Notas iniciais
Esse conto é mais interpretativo. Alguns não irão compreender ele.
As descrições de cores, animais, e falas tem um significado interpretativo.

E ali estava a silhueta daquela garota. Novamente. Meia-noite. O início de um novo dia. O sol branco atrás da janela. As mãos daquela jovem penetravam seus seios. Aquele chiado. Suas mãos puxavam a sua pele, destruíam seu corpo. Eu abro meus olhos e o relógio marca meia noite e uma. Reviro-me na cama e volto a dormir.

Toda noite o mesmo sonho.

Nasci em berço de ouro. Sempre fui privilegiada. Não por causa do meu berço, mas por outras coisas que não consigo explicar. Desde pequena eu era diferente. Aos dez anos de idade já falava dez idiomas, tocava violino e piano. Aos doze aprendi a desenhar retratos. Aos dezesseis comecei a ser taxada como louca. Caso esteja pensando que minha vida sempre foi repleta de coisas boas, está redondamente enganado. Aos dezessete, enquanto eu pintava um quadro de um cavalo negro guiado por uma dama pálida, minha mãe falecera. Fiquei triste. Não por sua morte, mas sim pela falta que ela faria a mim. Por outro lado eu estava feliz. Tanto que desenhei um quadro. A sala onde ela foi baleada, com os moveis em tons azulados e roxos e ao lado, um quarto todo branco, decorado de ouro e flores das mais diversas cores.

Ainda lembro quando falei para o meu pai sobre os meus sonhos. Ele chorou. Falou que eu me tornaria um monstro renegado por todas as pessoas. Nunca compreendi isso. O que há de errado nisso? É algo tão natural. Ate é hoje lembro-me dele, me limpando. “Irei tirar este demônio de você”. Suas palavras nunca saíram de minha cabeça. Acho que nada nunca saiu de minha cabeça. De minha memoria. Já acreditei varias vezes que eu poderia ser um elefante, mas nunca consegui achar minha tromba.

Aos dezoito anos... Ah! Melhor época da minha vida. Foi quando compreendi o que significa a maioridade. Meu pai me levou a uma viajem. Hospedamo-nos no hotel. Meu quarto era completamente branco a almofadado. E ali eu fiz meus dezoito anos. Meu pai me deixou sozinha. Deve ser algo que devemos fazer com os filhos quando eles se tornam independentes. E finalmente eu entendi os meus sonhos. Coloquei minhas mãos em meus seios e os puxei ferozmente. Não senti dor. Foi maravilhoso. Milhares de borboletas saíram de dentro de mim. Elas eram lindas. E justamente a mais linda, a mais colorida pousou em meu nariz. Me distrai por alguns minutos e quando ela voou, ali estava. Montanhas de sorvete e rios de chocolate. Plantas de todas as cores. Minha mãe em uma gangorra, meu pai com os braços abertos para me abraçar. Eu descobri o verdadeiro mundo. A verdadeira felicidade.

Mas como nada é perfeito. Vez ou outra vejo uma velha bruxa dizer para outra bruxa: “Pobre criança. Nunca teve infância e agora vive uma. Seu pai matou a mãe roubando a herança da menina e depois estuprou a pobre garotinha dizendo que ela era lesbica. Agora ela esta aqui, louca! Coitadinha.”

Às vezes em que choro. Choro por essas pessoas que vivem em um mundo falso, cheio de dores, angustia e miséria. O que as impede de enxergarem esse mundo que eu vejo? Afinal. Ele é real. A borboleta de luz branca me disse isso!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.