O Segredo dos Caçadores
9 Dor
Notas iniciais
Lucelin caminhava pela cidade deserta, procurando qualquer sinal de vida. Ergus havia ido para o outro lado, provavelmente queria ficar sozinho. A garota se perguntava se mesmo agora que ele voltou a ser humano por motivos desconhecidos, ele ainda estaria ligado à ela como guardião. Lucelin olhou para o chão, só queria que Ergus continuasse ao seu lado.
A caçadora colocou as mãos nos bolsos, o frio estava pior do que antes, e provavelmente nevaria. Mantinha os passos calmos enquanto andava, precisava saber de algo, onde estavam, onde Dylan estava. Lucelin sinceramente esperava que o garoto estivesse em casa, longe daquele lugar.
Dylan esteve distante durante a última semana, e quando se encontravam ele mal olhava nos olhos da garota. Lucelin se perguntava se o garoto tinha outros amigos, nunca o viu com ninguém durante as semanas que se passaram. Dylan parecia realmente solitário.
Lucelin chutou uma pedra no chão, irritada.
– Mas, que ódio! – Ela gritou, tão alto que se alguém pudesse ouvir a mandaria para um hospício – Que merda é essa? Cadê todo mundo? Porque isso está acontecendo?
Nada, nem o som de cães latindo ou de pássaros. Não havia um ser vivo além de ela e Ergus.
Estreitou as sobrancelhas lembrando da tarde passada, onde achou ter visto Connor, era impossível, mas, era tão real. Lucelin se sentiu realmente triste ao lembrar da expressão no rosto dele, aquilo a machucava, principalmente vindo de Connor. Porém, se não era o garoto, quem ou o que poderia ser?
Parou de caminhar ao sentir um vento forte soprando contra seu corpo, fazendo seus cabelos se soltarem e caírem por cima de seus ombros, teve que fechar os olhos por causa dos grãos de areia que vieram com a ventania. Cheiro de grama molhada a atingiu em cheio, um cheiro nostálgico.
Ao abrir os olhos se viu de frente para um pequeno parque, o sol tocava sua pele esquentando-a, era verão e ela havia acabado de fugir de outra família adotiva.
Olhou para trás, estreitando as sobrancelhas, confusa.
– O que estou fazendo aqui? — Se perguntou passando as mãos sobre os cabelos, as memórias passaram por sua cabeça como um flash. O casal que nem se importou em guardar os nomes, a acolheram semana passada. Por algum motivo, seus outros filhos adotivos não foram com sua cara, e arranjaram brigas por coisas completamente idiotas, como o espaço no guarda-roupa, o tanto de comida e até mesmo por roupas emprestadas.
Bufou, por que tinha que passar por aquilo? por que não podia viver por sua conta? Se sentou em uma das balanças e olhei para o céu, o verão estava quase acabando, e as folhas das árvores ja tomavam um lindo tom amarelado.
Cerrou o cenho, algo lhe dizia que não deveria estar ali.
– Querida – A voz de Marie Valentine surgiu as suas costas – Então é aqui que você estava – Marie se aproximou, ela vestia um casaco bege sobre suas roupas brancas de médica e seus cabelos castanhos estavam amarrados em um coque, a mulher se sentou no balanço ao seu lado, empurrando o corpo levemente com as pernas, ela sorriu – Que nostalgia! Eu adorava brincar nisso quando era criança.
– O que você faz aqui? – Lucelin perguntou.
Marie olhou para a garota.
– Me disseram que você havia fugido de outra casa e fiquei preocupada, você já tem 14 anos, ficará difícil uma família te adotar – ela explicou – Sabe, Lucy, eu sou a médica do orfanato, é minha responsabilidade que vocês estejam a salvo e saudáveis – Marie sorriu.
– Não preciso que você se preocupe comigo – Lucelin apertou as correntes que seguravam o balanço – Vocês deveriam me deixar em paz, aquelas famílias, o orfanato, não é meu lugar.
– E onde é o seu lugar? — A médica perguntou, sua voz pareceu distante.
Lucelin olhou atentamente para os próprios pés, os ombros enrijecidos. As palavras rondavam em sua cabeça, procurando alguma resposta sequer. Em toda sua vida, nunca teve um lugar, uma casa, para chamar de sua. Muito menos uma familia, Marie foi a única pessoa que por durante anos nunca a olhou daquela forma assustadora.
