O Segredo Dos Gêmeos
4 Capítulo 4 - Novo Indivíduo
– Eu não acredito que é você! — Len dizia abraçando com força Rin e com os olhos arregalados ainda.
Rin não conseguia retribuir o abraço, ela ficou cinco anos procurando ele por todos os lugares. Se meteu em tantas encrencas por sua culpa e no final, quando ela desiste, ele aparece na frente de um posto, assaltando-a.
– Len... – Rin sussurrava e ficava sentindo o cheiro de seu moletom.
– Eu senti tanto a sua falta! – Len disse e soltou Rin lentamente. – Parece que você teve mais sorte que eu...
Len dizia e observava a quantia de dinheiro nas mãos de Rin e as roupas que usava, seu cabelo brilhoso e o cheiro de perfume.
– O que aconteceu com você... Onde você se meteu?! – Rin dizia socando a barriga de Len inúmeras vezes.
– Ai, ai... – Len dizia rindo. – Bom, acho que você percebeu que eu não consegui arranjar uma família... Eu acabei me perdendo depois da nossa briga...
– Você já sabe que ela se foi não é? – Rin disse cerrando os punhos e olhando para seus pés.
– Ela quem? Sempre moramos juntos e sozinhos... – Len disse olhando ela sem entender nada.
– Len?! Você não é o Len! Você não se lembra da vovó?! – Rin perguntou desesperada e se afastou do garoto rapidamente.
– Nossa avó morreu sem nem conhecermos ela... – Len disse achando Rin muito, muito estranha.
– Não pode ser... – Rin disse e saiu correndo para sua casa. – Me siga! Rápido! Antes que eu esqueça!
– T-tudo bem... – Len disse e começou a correr atrás de Rin.
– Eu não acredito que não entendi isso até hoje... – Rin sussurrava enquanto corria.
Eles finalmente chegaram e entraram na mansão. Len estava de boca aberta com o tamanho da casa e a sorte de Rin.
– Acho que foi bom nós brigarmos, olha onde você veio parar... Muito melhor que a nossa casinha. – Len dizia sorrindo por Rin.
– Não! Você está errado! Nossa casa era ótima! – Rin dizia quase chorando e indo para dentro da casa.
Os pais adotivos dela tinham acabado de chegar do trabalho e estavam na sala assistindo um filme.
– Por favor... Escutem-me por alguns momentos. – Rin disse arfando.
– Quem é esse garoto filha?! – O pai dela perguntou preocupado.
– Eu o encontrei... Esse é o meu irmão mais velho... Eu gostaria de pedir que o adotassem e permitissem que ele morasse com a gente. Ele pode dormir no meu quarto, não precisamos de muitas regalias. Eu só peço isso... – Rin dizia rápido e esperando que eles aceitassem.
– Claro, claro! Você esteve tanto tempo procurando por ele! Claro que ele pode ficar com a gente! – A mãe dela disse sorrindo e foi abraçar Len. – Bem-vindo!
– Calma querida, não é tão fácil assim. Temos que resolver toda a burocracia. Mas nós te prometemos que se caso você encontrasse ele, ajudaríamos vocês dois. Mas enquanto isso, ele pode ficar na nossa casa, em quartos separados. – O pai disse sério. Rin era a filhinha amada dele.
– Muito obrigada! – Rin dizia abraçando os dois.
Len estava pasmo, tudo aconteceu tão rápido e ele nem podia dizer nada. Estava tão feliz. Seus olhos estavam arregalados e mantinham o foco naquele abraço aconchegante.
“Será que algum dia ganharei um desse? Não seja idiota Len! Eles já te aceitaram morar aqui, um abraço junto com eles já é pedir demais... Mas aquela mulher me abraçou e eu estou todo sujo...” Len pensava e logo se envergonhou.
Ele se sentia muito mais que obrigado em agradecer. Ele se curvou assim que o abraço terminou e a atenção foi voltada para ele.
– Muito obrigado! Eu estou dizendo isso do fundo do coração! Por favor, eu pretendo não incomodar e quando puder vou ajudar vocês em qualquer coisa que eu saiba fazer. Será mais que um prazer ajudar quem me acolheu sem nem ao menos saber de onde eu vim ou o que eu fazia. E quero também agradecer por cuidar da minha irmã e tratá-la tão bem. – Len disse e os pais tiveram certeza que não precisariam se preocupar com ele.
– Muito bem, você pode dormir no quarto da Rin por enquanto... Mas quando ajeitarmos seu quarto você dormirá nele tudo bem? – A mãe disse sorrindo.
– Tudo bem. Agradeço pela preocupação. – Len disse sorrindo.
Rin puxou o pulso dele e eles saíram correndo pelas escadarias e foram até um corredor.
– Eles querem te colocar em um quarto separado porque eles tem medo que você faça algo comigo. – Rin disse rindo.
– E-eu?! Eu nunca faria isso... – Len disse olhando Rin sorrir. – Eu senti muito a sua falta, não queria morrer enquanto não te encontrasse. Não queria morrer brigado com você.
– Nós brigamos sério não é? – Rin disse rindo. – Mas agora vamos esquecer isso.
– Esquecer... — Rin sussurrou.
Os dois entraram no quarto e Rin correu para sua penteadeira e acendeu uma vela.
– Por que está acendendo uma vela? – Len disse de pé ao lado dela. – Seu quarto é enorme...
– Sabe... Eu não tenho certeza, só senti que hoje tinha que acender uma vela... – Rin disse séria.
– Você tem tantas coisas caras. – Len disse. — E esse papel colorido, o que significa essa frase?
– Hum... Eu também não tenho certeza. – Rin disse lendo o papel. – Deve ter sido bobeira minha.
Rin amassou o papel e jogou fora.
Nele estava escrito:
“Só os especiais se lembrarão...”
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