O Segredo da Realeza

17 Capítulo 17 - O Sorriso Desaparecido de Nadeshiko


Notas iniciais
Olá pessoinhas do meu coração! Como vão vcs hoje?^^ Está aqui mais um capítulo, e como eu prometi, esse é bem mais longo que o anterior, então aproveitem /o/ Boa leitura^^

Nadeshiko acordou sentindo-se extremamente exausta embora já fosse de manhã. Ela sentia dor de cabeça, e não queria realmente se levantar, mas não podia enrolar por muito mais tempo. Ela foi abrindo os olhos devagar, piscou várias vezes até se acostumar com a claridade, e percebeu que não estava no quarto dela, embora aquele lugar fosse estranhamente familiar. Ela foi tentando se lembrar que lugar era aquele, até que viu uma capa de Guardião azul pendurada em um cabide próximo à cômoda, na qual repousava um Shugo Tama com o desenho de uma coroa, bem ao lado do Shugo Tama de Temari. Nadeshiko reconheceu aquele quarto como pertencendo à Hotori Tadase, e foi tentando se lembrar por que raios ela estava no quarto do Rei, até que, ao se levantar alguns centímetros, ela se deu conta de que o próprio Tadase estava dormindo ali, bem ao lado dela, com o rosto a pouquíssimos milímetros do seu.


Nadeshiko levou um susto e se sentou na cama com incrível velocidade. Por sorte o choque foi tão grande que ela não havia gritado, ou teria acordado o garoto. Ela olhou melhor para Tadase, e reparou que ele passava um dos braços em volta de seu abdômen, abraçando-a, enquanto que o outro estava apoiado no travesseiro. Ela retirou o braço do garoto que a envolvia de si mesma, com extremo cuidado para não acordá-lo. Quando chegou as cobertas pro canto, viu que ela adormecera numa posição estranha, com suas pernas um tanto embaralhadas nas dele, fazendo com que sua saia levantasse um pouco. Nadeshiko corou, mas ficou feliz que Tadase ainda estivesse adormecido, pra não ver essa cena. Ela ainda tentava se lembrar por que cargas d`agua havia dormido no quarto de Tadase, e por que ainda estava usando o uniforme escolar, quando as lembraças do dia anterior vieram á tona.


Nadeshiko sentiu uma súbita vontade de chorar, mas conseguiu reprimir as lágrimas a tempo, não queria acabar criando uma cena, menos ainda que o Rei acordasse por causa do seu choro. Ela se levantou, foi até o banheiro, lavou o rosto e se penteou. Nadeshiko lembrava que, no dia anterior, seu uniforme havia sido parcialmente retirado, mas agora ele estava como antes, exceto pela capa de Guardiã que ela não estava usando, e se perguntara se fora Tadase quem o colocou de volta. Também lembrava vagamente de ter acordado no meio da madrugada e ter conversado com Tadase, mas não se lembrava exatamente sobre o quê. Quando voltou pro quarto, Temari já estava acordada e fora do seu ovo. Nadeshiko saiu do quarto do Rei em silêncio, e Temari a seguiu.


Ela passou pela sala, mas não havia ninguém. Foi até a cozinha, mas também não tinha ninguém lá. Nadeshiko olhou pra um relógio na parede. 9:30 da manhã. Por isso não havia ninguém em casa, os pais do garoto já deviam ter ido pro trabalho. Ela lembrou vagamente de que não daria mais tempo dela ir pra escola, mas não se importou, não queria ir à escola naquele dia. Nadeshiko viu uma refeição pronta em cima da mesa com um bilhete para Tadase, mas ela precisava ocupar sua mente, queria fazer alguma coisa, sentia que, se ficasse parada, ia acabar enlouquecendo de tanto pensar nos acontecimentos do dia anterior, então decidiu cozinhar outra coisa pro café da manhã. Ela se lembrava vagamente de que o Rei não gostava muito de comer peixe de manhã cedo, e que ele gostava muito de sanduíche... bom, isso quando era pequeno, agora ela já não tinha tanta certeza, mas resolveu fazer sanduíches assim mesmo, e preparar algum suco ou coisa assim, não queria tomar chá Oolong de novo nem tão cedo.


Quando estava quase terminando, ela ouviu o barulho de alguém entrando pela cozinha, se aproximando sorrateiramente por trás, sem fazer barulho, e começou a sentir medo. Quando sentiu uma mão tocando de leve seu ombro, ela levou um susto tão grande, que cortou o dedo com a faca que usava pra tirar a casca que tinha em volta do pão de fôrma.