As folhas das árvores começaram a cair, e em menos de um segundo as árvores estavam totalmente secas, o outono havia chegado. Cerrou as mãos ao redor das correntes.
– Por que não mora comigo? — Marie sorriu virando levemente a cabeça, ela parecia decidida — Sei que sou nova e apenas tenho experiência em medicina, e não faço a minima ideia de como ser uma boa mãe — Disse sinceramente, Lucelin a encarou — Mas, adoraria ter uma filha como você.
Aquela mulher, que sempre lhe dava broncas quando voltava à enfermaria do orfanato cheia de machucados. Ela que sempre sorria e a confortava quando Lucelin estava sozinha em algum lugar, chorando. Marie que sempre lhe dava doces escondido e lhe presenteava com materiais de desenhos. Lucelin olhou para o céu.
– Lucelin Valentine — Ela disse lentamente, ouvindo o som do próprio nome que sempre foi solitário — Acho que combina — Ela sorriu para Marie.
No entanto, Marie não estava mais ao seu lado, apenas restava a balança vazia e que se sacudia para frente e para trás. Olhou ao redor, se levantando da balança, seus olhos rodavam pelo parque, nada, estava sozinha.
Algo branco passou à sua frente, um pequeno floco de neve. De repente tudo ao seu redor tornou-se branco, uma nevasca a atingira, cobrindo as árvores, o parque e acabando com o cheiro de grama molhada. A neve era como uma folha em branco que desejava ser coberta pelas cores na natureza, mas, assim como a garota, a neve que lhe cercava era solitária, e escondia dentro de si, as belas cores do mundo.
Porque estava ali? Provavelmente estaria delirando, ou era apenas mais um de seus pesadelos. Lucelin olhou para si mesma, vestia uma camiseta preta por debaixo de uma jaqueta de couro e uma calça azul e preta, aos seus pés, sua mochila de sua antiga escola estava sobre a neve.
Logo ouviu o choro dolorido de um cachorro o que a fez virar-se, Lucelin se viu de frente para o portão de sua escola, um grupo de adolescentes rodiavam um pobre cachorrinho, maltratando-o com chutes e pedras.
– Parem com isso — Anna, a garota de sua sala puxava inutilmente a blusa de um garoto que ria enquanto chutava a barriga do animal, até ele lhe dar uma cotovelada e a garota cair de costas no chão.
Lucelin correu e socou o garoto, afastando todos os outros do cachorro. Aquele lugar, aquelas pessoas, Lucelin se lembrava, não tinha 16 anos, tinha 18. A garota olhou para o cachorro, ele estava ótimo e a encarava virando levemente a cabeça de lado, seus olhos, eram totalmente pretos.
– Hibrida — Uma voz ecoou ao redor. Lucelin se afastou, cobrindo a cabeça com as mãos. Sua memória falhava, mostrando imagens aleatórias.
– Monstro — Um garoto disse, ele estava caído no chão chorando e cobrindo o nariz quebrado com uma das mãos — Você é um monstro!
Recuou, por que havia voltado à dois anos? Olhou para os garotos ao seu redor, eles a encaravam com aquela expressão, desprezo, ódio, medo. Porém, todos tinha os olhos totalmente negros, eram demônios? Não, como podiam ser? Eram apenas estudantes humanos, Lucelin se lembraria se tivesse tantos demônios assim naquele dia.
– Lucy — Anna se levantava apoiando a mão na cabeça, rapidamente a segurou pelo braço e correu, afastando todos que entravam em seu caminho, o que estava acontecendo ali? Logo se viu novamente no maldito parque, Anna parou, soltando-se de suas mãos — Me solte!
– Anna, precisamos sair daqui! Rápido — Olhava ao redor.
– Por que eu iria com você? — Anna tinha a mesma expressão, e isso fez com que Lucelin recuasse — Se não fosse por você, eu não estaria assim.
