O Segredo de Janis | Supernatural Fanfic
7 O susto
Sam não teve outra alternativa a não ser contar a Janis sobre Lúcifer, Miguel, a jaula no inferno e todo o resto numa versão resumida que, oportunamente, não tinha menção sobre ele ter sido preso na jaula e posteriormente resgatado. Ela ouviu com atenção mas ficou calada quando ele terminou e, depois de uns cinco minutos de silencio, Sam começou a achar que talvez tivesse sido melhor não ter contado nada.
— Janis? – ele tentou recomeçar a conversa – Tá tudo bem?
Ela, que estivera encarando o horizonte à frente deles, olhou-o nos olhos pela primeira vez desde que tinham saído de Silverton.
— Acabei de descobrir que tenho pesadelos com arcanjos querendo subir ao trono que Deus deixou vago no céu. Eu tô ótima. – ela sorriu meio brincalhona e aquilo aliviou um pouco o coração de Sam, mesmo que ele soubesse que era apenas uma fachada.
— Se você consegue ser sarcástica numa... – porém ele não teve tempo de terminar a frase porque Dean, que seguia dirigindo o Impala a uns cinquenta metros à frente do Prius, deu uma guinada para a esquerda e quase bateu num carro que vinha no sentido contrário. – Wow! – Sam gritou e freou bruscamente para não bater na traseira do carro do irmão. Ele jogou o Prius para o acostamento do lado direito, puxou o freio de mão e pegou a espingarda que tinha escondido embaixo do banco. – Você fica aqui! – disse para Janis – Este é o telefone do Bobby. – ele tirou um cartão de visitas com o logo do FBI do bolso e entregou a ela – Se acontecer qualquer coisa, fuja, e depois ligue para ele.
Janis não discutiu. Ela assentiu uma única vez e pulou para o banco do motorista assim que ele saiu do carro. Sam sabia que ela seguiria as instruções dele à risca, então foi na direção do Impala para enfrentar o que quer que fosse que tinha feito o irmão sair da estrada.
Assumindo a postura de ataque, com a espingarda apoiada no ombro, Sam atravessou a rodovia até o acostamento do outro lado onde o Impala estava parado com o motor ainda ligado. Ele se aproximou furtivamente pelo lado do carona, contou até três, apontou a arma para dentro do carro e... Relaxou.
Se não estivesse tão nervoso e ansioso para ir salvar o irmão, ele teria deduzido o que tinha acontecido. Não era a primeira vez – e pelo jeito não seria a última – que Castiel se materializava no banco de trás sem aviso e os assustava.
Dean ficou furioso como sempre ficava e Sam chegou a tempo de ouvir seus últimos gritos. Ele baixou a arma e trocou um olhar consternado com Dean.
— Sinto muito. – Castiel pediu, estendendo suas desculpas também para Sam com um olhar triste.
— Eu poderia ter morrido! – Dean reclamou – Pior! Eu poderia ter morrido e matado todo mundo que estava no outro carro!
O anjo olhou de Dean para Sam, depois para Dean de novo, completamente confuso.
— Nesse caso, eu teria ressuscitado vocês. – disse tranquilamente e aquilo enfureceu Dean ainda mais.
— As coisas não funcionam desse jeito Castiel! – gritou e Sam decidiu que era hora de intervir.
— Melhor você vir aqui fora Cass. – ele abriu a porta de trás e o anjo desceu do carro – O que te fez aparecer assim?
— Dean orou. – ele prontamente respondeu.
— É. Ontem à noite. – Dean retrucou ao dar a volta no carro para se juntar a conversa.
— Você orou agora. – o anjo rebateu – Alguma coisa sobre uma mulher irritante.
Dean rolou os olhos.
— Eu não estava orando. Estava só pensado!
— Em voz alta. – Castiel completou.
— E que diferença faz? – Dean quis saber – Eu te chamei ontem. Por que você não apareceu?
— Eu estava... ocupado. – ele respondeu – Tem havido problemas no paraíso.
— É mesmo? – Sam disse em forma de piadinha, mas o anjo não entendeu e apenas o encarou – Deixa pra lá. – murmurou antes de continuar – Sobre esses problemas no céu: isso é algo que Dean e eu precisamos nos preocupar?
— Eu espero que não. – Castiel respondeu prontamente.
— Então não vamos nos preocupar até que seja realmente necessário. Nós já temos problemas demais. – Dean disse olhando soturnamente na direção do Prius e de Janis do outro lado da estrada.
— Castiel, acho que Dean e eu encontramos uma profeta. – Sam falou e o anjo ficou ainda mais confuso.
— Isso é impossível. – disse – Não há nenhum profeta ativo nesse momento. Se tivesse, eu poderia sentir.
— Alguma coisa ela tem que ser. – Dean comentou.
— Dean tem razão. – Sam completou – Janis viu coisas que se tornaram realidade, Cass. Mas o que me preocupa... – ele fez uma pausa para trocar um olhar cheio de significado com irmão – O que nos preocupa são as coisas que ela viu e que ainda não aconteceram.
— E o que ela viu? – Castiel quis saber.
— Ela nos viu mortos. – Dean respondeu – Sam e eu caídos do lado de fora de um redemoinho causado por alguém... quer dizer, – ele se corrigiu – alguma coisa, poderosa o suficiente para recomeçar o apocalipse.
