O Segredo das Sombras
15 O ritual
Notas iniciais
Assim que o menino sumiu, a dama começou a andar novamente, tranquila tal qual a Lua, destrutiva tal qual o Sol, e a menina, nem em seus sonhos, imaginava o que a esperava. Elisabeth acordou um pouco desnorteada e seus olhos se feriram, portanto ela os fechou novamente.
Começou a piscar freneticamente, e percebeu que era uma luz intensa que ferira seus olhos anteriormente. A menina se levantou vagarosamente, e viu o Sol coberto pelo véu azul que chamamos de céu. Ela não quis deixar aquele lugar iluminado, todavia, ela necessitava achar o caminho de volta para casa, por conta disso, seguiu seu caminho na escuridão, astutamente, porém com as pernas trêmulas.
Assim que ela o fez, o amuleto brilhou novamente. Ela caminhava debilmente, sentia a algum tempo as dificuldades de ficar por tanto tempo sem comer ou beber, entretanto agora ela os sentia com mais força, como se estivesse perto do fim. Suas olheiras estavam profundas e negras, e ela estava visivelmente mais magra. A menina apresentava uma aparência deplorável, profundamente necrótica.
Elisabeth Ellon Roones, nunca descobrira o porquê de ter um sobrenome pertencente à floresta. Sempre que perguntava tal coisa aos pais eles se esquivavam fazendo outra pergunta ou algo do gênero, mas a verdade é que nem mesmo eles sabiam.
Lisa andava, andava e andava, cada vez mais lentamente, ela não aguentaria mais muito tempo.
Um baque é ouvido.
A menina vai ao chão.
Lisa faz um zunido.
Um grito ecoa na escuridão.
A menina caiu e feriu seu joelho esquerdo, um corte profundo feito por uma raiz de uma das árvores. Seu sangue segue uma trilha entre as folhas. Ela grita novamente, e as traiçoeiras sombras, vendo a menina indefesa, começam a importuna-la de todas as formas.
Seu corpo pequenino jogado ao chão se contorceu de dor assim que as trevas se apossaram de seu ser. Por mais que abrisse os olhos e esfregasse, era incapaz de captar uma simples fresta de luz. As sombras se uniram e arrancaram sua única fonte de luz, o amuleto, e o jogaram para longe da menina. Agora estava no escuro, cercada de sombras, na floresta das mais temíveis maldições, com seus demônios que sempre a importunaram.
As sombras.
Lisa era uma vítima constante dos seres negros. Mais do que qualquer outra pessoa, ela sempre se perguntara o porquê, todavia, não lhe fora respondida essa pergunta.
Enquanto as sombras a feriam com cortes, onde seu sangue escorria abundantemente, e lágrimas desciam em seu rosto, uma mulher em um vestido branco surgia entre a escuridão, sua pele cintilava, e ela estava em toda à sua magnificência, e seu vestido rodopiava e suavemente acariciava o ar ao redor, e ela estava imponente e magnífica aos olhos azuis da pequenina.
A menina estava demasiadamente débil, e seus olhos estavam se fechando lentamente, e ao entrar no mundo onírico, ela ouviu algumas palavras:
– Precisamos dela viva... Soltem-na... — A menina desmaia, entre seu sangue e lágrimas.
...
Elisabeth foi carregada até o local onde antes se encontrava, na Fenda das Anciãs.
A dama celeste, selava os ferimentos da menina somente com o passar de sua mão. Logo após, ela cortou seu próprio pulso com uma pequena adaga, e deixou uma gota cair na testa da pequena menina. Desenhou um círculo em volta dela com uma espécie de giz vermelho e sentou no chão com as pernas cruzadas, e esperou. Alguns minutos depois o menino apareceu atrás da dama. E nesse exato momento a menina acordou:
– On... Onde estou? — A menina perguntou, com a voz fraca. Ela olhou suas mãos. — E onde estão aqueles ferimentos?
– Eu os cicatrizei. — Uma voz que se assemelhava a um chiado metálico disse atrás de Lisa, o que a fez dar um pulo de susto e olhar para trás subitamente.
– Olá, Lisa... — O menino saiu da escuridão e seguiu para o lugar iluminado pelo Sol.
– R-Ricky! — A menina se levantou subitamente e se lembrou dos acontecimentos em que a levaram até lá. – Não pode ser! Você... Você me traiu! Você me trouxe até aqui!
– Sim... Porém, por uma boa causa... — Disse serenamente a mulher.
– Q-Que boa causa? — Gaguejou a menina.
– Esperamos por esse momento à anos Elisabeth, você é a menina que nós precisávamos.
– Co-Como sabe me-meu nome? Quem é você? E para que precisam de mim? — A menina falou desesperadamente, tentou fugir, mas uma barreira a impediu.
– Não pode fugir, eu a selei neste círculo. — Começou a mulher. — E você logo não precisará saber de mais nada.
– Mãe, você disse que... — Disse Ricky.
– Mãe... Srta. McCrytton! — A menina grita cada vez mais alto, perplexa.
– Oh, não minha cara Elisabeth, não me chame assim, me chame de Louise. — Ela ri sozinha e depois se cala repentinamente.
– O ritual deve começar. O eclipse está quase começando. — A menina quis dizer algo, mas estava perplexa demais para isso. O céu começava a enegrecer, e o Sol começava a ser coberto pela Lua. A menina esperava o momento, tensa.
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