- Fujisaki-san, acalme-se! Sou eu... você está bem? — perguntou Tadase, recolhendo a mão que colocara em seu ombro
- Aiii!! Ahh... Hotori... kun... nossa, você me assustou. Não faça mais isso, por favor — respondeu a garota aliviada, agora largando a faca e o pão que descascava, e examinando o dedo ferido
- Desculpe. Humm... você está bem mesmo? Deveria descansar um pouco mais — falou o Rei um tanto sem graça
- Eu estou bem, sério. O que quer que eu tenha bebido ontem... parece que já passou o efeito, me sinto bem melhor agora — respondeu a garota, sem encará-lo, com o dedo cortado na boca, para parar de sangrar
- Ahh eu fiz você cortar o dedo né, desculpe... deixe eu dar uma olhada.


Tadase segurou a mão da garota e colocou o dedo que ainda sangrava em sua própria boca. Nadeshiko podia sentir ele passar a língua por cima do corte, pra que parasse de sangrar, mas estranhamente, isso não a fez corar dessa vez. Não que ela nunca tivesse estado em uma situação similar à essa antes, mas, mesmo sendo com Tadase, ela não se sentia apenas constrangida ou embaraçada como geralmente acontecia das outras vezes. Ela sentia medo. Embora soubesse que Tadase jamais lhe faria mal algum, por algum motivo, aquele simples gesto deixara a garota tão apavorada que ela puxou seu dedo de volta,e recuou vários passos pra longe dele.


- N-Não... não me toque...!! — Nadeshiko gritou apavorada, sem conseguir encará-lo. Vários segundos depois, ela se deu conta de que Tadase a olhava meio chocado, e finalmente caíra a ficha do que ela havia falado — D-Desculpe... é que... e-eu sei que você jamais me faria mal, mas... eu... f-falei sem pensar. Eu estou bem. Vou terminar de cortar isso agora — ela disse, ainda sem encarar o garoto, e voltou a descascar os pães.
- Né... não precisa fazer isso, Fujisaki-san, tem comida pronta aqui na mesa — falou Tadase, tentando mudar de assunto
- Não, tudo bem. Se eu ficar parada, vou acabar... pensando naquilo... p-preciso ocupar minha cabeça com outra coisa... a-além do mais, você gosta de sanduíches no café da manhã, não é? Ou será que... não gosta mais?
- Você fez sanduíches?? Uaaaaau eu adoro sanduíches, faz tanto tempo que não como!! — exclamou Tadase sorrindo — Mas minha mãe nunca me deixa comer, ela diz que eu tenho que me alimentar direito pra crescer forte e saudável e blá, blá, blá...
- Bom, acho que podemos abrir uma exceção pra isso por um dia — respondeu a Rainha, colocando pratos com sanduíches e uma jarra de suco de amora na mesa.


Realmente não haviam dúvidas de que Tadase precisava mesmo crescer mais, Nadeshiko ainda era mais alta do que ele, mesmo os dois tendo a mesma idade e ela sendo uma garota, mas não era um único dia comendo sanduíche que ia mudar isso. Tadase parecia muito feliz enquanto comia, pelo jeito ele não comia sanduíches já fazia um bom tempo. Era incrível como Nadeshiko ainda lembrava de todas as comidas que o Rei gostava e não gostava, mesmo fazendo tanto tempo em que os dois não comiam juntos. Bom, exceto pela escola. Tudo bem que todos lanchavam juntos na escola, durante as reuniões no Royal Garden, mas eles costumavam passar muito mais tempo juntos quando eram menores.


Kiseki também havia acordado, e observava os dois um pouco mais afastado, junto com Temari.


- Né Temari... como ela está, hein? — perguntou o pequeno Rei
- Ela diz que está bem, mas...
- Entendo. Ela só não quer preocupar os outros né? — perguntou Kiseki, observando a Rainha
- Acho que sim. É muito estranho ver a Nadeshiko tão séria assim, ela sempre sorri, nem que seja só por educação, mas agora nem isso — comentou Temari aflita — Enquanto ela não puder sorrir de novo... ela não vai estar bem de verdade.


