Alice Pov's on

Não estou muito Animada com os acontecimentos de amanhã então passei a noite acordada , tentando atrasar a ida ao zoológico e qualquer outra coisa que venha a acontecer amanhã. Lá pelas dez da noite eu comecei a rabiscar nas folhas brancas que eu uso para treinar o meu desenho.

Eu estava quase inconsciente do que estava fazendo , deixando minha mão deslizar pelo papel levando o lápis consigo e os meus pensamentos serem arrastados pelas musicas que tocavam em meu head fone. Passei quase duas horas no mesmo desenho que era de um menino que parecia triste sentado no chão olhando uma pequena estatua preta como se ela tive se lhe custado algo muito importante, ele usava calça jeans, coturnos pretos e um casaco de aviador , ao seu lado havia uma espada , o cabelo escuro e os olhos mais ainda, a volta dele haviam vários ossos de tamanhos e formas diferentes, alguns deles pareciam grandes demais para serem de humanos ou de animais.

Quando o desenho ficou pronto eu coloquei em uma cadeira próxima a minha cama e encostei a minha cabeça no meu braço e em segundos eu cai no sono sem tirar a mão do desenho e sem saber quem era o garoto mostrado nele. Meus sonhos foram confusos e estranhos.

No sonho eu estava em um lugar escuro, onde era difícil se ver qualquer coisa,eu usava as mesmas roupas de quando adormeci, shorts jeans, uma blusa verde e um casaco preto eu comecei a andar e tropeçava o tempo todo em coisas que eu suspeitava serem ossos, meus olhos se acostumaram a escuridão quando eu parei de andar. Alguma coisa fria encostou em minha mão direita e eu descobri serem dedos, me virei para ver a quem pertenciam e encontrei o menino do desenho de pé na minha frente me fitando parecendo preocupado,

O menino se aproximou e encostou a testa na minha, me olhando nos olhos, meu rosto ficou muito vermelho e uma lareira se acendeu a alguns metros de nós. O menino do desenho colocou alguma coisa no bolso do meu casaco e disse:

-Você sabe quem eu sou, me devolva isso da próxima vez que me vir.

Pela voz eu o reconheci, mas não conseguia disser seu nome, como se os sons que formam seu nome não existissem. Ele sorriu e eu acordei, a folha do desenho não estava mais em minhas mãos e a lareira do sonho apareceu em minha mente, eu desci as escadas correndo e fui em direção a sala.

As chamas dançavam na lareira e a folha no meio delas, porem as chamas não encostavam nela como se algo as impedisse de queima-la. quando me aproximei das chamas elas se afastaram como se quisessem que eu tirasse a folha, minha mão entrou na lareira e pegou o papel mas quando ia sair de la as chamas foram em minha direção e envolveram minha mão, o fogo era gostoso de tocar e não machucava, então eu me lembrei da vez em que eu estava na casa da minha avo aos dez anos de idade e fiz algo parecido mas eu tinha me sentado na lareira acesa quando senti frio e estava com medo do escuro, minha mente se encheu de momentos assim em que eu mexia com fogo e ele não me queimava, era mais como se ele me acolhesse.

Eu tirei o desenho da lareira e coloquei as mãos de volta no fogo e tirei-lhe um pedaço, olhei em direção ao espelho que ficava a alguns passos de onde eu acidentalmente coloquei minhas mãos próximas as pontas do meu cabelo , que ficaram amareladas e brilhantes, as faixas de luz dançavam no meu cabelo como chamas e aos poucos elas foram se reduzindo ate sumirem, aonde elas passaram o cabelo ficou levemente mais vermelho.

Eu fui em direção ao espelho e coloquei a mão direita nele. Eu nunca me olhei muito no espelho, nunca me achei bonita e agora estava curiosa em relação a minha aparência, o cabelo mais vermelho em alguns pontos do que em outros e os olhos amarelos brilhantes, eu seria capaz de fazer crianças chorarem de medo, mas eu gostei, parecia mais comigo do que se eu tive se outra aparência.

O relógio que nunca tiro do pulso dizia que eram quatro da manhã, seria melhor eu voltar a dormir para não passar o dia cansada, peguei o desenho e fui para o quarto, antes de guarda-lo olhei uma ultima vez para ele , agora era claro como água , eu tinha desenhado o Nico mesmo sem perceber. Meus olhos se concentraram na estatueta na mão dele e eu coloquei a mão no bolso do casaco sentindo uma forma estranha la dentro, quando tirei-a de la vi a mesma estatua do desenho, se ela pertence ao Nico vou devolve-la amanha e falar com ele sobre o fogo e os sonhos, talvez ele saiba de alguma coisa.

Um pensamento veio a minha mente me perturbando e afetando meu sono: se eu for uma semideusa significa que meu pai ou a minha mãe não são minha família de verdade, ou não sou filha de nenhum deles, eu sou muito parecida com os dois então , quem é meu parente mortal de verdade?