O Segredo de Janis | Supernatural Fanfic

3 ... pode ser um Valioso Aliado


— Isso não vai dar certo. – Dean comentou pela milésima vez e Sam nem sequer se deu o trabalho de rebater.

Como o irmão, ele também estava nervoso, também achava que aquilo tinha tudo para dar errado e também já tinha se convencido que não havia outra opção. Não com 100 pessoas andando por aquela floresta.

A qualquer momento, o fantasma de Chad Bennet poderia aparecer e trucidar todos eles simplesmente porque uma das pessoas do grupo quebrou o galho de uma árvore. Ele já havia matado por menos e Sam não estava disposto a pagar para ver.

Naquela manhã, quando ficou claro que o cadáver do esquiador estava perdido para sempre, ele e Dean tentaram convencer o xerife da cidade – um homem bruto que usava óculos escuros mesmo em espaços fechados – a não ir à caça do que ele tinha nomeado como um tirurso, resultado do cruzamento de um urso com um tiranossauro, mas não tinham tido sucesso. O homem estava encarando aquilo como uma aventura, algo que o faria ficar famoso. Não era a primeira vez que Sam e o irmão tinham de lidar com um idiota.

Em outras circunstâncias, aquela situação já estaria resolvida. Eles se orgulhavam de serem rápidos e certeiros. O problema é que, sem os ossos ou algum objeto pessoal importante para salgar e queimar, não havia outra forma de destruir o fantasma de Chad e a única esperança era que Bobby descobrisse algum novo ritual. Só que Bobby precisava de tempo, e era exatamente isso o que Sam e Dean planejavam comprar com aquele show. Pelo menos até aquelas pessoas voltarem pra cidade.

— Preparado? – Dean perguntou já pronto para riscar o fósforo. Sam olhou em volta.

A clareira tinha sido escolhida com muito cuidado porque estava exatamente no centro do perímetro dos ataques. Espalhados pelo chão, eles haviam posicionado ferramentas feitas de ferro, espingardas carregadas, munição especial e alguns círculos de sal aleatórios. Tudo estava pronto. Era a hora de começar.

— Vamos lá. – Sam disse para Dean que, sem pestanejar, acendeu os fósforos e os jogou na árvore embebida em querosene.

Foi como acender uma vela de aniversário gigante. O fogo abraçou a velha árvore e ela começou a estalar e a soltar fumaça. Aquilo deveria ser o suficiente para chamar a atenção de um fantasma que atacava pessoas por destruírem a natureza.

Dean tinha uma espingarda na mão e uma chave de grifo enorme pendurada em seu cinto. Já Sam segurava um rifle e mantinha perto dos pés um antigo cano de ferro. Os dois estavam em alerta total.

— Vamos lá, seu filho de uma boa mãe! Apareça! – Dean praguejou depois de um tempo. Foi quando Sam a viu, a figura pálida de cabelos longos e sebosos vestida de retalhos floridos.

— Dean! – ele gritou, mas a mulher fantasma avançou para seu irmão como um touro.

Por sorte, Dean foi mais rápido e atirou bem no meio da testa da aparição que desapareceu numa névoa branca. Em seguida ele virou-se para Sam, ambos perplexos como só eles poderiam estar após cometer um erro daquele tamanho.

— Estivemos caçando o cadáver errado! – Dean gritou.

— Jura? – Sam respondeu – Eu não tinha percebido!

— Abaixe-se!

Sam se jogou no chão e o ouviu o estrondo. Seu irmão tinha acertado o fantasma da mulher mais uma vez, fazendo-o desaparecer.

— Quem é a louca? – Dean perguntou enquanto Sam se levantava.

— Pelas roupas – ele começou a reaponder, mas se assustou com algo vibrando no bolso de seu casaco.

— O que foi? – Dean perguntou preocupado. Ele se aproximou com aquela irritante postura protetora de irmão mais velho que Sam ignorou.

