Notas iniciais
Demorou, mas aqui está o capítulo novo!

Nico Pov’s on

– O jantar está servido.- Amélia disse com a voz rouca que me deu arrepios. Ela pulou na minha direção, os olhos ficaram completamente vermelhos e seus caninos cresceram.

Amélia teria me acertado e me matado se Andrew não tivesse me puxado para trás de uma mesa, mas não fiquei escondido ali por muito tempo.

Com a espada em mãos pulei por cima da mesa e ataquei Amélia, que segurou a lamina com as mãos.

Rose e Patrícia se aproximavam de mim com as garras a mostra, Fred estava deitado no chão horrorizado e Andrew continuava atrás da mesa, mexendo nos vidros coloridos que haviam no fundo da sala.

–Você pode me ajudar aqui?- gritei para Andrew.

–Dá para você parar de gritar comigo?- Andrew gritou de volta, saindo de debaixo da mesa e jogando um tubo de ensaio em Patrícia e outro em Rose, os tubos fizeram uma pequena explosão no rosto de ambas, que deram alguns passos para traz, esbarrando nas mesas e caíram no chão.

Eu não estava mais olhando na direção de Amélia,eu estava distraído pelo modo de Andrew de agir, então não percebi quando Amélia soltou a espada e saiu do caminho da lamina, a falta de apoio fez eu cair para frente, arrancando risos de Amélia.

Andrew puxou a adaga de dentro da bota e correu na direção de Amélia, desferindo um golpe na barriga da empousai, fazendo um corte profundo e largo. Amélia pareceu furiosa, com raiva nos olhos ela estendeu os braços e agarrou os ombros de Andrew, puxando-o para mais perto de si e mordeu o pescoço dele, que gemeu de dor.

Andrew tentava se soltar mas Amélia o segurava com força.

Me levantei e , com a espada, atingi o ombro de Amélia, perfurando seus ossos e sua carne. Amélia se decompôs em areia e Andrew caiu no chão de joelhos, presionando a base do pescoço, onde a empousai o havia mordido, a blusa branca estava suja de vermelho e ele devia estar fazendo força para não chorar.

Patrícia já estava de pé e Rose continuava jogada no chão.

– Você matou minha irmã.- A empousai me fitava com desprezo- Agora terei minha vingança.

Mais agil do que a anterior , a empousai veio em minha direção, fincando as garras no meu estômago, senti meu sangue escorrer pela blusa. Fiz um corte no braço que me atingira, fazendo-a me soltar. A lamina da espada, dentes e garras colidiam, emitindo sons agudos.

Patrícia é, com toda certeza do mundo, muito mais forte do que Amélia, mesmo que não pareça quando elas estão em suas formas humanas.

Talvez não seja uma questão de força física mas sim a força de vontade. Amélia queria me matar para conseguir alimento, mas estamos em uma escola, que é como um supermercado de adolescentes para os monstros. Mas para Patrícia é algo mais pessoal, fui responsável pela morte da irmã dela e ela esta buscando por vingança, de certo modo eu entendo como ela se sente, mas não posso culpar ninguém pela morte de Bianca, ela se sacrificou por que quis, mas ainda assim coloco a culpa em Percy, que deveria tomar conta dela.

Será que é assim que Percy me vê? Como um monstro louco por vingança que quer devorar o rosto dele? Não quero que ele me veja assim.

Mas não é hora de pensar nisso , tenho que me concentrar no combate.

Patrícia mostrou os dentes e quase me mordeu, mas sai do caminho e coloquei a espada no lugar onde estava. Patrícia abocanhou a lamina, cortando os próprios lábios, de um jeito que fez ela ficar parecida com o Coringa do Batman.

Ela deu um passo para trás levando as mãos a boca e fazendo um barulho parecido com um rugido. Com os olhos cheios de fúria, ela agarrou meu braço perfurando minha carne com suas garras.

A boca de Patrícia se abriu em um angulo impossível bem próxima a meu rosto, talvez ela fosse capaz de engolir toda minha cabeça de uma vez. Como Patrícia não tinha me agarrado pela mão que maneja a espada, consegui fazer um corte profundo em seu pescoço com a lamina negra.

Antes que ela se transformasse em areia, o rosto dela mostrou uma expressão de duvida, como se não soubesse como consegui mata-la.

Rose ainda estava na forma humana, olhando Alice deitada na mesa do professor, que já começava a abrir os olhos.

