O Senhor das Florestas
2 Não se deixar queimar
Notas iniciais

Ascian correu para fora do casebre, ainda sentindo o rosto arder com a marca de uma mão pesada. Sua alma clamava em fúria. Fúria demais para um garoto de sua idade.
— Cian! – Eiren o seguiu, preocupado. Tinha apenas oito anos, mas sentia perigo no medo do irmão, um medo que incendeia tudo ao redor antes de se deixar queimar. – Cian, espere!
— Deixe-me, Ren! – gritou. Não era dele que tinha raiva, mas do pai de ambos, que não poupava esforços para torná-los fortes. Era o que dizia sua mãe, com tristeza, sempre que passavam por isso. Ascian duvidava. O pai apenas tinha raiva e era mais fácil descontar neles.
Ascian não foi mais longe, não porque Eiren agarrou sua mão ou porque Hernan estava ali cortando lenha, alheio à última briga dentro da casa, mas porque a sombra fria das árvores o fez gelar mesmo com o sol brilhando alto.
Ascian olhou para trás, observando o pai partir para a Floresta e torceu com todas as forças para que ele nunca voltasse. Sua família sobreviveria sem ele. Hernan garantiria isso.
Seu desejo impetuoso não foi atendido, algumas pessoas não são destinadas a se perder. Ao fim da tarde, o pai retornou.
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