A garota olhou para baixo, Anna estava com um enorme machucado na perna e a mesma estava quebrada. Lucelin colocou a mão sobre a boca, lembrando-se, naquele dia, no seu aniversário de dezesseis anos, Lucelin havia salvo um cachorrinho dos maltratos de seus colegas de classe, mas, eles a atacaram, um garoto saiu com o nariz quebrado e a garota havia levado um belo soco. Anna a ajudou, cuidando de seu ferimento. Porém, um dos garotos, mais especificamente o de nariz quebrado acabou sendo possuído por um demônio por causa de seu coração maldoso, e acabou atacando-as.
– Por sua culpa — Anna interrompeu seus pensamentos — Por sua culpa, agora eu também sou atormentada pelos demônios, e você é incapaz de me proteger — O ódio nos olhos de Anna eram doloridos para a garota — Você é um monstro que nem tem controle sobre si mesma, é um caso perdido.
– Pare! — Lucelin cobriu as orelhas com ambas as mãos.
– Monstro — Marie surgiu ao lado de Anna — Acha mesmo que amo uma garota como você? Eu apenas senti pena de você, nunca a considerei e nunca vou considerar, um monstro como uma filha.
Lucelin sentiu suas pernas fraquejarem e caiu de joelhos, cerrando as mãos ao redor da cabeça. "Monstro? Porque?"
– Pare! — Disse, a voz falhava — Pare, por favor! — Lucelin sentiu a aura de seu corpo aumentar gradualmente, criando uma tempestade de neve ao seu redor.
– Parar com o que? — Connor surgiu a sua frente, sorrindo — Do que você tem medo?
– Connor? — Lucelin disse como um sussurro.
– Afinal, você é tão inútil que nem sabe o que você realmente é — Connor disse, olhando-a de cima — Você tem medo, tem medo de ser esquecida, tem medo de ficar sozinha. Mas, sabe garota, é você quem afasta as pessoas, por que são elas quem tem medo de você.
Lucelin olhou para o chão de neve à sua frente, sua respiração falhava e o coração estava acelerado. "Porque? Porque? Porque?" repetia em sua mente. "Eu não sou um monstro!" As vozes de Connor, Marie e Anna, se misturavam à varias outras, sussurrando coisas horríveis ao redor dela.
"Parem!" A caçadora arregalou os olhos ao sentir seu poder aumentar, suas mãos tremiam. Podia sentir seus membros queimarem, um estranho sentimento de libertação tomou suas veias, como se um báu muito bem guardado tivesse rompido a fechadura. Tudo ao seu redor girou, Lucelin sentia os pulsos pegarem fogo, o sangue pulsar fortemente em suas veias enquanto seu corpo inteiro tremia. Era doloroso, mas ao mesmo tempo, prazeroso.
A garota se ergueu, ainda olhando para a neve. As vozes rodavam em sua mente, mas, com lágrimas nos olhos ela tentava se convencer de que aquilo não era real. Invocou Kami, sua espada tinha uma cor diferente, estava mais escura do que o normal, mas ignorou e correu.
***
Dylan estava em seu quarto, olhando fixamente para o teto deitado no carpete marrom. Blue, seu gato de pelo totalmente preto e olhos azuis acomodava-se em seu peito.
– O que deu em você? – Perguntou acariciando as orelhas do gato – Você nunca gostou de mim.
Blue ronronou, esticando as patas e agarrando as garras em sua camiseta. Dylan sorriu e voltou a olhar para o teto. Sentia como se estivesse se esquecendo de algo importante e isso o irritava.
– Dylan, espero que esteja acordado! – Colin entrou, abrindo a porta com violência, assustando Blue que fugiu para de baixo da cama. O garoto de cabelos ruivos e ondulados o fitava de braços cruzados. Ele parecia estar mais velho do que se lembrava.
– Por favor, não grite – Dylan cobriu os olhos com o braço – Não estou com cabeça para cuidar de você agora.
– Levante-se seu bunda mole! – Colin gritou! – Pare de se lamentar e vamos treinar, bebê chorão.
– Bebê chorão, sério? – Dylan sentou-se – Quantos anos você tem?
– Dylan, Colin – Madeleine chamou na base da escada – Estão com fome? Fiz um lanche para vocês.
– Obrigado, madame Clood! – Colin disse com voz gentil e voltou a fitar Dylan – Espero você lá em baixo! – Seus olhos dourados brilhavam de ansiedade por uma luta.
