Hernan arquejou, surpreso não apenas por encontrarem-se diante de uma Deusa Natural, mas uma dos veneráveis Cinco Primeiros.

— A Senhora da Terra!

— Sim? – Ela sorriu. O olhar ainda distante, hermético, estudou-os brevemente. – Digam-me, por que agora os humanos só me chamam assim? Antes vocês usavam meu nome. Algo aconteceu?

— A senhora também se perdeu? – Eiren perguntou, para o horror dos irmãos. Ela apenas riu.

— Não, pequeno. Apenas gosto daqui, a Floresta é muito interessante. Não acham? – Meldrie içou-se para fora do rio, olhando ao redor com muito mais interesse do que parecia ter pelas crianças, parando os olhos no caminho de onde o rio surgia. Depois voltou-se para eles, com um sorriso um pouco mais espontâneo do que antes. – Aqui há vida em tudo. Há vida nas árvores, nas águas e no ar, mas não nas pessoas.

Sem entender, Hernan apenas perguntou:

— Pode nos ajudar?

Ela ainda sorria quando respondeu suavemente:

— Não.

Surpreenderam-se com a resposta. Meldrie era conhecida como uma deusa boa.

— Precisamos voltar para casa! – disse Ascian, talvez alto demais, porém Meldrie não demonstrou irritação.

— Não é direito meu dizer à Floresta o que possuir. – Agora soava melancólica. Ela apontou uma direção. – Não ajudarei, mas posso orientar. Ouço humanos procurando-os. Se seguirem por ali, os encontrarão.

— Obrigado – disse Hernan, sinceramente, mas Ascian não sentiu gratidão por algo tão ínfimo. Antes que levantasse, a deusa pôs os olhos sobre ele, vívidos como se o enxergasse pela primeira vez.

— Cuidado no caminho. Pessoas se perdem e se acham na Floresta Profunda. Imagino qual desses acontecerá com vocês.

— Nós vamos voltar para casa – afirmou Ascian, defensivo mesmo sem entender o porquê. Talvez por ela ter negado ajuda ou por parecer tanto com a Floresta, Ascian sentiu algum desafio, uma descrença desdenhosa emanando dela.

— Ótimo, querido. Sempre preferi aqueles que se encontram.