–Sabe, eu prefiro semideuses vivos, é mais divertido devora-los assim.- Rose disse calmamente, mostrando sua total falta preocupação nas consequências de tirar a vida de uma pessoa.

Fred que estava sentado no chão se levantou e quase caiu no chão ao esbarrar em uma mesa, ao invés de sair pela porta, ele pulou pela janela que estava mais perto, estamos no primeiro andar então ele não deve ter se machucado.

Fred é um completo covarde.

Por outro lado, Andrew se mostrou mais corajoso do que aparenta. Andrew se levantou e ficou ao meu lado, pronto para me ajudar em qualquer luta que possa acontecer, mesmo com o machucado no pescoço que ainda sangrava.

–É até bom que Lucia, Amélia e Patrícia estejam mortas.- Rose disse olhando as unhas das mãos- Assim sobra mais para mim.

Rose se aproximou de nós, uma das pernas ficou com a cor de bronze e a outra se transformou em uma pata de burro, as unhas pintadas com esmalte rosa fosforescente viraram garras, a pele ficou branca como papel e os olhos vermelhos.

Dei um passo para trás, colocando a espada a minha frente e Andrew fez a mesma coisa com a adaga.

Mas antes que eu ou Andrew pudéssemos fazer qualquer coisa, Rose se desfez em areia, revelando uma espada de bronze empunhada por Alice.

– Eu não vou ser a inútil que vai deixar vocês morrerem!- Ela disse apontando a ponta do florete para o rosto de Andrew e o meu.

– Tá bom...- Eu disse sem entender direito o que estava acontecendo.

– Que seja.- Andrew disse saindo da sala.- Vamos sair da escola antes que Fred conte para alguém o que ele viu.

– Mas tem a névoa.- Eu disse seguindo ele pelos corredores.

– Esse pode ser nosso maior problema, não sabemos o que a névoa fez ele ver, do jeito que ele saiu correndo da sala não foi nada bom.- Ele respondeu.

Resolvi que acompanharia Alice e Andrew para a casa deles, depois eu voltaria para a escola e pegaria minha moto.

Alice cobriu o rosto com as mãos e suspirou murmurando:

– Nossa, estou muito cansada.

– Imagina eu.- Andrew eu falamos ao mesmo tempo.

Saímos da escola e íamos parar primeiro na casa de Andrew, que conversava animadamente com Alice sobre um livro que eles leram.

Acho que eles são as poucas pessoas que hoje considero meus amigos de verdade.

A casa de Andrew tinha dois andares com as paredes amarelas, uma porta grande de madeira se abriu pouco depois que Andrew tocou a campainha. Quem atendeu a porta foi um homem alto e magro , com olhos verdes e cabelos loiros como os de Andrew.

– Andrew, o que aconteceu com você?- O homem perguntou quando viu a blusa manchada de vermelho.

– Tinham umas empousai no baile e acabamos lutando com elas.- Ele respondeu olhando para o chão.

– Mas você está bem? É melhor você entrar, temos que fazer um curativo nisso.- O olhar do homem pousou em mim — Filho, esse é aquele Nico di Ângelo de que você tanto fala?

O rosto de Andrew ficou muito vermelho e ele falou nervoso:

– É pai, sabe ainda estou sangrando vamos entrar e fazer logo esse curativo!- Ele empurrava o pai para dentro da casa como se sua vida dependesse disso- Tchau!

Andrew bateu a porta com força e pude ouvir um suspiro de alivio vindo de dentro da casa. Eu e Alice continuamos a andar, indo na direção da casa dela.

– Nico, eu tenho que te falar uma coisa,- Alice falou em voz baixa.-É sobre seu primo.

– O que tem ele?- perguntei curioso.

– Esses dias eu tenho tido uns sonhos estranhos recentemente, se eles forem visões como você disse que sonhos de semideuses costumam ser, então será você que vai encontrar o Percy.

– Como assim? Onde eu vou acha-lo? Onde ele está?- Me coloquei na frente dela, exigindo sua atenção.

– Eu não posso te dizer, Hestia disse que é para minha segurança. E quando encontrar Percy finja que não o conhece.- Alice respondeu fitando o chão.

–Pa-para sua segurança?- perguntei dando um passo para trás, então essa era a informação que Hera disse que eu não podia ter: o lugar onde Percy está. Se Hestia não tivesse avisado Alice, Hera viria atrás dela, tenho que agradecer Hestia.