— É só o meu celular. – ele respondeu tentando não sentir o dispositivo que ainda vibrava – Enfim, pelas roupas – ele continuou – tem que ser a namorada do Chad. Como era mesmo o nome dela?

— Vicky. – Dean respondeu – Vicky Torn.

Vicky e Chad estavam juntos naquele dia fatídico tantos anos atrás quando a avalanche os atingiu. Ela foi resgatada depois de meia hora de buscas, enquanto Chad... Bem, já sabemos o que aconteceu com ele.

Vicky foi levada ao hospital, e durante um tempo todos acharam que iria se recuperar, mas no terceiro dia ela sofreu uma parada cardíaca e morreu. Os registros diziam que ela estava enterrada no jazigo da família, no cemitério da igreja que, de acordo com o mapa, fica a pouco mais de dois quilômetros ao norte dali.

Nada daquilo precisou ser dito em voz alta. Sam e Dean tinham feito a pesquisa juntos e sabiam todos os detalhes do caso. Houve apenas uma troca de olhares que não durou mais do que dois segundos entre eles e a decisão foi tomada.

— Você vai. Eu fico. – Dean disse.

— Mas... – Sam queria protestar, mas o irmão não o deixou falar.

— Já era pra você estar a uns duzentos metros daqui. – ele abaixou, pegou um dos sacos de sal e jogou para Sam.

Com um aceno de cabeça, Sam pegou uma pá do chão, olhou na direção de Dean uma última vez, apalpou o bolso do casaco para ter certeza que tinha um frasco pequeno de querosene ali e começou a correr para o norte.

Trinta segundos depois ele ouviu tiros vindos da clareira.

Seu instinto foi parar e olhar para trás, na direção do irmão. Sua cabeça lhe dizia que a única forma de ajudar Dean era queimando o cadáver de Vicky. No bolso, seu telefone continuava a vibrar e, sem nem notar, Sam o pegou e atendeu.

— Alô?

— Sam! Ah, meu Deus! Até que enfim! – uma voz ofegante de mulher respondeu. Ao fundo ele ouviu uma buzina.

— Olha, essa não é a melhor hora... – Sam só pensava em desligar o telefone e correr para o cemitério.

— Sou eu! Janis!

Mais um tiro soou ao longe.

— Janis! – Sam praticamente gritou enquanto recomeçava a correr – Não posso falar com você...

— Não! Não desliga! – ela pediu – Eu sei que vai parecer estranho, mas você está indo pro lugar errado. Aquela não é a Vicky!

Sam parou.

— Como você sabe sobre a Vicky?

— Não sei. Apenas sei. Sei lá.

Então Sam se lembrou porque Janis estava ali. Mesmo que ela ainda não soubesse, ela sabia de tudo.

— Janis, quem é a mulher-fantasma? – perguntou ele urgentemente após mais um tiro.

— É a mãe. – ela prontamente respondeu – A filha mentiu pra você.

A mãe.

Só podia ser da mãe de Chad que Janis estava falando. Susan Bennet tinha entrado em depressão após a morte do filho e voltado para sua cidade natal na Carolina do Sul. Foi o que sua filha, Margot, explicou a eles quando visitaram a casa da família dois dias atrás em busca de objetos pessoais de Chad.

— Aonde ela está enterrada? – ele perguntou.

— Eu não sei ao certo. – ela respondeu, a voz trêmula do outro lado da linha.

— Isso é muito importante! Você precisa se esforçar! – Sam se sentiu péssimo por pressionar a garota, mas não havia outro jeito. Dean não resistiria eternamente.

— A casa... é de dois andares... e pintada de verde. – Janis gaguejou – É aquele tipo de casa que deixa as vigas de madeira à mostra. Tem uma árvore no jardim. Ela está enterrada embaixo do entalhe.

Sam mal pode acreditar no que tinha ouvido.

— Obrigado Janis! – disse ele aliviado, então desligou o telefone e começou a correr, dessa vez para o leste.

Ele sabia exatamente onde o corpo de Susan Bennet estava enterrado.