Realmente era muito estranho ver Nadeshiko tão séria por tanto tempo assim. Não, nem séria ela estava... Nadeshiko estava triste. Bem deprimida, na verdade. Ela encarava seu próprio sanduíche, pensativa, no qual ela nem havia tocado, por sinal, e bebia um gole de suco de vez em quando. Era quase assustador ver a Rainha tão deprimida assim, parecia que alguém havia roubado sua alma e deixara um corpo vazio ali, toda cor e vida de seu rosto haviam sido levadas.
Tadase estava realmente incomodado com aquela situação, e decidiu quebrar o silêncio:


- Né Fujisaki-san, você precisa comer logo, ou vamos nos atrasar para a escola — lembrou o Rei, forçando um sorriso
- Ah, isso... acho que não dá mais tempo de irmos pra escola hoje, Hotori-kun, olhe — respondeu a Rainha, apontando pro relógio
- Dez da manhã?! Não acredito, como fui dormir tanto??? Drooooga, por isso não vi meus pais hoje, eles já devem ter saído... por que não me acordaram?! — exclamou o Rei aflito.


Pessoalmente, Nadeshiko achava que era bem melhor assim, pois se os pais de Tadase tivessem entrado no quarto dele pra acordar o filho, teriam visto a garota na cama dele, e aí sim os dois teriam sérios problemas, mas ela achou melhor não dizer isso ao garoto.


- Desculpe, Hotori-kun... você perdeu aula por minha causa, eu sinto muito — desculpou-se a Rainha enquanto observava o amigo ter um ataque
- Ahh... n-não, tudo bem... agora já era mesmo, fazer o que — respondeu Tadase se acalmando, e voltando a se sentar
- Quando terminar aqui... acho que vou voltar pra casa. Meus pais devem estar tendo um ataque por eu ter passado a noite fora...
- Na verdade, eu liguei pra sua casa ontem... eu falei com seu irmão sobre o que aconteceu, e que você estava aqui. Ele disse que inventaria alguma história pra sua mãe, que você foi dormir na casa de uma amiga ou algo assim — contou Tadase
- O Nagi... ele sabe sobre o que aconteceu?? E sabe que eu estou aqui?! — perguntou a Rainha, começando a ficar preocupada
- Sim...


Isso não era nada, nada bom. Das duas, uma: Ou Nagihiko iria querer caçar o garoto que atacou sua irmã até os confis do universo só pra dar uma surra nele, o que a Rainha até achou que o cara merecia, mas tinha medo de que ele tivesse capangas, do mesmo jeito que Saaya tinha, e seu irmão acabasse levando a pior por causa dela; Ou então, depois que essa situação tensa passasse, ele iria zuar a garota até não poder mais por ter passado a noite na casa de Hotori Tadase. Realmente, ela não sabia o que era pior.


- Humm... Fujisaki-san, está tudo bem? Eu fiz mal em avisar seu irmão? — perguntou Tadase, começando a ficar preocupado também
- N-Não, tudo bem... foi melhor você ter falado com ele do que com minha mãe, eu acho... — respondeu a garota, se conformando com a situação.
- Né Fujisaki-san... já que não fomos pra escola hoje, que tal darmos uma volta? Você não precisa voltar pra casa agora, se voltar, sua mãe saberá que você não foi ao colégio. Não quer dar uma volta comigo? Tem um lugar que eu quero que você veja — chamou Tadase sorrindo
- Uma volta...? Claro, por que não? — concordou a garota, sem realmente se animar com isso.


Nadeshiko não queria mesmo ir pra escola naquele dia, sem falar que já estava muito tarde, eles já tinham perdido as primeiras aulas mesmo. E sinceramente, ela também não queria voltar pra casa nem tão cedo, pois teria que contar a verdade para sua mãe quando chegasse lá, então resolveu adiar esse momento por mais algumas horas.
Tadase ajudou a amiga a lavar a louça, e os dois saíram, Nadeshiko sendo guiada por Tadase, que pelo jeito já tinha um lugar em mente pra irem. Para ela não importava muito o lugar aonde iam, ela só queria adiar a hora de voltar pra casa o máximo que pudesse.

*** Próximo Capítulo: Lembranças da Alameda das Cerejeiras ***

Notas finais
Olá de novo! õ/ Gomen ter parado assim meio do nada, é que, novamente, o cap ficou grande demais e eu tive que dividí-lo pela metade =P Mas pelo menos dessa vez não parei na melhor parte, deixando vcs curiosos, como eu sempre faço, né?! (ou será que parei?? o__õ) Pessoal, se puderem, leiam minha one-shot de Maria + Holic onegai *---* http://www.fanfiction.com.br/historia/153435/Aposta_Indecente Deixem reviews dizendos e gostaram, se odiaram, se amaram, se acharam o capítulo muito longo, muito pequeno... enfim, dêem suas opiniões! Lembrem-se que reviews fazem bem pro coração e pra inspiração do autor *o* Sayonara ^__^