian ouvia era a própria respiração. Então a criatura grunhiu novamente, atraindo sua atenção. Era da metade do tamanho de Hernan, o pelo coberto de musgo, com plantas maiores crescendo no dorso, mesmo algumas flores. Uma cauda de cipós arrastava pelo chão e os chifres eram galhos retorcidos.
Mas os olhos não pareciam pertencer à Floresta. O brilho suave lembrava à pérola que, uma vez, um velho lhe mostrara na vila, relíquia de outra época de sua vida. O detalhe destoante era belo de forma hipnótica. Ascian se agarrou a isso, aos olhos que não pertenciam à Floresta.
— É Soter! – Eiren reconheceu.
O animal os analisou, vagando ao redor deles com seus olhos brilhantes, o galho empunhado defensivamente por Hernan acompanhava seus movimentos. Todos conheciam as histórias: comer ou beber algo da Floresta lhe torna parte dela. Mas não imaginavam que fosse assim.
Hernan não sabia como agir. Era um perigo desrespeitar a Floresta, mas não baixaria a guarda. Decisão que se mostrou certa quando, desistindo de vagar com aquele ar ameaçador e as presas alvas expostas, Soter pôs os olhos sob Ascian e avançou.
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