Quando Colin fechou a porta atrás de si, o garoto levantou, não havia conseguido dormir direito noite passada, toda vez que fechava os olhos, sonhava com um demônio loiro e uma garota, mas, Dylan não conseguia se lembrar de seu rosto, e isso o deixava nervoso.
Desceu as escadas atrás de Colin, e sentou-se à mesa ao lado do amigo, sua mãe lhe serviu o maravilhoso lanche feito de tudo o que vinha a sua cabeça e bagunçou os cabelos do garoto. Sorrindo.
– Juce vive reclamando que a gente falta nos treinos, mas nunca aparece! Garota louca. – Colin invocou sua arma e caminhou pelo lugar – Dylan! estou aqui reclamando a quase meia hora e você está pelo menos ouvindo? – Colin carregava sua lança flamejante com lâmina curva.
Estavam as sós no campo de treino próximo ao castelo.
– Desculpe, ando tendo uma sensações estranhas – Dylan atacou com sua espada.
– Sensações estranhas? — Colin debochou rindo — Isso se chama puberdade.
– Não esse tipo de sensações idiota — Dylan retrucou, defendendo a lança com a lâmina de sua espada.
– Ah é? – Colin o empurrou para trás e o atacou novamente – Então, será que anda tendo problemas com garotas?
– Você está brincando né? – Dylan ergueu uma sobrancelha.
– Lógico – Colin atacava e defendia com a lança, de forma ágil e rápida – Afinal, quem se interessaria por você? Ou melhor, eu nunca vi você se interessar por ninguém.
Dylan suspirou. Colin tinha razão, mas porque se sentia tão inseguro? Porque estava tão confuso, como se sua vida não fosse real. Dylan parou, observando o amigo, Colin havia abaixado a lança, e olhava para fora do campo, onde tinha uma pequena trilha de pedras que davam para a vila dos moradores. Os olhos de Colin acompanhavam Connor, que passeava com seu guardião, Colin cerrou as mãos, parecia lutar contra si mesmo, contra os impulsos de seu corpo. Dylan suspirou sorrindo, Colin podia ser um ótimo lutador, mas, era de fato um péssimo mentiroso, principalmente quanto aos seus sentimentos.
– Connor! — Colin gritou depois de um longo suspiro — você faltou no treinamento de novo! Juce vai arrancar seu braço.
Connor se virou colocando as mãos atrás da cabeça pedindo desculpas e logo em seguida andou, de repente, algo passou rapidamente ao lado de Dylan, alguém correndo na direção de Connor, os cabelos pratas sacudiam com o vento.
– Lucelin — Dylan disse, quase que automaticamente, mas, não fazia ideia de quem era.
A garota parou e se virou para Dylan, seus olhos eram azuis como o céu, e ela tinha uma expressão calma e determinada. Ao mesmo tempo que ela cerrou o cenho, sorriu. Dylan deu um passo na direção dela, mas logo foi impedido, suas pernas não se moviam, e teve de ser forçado à observar a garota ser abraçada por Connor.
– O que é isso? — Dylan se perguntava, olhando para suas próprias mãos. Dylan sentiu sua cabeça rodar, algo estava errado, por que sabia o nome daquela garota? Porque não queria deixá-la se aproximar de Connor? Porque seu coração acelerava daquela forma?
E com uma ventania, um grito profundo e doloroso alcançou seus ouvidos. Dylan sentiu uma onda de ar quente atingir seu corpo e virou-se, o garoto viu-se diante de uma casa em chamas, de onde gritos de dor ecoavam.
– M-Mãe, pai — Dylan tentou dizer, mas a voz falhou inutilmente. O garoto recuou ao ver sua casa em chamas, o fogo era tão forte e alto que ninguém seria capaz de sobreviver.
– Socorro — A voz de Madeleine ecoava pela porta de entrada — D-Dylan, nos ajude.
Dylan se recompôs, correndo na direção da casa, quanto mais corria, mais longe a casa parecia estar, nunca se aproximaria. Tentou com todas as forças abaixar o fogo com seus poderes, mas, tudo o que conseguiu foi piorar a situação, aumentando cada vez mais a chamas. Os gritos de dor de seus pais o fez cobrir a boca com ambas as mãos.