— Mas isso é imp... – Castiel começou a dizer, porém Dean o interrompeu.
— É. Você já falou isso. – disse enquanto empurrava o anjo na direção do Prius – Vamos lá pra você conhecer. Talvez olhando de perto você descubra o que ela é.
Janis tinha observado de longe a conversa entre os três homens e agora que eles se aproximavam, e Sam e Dean não estavam engalfinhados com o cara vestido com a capa de chuva, ela concluiu que não havia perigo e desceu do carro.
— Tudo bem? – perguntou a Sam quando ele e os outros dois se aproximaram o suficiente para ouvir. Ela tinha pego uma pistola de debaixo do banco e o estava escondendo nas costas mesmo que não tivesse a mínima ideia de como disparar.
— Sim. – Dean respondeu antes que o irmão pudesse dizer qualquer coisa – Janis, este é Castiel. Castiel, esta é Janis.
— É um prazer conhecer você. – Castiel tentou dar o seu melhor, mas o cumprimento soou forçado demais. Dean acabou rolando os olhos novamente, porém Janis não percebeu nada disso.
— É ele? – ela perguntou a Sam, o espanto implícito na voz, e aproveitou para entregar a ele a arma.
— É sim. – Sam garantiu ao pegar a pistola e verificar a trava. Depois enfiou-a no cós da calça, nas costas.
— Ele o que? – Dean quis saber cruzando os braços e com uma pontinha de ciúmes ao perceber que Sam e Janis já pareciam parceiros por uma vida.
— Não tive tempo de mencionar, – Sam explicou sem se dar conta do que estava acontecendo na cabeça do irmão – mas contei a Janis sobre Lucifer, Miguel e todo o resto.
— E ela ainda não surtou? – Dean perguntou retoricamente antes de se virar para Janis – Você é realmente mais durona do que parece.
Vindo de Dean, aquilo era um elogio. Tudo bem, ele se sentia incomodado com a presença de Janis, mas tinha que admitir que poucas pessoas conseguiriam lidar com tudo aquilo de uma vez sem enlouquecer.
— A vida de vocês é digna de um hospício. – ela retrucou e Dean sorriu por ela ter chegado a mesma conclusão que ele.
— Nem me fale. – comentou sorrindo e Janis o ignorou.
— Então, Castiel, – ela perguntou ao anjo – o que eu tenho que fazer para impedir minhas profecias?
Castiel trocou um olhar com os irmãos antes de responder:
— Você não é uma profeta Janis.
— Como assim não sou? – ela quis saber, confusa – E os meus sonhos? E tudo que eu sabia sobre Susan Bennet?
Pela segunda vez em três dias, era como se alguém tirasse o chão sob seus pés. Janis não sabia dizer se era pior não ser uma profeta ou não saber o que era. Porém de uma coisa ela tinha certeza: as visões eram reais e iriam se concretizar em algum momento.
— Se você fosse uma profeta, – Castiel continuou – não só eu saberia, mas também todos os outros anjos. Olhar para um profeta, para um anjo, é como olhar para uma vela numa noite sem estrelas. Eles brilham. E você não brilha pra mim.
— Mas, o que eu sou então? – Janis perguntou desolada e com medo do que obteria como resposta. Ela sentia como se areia escapasse por entre seus dedos sem que ela pudesse fazer nada, sendo que a areia representava sua vida antiga. Já era ruim o bastante ser uma profeta, mas pelo que Sam tinha dito, seria possível voltar para a vida normal depois que aquilo acabasse e ela tinha se apegado àquela possibilidade.
— Você pode ser uma paranormal. – Sam sugeriu, tentando passar segurança na voz mas Janis sabia que a cada momento que ela passava envolvida naquilo, as chances de nunca mais sequer voltar ao seu pequeno apartamento em Boston aumentavam, e ela estava começando a se perguntar se aquilo também não era uma de suas previsões.
Dean viu uma tempestade se formar nos olhos de Janis e percebeu que ela estava perdendo a fé em si mesma.
— Janis, não importa. – ele disse, fazendo com que ela, que estivera encarando alguma coisa sem importância no horizonte, o olhasse diretamente nos olhos – Nós vamos descobrir juntos, okay? – completou, tentando passar pelo tom de voz todo o sentimento de responsabilidade que ele insistia em esconder mas que tinha passado a sentir no momento em que aquela estranha tinha aparecido na porta do seu quarto de motel – Assim que chegarmos na casa do Bobby, faremos algumas pesquisas e também vamos perguntar por aí. – ele fez uma pausa e deu um passo na direção dela – Fique tranquila, porque nós não vamos te abandonar.
— Dean está certo. – Sam concordou e passou o braço pelos ombros da pequena mulher – Você não está sozinha nisso.
— Obrigada. – Janis disse para Sam e Dean se virou para sair dali rebocando Castiel junto, mas ela o chamou. – Dean? – ele parou mas não se virou para olhá-la – Obrigada!
— Tudo bem. – ele deu de ombros, mais para si mesmo do que para ela – Agora vamos parar com a conversa fiada e vamos voltar para a estrada. Eu tô morrendo de fome e louco por uma cerveja.
— Nos vemos no Bobby, então. – Sam respondeu ao soltar Janis para entrar no Prius, mas Dean não viu aquilo.
Se ele olhasse para trás, o irmão leria em seu rosto o ciúme desenfreado que o invadia.
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