O Semideus Solitário
5 o brilho na parede
Nico Pov’s on
Preocupação é um sentimento impossível de não sentir no momento atual, quando um dos seus poucos amigos corre o risco de levar uma vida como a sua e de ser um parente próximo é muito assustador. O comportamento de Alice me é familiar, como se eu conhece se alguém como ela, mas se você levar em consideração que todo meio-sangue conhece o comportamento normal dos deuses, as vezes fica difícil saber com quem a pessoa se parece mais.
Eu e Alice estamos na escola em encostados na parede do corredor esperando Jace Randy sair da sala dele, se ele é um sátiro deve saber se Alice é uma meio-sangue.
Quando um menino alto, com a pele bronzeada, muletas e gorro sai da sala indo em direção a cantina eu pergunto a ele:
— Você é Jace Randy?
— Sou, e você deve ser o Nico di Ângelo como o Quiron disse. Essa é a menina que foi atacada pelo minotauro?
— Sou- Alice responde, ela não parece animada, mas sim tranqüila ate indiferente.
Jace esticou a mão e segurou a de Alice, levando-a ate perto do Nariz, cheirando as pontas dos dedos dela. Se ele fez isso ela não deve ter um cheiro forte, o que significa que ela é uma mortal mesmo ou filha de um deus menor e que ela na vai ser atacada por monstros com tanta freqüência. Esse simples movimento me fez ficar mais feliz do que o normal, o normal é eu não estar feliz então isso foi realmente bom.
— Realmente o cheiro dela é bem fraco, ela deve ter pegado de você,- Jace disse me olhando, é uma boa noticia para mim.- mas ainda tem a chance de ela ser filha de um deus menor , o melhor que podemos fazer é esperar algum deus assumir ser o parente.
Começamos ir em direção á cantina, lembrando do motivo de eu estar na escola eu pergunto a Jace:
— Você sabe algo sobre aquele monstro que tem atacado os alunos a alguns messes?
— Já ouvi falar dele, parece que sumiram quatro alunos dês de a metade do ano passado, infelizmente eu não consegui sentir o cheiro de monstros aqui ainda, faz cinco messes que estudo aqui e não descobri nada.
— O monstro deve ter percebido você e começado a te evitar- Alice disse entrando na conversa- se ele puder se disfarçar de humano é mais fácil para ele, principalmente se ele tiver alguma influencia na organização da escola.
— É, mas os sátiros podem sentir o cheiro de monstros a muitos metros de distancia.
— As coisas estão complicadas para o nosso lado- eu digo – Tem noticias recentes do acampamento?
— Parece que está tudo normal, dizem que você vive rondando o país, tem noticia das caçadoras?- Jace responde, todos os meninos adoram as caçadoras, mas elas não gostam da gente.
— Não as vejo desde a batalha de Nova York, queria saber se Thalia está bem.
— Quem é Thalia?-Alice pergunta – você falou dela na luta do minotauro.
— Ela é minha amiga, filha de Zeus, líder das caçadoras de Artémis, ela é bem legal.
— E bonita – Jace acrescenta.
— É, muito bonita.- eu concordo , o que posso fazer ? É a verdade.
Alice pareceu triste, sempre tenho a impressão que ela esconde tudo o que sente para não incomodar as pessoas, mesmo que o que ela sente seja importante para os outros.
....
Durante a aula de literatura, que é a ultima de sexta, Alice e eu conversávamos sobre espadas e armas do tipo, mas ela não estava muito animada, se for o fato de ela não ser uma meio-sangue as expectativas dela deviam ser altas.
— Mesmo que você lute bem – eu digo- sua espada deve ser feita de um material especial para que consiga matar os monstros.
— Minha espada funciona contra os monstros, a Adaga também.
— Onde você as encontrou?
— Eu pedi para meu pai e ele mandou fazer elas com um metal que tinha lá em casa.
— Na sua casa?
— É- Alice me respondeu, ela ficou vermelha e começou a olhar fixamente para as próprias mãos sobre a mesa- Se você quiser você pode ir para minha casa depois da aula e eu te mostro onde tem mais.
— Ta bem.- eu nunca fui na casa de um amigo antes, é estranho que eu só tenha feito amigos fora do Hotel Lótus agora.
Quando a aula acaba eu e Alice vamos de moto até a casa dela, quando entramos um homem ruivo sentado no sofá com o jornal em mãos encarava a mim e a Alice.
— Bom dia Alice, vejo que trouxe visitas. — ele fala parecendo bravo.
— Oi pai, -Alice diz gentilmente, eles não parecem parentes, a única coisa que tem em comum são os cabelos ruivos, mas os de Alice são mais vermelhos.- Esse é o Nico di Ângelo, meu amigo da escola, ele veio para fazer um trabalho da escola.
As palavras “amigo da escola” pareceram deixar ele mais feliz, Alice me puxou para o andar de cima, para dentro de um quarto com as paredes brancas com pôsteres de filmes e de historias em quadrinhos, as prateleiras eram lotadas de livros e a mesa de cadernos de desenho, em cima da mesa estava o computador, deve ser o quarto de Alice. Ela deixou a mochila na cama e me disse:
— Deixe a mochila aqui, quanto menos coisas levarmos para lá melhor.- ela abre o armário e começa a mexer em algo lá dentro. Deixo minha mochila ao lado da dela.
Quando um rolo de gaze cai no chão e Alice se abaixa para pega-lo eu percebo que tem vários deles no armário e que Alice tinha amarrado um pouco no ombro e escondia sob a manga da camisa.
Eu seguro o braço dela e afasto a manga da blusa dela mostrando todo o curativo que estava levemente vermelho.
— O que aconteceu?- eu pergunto.
— O minotauro fez ontem antes de você chegar, sangrou pouco porque fiz o curativo rápido, mas não ficou muito bom.
— Ainda dói?
— Bem pouco, menos que a perna.
— Sua perna também?
— Não foi grave, só machucou um pouco quando ele me puxou.
-Queria ter chegado mais cedo, ai nada disso teria acontecido.
— Não tem problema, eu estou bem. -Alice diz dando o sorriso mais lindo que já vi.
Não importa o que aconteça não consigo ficar bravo com Alice, ela parece sempre saber o que dizer para me deixar melhor. Mas tenho a impressão de que não consigo deixar ela feliz do mesmo jeito.
-Aconteceu alguma coisa?- Eu pergunto- Você parece meio triste dês de a conversa com Jace hoje de manha.
O sorriso some e ela fica vermelha de novo.
— Não foi nada, eu to bem, juro.
Eu pego a mão dela e beijo sua bochecha, a pele dela é quente e macia e como tudo nela da à sensação de conforto.
-Você sabe que pode me contar qualquer coisa.-eu digo.
-Eu sei. É melhor irmos logo, meus irmãos voltam da escola daqui a pouco, não vou poder te mostrar o ferro da espada com eles aqui.
Descemos dois lances de escada até o porão onde as paredes são de pedra e uma delas está mais irregular que as outras. De mais de um dos buracos nessa parede saia uma leve luz bronzeada como a luz que saiu da mochila da Alice no meu primeiro dia de aula.
-Como isso veio parar aqui?- eu pergunto. – Aqui é muito perto da superfície.
— Meu pai disse que comprou a casa de um amigo que fez tipo um armário dentro das paredes, que tinha esse material, você sabe o nome desse tipo de ferro?
— Não tenho certeza mais acho que é bronze celestial.
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