– Você nos deixou — Seu pai dizia, a voz passando pela porta da casa, seguida pela de sua mãe — Você nos deixou morrer.
– Você nos deixou morrer — Madeleine repetia entre gritos — Você nos matou!
– Não — Dylan curvou-se, cerrando as mãos "porque estou aqui? Porque tenho que passar por isso de novo? Eu tinha apenas dez anos, estava assustado, com medo e sozinho."
"Isso não é real" Dylan tentava se convencer "isso não pode ser real!"
Algo caiu levemente sobre seus cabelos, e com isso o som dos gritos, as chamas e as vozes de seus pais se cessaram, abrindo espaço para um violento silêncio. Dylan olhou ao redor, ofegante.
"Mas... o que?" Pensou olhando para a neve que caía sobre seus ombros e cabelos. Olhou para trás, hesitante, com medo de ver sua casa em chamas. Os gritos de seus pais ainda o atormentavam, como um disco quebrado que repetia em sua mente. O garoto estava em um pequeno bosque, com árvores e neve, muita neve.
Dylan colocou a mão sobre o rosto, dissipando as lágrimas que rolavam por suas bochechas. "Um pesadelo? Mas, era tão real" O garoto torceu para que realmente fosse apenas um pesadelo, mas, até mesmo viu Colin, seu melhor amigo que não o via a quase dez anos. Foi tudo tão rápido.
A neve ao seu redor se agitou, voando de forma estranha na direção oposta do vento, o cheiro de enxofre era inconfundível. Um demônio. Dylan ignorou e começou a caminhar, mas, ao passar por uma árvore encontrou-se em um parque e uma garota estava deitada na neve, tingindo o branco ao seu redor com o vermelho do sangue que espirrava de uma fratura na perna esquerda, Dylan correu, a garota de cabelos pretos estava inconsciente, era apenas uma humana, rapidamente ele rasgou um pedaço de pano de sua camiseta e amarrou ao redor na perna da humana, estancando o seu sangue.
– Maldito! — Uma voz gritava do outro lado do parque, Dylan se levantou, lá estava ela. A garota de cabelos prateados segurava um pedaço de madeira contra um demônio de classe alta. Ela definitivamente não era uma caçadora, mas, era ágil como uma, desviava com graça e levesa do demônio. Aquela garota o fascinava, aqueles olhos azuis determinados e completos de adrenalina dançavam enquanto ela saltava e rolava pela neve.
– Lucelin — Dylan disse. Seu coração se acelerou quando viu que a garota estava encurralada, e o demônio estava pronto para atacá-la. Correu, mas, não foi rápido o bastante — Fuja! — Foi a última coisa que disse para a garota antes de serem atingidos pelas garras do demônio.
A dor, tanto emocional quanto física era horrivelmente pior do que se poderia imaginar. Seus pais, Colin, Lucelin, tudo passava como um flash em sua cabeça, lembrando-o de tudo o que perdeu, e de tudo que nunca teve.
Seu corpo inteiro doía, latejava e formigava com o frio. Dylan abriu os olhos lentamente, a luz do sol da tarde quase o cegou, estava deitado na grama de frente para uma árvore, tentando focar sua visão turva. Havia alguns cortes em seus braços e pernas, o garoto deitou-se de costas, olhando para cima. O som da cachoeira o fez se levantar de uma vez, causando-lhe uma leve tontura. Dylan forçou-se a ficar de pé, apoiando-se na árvore, olhou para cima e viu a montanha da qual despencou, aquela altura. Como ainda estava vivo?
Dylan colocou a mão sobre a cabeça, o que havia acontecido? um pesadelo? Esperava que sim. Ver seus pais, depois de tantos anos e mesmo assim ainda ser incapaz de salvá-los. Dylan olhou para as próprias mãos, queria se esquecer ou pelo menos entender o que havia acontecido. O garoto levou um certo tempo para se recuperar, e lembrar-se da verdade.
Não sabia o que era real ou não, mas, sabia o que havia acontecido. Respirou fundo, apertando em seu bolso o relógio da garota. Dylan se lembrava de ter lutado contra o príncipe das trevas loiro, e o mesmo o obrigou a ferir Lucelin e seu guardião. O garoto cerrou os punhos, precisava encontrá-la.
Fale com o autor