O Senhor das Florestas
6 As Frias Navalhas
Notas iniciais

Hernan segurava seu pulso como se temesse perdê-lo. Cauteloso, pois ao contrário dele, de olhar decidido e passos firmes, Ascian parecia disperso, deixando-se guiar pelo irmão. Se o soltasse, Ascian iria apenas parar onde quer que estivesse, e observar Hernan e Eiren se afastarem até estar completamente sozinho.
O pensamento arranhou seu peito por dentro, unhas longas e frias de navalhas. Pois Ascian via acontecer, mesmo que ainda estivesse ao lado deles, mesmo que lutasse para acompanhá-los. Estava parado. Ficaria só. As navalhas arranharam mais forte, querendo afogá-lo em seu próprio sangue, mas Ascian já sentira isso antes, sabia que não poderiam lhe ferir de verdade. Mesmo assim, faltava-lhe o ar, pesado e inútil toda vez que inspirava, névoa opaca do anoitecer dançando em sombras na sua visão.
Alarmou-se quando Hernan soltou seu braço, mas logo sentiu a mão firme em seu ombro. Não entendeu as palavras, mas a voz dele o tranquilizou. Lembrou de quando dormiram ao relento uma vez: Ascian, novamente por causa dos pequenos erros que cometia, tão insignificantes para a mãe, tão imperdoáveis para o pai; Hernan, porque não o deixaria sozinho, fosse uma noite na porta de casa ou a vida inteira na Floresta Profunda.
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