Notas iniciais
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A gárgula desaparecia aos poucos, transformando-se de pedra a pó.

Connor saltou e parou a sua frente.

– Esse desgraçado causou belos estragos por aqui — Ele olhou em volta, deixando sua espada se transformar em algumas folhas secas e voar com o vento. Connor, assim como Lucelin controlava apenas um elemento, mas, ao contrario da garota que controlava a água e seus derivados, Connor é capaz de controlar a terra.

– Nem me fale — Lucelin se desfez de Kami — Por onde andou?

– É bom te ver também — Connor lhe deu um soco leve no ombro — Digamos que precisamos conversas sobre isso em outro lugar — Ele apontou, vários caminhões de bombeiros entravam pelo campus.

Lucelin assentiu e caminharam juntos para fora.

– Connor? Você ainda esta vivo? — Anna perguntou, carregando um kit de primeiros socorros.

– Vocês sentiram tanta minha falta assim? — Connor cruzou os braços.

Lucelin riu.

– Lucy sente-se aqui — Anna ordenou — Esse machucado esta feio.
A caçadora mal havia reparado no corte que havia em seu braço, provavelmente foi quando a gárgula a atingiu com a cauda.

– Não se preocupe, é apenas um arranhão.
Anna a forçou a se sentar em um dos bancos do campus, os olhos marejados.

– Me deixe fazer pelo menos isso — Ela começou a limpar os ferimentos de Lucelin — Além do mais, foi por minha culpa que se machucou, de novo.

– Anna — Lucelin tentou intervir, mas foi calada pelo olhar de Connor, como se dissesse que estava tudo bem.
Anna sorriu.

– Sabe, é por isso que estou me formando em medicina — Ela enfaixava seu braço — Preciso ser útil em pelo menos isso. Eu sempre sou salva por vocês.

– Obrigada — Lucelin sorriu para a amiga.

Connor a encarava, ele parecia uma pessoa diferente de algumas semanas atrás. A caçadora o observou por um instante, seus cabelos castanho-claro ainda eram arrumados de forma bagunçada, se é que se pode chamar assim. Seus olhos eram de um castanho tão claro que chegava a ser quase um dourado.

Lucelin desviou o olhar. O campus agora estava lotado com ambulâncias e o corpo de bombeiros. A garota cerrou as mãos, se tivesse sido mais rápida, se tivesse notado antes, poderia ter afastado todas as pessoas de lá, evitando que muitos se machucassem.

"Não foi sua culpa" Ergus dizia em sua mente "Pare de se atormentar assim criança, ninguém pode prever quando os desgraçados atacarão" Mesmo sem estar em sua forma física, os guardiões são capazes de se comunicar com os caçadores. Lucelin olhou para suas mãos, que apertavam o relógio de bolso.

"Mas eu preciso Ergus, não posso deixar mais ninguém se machucar por eu ser tão fraca" pensou.

Ergus pareceu sorrir em seus pensamentos.

"Você se parece com ela"

"Marie é médica, ela também se preocupa com a vida das pessoas" Lucelin respondeu.

"Sim, Marie é uma ótima pessoa, mas, eu não estava falando dela" Ergus disse.

"Kyla? Ergus, você conheceu ela?" A garota gritou em seus pensamentos.

Sem resposta.

– Ergus, seu maldito, me responda! — disse em voz alta, se levantando.

Connor e Anna se entreolharam e começaram a rir.

– Vocês devem que parar de conversar na sua cabeça Lucy, vai acabar ficando louca — Anna ria dando tapas no ombro da amiga.

– Bom, acho melhor sairmos daqui antes que alguém venha fazer perguntar — Connor respirou fundo.

***

Lucelin tentava a cada cinco minutos se comunicar com Ergus, mas não havia resposta. Estava frustada, se não era de Marie que ele falava, com certeza era sobre Kyla, mas, como o seu guardião sabia alguma coisa sobre sua mãe verdadeira.

Connor uma vez lhe explicou, os guardiões são espiritos de caçadores que morrem com assuntos inacabados, eles renascem como espirito da natureza, e dedicam uma vida inteira para proteger um caçador desde que nasce. Connor tem Leonard, um enorme e ágil leopardo.

"Ergus, se você sabe de alguma coisa me diga!" Ela insistia em sua mente.

– Ele ainda não respondeu? — Connor se aproximou, segurava duas xícaras de chocolate quente nas mãos. Estavam na varanda da casa e o tempo havia começado a esfriar.

– Esta mais teimoso do que nunca — Lucelin pegou uma das xícaras — Mas, e você vai me dizer por onde andou agora?