– Agora você vai atrás do seu primo não é?- Alice falou com um sorriso forçado no rosto ainda olhando para os próprios pés.

– Desculpa, mas eu preciso.

Precisa do quê morte junior?

Eu e Alice nos viramos para ver quem era o dono da voz e ali estava uma garota de cabelos negros e pele clara.

– Patrícia?- Perguntei, como ela pode estar aqui se a matei faz uma meia hora?

– Não! Eu sou Lucia! Por acaso não se lembra das pessoas que matou?

– Mas eu te matei faz uma semana! Como está aqui?- Ignorei a pergunta por que na verdade, não me lembro de todos os monstros que matei, a menos que eu tenha feito isso mais de uma vez com ele, se me mandarem fazer uma lista acho que não conseguiria escrever nem um terço deles e com certeza não lembraria do nome de todos.

– Os tempos mudaram Di Ângelo, agora voltamos mais rápido.

– Já estou nesse século há um bom tempo, sei que não é tão rápido assim.- Eu disse tirando a espada da bainha.

– Nesse século?- Alice perguntou retirando o laço do vestido e puxando a espada.

Acho que me esqueci de falar para ela sobre isso.

– Eu te explico depois. E lembra de quando disse que não me deixaria morrer?

– Sim...

– Eu não vou ser o idiota que vai deixar você morrer tentando me salvar.

– Que tal nenhum de nós morrer hoje?

– Combinado.

– Eu gosto da idéia da morte de vocês,- Lucia falou dando um passo a frente- Mas antes quero que me digam onde minhas amigas estão. Já procurei por elas no apartamento e na festa da escola e acho que vocês fizeram alguma coisa com elas.

– É, você esta certa, mandamos elas para o lugar em que deveria estar agora.- Respondi. O vermelho tomou conta dos olhos de Lucia, a pele perdeu a cor, presas surgiram em sua boca e tenho certeza de que as pernas se transformaram dentro das calças do moletom roxo que ela usava.

Lucia pulo na direção de Alice apontando as garras para o rosto dela. Alice se abaixou e deu um passo para o lado enquanto fincava a fina lamina do florete no estômago da empousai, que tentou agarrar as costas de Alice, mas antes que ela pudesse chegar perigosamente perto cortei a mão dela fora, fazendo-a gritar de dor.

Alice deu uma rasteira na empousai, antes que pudesse atingir o chão, Alice lhe cortara o pescoço e apenas sobrou areia do que antes chamavam de Lucia.

– Você é boa.-Eu disse com um meio sorriso observando a areia ser levada pelo vento.

– Como assim você já passou bastante tempo nesse século?

– Eu passei um tempo morando em um hotel em que o tempo passava mais rápido dentro dele do que fora, tipo Nárnia.

– Ah tá, até que faz sentido.- Pronto, se isso faz sentido para ela, significa que ela já se acostumou com o "mundo mágico"- E o que ela quis dizer com "voltamos mais rápido"?

– Isso quer dizer que as portas da morte foram abertas.

Como o esperado, Alice permaneceu em silencio, ela odeia fazer perguntas, mesmo que esteja morrendo de curiosidade por dentro, as duas que ela acabou de fazer já são o bastante por hoje.

– Quando abertas as portas da morte permitem que os monstros voltem do Tártaro e que os humanos voltem para o mundo dos vivos.Fecha-las parece ser tarefa de um Hades, não é?

– Desculpa, mas tem.- Alice colocou uma mão atras do pescoço e fitou o chão.

– Como fará para fecha-las?

– Terei que ir até o ponto mais fundo do Tártaro e ...

– Ate o fundo do Tártaro?!- Alice perguntou assustada me interrompendo.- Mas como você vai fazer isso?

– Eu dou um jeito.

– Me promete que vai voltar?- Os olhos marejados de Alice me fitavam implorando por uma resposta.

– E-eu tenho que ir buscar minha moto na escola e depois eu vou partir, diga adeus a Andrew por mim ok?- Falei desviando o olhar de Alice.

– Ok.- Ela disse em um tom triste.

Antes que eu pudesse me virar e ir embora, Alice me abraçou com força e escondeu o rosto em meu peito. Antes que me desse conta, estava a abraçando com força e afagando seus cabelos vermelhos como fogo.

–Vou sentir saudade.

– Eu também.