O Senhor das Florestas
10 As Crianças que nunca voltaram

Quando os meninos não apareceram para o jantar, Vivienne sentiu um terrível aperto, sentiu que testemunhara uma tragédia sem percebê-la, e essa distração custaria caro.
“Eles não iriam… Eles sabem que não devem…” Vivienne repetia, procurando-os pelos arredores. Ciente de que se enganava. Ela testemunhara. Viu, mas não interferiu. “Por quê?!”
Trombou com alguém no caminho, o crescente desespero impedindo-a de reconhecê-lo, mas ele a segurou.
— Vi? O que houve?
— Erick! Os meninos, eles sumiram!
— Espere, Vivienne! – Erick a segurou, impedindo que também ela corresse rumo às malditas árvores. Ela não conhecia os caminhos. Vivienne conseguiu se soltar, mas Erick correu atrás da esposa e caíram ambos, ele impedindo-a de levantar. Ela chorava.
— Eu vi eles entrarem… – confessou.
— Você não pode ir! Vou procurá-los, mas prometa que ficará aqui!
Só quando ela concordou, Erick levantou. Ele odiava estar na Floresta após o anoitecer, mas quanto mais tempo passasse, mais improvável seria encontrá-los. Refez o caminho de sempre: o único caminho real. Não os encontrou naquela noite, nem no dia seguinte. Sempre que voltava, Vivienne estava aguardando, ansiosa, apenas para ter a esperança dilacerada outra vez.
Meses depois, quando Erick já desistira, ela continuava esperando. Mas nenhum dos três jamais voltou.
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