Connor apoiou os braços no para-peito da varanda, seus pensamentos pareciam longe.

– Eu estava no castelo, cumprindo minha obrigação como cavaleiro e blá blá — uma pausa, sua boca enrijeceu-se — aquela gárgula que te atacou hoje, não estava sozinha.

– Quer dizer que ela veio do castelo? — Lucelin perguntou, o castelo era um apelido para o lugar, não havia um nome certo para lá, afinal, tudo o que é dos caçadores é um grande segredo, principalmente sua cidade. Sim, uma cidade, com um enorme castelo, campos de batalha e várias casas. Porém, tudo era extremamente escondido em algum lugar do mundo, e apenas os concelheiros e os cavaleiros do rei podiam ir e vir quando queriam.

O rei, talvez o homem mais velho e com boa condição fisica que Lucelin conheceu, naturalmente mandava em tudo, os concelheiros mandavam nos cavaleiros e os cavaleiros nos caçadores que se espalhavam pelo mundo, como Lucelin.

Connor assentiu.

– As gárgulas eram apenas marionetes, o verdadeiro demônio ainda não mostrou as caras — Ele continuou — haviam pelo menos trinta iguais a essa que enfrentamos. Encontraram o castelo e atravessaram a barreira de proteção, eles mataram Margareth.
Lucelin o encarou surpresa, e instintivamente o abraçou.

– Connor, sinto muito — disse ela, o caçador abaixou os olhos e retribuiu o abraço. Lucelin não sabia o que dizer, Margareth foi a pessoa que cuidou de Connor sua vida inteira, sua professora e amiga.

– Obrigado — Ele olhou para o céu, já estava quase na hora de o sol se pôr — Ela não foi a única, mais três pessoas morreram na batalha, porém, uma coisa me deixou inquieto, pareceu que as gárgulas estavam atrás de alguma coisa.

De repente, um assovio passou por entre eles, um flash de luz.

– Mas o que? — Lucelin se virou.
Era uma pequena gárgula com asas, 2 vezes menor e mais rápida que as anteriores. Connor cerrou as mãos.

– Entregue a chave — A gárgula falou, a voz fina e arranhada — Entregue a chave.

– Chave? Mas do que ela esta falando? — Lucelin olhou para Connor.

– Entregue! — A gárgula desapareceu, quando Connor a atacou. Ela voava na velocidade da luz, mal podiam vê-la.

Lucelin sentiu seu braço esquerdo sendo arranhado e saltou para trás.

– Esta aqui! — Gritou, a caçadora estava pronta para invocar Kami, mas a gárgula foi mais rápida, atravessou a janela e foi embora.

– O que foi isso? — Anna perguntou descendo as escadas.
Connor deu de ombros. Lucelin quase perdeu a respiração quando olhou para seu braço.

– Maldita! — Gritou e correu na direção da janela quebrada — Ela pegou meu relógio — Lucelin rapidamente saltou a janela e caiu dois andares -

Connor, fique com a Anna, eu vou atrás daquele demônio.

Lucelin correu o mais rápido que pôde, sentia como se tivessem arrancado algum órgão de seu corpo. Não iria permitir.

"Foi na direção do lago" Ergus disse.

"Agora você resolve aparecer!"

"Fique quieta e corra"

Lucelin murmurou algo e continuou correndo, não estava com cabeça para discussões com Ergus naquele momento. Pegou um atalho entrando em um beco, saltou latas de lixo e desviou de pessoas que entravam em seu caminho.
Ao se aproximar do lago avistou a gárgula voando sobre uma pequena ponte de madeira. Lucelin se apressou.

Um calafrio passou por sua espinha, um arrepio que percorreu por todo o seu corpo quando algo passou rapidamente ao seu lado. Um vulto. Lucelin só teve tempo de olhar e ver um garoto, ele sorria fazendo sinal com o dedo próximo a boca para que ficasse em silêncio e em um flash ele correu para a gárgula, retirando uma longa espada de lâmina negra de dentro de seu sobretudo.

Foi tudo tão rápido que Lucelin mal piscou, a gárgula se desfazia em pó ainda no ar. O garoto estava da costas para ela, seu cabelo preto era iluminado pela luz do pôr do sol.
Ele olhava para as próprias mãos, observando o relógio de bolso da caçadora. Tinha um olhar forte, como se estivesse cheio de ódio.

O garoto virou-se para Lucelin e sorriu sarcasticamente.

Notas finais
Prometo que o próximo capitulo será melhor ~.~' Comentem, ajuda muito :*